26 de abril de 2017

40ª Corrida da Liberdade

Depois de quase quatro anos sem participar em provas de estrada (excepção para a Maratona do Porto), agora, pumbas, duas em quatro dias!


"No dia 24 de Abril de 1974, um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho instala secretamente o posto de comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa. Às 22h 55m é transmitida a canção E depois do Adeus, de Paulo de Carvalho. Este é um dos sinais previamente combinados pelos golpistas, que desencadeia a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado. O segundo sinal é dado às 0h20, quando a canção Grândola, Vila Morena de Zeca Afonso é transmitida pela Rádio Renascença, que confirma o golpe e marca o início das operações."


A última edição em que tinha participado foi a 36ª, mas ainda me lembrava razoavelmente bem do percurso. Partimos junto ao Quartel da Pontinha, atravessamos Benfica, Telheiras e Alvalade, para depois seguir na direcção de Entrecampos, percorrer a Avenida da República, Saldanha, Marquês, e daí descer até à Meta, nos Restauradores, seguindo os passos da Revolução. E é por entre cravos, e após a largada simbólica das pombas, que é dada a partida para os perto de 11 km da Corrida da Liberdade.

O primeiro quilómetro ainda é feito junto aos colegas de equipa, mas depois cada um seguirá no seu ritmo. O meu será, mais uma vez, confortável, pois a ideia, após concluir a prova, é ainda regressar a casa a correr (sensivelmente 9 km).

Mesmo assim, em prova, distraída pelo ambiente, acabo por correr a ritmos que nunca faria em treino, e é bom ver que me sinto confortável mantendo um ritmo que é raro atingir nos trilhos. Quando não temos de nos preocupar onde metemos os pés, a tarefa é facilitada. :)

Fiz a prova a sentir-me sempre bem, inclusive após a passagem dos túneis, que são as "montanhas" deste percurso, e depois foi só desfrutar da descida do Saldanha até à Meta, onde, aparentemente, tentei ultrapassar toda a gente que ia à minha frente a ver se ainda ficava em primeiro, tal o ritmo que imprimi. Estava a ver que cruzava a Meta nos Restauradores e só parava no rio Tejo, não era o embalo que levava! :)

Chegando à Praça dos Restauradores há sempre alguma confusão na zona dos garrafões, embora não tão má como no último ano em que participei, e desta vez havia, sem dúvida, muito mais gente a participar. Numa prova gratuita, ainda assim temos direito a uma t-shirt, medalha e um saco com uma garrafa de água reutilizável bastante catita. Após 40 anos, continuam todos de parabéns. E venham muito mais edições!

Recordo-me de, no primeiro ano em que participei na Corrida da Liberdade, ter encontrado um amigo do meu pai que tinha corrido de mochila porque "estava a fazer um treino" e ainda ia correr até casa. Na altura, lembro-me de ter pensado: "mas porque é que alguém há-de querer correr ainda mais a seguir a isto?!". Pois é... Desta vez fui eu a cromita que correu de mochila e que ainda ia regressar a casa a correr. E não fui a única!

Enfio as coisas na mochila, bebo mais um golo de água, dou uma trinca numa barrinha e siga para o resto do "treino", num ritmo ainda mais confortável ;), mas contente, porque há dois meses sentia-me cansada com muito menos que isto.

- " 'Bora, qu' agora é sempre a direito!"



(A seguir é que é mesmo a crónica de Vila de Rei, juro!)

23 de abril de 2017

22ª edição Corrida Terry Fox

"The answer is to try and help others."
Terry Fox


No dia 12 de Abril de 1980, o jovem canadiano Terry Fox deu início àquela que iria ficar conhecida por Maratona da Esperança. A ideia era atravessar o Canadá de uma ponta à outra, correndo todos os dias, como forma de angariar fundos para a investigação do cancro, doença da qual sofria. Infelizmente, Fox acabou por morrer antes de concluir o projecto. No entanto, 36 anos depois da sua morte, milhares de pessoas por todo o mundo ainda se juntam nas provas que têm o seu nome, para poderem continuar a correr os quilómetros que ele iniciou.

Nos últimos anos não tenho podido marcar presença nesta prova por coincidir com outros objectivos, mas este ano estava livre e não pude deixar de ir dar o meu contributo. A inscrição na prova são €10, o que pode ser considerado caro para uma distância de 10 km, mas o valor reverte na íntegra para a investigação em oncologia, logo é muito bem empregue. Este ano, entre participações e donativos, conseguiu-se atingir a quantia de €30.000, que servirá para financiar duas bolsas de investigação.

Continuo a achar que esta é uma prova muito pouco divulgada. Estiveram presentes quase 1500 pessoas, entre corrida e caminhada, mas mesmo assim deviam ser mais. Além disso, e apesar de continuar a ser uma prova não competitiva, ou seja, não há classificações, agora tem um percurso definido de 10 km (ao contrário do último ano em que participei, em que cada um fazia as voltas que queria numa circular), portanto serve também para testar os tempos na distância.

Local da prova.

Quanto à minha prova, bom, primeiro tenho de dizer que - e tive de ir confirmar! - a última vez que tinha participado numa prova de 10 km tinha sido em... 2013!!! Mais propriamente, esta. Portanto, vou já fazer o relato da mesma, apesar de ter outras crónicas de provas em atraso, porque são "só" dez mil metros e despacha-se num instantinho. :)

Um das coisas a que já não estava habituada era à Partida. E aí, a diferença para os trails, em especial para as ultras, é marcante. Enquanto no início de um ultra trail uma pessoa passa a linha da partida e provavelmente ainda vai ali a andar, a ajustar a mochila ou a mastigar uma barrinha, dá beijinho na mulher ou filhos que ficaram a assistir, pára para uma foto de última hora abraçado ao colega, manda uma piadola para alguém conhecido do público, etc... Numa prova de 10 km começa-se, vejam bem... a CORRER! Mal soa a partida, desata tudo numa correria desenfreada como se tivessem acabado de anunciar saldos de 90% em calçado desportivo na loja da esquina.
"Quem soltou os cavalos?!!" - pensei eu. Já não estava habituada a isto e dei por mim embalada pelo pelotão. Quando olhei para o relógio e vi o ritmo/km até tive palpitações. O meu gps já não estava habituado a registar aqueles tempos, até transpirava, coitadinho! "Eláaa, tem lá calma contigo, que não tens treinado para isto." Então, optei por não olhar mais para o relógio e fazer a prova conforme as sensações.

O percurso não era nada que eu já não conhecesse de inúmeros treinos. Partimos junto à pala do Pavilhão de Portugal, seguimos para a esquerda na direcção do rio Trancão (4 km), onde fazemos o regresso, continuamos até à Marina do Parque das Nações (8,5 km) e depois é só regressar novamente até ao Pavilhão de Portugal, através do Oceanário. Fui sempre confortável e a sentir-me bem, tentando puxar um pouco nos últimos 3 km, para ver se quebrava. Quase quebrei junto à placa do km 9 que, curiosamente, estava localizada no exacto sítio onde dei uma queda espalhafatosa há dois anos. Mas, ali tão perto da meta, que se lixe, "agora é aguentar"! E lá se fez, com os últimos 400 metros sempre a direito, bem bons para alargar a passada e ficar bem na fotografia. Quem assiste à chegada, de certeza que nem desconfia nada que aquele não é o nosso ritmo natural. :)

Fiz os 10 km confortavelmente em 57:58, o que considerei muito bom, tendo em conta que, como disse, não participo em provas de 10 km DESDE 2013!!! (A sério, como o tempo passa...)

"CORRER É VIVER"

Nesta prova, vem-me sempre à memória aquele homem estrangeiro que, em 2012, e vendo tanta gente com as t-shirts da corrida, me veio perguntar que evento era aquele. Ele próprio estava a enfrentar um cancro na altura, e os slogans chamaram-lhe a atenção. (Falo desta história na crónica desse ano.) Não sei o que será feito dele. Infelizmente, e devido à gravidade do prognóstico, nem sei se ainda estará vivo, mas nunca me irei esquecer do seu "thank you" emocionado...

Embora, confesse, nem sempre tenha muita fé na humanidade, "the answer is to try and help others". Qualquer ajuda, por pouca que seja, vale muito para quem precisa.

T-shirt 22ª edição.

20 de abril de 2017

Olá, há quanto tempo! Como estão?

- "Então e, entretanto, posso continuar a correr?".

Aparentemente, esta é a primeira pergunta que se faz quando vamos ao médico e saímos de lá com a descoberta de alguma maleita. Neste caso, uma anemia ligeira. 11g/dL de hemoglobina, quando os valores normais para uma mulher se encontram entre os 12 e os 16g/dL. A médica disse que, como corro, pode acontecer este tipo de situação. Teríamos de confirmar a causa e depois tornar a fazer novo teste. Foi então que surgiu a minha questão. A resposta:

- "Bom, se calhar, entretanto é melhor ir com calma."

Nesse fim-de-semana estava inscrita para a ultra de Vila de Rei... Womp womp...

Como já estava tudo marcado acabei por ir na mesma (#sensatez #not), MAS fiquei-me pela distância mais curta (#domalomenos). Ou seja, fui na mesma, mas na ideia de ir fazer apenas 23 km, em ritmo de passeio. Claro que o Território de Vila de Rei não é nenhum passeio, independentemente da distância, mas sempre foi melhor do que ir desgastar-me durante um dia inteiro. Na altura tive perfeita noção de que conseguia terminar a ultra, se fosse necessário, mas a que custo? Ainda assim, andei (foco na palavra "andar") por lá quase 4 horas, mas o que me deixou tempo suficiente para ver chegar os primeiros classificados (esta prova fazia parte do Campeonato Nacional de Ultra Trail e apurava directamente os dois primeiros classificados - masculino e feminino - para representar a selecção no Mundial de Trail a realizar-se em Itália) e fazer de claque ao restante pelotão, coisa de que gosto muito.

Trilho das Cascatas - Vila de Rei.

Março acabou por ser, forçosamente, muito parco em exercício. Fiz sobretudo caminhadas e um ou outro passeio de bicicleta. Passado um mês, alguns exames e alterações alimentares depois, tornei a fazer o teste sanguíneo e os valores já se enquadravam nos considerados normais. Agora terei nova consulta de controlo daqui a três meses.

Caminhadas.

Em Abril regressei gradualmente aos treinos e até cheguei a participar num trail (curto!), o Cork Trail. Apesar da preocupação e do óbvio retrocesso, regressei com muito mais vontade. Confesso que, de certo modo, fiquei aliviada por saber que o cansaço que sentia desde há uns meses não era apenas preguiça e ronha, tinha uma explicação médica. Apesar de ter noção dos meus limites como atleta, estranhava o facto de o "regresso à forma" estar a ser mais demorado do que o normal e alastrar-se ao desânimo que até me tirava a vontade de vir para aqui escrever sobre as minhas aventuras.

Cork Trail.

Neste momento já noto um aumento de energia e, tal como disse, isso reflecte-se na minha vontade para treinar. Nestes dois últimos meses nunca cheguei a estar afastada dos trilhos (quando não se pode correr, caminha-se) mas comecei a sentir falta de puxar um bocadinho mais por mim. Eu, que nem gosto de treinar, só de correr conforme me apetece, imaginem! Além disso, tenho tomado mais atenção à minha nutrição que, confesso, era coisa a que nunca liguei muito. Como sempre gostei de comer e nunca tive falta de apetite, não me preocupava. Não faz o meu género contar calorias e analisar minuciosamente a tabela nutricional dos alimentos, mas vou passar a tomar mais atenção ao que como, sobretudo durante e após o exercício (a minha maior lacuna).

Óbvio que tudo isto me fez reavaliar os meus objectivos próximos, mas depois falarei sobre isso. Entretanto, vou aproveitar esta nova vaga de energia para terminar a crónica de Vila de Rei que ficou pela metade há mais de um mês e escrever a do Cork Trail. Este blogue é o meu diário de corridas, não pode ficar incompleto! Como é que me vou lembrar das provas que fiz, quando for velhinha? :)

Ah, e gostei de vos ver. ;) Já tinha saudades.