30 de dezembro de 2017

Boas Festas!

Não queria deixar terminar o ano sem vir dar notícias e sossegar as inúmeras pessoas que questionaram os motivos da minha ausência (pronto, ok, foram só duas ou três pessoas, mas quero acreditar que representavam a preocupação de todos vocês, seus amigos da onça... Humpf! :p).
Bom, a explicação curta é que pouco ou nada corri nestes últimos meses do ano. A explicação longa, ou seja, o motivo, será explanado posteriormente. Não me quero alongar nesta que pretende ser uma crónica de Boas Festas.

Para ser sincera, senti a falta de vir aqui escrever. Acedi ao blogue e abri o editor de texto diversas vezes mas, após alguns minutos a olhar para a página em branco e algumas tentativas falhadas de alinhavar uma crónica, tornava a encerrá-lo.  E até nem tinha falta de matéria. É verdade que 2017 não foi um grande ano (para não dizer mau) de corrida para mim, sobretudo nestes últimos meses. Mas continuei a passear na minha Sintra e a estar no lado da claque de diversas provas. Assisti ao Triatlo de Cascais, à Meia Maratona das Lampas, ao Trail da Tapada, à Maratona de Lisboa e a outras tantas provas que agora me esquece. Em algumas nem conhecia ninguém que ia correr (apesar de depois acabar por encontrar sempre alguém conhecido), ia apenas pela festa da corrida. Via-me refletida na luta e conquista de cada atleta que passava, e isso dava-me alento. Ir assistir a estas provas dava-me mais alento a mim do que aquele que as minhas palmas ou gritos de incentivo poderiam dar a quem corria.
Depois, confesso, entrei numa fase negra em que bastava passar por alguém a correr na rua para sentir um baque no coração. Também queria estar a correr... Também nessa altura aqui vim, abri o blogue, quis desabafar o meu desânimo, mas nunca cliquei em Publicar.

Mas hoje, talvez por estarmos a chegar ao fim de 2017 e a transição de um ano para o outro nos dar sempre a ilusão de recomeço; talvez por ter vindo da São Silvestre dos Olivais, que desta vez não corri mas foi a prova que, em 2011, deu origem a tudo isto, ao início do meu blogue (já lá vão 6 anos, caramba!), ao início da corrida como parte de mim; talvez por começar a ver a luzinha ao fundo do túnel... Hoje, tive mesmo de vir escrever (e Publicar).

Ainda que seja apenas para vos/nos desejar umas Boas Festas (e que grande que já vai o texto para quem não se queria alongar!)

Como de costume, por aqui:

"SAÚDE E PAZ, QUE O RESTO A GENTE CORRE ATRÁS"


Um excelente 2018!

17 de setembro de 2017

Abastecimentos naturais

Agora que o Verão está a terminar, já consigo olhar para os treinos estivais com outra benevolência. A bem da verdade, se há coisa em que o Verão é mais generoso do que as outras estações do ano para a corrida, é na oferta de abastecimento natural. Por exemplo, quem nunca parou a meio de um treino para descansar apanhar as belas das amoras?


Pois é, cidade ou campo, é rara a zona em que não haja umas silvas onde se pode colher uns quantos destes frutos. Num parque perto de minha casa até existe uma amoreira mas, por acaso, prefiro as amoras silvestres. E, sabendo o preço a que se vendem nos supermercados (upa upa!), até as enfardo com outro gosto. São especialmente saborosas nos treinos longos, quando não se leva comida na mochila.

Outra árvore que me deu bastante jeito entre Junho e Julho foi o abrunheiro. Na zona onde vivo há imensos e lembro-me, quando ainda andava na escola, de sairmos das aulas e fazermos competições para ver quem apanhava mais abrunhos. Eram barrigadas daquilo, às vezes ainda estavam meio verdes e tudo, o que resultava, como podem calcular, em enormes dores de barriga! No entanto, se fosse preciso no dia seguinte estávamos lá batidos a comer abrunhos novamente. Enfim, jovens... :)
Agora já não sou tão jovem mas continuo a gostar de os comer. Este Verão, colhi quase sempre dois ou três nos treinos de final de tarde.

Outro do meu top de fruta-abastecimento-natural é o figo.


Também tenho a sorte de passar por uma ou outra figueira nos locais por onde habitualmente treino. A figueira, para mim, é "a" árvore do Verão.
Já aqui falei uma vez da associação de certos cheiros à memória (não consigo encontrar o link, mas apercebi-me que já são quase 6 anos de arquivo!). Ou seja, de haver certos aromas que nos transportam para determinada fase da nossa vida ou, até mesmo, para uma situação específica. A mim, o cheiro de figueiras faz-me sempre recuar até às férias de Verão no quintal dos meus avós, em criança, onde havia uma figueira onde passávamos as tardes à sombra. Eu e os meus primos subíamos o tronco e comíamos os figos mesmo ali, com as mãos peganhentas do pingo do mel e do leite, abocanhávamos a polpa e marchavam bocados de pele e tudo e, invariavelmente, nunca chegávamos ao final das férias sem ficar com os lábios rebentados por comer alguns que ainda não estavam suficientemente maduros. Ainda hoje só consigo comer figos assim, directamente apanhados da árvore.

Este não é um fruto, e duvido MUITO que seja comestível, mas são cogumelos
com uma cor e consistência que me fizeram lembrar gomas durante um treino
(sim, estava com fome!!!). Tinham uma cor ainda mais radioactiva ao vivo.

E agora, mais para o final de Agosto, já se começaram também a avistar medronhos.


Portanto, durante o Verão tive tudo isto à disposição nos meus habituais campos de treino, de forma livre e sem necessidade de andar à chinchada (ainda se usa a palavra "chinchada" ou estou a ficar velha?) Tradução de "chinchada": assalto a árvores de fruto com dono.

Este Verão tive também, e porque falei em cheiros, a experiência de correr por um local com-ple-ta-men-te queimado...


É o percurso que habitualmente faço quando estou de férias na terrinha (Serra da Estrela). Nessa manhã tinha chuviscado, o que adensou o cheiro a queimado da zona que tinha ardido há pouco mais de duas semanas. Foram 25 km, repito, 25 km disto:


Desolador. Foi um treino e um murro no estômago ao mesmo tempo.

Bom, muito teria a dizer sobre este tema dos incêndios, mas já todos sabemos como foi este ano e este não é o local para o fazer. No entanto, só para me manter no tema da crónica, este Verão vi, pela primeira vez, maçãs assadas numa árvore. Sim, uma macieira queimada, ainda com as maçãs penduradas. Tinham exactamente o mesmo aspecto e consistência das maçãs quando vão ao forno. Era tão caricato que devia ter fotografado, mas não consegui.

E vocês, esses treinos de Verão, que tal foram? Comeram muito (frutos)? Andaram à chinchada? (Eu prometo que não conto a ninguém...;) )

8 de agosto de 2017

"Eu gosto é do Verão", já dizia a música (mas não para correr)

As pessoas que adoram treinar durante o Verão, todas contentes a sentir o "calorzinho"... Não vos entendo, mas amigos na mesma. :)


Para mim, nada como a liberdade de treinar em qualquer outra estação do ano. Em qualquer altura do dia que tenhamos disponibilidade, basta olhar lá para fora, ver se não está a chover, se necessário vestir um corta-vento ou um impermeável, e sair.
No Verão, não podemos aproveitar um qualquer buraco a meio do dia para ir correr. "Ah, e tal, são duas da tarde e tenho algum tempo, deixa-me cá ir fazer um treininho." Seria óptimo, se não estivessem 75 graus lá fora! Nesta época, ou saio para treinar às cedo-pra-caráças da manhã, ou então vou só ao final do dia e passo o treino todo a pensar em comida no jantar.

Além disso, e ao contrário do que se possa pensar, a logística é imensa. Tudo bem, está calor e não é preciso tanta roupa, mas... Tenho de besuntar toda a pele exposta com protector solar. Depois, por causa da transpiração, tenho de colocar vaselina/creme anti-fricção/outro semelhante em todas as zonas passíveis de criar assaduras. No Verão é certinho: se o treino for superior a 1 hora, vou ficar com assaduras, sobretudo na zona do top. Não interessa se o top é do chinês ou da marca xpto, é igual (acreditem, já fiz o estudo!). Ah, e a faixa cardíaca, durante o Verão, é para esquecer. Às vezes, mesmo pondo o creme, se o treino for longo, não me livro de ficar com uma ou duas marcas. E quem treina de calções curtos sem uma licra a proteger... As vossas pernas não roçam uma na outra??! Contem-me o vosso segredo!

No entanto, e apesar de agora ter sempre de me preparar para uma corrida como se fosse para a guerra,


a verdade é que tenho mantido uma base regular de treinos.

Não tenho nenhuma prova programada no horizonte próximo, razão pela qual também não tenho actualizado o blogue com frequência, mas nunca se sabe quando pode surgir a vontade de nos inscrevermos numa aventura de última hora, por isso é sempre bom manter os mínimos de forma.

O que vale é que Sintra nunca desilude. Ainda este sábado, saí de Lisboa com um calorão e cheguei à serra e estava Inverno.

<3

Depois, nos restantes dias, aproveitam-se as sombras, quando as há, ou os treinos junto ao mar.


No domingo, e porque já não o fazia há muito tempo, houve treino pelas arribas junto à costa. Neste tipo de treino privilegia-se o tempo nas pernas e o desnível em detrimento dos quilómetros, mas no dia seguinte notam o efeito. :) Além disso, é sempre bom ter crioterapia ali disponível logo ao lado.


Ok, talvez os treinos de Verão também tenham as suas coisas boas... ;)


Em outras notícias, depois de me besuntar de protector solar, creme anti-fricção, pôr o boné e os óculos de sol, continuo a levar também os auriculares para ouvir os podcasts nos treinos semanais (obrigado pelas vossas sugestões!).
Num destes dias, num dos podcasts que sigo, escutava uma entrevista a Harvey Lewis (atleta americano que esteve no nosso pais recentemente) e achei engraçado ele referir-se a Portugal umas quantas vezes. Quem tiver interesse em ouvir o que ele tem a dizer sobre a sua parceria com Carlos Sá, a Run Quest Travel, os trilhos portugueses, os cavalos de Arga e a nossa comida, pode fazê-lo sobretudo a partir do minuto 58:11.
A quem interessar a temática "corrida e atletas" (porque é que se haveriam de interessar por tal coisa?!;) ), aqui fica a sugestão de mais um podcast, em formato de entrevistas.


Continuação de bons treinos estivais e/ou boas férias!