22 de setembro de 2016

GNR Trail Ericeira

Depois de uma semana bem quente, a Foz do Lizandro recebeu-nos com alguma neblina. Com algumas abertas e uma ligeira brisa fresca, estava o tempo ideal para correr.

Palco do GNR Trail 2016. Nada mau, pois não?

Desta vez por terras da Ericeira, esta foi a 3ª edição do Trail organizado pela GNR (A Guarda Nacional Republicana, não confundir com o Grupo Novo Rock), prova da qual sou totalista. (Ver GNR Trail Sintra 2014 e GNR Trail Mafra 2015.)

A Partida do Trail e Caminhada, junto ao Parque de Estacionamento.

É uma prova de cariz solidário, de participação gratuita - apenas se pede que levemos bens alimentares que serão posteriormente distribuídos por famílias assinaladas - e temos sempre direito a uma t-shirt e a abastecimentos q.b., com trilhos bem desenhados e assinalados, tudo muito bem organizado.

O primeiro engarrafamento, por volta dos 7 ou 8km,
que correspondeu à primeira foto tirada durante a prova.

De ano para ano, esta prova tem crescido em quilómetros (dos 10km de 2014 para os 19km de 2016) e em número de participantes, mas isso não afectou a qualidade organizativa para além de algum atraso na hora da partida, por ainda estarem muitas pessoas a levantar os dorsais. Além disso, o aumento na participação correspondeu também a um aumento na quantidade de bens angariados, que, este ano, atingiu mais de 6000 kg!

Pelotão sempre compacto, por trilhos recentemente desbastados.

Os militares da GNR estão sempre presentes ao longo do percurso, no corte de estradas ou no controlo do trânsito. E, este ano, até "abriram" uma parede surpresa, na subida ao Forte do Zambujal. Tudo para "divertir os atletas", como gozava anunciava um GNR, ao altifalante, dentro do carro-patrulha. Obrigadinha! :)

Parede "criada" especialmente para nós, cortesia da GNR.

Entrada no Forte do Zambujal.
Abastecimento no Forte do Zambujal.
Vista panorâmica.
Energias repostas, tudo a correr!
Durou pouco... :) Novo engarrafamento.

O percurso estava indicado como "difícil", na página da prova, mas a parede do Forte foi a única digna desse nome em toda a prova. De resto, tirando uma subida de 1km por volta do km 15, era um percurso bastante rolante, sendo apenas necessária alguma atenção nos trilhos recentemente limpos, com tocos e pedras.

Um pouco de estradão a acompanhar o percurso do rio.

Quanto à minha prova, comecei melhor do que pensava e aguentei-me bem até cerca do km 12. Depois, tive ali uma fase de 2 ou 3 km de sofrimento, que coincidiram com o sol a pique, e tive de andar durante um bocado, apesar de estar num estradão.

Novos trilhos, a 3 km da Meta.

No entanto, consegui manter o humor e até (tentei) animar uma mulher que ia a caminhar ao meu lado, e que estava numa daquelas fases más que a gente bem sabe, dizendo-lhe que "só" já faltavam 6 km... Bem, haviam de ver o olhar que ela me mandou... :)

"Areia a esta hora??" A 1,5 km da Meta.

De resto, a 4 km da Meta as placas começam a mostrar a contagem decrescente (que sei que a maioria das pessoas não gosta, mas a mim não me faz diferença) e, a partir daí, é praticamente sempre a descer até à Praia da Foz do Lizandro.

Com a aproximação do mar, fugimos novamente do sol e entramos na neblina.
O mar ao fundo. Conseguem vê-lo?

Depois, no último "quilómetro alentejano" (daqueles que se prolongam por bem mais de mil metros), houve um bocadinho de dificuldade acrescida nas dunas.

A chegar às dunas.

E cruzamos a Meta com um pouco mais de 19km, sendo os últimos 200 metros feitos pelo areal.

A Meta é por aqui!

O meu Garmin estava com problemas na altura, por isso não registei o tempo, mas, pelo que marcava no relógio quando chegámos, foram cerca de 2h30.

Por último, uma das melhores partes:

Repor energias!

E este fim-de-semana rumo novamente a Arga. Desta vez, em versão dobradinha. Dizem que a paisagem está um bocadinho desoladora, devido ao recente incêndio... Inclusive, tiveram de alterar os percursos, perdendo o GTSA a sua mítica subida à Senhora do Minho.
Este ano não estava previsto ir, mas depois as condições proporcionaram-se e não quis faltar à visita anual a esta serra. Será uma boa história na mesma, tenho a certeza.

Bom fim-de-semana!

15 de setembro de 2016

Subida ao Cântaro Magro

Na tarde anterior, quando os avistámos, lá estavam eles, desafiantes...

Os Três Cântaros.

Da esquerda para a direita: Cântaro Raso, Cântaro Magro e Cântaro Gordo (este último um pouco encoberto na foto acima, mais visível na foto abaixo). 1916m,  1928m e 1875m, respectivamente.

E eu queria subi-los porque, pronto, "estavam lá"...




Que dizer? É aquela atracção ancestral do ser-humano pelos picos mais altos, sempre a busca do topo, aliada ao desafio que é alcançar um local apenas acessível a pé.

Existe um percurso pedestre circular que une este afloramentos graníticos. A distância não é muita, mas a dificuldade é grande, devido à sua inclinação e tecnicidade. Aliás, este está assinalado como percurso de escalada e é muito procurado para a prática, sobretudo no Inverno, com a neve, e é possível, ao longo da subida, observar vários espigões nas rochas
Por isso, devido ao pouco tempo de que dispúnhamos, este circular teria de ficar para depois, mas, pelo menos, o Cântaro mais alto teria de ser explorado.


Na direcção do Cântaro Magro.

O percurso tem início no Covão d'Ametade. Localizado no sopé do maciço do Cântaro Magro, início do Vale Glaciário do Zêzere, o Covão d'Ametade tem a particularidade de ser uma espécie de "miradouro ao contrário". Uma pessoa chega, senta-se à sombra dos vidoeiros e olha para cima. O horizonte é cortado pelo enorme maciço rochoso, que nos faz sentir pequenos, mas não claustrofóbicos. Pelo contrário...

É também aqui que nasce o Rio Zêzere, nesta altura do ano pouco mais do que um fio de água no leito.


Antigamente, era um dos poucos lugares onde era permitido fazer campismo selvagem em todo o Parque Natural da Serra da Estrela. Tinha assadores, mesas, wcs e, inclusive, um bar de apoio. Hoje em dia está um bocado ao abandono...

Totalmente de acordo! Mas qual contentor?

Nem sequer existe um único contentor ou caixote do lixo neste local, que ainda é muito utilizado para piqueniques familiares. Depois, claro, é ver restos e sacos de lixo empilhados por todo o lado, o que é triste.

Mas bom, falta de civismo e questões burocráticas de autarquias à parte, este local continua a ser mágico. O silêncio que aqui se ouve... têm de experienciá-lo!


Um bocadinho mais tarde do que suposto (férias e tal...), iniciamos a subida.

A admirar o maciço ou à espera de satélites no gps? :)

No final, o gps não quis colaborar, mas não seria isso que ia estragar esta experiência. Seguimos junto ao caudal do Zêzere e depois, mais à frente, por um pequeno trilho que ainda se distinguia pelo meio da vegetação, sempre na direcção do Cântaro.


Depois, a vegetação começa a adensar-se e andamos por meio de arbustos mais altos que nós. Os ramos começam a deixar as suas marcas na pele. Provavelmente, nesta subida será mais recomendável o uso de calças ou corsários, mas estava muito calor e não tinha levado nenhuns comigo.


Este percurso não tem marcação oficial. A única coisa a guiar-nos são as mariolas deixadas pelas outras pessoas. Acontece que, por vezes, existe mais do que uma opção de subida e nem sempre aquela que foi utilizada no início da Primavera pode ser utilizada agora no Verão, devido ao crescimento dos arbustos. Por outro lado, as chuvas e neves também deitam abaixo algumas das pilhas de pedras, de um ano para o outro. Quando demos por nós, nem uns 300 metros devíamos ter feito e já estávamos "perdidos". E estes 300 metros levam váaarios minutos a serem feitos, atenção!


É frustrante ver a direcção que temos de seguir mas não conseguirmos encontrar um trajecto, ou por causa da vegetação, ou por causa das rochas. Felizmente, começámos a ouvir vozes vindas de cima, de alguns caminheiros que estavam a efectuar a descida. Conseguimos perceber o local de onde vinham e dirigimo-nos para lá. Dali para a frente disseram-nos que seria mais fácil seguir as mariolas, e, de facto, foi.


Já avançámos uns 500 metros! :)


É continuar a subir.



Mais ou menos a um terço do percurso, encontramos o primeiro de vários laguinhos formados pela corrente do Rio Zêzere.


Não deu para resistir à agua fresca e límpida! Foi a primeira paragem para um mergulho.


No Inverno deve por aqui passar uma cascata imponente. Agora corria apenas um fiozinho de água, audível.

Chega de ronha, toca a subir!


Já uns metros mais acima.


Aqui começa a inclinação a aumentar, a vegetação a escassear e as rochas para escalar.


Upa!


Já a uma altitude considerável, mas ainda longe do pico.


Depois de mais desnível acumulado, novo mergulho num lago ainda mais convidativo que o primeiro. Não era cansaço, era a água que era irresistível, claro! :) Incrível a quantidade de água que existe neste maciço, mesmo em pleno Verão. Ninguém diria, observando de baixo.

Chegando a um ponto em que o topo parece que é "já ali", a caça às mariolas torna-se cada vez mais complicada. Só resta adivinhar o trajecto, saltando rocha atrás de rocha.


Foi mais ou menos no local acima que avistei uma cobra!!! Sabia que estava a ser uma sorte ainda não ter avistado nenhuma e tentava sempre fazer muito barulho para avisar qualquer bicheza da nossa aproximação, mas esta cobra estava a dormitar ao sol e demorou a esconder-se. Era pequenina e não me ligou nenhuma, mas afastei-me rapidamente, antes que chegasse a mãe dela. :)

Mais uma pausa...


Depois, chegámos a uma encruzilhada em que não víamos forma de alcançar o pico do Cântaro Magro e já nos estávamos a afastar para os lados do Cântaro Gordo. Foi pena chegar tão longe e ficar a pouco metros de chegar mesmo ao cume, abrir os braços e espetar uma bandeira (ok, esta última parte talvez não) para assinalar a nossa conquista, mas sempre é uma razão para voltar.


Foi mais de hora e meia entre subida e descida


De volta à selva.

De regresso ao Covão, decidimos continuar Vale do Zêzere abaixo.


Sabiam que a rota do Zêzere tem 370 km, estendendo-se daqui, desde a sua nascente, até Constância, a sua foz? Desta vez não houve tempo para a percorrer na íntegra, fica para a próxima. :)


Além disso, pouco antes de Manteigas, tivemos alguns obstáculos distractivos....



Fazer estas rotas, a correr ou a caminhar (e a nadar/boiar :)), é uma das melhores formas de aliar o treino à vertente turística. A maior parte está bem assinalada, embora por vezes não tenha a devida manutenção. Tenham isso em conta na hora de fazer uma previsão do tempo que irão demorar a percorrê-las.
Neste caso em específico: Covão d'Ametade, Cântaros e início do Vale Glaciar (até Manteigas, aprox. 10 km), tem a vantagem de ser um percurso com vários pontos de água, para abastecimento e para refrescar nas horas de maior calor, o que é uma grande ajuda, uma vez que a maior parte do percurso é exposto.

E com esta crónica fechamos o capítulo da Serra da Estrela (por enquanto!), até porque se seguem outras montanhas. Entretanto, este fim-de-semana andei pelos "montes" da Ericeira e arredores, no GNR Trail. Como correu depois de tantas semanas na ronhice? Fiquem para ler. :)

8 de setembro de 2016

Ora vamos lá limpar o pó a isto...

Oláaaa! Alguém por aí? :)
Bom, depois de mais de um mês sem notícias, resolvi voltar a dar atenção aqui a este cantinho. A verdade, é que, entre férias, mudanças e assuntos profissionais e pessoais, foram passando as semanas e a corrida foi um pouco posta de parte. Não na totalidade, claro, que eu sei lá já viver sem isto, mas os quilómetros reduziram bastante. No entanto, isso não significa que não tenham havido treinos memoráveis, porque houve, mas já lá vamos.

Entretanto, e porque sei que estavam ansiosos por saber (ihihih...), aqui fica o registo sumário dos quilómetros feitos nos últimos meses, de forma a manter-me a par da "contabilidade" anual (o último "Kms do mês" que aqui registei foi o do mês de Abril!!).

- Maio: 231 km
Entre os últimos treinos específicos e a redução gradual para o OMD, este foi o número atingido, bastante na média mensal do costume.

- Junho: 136 km
Destes 136 km, 106 foram os do OMD... É fazer as contas para conferir a lanzice que foi o restante mês de Junho! No entanto, foi uma decisão completamente consciente, já que queria dar um pouco de descanso ao corpo.

- Julho e Agosto: 179 km
Sim, 179 km divididos pelos dois meses... Apesar de terem ficado por registar uns quantos treinos feitos durante as férias, o valor total não deve ter excedido muito os 200 km. Ou seja, em dois meses corri menos do que geralmente costumo correr num mês! Aqui já não foi propriamente uma escolha, foi o que foi acontecendo enquanto a vida decorria.

Juntando estes valores aos anteriores:
- Total do ano: 1578,3 km.

Não deixa de ser um bom número mas, relativamente ao ano anterior, é manifestamente baixo. Entretanto, já estou inscrita para algumas provas mas, por enquanto, ainda nenhuma ultra. A baixa de forma é BASTANTE notória o que, aliado ao calor, tem resultado em treinos dos infernos. A vontade de voltar a perder-me nas montanhas é grande, mas para lá regressar ainda vou ter de percorrer vários quilómetros de humildade. A forma perde-se com uma rapidez impressionante! (Duh!)

Em boas notícias: voltei, durante alguns dias, à minha serra.



Revi a torre da GNR, onde já entrei e saí por diversas vezes (por causa da prova do OMD, e não por ter sido detida. ;)).


Percorri alguns trilhos novos


(e com o seu nível de adrenalina....)


Visitei o Poço do Inferno, que nesta altura do ano perde a imponência da cascata.


Voltei para agradecer à Senhora da Boa Estrela, aproveitando para tirar uma melhor foto do que aquela que consegui durante a prova...


... e observá-la mais de perto.


Fui à procura do "urso"...

Pedra do Urso.

... e ele deixou-me subir-lhe para o dorso!

:)

Aproveitei os banhos de gelo naturais.


E juntei-me a caminhadas nocturnas por caminhos desconhecidos...


...no escuro da montanha com as luzes da cidade ao fundo.


Depois, fui à conquista dos Três Cântaros,


com início no belo Covão d'Ametade.


Mais concretamente, o Cântaro Magro.

Cântaro Magro. Topo: 1928 metros.

Sobre este desafio farei uma crónica à parte, porque o merece.


E vocês, que têm feito? Mantiveram-se firmes nesses treinos?