30 de abril de 2012

Jantar anti-pedagógico

Mais uma semana de muito trabalho, mas hoje foi uma segunda-feira a saber a sexta, por isso não me posso queixar.

Como ainda estou admirada do bem que me senti na Corrida do Benfica e não posso atribuir os louros ao facto de ter passado a correr por dentro do estádio e estar rodeada de benfiquistas, porque isso seria esquisito e errado, pus-me a pensar e acho que foi o jantar da véspera. O jantar da véspera foi o exemplo de tudo o que não se deve fazer/comer antes de uma prova, e por isso é que acho que resultou tão bem.

Tive pessoas que se fizeram convidadas a vir cá jantar no sábado e então tive de improvisar. Fiz uma das poucas coisas que sei fazer bem e que leva pouco tempo: chili. E todos sabem como o chili é o ideal de refeição pré-corrida (não).

A cozinhar o combustível dos 10km.
Estas são as tortillas que uso habitualmente.
(Mas graças à dica da Lu, já me atestei de uma versão mais barata)

Depois aconteceu uma coisa muito engraçada (não mais ou menos). Quando as pessoas se fizeram de convidadas, perguntaram o que podiam trazer. E eu disse nada. E elas disseram que então iam trazer bebida. E eu disse que então está bem e obrigada.
Agora digam-me: quando alguém vai almoçar/jantar a vossa casa e diz que vai levar bebidas, o que é que vocês entendem? Que a pessoa vai levar alguma garrafa de vinho ou sumos, certo? Isso seria o que qualquer pessoa normal faria.

Mas isto foi o que elas queriam dizer quando se referiram a trazer bebida:

Tive mesmo que dizer: esperem aí um bocadinho que eu tenho que fotografar isto.
(À porta de casa e antes de as deixar tirar os casacos, porque eu sou uma óptima anfitriã.)

Ora, eu, às refeições, bebo sempre água, a não ser que tenha convidados e nesse caso compro uma garrafa de vinho e/ou cervejas e também não bebo sumos de pacote nem refrigerantes. O que significa que não tinha nada para bebermos à refeição, excepto água da torneira... Mas graças a estas duas queridas almas ao menos íamos ter um aperitivo para esquecer o facto de estarmos a empurrar quilos de feijão e carne picante com litros de água da torneira.

Ainda perguntei se queriam que passasse num instante no supermercado, mas elas disseram que não valia a pena, até porque já estavam entretidas a meter gelo nos copos.

De sobremesa comemos gelatina, que não faço ideia se seja um bom alimento pré-corrida ou não.

Por isso já sabem, na vossa primeira incursão na distância dos 10.000 metros:

- Comam um comida claramente demasiado pesada na noite anterior.
- Bebam litros e litros de água até sentirem o estômago a rebentar.
- Não se esqueçam de completar a refeição com uma bebida de certo teor alcoólico (nunca menos de 17 volumes).
- Fiquem acordados até tarde na conversa.


Estou a brincar, não façam nada disto. Mas acho que não era preciso dizer...


Vou voltar ao trabalho (mais uma noite super-animada iupi). Boa prova amanhã para todos os que vão à Corrida do 1º de Maio. Aos restantes, bom dia do Trabalhador e, se possível, celebrem-no da melhor maneira: não trabalhando.

29 de abril de 2012

7ª Corrida do Benfica (António Leitão)

Ora cá estamos para mais uma crónica desportiva, mas desta vez não vou fazer uma versão condensada e revelar desde logo o final, vão ter de ler até ao fim.

Ainda estão comigo? Então vamos a isso.

Acordei às 8h00, com tempo suficiente para fazer as coisas nas calmas, porque a prova só começava às 11h. O dia estava assim a modos que quer-chover-e-já-não-quer, mas eu pensei que, desde que não caísse uma grande trovoada, uma chuvinha até seria bem vinda, para refrescar. Tomei o pequeno-almoço do costume e às 9:15m já estava à porta da casa dos meus pais. Isto porque eu tenho sempre de arrastar o meu pai para estas coisas porque ele é a minha "lebre" oficial (= ele não sabe, mas é). Para quem não domina o léxico desportivo, uma "lebre" é alguém que vai a puxar por nós, para conseguirmos melhores resultados ou, pelo menos, mantermos o ritmo desejado. Portanto, nesta fase, eu ainda acho que ele é fundamental porque eu sozinha tenho tendência a ir sempre demasiado devagar, porque não quero, imaginem, cansar-me. Porque obviamente não é para isso que servem as provas, para uma pessoa testar os limites e cansar-se, é para ir devagarinho a ver as vistas... Enfim, sou uma mariquinhas.

Fomos bastante cedo porque ia com um pouco de medo de ter dificuldade em arranjar estacionamento, mas não houve problema nenhum, consegui um lugar a cerca de 150 metros da partida.

Como tinha tempo para gastar, já sabem o que isso significa: foto-reportagem!

O Campo de Futebol. ;)

Eusébio (estátua), muito solicitado para fotografias.
Tive de o apanhar de perfil, para não apanhar nenhuma pessoa de frente na foto.

Foi mais ou menos neste local que vi o Nélson Évora, que, muito concorrido, também pedia por socorro no meio de uma multidão que o abraçava para fotos (ele não disse nada, mas eu vi nos olhos dele que pedia por socorro).

Nesta altura estava a dirigir-me para o estádio, que era na direcção oposta à da partida, porque claro que não podia começar uma corrida sem ir à casa-de-banho primeiro. É quase uma tradição, não é a mesma coisa sem isso e estou até convencida que foi esse o motivo do meu descalabro nas Lezírias (se bem se lembram, cheguei em cima da hora e foi logo começar a correr).

Claro que casa-de-banho feminina não é a mesma sem a sua fila a sair pela porta, mas estive entretida a ouvir a maledicência de mulheres que criticavam a t-shirt do Benfica, que a do Sporting tinha sido muito melhor, porque era "técnica" e que pelo preço bem que podiam ter feito uma melhor. Foi o que ouvi, porque não fui à Corrida do Sporting o ano passado por isso nem sei como era a t-shirt, limito-me a transmitir o ocorrido nas casas-de-banho da "Catedral" da forma mais imparcial possível (Só eu seeeei, porque não fico em casaaaa!). Imparcial.

Quando saí da casa-de-banho e poucos segundos depois de tirar esta foto:


encontrei  outra vez a Carla! Quer dizer, desta vez foi ela que me viu a mim. E com ela estava também o Pedro, de quem já conhecia o blogue e agora fiquei a conhecer o atleta (és muito mais alto ao vivo!) :) Foi aqui que disse à Carla que para o ano vamos correr uma Meia-Maratona e ela disse que sim. E toda a gente sabe que uma promessa feita em frente à Media Markt é uma promessa para se cumprir, por isso agora já não há escapatória possível.

A caminho do local da Partida.

Todos juntinhos na linha de partida, para não ter frio, tornei a encontrar o Pedro com quem o meu pai ficou a discutir glórias passadas (Pai: ah e tal quando eu era novo cheguei a fazer a Meia da Ponte em 1h30. Pedro: Ah e tal, qualquer coisa em ser/não ser o Pepe Rápido e ir tentar fazer a prova abaixo dos 50min.) Não sei se foi bem isso que disseram, porque eu só pensava como já teria sorte em conseguir fazer os 10km em 01:01, que sempre era abaixo do tempo anterior... Cada qual com a sua cruz, não gozem.

Geralmente fico sempre bem para trás na linha da partida, porque não gosto de ficar logo à frente e atrapalhar quem começa mais rápido. Mas desta vez acho que fiz mal, porque já só passei a linha uns 2 minutos depois do tiro de partida e o início foi um pouco caótico, sempre aos cruzados a tentar ultrapassar pessoas. Mesmo assim, passámos a marca do km1 a contar 6 min. no relógio, o que me admirei em saber e fiquei contente.

Os primeiros quilómetros foram o constante passa, não passa, tentar abrir caminho por quatro e cinco pessoas que chegam a correr lado a lado na conversa (a sério, minha gente!). Nisto, passei por um senhor assim com já mais idade que levava uma t-shirt que dizia "Por quem não pode" e que achei muito inspiradora. Como é que me podia queixar quando, na verdade, há tanta gente que gostaria de poder correr, ou até mesmo caminhar, e por razões de doença ou outras não pode?

Por volta do km3 entramos nos túneis do estádio da Luz, onde começa um eco de pessoas a cantar SLB, SLB, SLB dipensava-se e tornamos a sair já no estádio, para uma meia volta em pleno campo, tornando logo depois a sair. Aqui, apercebi-me de como esta prova tinha mesmo muitos participantes. É que, geralmente, passando os primeiros quilómetros a multidão começa a dispersar e ganhamos mais espaço para correr, mas neste caso continuava a ter sempre dificuldade em ultrapassar pessoas, estava sempre cercada por todos os lados.

Foto do troço percorrido (tirada no final da prova).

Para terem uma noção da velocidade de certas pessoas, quando estávamos a chegar ao km5 começámos a ver os primeiros atletas já a voltar para trás (o percurso a partir desta parte era em U) a correrem os últimos metros antes da meta. E pensar que passei o km5 na casa dos 30 minutos e estava contente!

Para mim, esta parte desde o km5 até mais ou menos ao km7 foi a pior, porque começamos a ver todos os atletas que já vêm do outro lado da estrada, a voltar para trás, num percurso no qual nós ainda estamos a ir para e nunca mais vemos onde fica o raio da curva de retorno (sim, era isto que eu estava a pensar).

Passando o km6 encontrei um rapaz que era meu vizinho do antigo bairro, que já caminhava, e que o meu pai convenceu a acompanhar-nos durante um tempo, embora tenha acabado por ficar para trás, por, nas palavras dele, não se ter preparado bem para esta prova.

Quando finalmente se avista a rotunda onde iremos voltar para trás, o meu pai pergunta-me se quero acelerar um pouco e, como eu até me estava a sentir relativamente bem, disse que sim. Passámos o km7 com o relógio a bater nos 48 minutos e eu comecei a ficar com esperanças de conseguir terminar antes da 1h. Reparei em duas raparigas que levavam uma t-shirt com a frase "Derrete Banhas" e achei tão engraçado que até me ri, alto, pelo que podem ver que ainda tinha algum oxigénio disponível. E é pouco depois de eu me rir que uma rapariga que, se não me engano, levava uma t-shirt a dizer "Pernas de Gafanhoto" (adoro entreter-me a ler os nomes que arranjam para as equipas, alguns são muito originais) cai mesmo à minha frente. E foi mesmo uma queda dolorosa, pelo som. Fiquei num impasse: "E agora? Ajudo-a a levantar-se? Sigo em frente?" Que teriam feito? Eu acabei por ajudá-la a levantar-se, com a ajuda de outros senhores que seguiam atrás, perguntei se estava tudo bem e segui. Não sei quanto tempo perdi nisto (penso que não mais do que 20 segundos?), mas quebrou-me um pouco o ritmo. Fiquei a pensar se não teria sido melhor seguir caminho, porque entretanto a rapariga levantou-se e continuou a correr, parecia estar bem (pelo menos ali, a quente), mas sentia-me mal se tivesse ignorado uma situação que se passou mesmo ali à minha frente. Afinal, não é como se estivesse a concorrer para o pódio.

Mesmo assim, o meu pai continuou a apertar, por isso nem olhei para o relógio quando passámos o km8, com medo de poder ver algum número que não gostasse e que me desmotivasse tão perto do fim.

Passando o km9, uma última subida mais inclinada ao entrar para o estádio, onde surgem muitos atletas da prova de 5 quilómetros, o que congestionou um pouco a zona, e um último "sprint" a descer para a meta, na Praça do Centenário.

Relógio: 01:00:44. Tão perto.

Foi um misto de emoções, porque claro que fiquei contente, tenho vindo a melhorar o meu tempo em todas as provas de 10km que faço, mas, por outro lado, saber que fiquei tão perto de baixar da 1 hora levanta muitos "ses". E "se" tivesse começado a apertar na velocidade mais cedo, e "se" tivesse começado a prova sem tanta gente à frente para me desviar, e "se" não tivesse parado aqueles segundos, e se, e se...

E começa a chover.

Tudo a abrigar-se dentro do estádio.


Eu não sou uma corredora "natural". Sou magrinha (6kg perdidos desde que comecei a correr, uma média de 100 calorias perdidas por 10 minutos de corrida - quem precisava de mais incentivo para correr, aqui está! Corram), mas não sou veloz. Há pessoas que evoluem muito rapidamente e parece que nasceram para correr, eu não sou assim. Eu luto muito para conseguir baixar um minuto que seja no meu tempo, mesmo que o tempo, já de si, não seja grande coisa. Por isso ficar assim tão perto de baixar da 1 hora, sabendo que podia fazer mais, sei lá quando torna a acontecer!

Já para a semana!

Tenho outra corrida de 10km para a semana, mas desta vez devo ir sem "lebre".

Por isso provavelmente ainda não vai ser para a semana (ler acima o facto de, sozinha, ser uma mariquinhas que não quer cansar-se a correr nas provas)...

Mas vai ser em breve.


Entretanto: 01:00 (e 44 segundos), amei ver-te. Beijinhos.


A t-shirt da prova, que pedi em tamanho maior para ficar para o meu irmão.

A medalha.

Vou só ali...

dar uma volta até àquele campo de futebol que fica em frente ao C.C.Colombo, não sei se sabem qual é, não é muito conhecido... Estádio da Luz, acho que é assim que se chama. :)



... e já venho!



Post agendado.     


27 de abril de 2012

Tempo ou vontade?

Treino de hoje:
Final da tarde
Distância: 5km (jogging)
Tempo: 35:05

Hoje estava um bocado de vento e havia no ar muitas daquelas coisas brancas que algumas árvores deitam e que parece algodão, sabem o que é? Aquilo é terrível porque estamos a respirar e enfia-se pelo nariz e pela boca. Eram tantas coisas dessas que em alguns cantos, no chão, parecia neve.
Tenho sentido as pernas um pouco cansadas, por isso fui sempre devagarinho, embora no fim tenha tentado reproduzir a minha épica marca de 5.15m/km, de quarta-feira. E pensar que este número é praticamente um jogging para muitos corredores... Insane!

Depois do treino, em que tentei ir quase sempre sobre relva ou terra batida, para variar um bocadinho e o impacto não ser tão grande, passei pela frutaria para comprar fruta (que havia de ser?) antes de voltar para casa para a minha reclusão forçada pelo trabalho. De resto, é já habitual eu ir directamente depois dos treinos à frutaria ou mercearia, o que os restantes clientes e os funcionários tenho a certeza que adoram.

Aproveitei este pequeno treino para fazer uma pausa entre trabalhos, porque hoje vou ter de ficar a trabalhar noite fora (não estão invejosos da minha noite de sexta socialmente activa?) e assim ao menos sempre fiz um bocadinho de exercício e pode ser que consiga terminar a noite sem me apetecer partir o portátil à marretada. Vamos ver como corre.


Exercício: ter tempo ou vontade?

Às vezes perguntam-me aqui como consigo manter-me sempre motivada, como tenho vontade e energia para correr e fazer exercício com frequência. A resposta é simples: não tenho! Há dias em que não tenho força nem vontade, e em que a última coisa que me apetece é sair de casa e o sofá atrai-me como um íman invisível... Mas, ainda assim, faço questão de arranjar tempo para o desporto.

Primeiro, ajuda que eu goste muito de correr. Mais que um hobbie, já faz parte da minha rotina. Claro que a vida não é só exercício e, às vezes, e ainda bem, a família e os amigos tiram-lhe o tempo. Outras vezes, e ainda mal, é o trabalho que lhe tira o tempo. Mas nesta fase da minha vida, sei que posso passar alguns dias sem correr, que não vou perder a vontade. Já não faço exercício porque preciso, mas porque quero. Ao início, é bom seguir um plano da forma mais rigorosa, porque qualquer distracção nos vai desviar o rumo, mas a partir do momento em que o exercício passa a fazer parte da tua rotina, já não o vais ver como um sacrifício, mas como algo que te dá gosto.

Porque é verdade.
(E também porque já estava a ficar um post com muito texto e nenhuma imagem)


A maneira mais fácil de sair para correr durante a semana, é, ao chegar a casa, nem sequer me aproximar do sofá. Dou-me uns 30/45 minutos para me equipar e sair para correr, porque sei que, se me alapar no sofá, já muito dificilmente torno a sair.
No entanto, há dias em que não me apetece mesmo tornar a sair de casa. Nesse caso, tenho de ver se isso se deve a verdadeiro cansaço ou ronha. Geralmente, quando começo a correr e me sinto cansada, continuo mais um ou dois quilómetros. Ao fim desse tempo, a maior parte das vezes as minhas pernas já aqueceram e consigo continuar. Outras vezes, encurto o treino e volto a caminhar para casa, o que sempre é melhor que nada. E há dias em que, depois de muito debate mental, acabo mesmo por nem sequer sair de casa e não faz mal, porque o corpo também precisa de descanso.

Ao fim-de-semana é diferente. Já disse por aqui diversas vezes que a minha corrida matinal é a minha preferida, e é verdade, mas isso não significa que fique sempre toda contente em acordar mais cedo num dia em que podia dormir até tarde. Há sábados em que toco "Adiar" vezes e vezes sem conta no despertador. Mas depois penso no bem que me sinto quando volto a casa depois de correr. Gosto de sair de casa com as ruas ainda semi-adormecidas, começar a correr e passar apenas por outros dois ou três corredores, o silêncio, o nevoeiro que se levanta junto ao rio e que começa a abrir conforme o sol vai subindo, voltar para trás e começar a ver um ciclista, depois outro e outro, pessoas com cães e famílias com crianças que acabaram de sair de casa e aproveitam o sol para passear. E mesmo quando no final já estou a ficar cansada, penso que ao chegar a casa vou beber o meu leite com chocolate e comer qualquer coisa deitada no sofá, pernas esticadas, a ver os Simpsons na Fox.
É em tudo isto que penso quando o sono me dá luta e a cama quentinha teima em prender-me, sobretudo em manhãs frias. E, na maior parte das vezes, levanto-me.


Agora a questão do tempo.



Esta semana, de mais trabalho, foi muito mais difícil organizar-me, mas é também nestas alturas que sinto mais falta de sair para correr. Como o faço ao ar livre, sempre é uma oportunidade de um momento de relaxe, quando há um bloqueio na produtividade e achamos que já não estamos a adiantar trabalho nenhum. E nem é preciso gastar muito tempo, meia-hora basta. Desta forma, sempre apanho um bocadinho de ar e, com sorte, volto com mais vontade de pôr mãos ao trabalho (ahah quem me dera).

Claro que eu só dependo de mim, não tenho ninguém à minha responsabilidade. Não tenho filhos a necessitar da minha atenção nem horários para ter refeições na mesa. Se me apetecer jantar às 22h, janto, se me apetecer fazer um jantar que consiste apenas em tostas e queijo da serra, faço (e fiz). Tenho certamente muito mais liberdade nos meus horários do que quem tem uma família. Mas da mesma forma que arranjamos tempo para limpar a casa, tomar banho, ficar sentados a ver a novela ou, no meu caso, o Biggest Loser, também conseguimos 30 minutos diários para fazer exercício. Bastam 30 minutos e nem precisa de ser todos os dias. Comecem com 3.

Tenho uma amiga que tem dois filhos, trabalha a tempo inteiro e faz tudo em casa e mesmo assim faz questão de ir ao ginásio pelo menos 4 vezes por semana. Como ela há muitas mulheres por aí. Mulheres com trabalho, família e filhos, chatices, e que fazem exercício e algumas ainda escrevem blogues sobre isso! A verdade é que temos todos as mesmas 24horas, por isso não há desculpas.

  • Escolhe um desporto de que gostes. Nem toda a gente gosta de correr (não compreendo como é que há gente que não gosta de correr, mas a verdade é que há... Estranho), nem precisa. A tua motivação pode estar na bicicleta, na natação, na dança do ventre...
  • Vê o horário que resulta para ti e evita marcar outras coisas para essa hora.
  • Ao início vai custar e a seguir vai continuar a custar (é verdade, nada  a fazer). Mas vais sentir-te bem porque quem não desiste fica mais forte.
  • Se não te apetecer, insiste.
  • E depois insiste um bocadinho mais.
  • Quando não dá, não dá. Não fiques a remoer, amanhã é outro dia.
  • Aguenta o primeiro mês e estás perto de o tornar um hábito.






Bom fim-de-semana!




26 de abril de 2012

Playlist # 4

Esta semana ando com um volume de trabalho um bocado maior, o que é bom, visto que um dos trabalhos é freelance e, se não trabalhar, não recebo, mas já começo a sentir aquela irritação de quem se sente preso à secretária. Graças a Deus que no meu outro trabalho não preciso de estar sempre sentada em frente a um computador (dou formação).


Posto isto, segue-se outra lista de músicas que descarrego para o meu mp3 e vou ouvindo nas minhas corridas, para as quais, infelizmente, não tenho tido muito tempo esta semana.




As de sempre:

As outras:

  1. Jay-Z feat. Alicia Keys: Empire State of Mind - Em mente na NYMarathon, um dia... :)
  2. Yolanda Be Cool & DCUP: We No Speak Americano - Acho que já referi esta música antes, mas torno a referir porque é o típico exemplo de uma música que nunca me lembraria de ouvir em casa, mas que a correr resulta bem.
  3. Snoop Dog vs David Guetta: Sweat - Quanto mais não fosse pelo nome, tinha de estar incluída em qualquer playlist de exercício.
  4. 300 violin Orchestra (Jorge Quintero) - (Banda Sonora do filme 300) Instrumental inspiracional.
Eu partilho estas Playlists porque acho que a música contribui em grande dose para a nossa motivação. Quantas vezes já não me apeteceu parar e depois começa uma música que me anima a continuar só mais um bocadinho! Ultimamente até nem tenho ouvido música enquanto corro, mas aos sábados, altura em que tento correr pelo menos uma hora, levo sempre o mp3 comigo, mesmo que não o ligue de início.

Espero que se inspirem também, descarreguem as vossas músicas e ponham-se a mexer (no bom sentido)!

Ver mais Playlists, aqui.

35ª Corrida da Liberdade - versão mini

3.5 metros (aprox.), mas quem está a contar?


Versão condensada: Hoje fui fazer a prova de 5.000 metros da 35ª Corrida da Liberdade, mas eram 3.5 metros. Um bocado desiludida por isso. Mas não faz mal porque foram os 3.5 metros mais rápidos de sempre.


Agora quem for mais curioso pode ficar para a versão integral.


Posso desde já adiantar que, apesar de o tempo ter ficado um bocado estragado durante o resto do dia, de manhã não estava a chover e até cheguei a ver uns raios de sol.

O meu pequeno-almoço foram torradas com marmelada, uma banana e um café. Não tirei foto - grande falha de bloguer, as minhas desculpas.


A subir a Rua do Carmo.

A partida tinha início às 10h30, no Largo do Carmo. Como cheguei com tempo, ainda fui fazer uma visita às casas-de-banho dos Armazéns do Chiado, porque eu fico sempre nervosa antes das provas, mesmo que sejam apenas 300 metros contra alunos de uma turma do Jardim Infantil, eu FICO NERVOSA, nada a fazer.  (Um aparte: quem tiver necessidade de fazer xixi em casas de banho de um centro comercial a melhor hora é de manhã cedo, antes das 10h. Limpo, vazio e com papel higiénico. Um luxo.)

Como paga da "surpresa" das Lezírias, ontem foi a vez de eu ligar para o meu pai e informá-lo de que me iria acompanhar hoje porque eu precisava de alguém para ficar com as minhas coisas. Afinal, quem não quer ficar a servir de cabide enquanto a outra pessoa vai correr? Mas, vai-se a ver, e nem tive uma vingança como deve de ser porque, como este é um evento gratuito e estavam a aceitar inscrições no local, ele acabou por inscrever-se também para a prova B e eu tive que levar o casaco com a máquina fotográfica lá dentro à cintura e o telemóvel na mão. Bem-feita para mim. Pai - 2, eu - 0.

Como continuava a ter tempo, fui fazendo uma reportagem fotográfica.

Eu também apoio o Desporto.

Este representante do Exército foi muito solicitado para fotos.

Elevador da Glória.

Castelo de São Jorge.
Ruínas do Convento do Carmo.

Já perto das 10h30 fui andando para o local da partida e, assim por alto, penso que deviam estar cerca de 300 pessoas. Não eram muitas, penso que na prova dos 11km devem ter sido muitas mais.

Logo ao início da prova há sempre gente que começa demasiado depressa e, apesar de serem "apenas" cinco quilómetros, eu não queria arriscar porque sabia que ia ser sempre a subir até ao Jardim do Príncipe Real. Mesmo assim, sem reparar, comecei com um ritmo abaixo dos 6m/km e pensei logo que ia acabar por arrepender-me. No entanto, senti-me sempre bem e, a partir da Rua da Escola Politécnica foi praticamente sempre a descer. Estava vento, mas passando o Rato deixou de estar de frente, o que foi uma ajuda extra.

Quando reparei que estávamos a dirigir-nos para a Avenida da Liberdade achei estranho, era impossível já termos feito mais do que 2km, 2.5km e eu continuava a correr como se estivesse sob efeito de Red Bull. Até passei homens jovens e robustos, o que é inédito. Um deles não deve ter gostado muito, porque depois de o ultrapassar passou a sprintar por mim como se estivessem a oferecer grades de cerveja na meta e acabou uns bons 100 metros à minha frente.

Como esta corrida não tem chip nem cronometragem dos tempos, levei o meu relógio. Quando vi que cortei a meta e dizia 00:16:44, era impossível ter feito 5km. Eu gostava muito, mas não me parece. Quando confirmei a distância dizia um pouco menos de 3.5 metros. É uma grande diferença para os 5km anunciados, não sei o que se terá passado.

O percurso.

Ao início fiquei um bocado chateada porque a ideia de ter mudado para o percurso B era testar a minha velocidade aos 5km. Mas depois verifiquei a velocidade média e uau! Foram os meus 3.5 metros mais rápidos de sempre. (O facto de a última parte do trajecto ser sempre a descer é irrelevante, vou apropriar-me de todos os méritos).

Sou sincera, acho que só aguentava este ritmo até aos 5km (6km no máximo, se continuasse a descer!). O dia em que conseguir fazer os 10km assim vou ser uma menina muito feliz.

E depois, no final da corrida, acabei por conhecer pessoalmente uma "leitora" (Olá Carla!). Geralmente sou muito despistada com caras e até costumo passar por amigos e vou tão distraída que não os vejo (eles acham que é porque eu tenho mau feitio e eu acho que é porque sou míope e vou sempre entretida com os meus próprios pensamentos), mas já na meta pareceu-me ser ela a chegar, chamei-a e era mesmo!
Foi muito simpática e também fez uma boa prova, porque somos o máximo e não por causa de ser a descer. (Agora que penso nisso, devia ter-te deixado respirar um bocadinho primeiro e só depois começar a falar. Afinal, tinhas acabado de chegar, desculpa!).

Estivemos um bocadinho na conversa, ela ficou muito admirada por o meu verdadeiro nome não ser Corre como uma menina :), e entretanto começou a chuviscar, anunciando o dia chuvoso que se tornou e tivemos que nos despedir.

Da Gare do Oriente à casa dos meus pais, onde tinha deixado o carro, são cerca de 1.200 metros (confirmados hoje) e, como estava a chover, acabámos por fazê-los também a correr, o que quase completou os 5km de objectivo para o dia.

A já habitual foto da t-shirt.

As lições que tirei deste dia foram:
- ...
- ...
- Nunca mais corro uma prova que não seja maioritariamente a descer.

Basicamente foi só esta.



Só uma dúvida, se alguém que participou no Percurso A me estiver a ler, tiveram direito a um cravo? Eu pensei que ia ter direito a um cravo, e fiquei triste... 25 de Abril sem um cravo vermelho não é 25 de Abril.



25 de abril de 2012

É assim que começam as revoluções...

Nike Running Portugal

... saindo da tua zona de conforto.


Aproveita o feriado da melhor forma e sai do sofá. Eu já sai... :)


Post agendado.

23 de abril de 2012

Serranices

Sábado à tarde, fui dar uma corrinhada (termo descaradamente roubado à Sweet68 - não me processes, sou pobre), um misto entre corrida e caminhada, neste caso, pelos montes. Sigam-me.

(Aviso: carradas de fotos)

O caminho.

A civilização já lá ao fundo.

Sempre a subir.

Basicamente, ia sempre a andar e quando aparecia um troço mais nivelado arriscava uma corrida. Não muita, que o ar rarefeito da serra cansa (tenho um óbvio futuro como corredora de trails).

Pequeno açude.

De qualquer forma, havia troços em que seria muito complicado correr, mas fartei-me de subir rocha e descer rocha e ainda hoje estou com as coxas doridas e já me fartei de amaldiçoar a hora em que vim morar para um prédio antigo sem elevador.


Mina.

Tirei a foto acima e pus-me logo a milhas, que eu tenho um medo que me pelo de minas, grutas e tudo o que sejam locais escuros e claustrofóbicos. Admiro-me bastante com as pessoas que se dedicam à espeleologia como hobbie, e que se enfiam em sítios assustadores de livre vontade. A única gruta em que entrei na vida foi a Gruta da Moeda, e isto apenas porque era "espaçosa" e iluminada. Não sei se os túneis da Quinta da Regaleira também contam como grutas, mas também entrei nesses (mais uma vez, espaçosos).

Este é mais o meu tipo de paisagem.

Quando já tinha corrinhado bem mais de uma hora, comecei a ver umas nuvens estranhas a descer a montanha e achei melhor voltar para trás.

Nuvens estranhas.

Não chegaram a ser avistados javalis.



Depois, fui com os meus primos tamanho júnior até ao palheiro da família, para vos poder mostrar as maravilhas de se viver no campo.

Galinhas bebé.


Deve haver muita gente que acha os pintainhos uma coisa fofinha, mas eu tenho um trauma de infância com galinhas e olho para a foto acima e só me lembram pequenas crias do demónio.

Demónios.


Já os meus primos juniores não têm problema nenhum em pegar nos pequenos monstrinhos e encher a prima sénior de vergonha por ser tão mariquinhas.

Mariquinhas não, com trauma de infância!

Já os coelhinhos, sim, são fofinhos e dá-me uma pena tão grande vê-los assim fechados e sabendo o destino que os espera...

Awwwww....


Ainda bem que não tenho uma quinta, porque ia afeiçoar-me aos animais e passavam todos a ser de estimação. Ia ser uma grande família.

Ainda pensei regressar ao palheiro pela calada da noite para abrir as jaulas e "fujam coelhinhos, fujam", mas coisas como esta fizeram-me pensar duas vezes:

Teia de aranha GI-GAN-TE.

Nem quero pensar na aranha mutante que a criou. Diz que serve para evitar as moscas. Eu acho que preferia as moscas, mas que sei eu.


Por último, esta viagem à Serra serviu também para me atestar de bens alimentares essenciais.

Ups, foto errada.

Estou a referir-me a queijo da serra (o queijo é sempre um bem essencial mas shiuu o meu colesterol não pode ouvir), compotas caseiras e mel das abelhas vizinhas (conheço pessoalmente as abelhas, por isso é mel de confiança) para substituir o triste restinho que ainda tinha:

:(


Hoje, ao fim da tarde, fui correr 5 vagarosos quilómetros, para ver se as dores nas coxas acalmam um bocadinho e também para poder enfardar queijo da serra ao jantar. Amanhã digo se a prova foi superada.

- Como foi o vosso fim-de-semana?
- Algum local favorito para irem caminhar/correr?

22 de abril de 2012

Mais provas de sonho e Desafio 30 dias Bodyrock - semana 3

Como foi o vosso fim-de-semana? Amanhã falo com mais calma do meu e das caminhadas/corridas/comidas/comidas/comidas....

De regresso ao lar-doce-lar, fiquei logo a saber que hoje, relativamente perto de minha casa, houve uma competição Milha Urbana. A Milha Urbana é uma prova em que todos os escalões envolvidos correm, como o nome deixa adivinhar, uma milha (=1.609 metros). Por se tratar de uma distância tão pequena, esta prova é feita "a voar", razão pela qual nem me arriscaria a participar. Estas pessoas completam uma milha em menos tempo do que eu levo a fazer um quilómetro. Sou uma tartaruga, não sei se já tinha dito aqui no blogue. Adiante.

Depois fiquei surpresa por descobrir que já se fazem Maratonas Rock n' Roll na Europa e hoje foi a primeira, em Madrid. A série de Maratonas Rock 'n' Roll reúne sempre milhares de pessoas e distingue-se pela particularidade de, a cada milha, ser animada por grupos musicais. Têm, por isso, um ambiente de festa e são muito concorridas nos EUA.




Parece que a próxima se vai realizar em Edimburgo e acho que vai passar a fazer parte da minha lista. Penso que ainda não tinha falado disso mas, quando estava na faculdade, passei um Verão a trabalhar em Edimburgo e senti-me, desde logo,  em casa. Se a reencarnação existir, já fui um habitante das Highlands numa outra vida, sem dúvida.

( E vivia aqui: )

Edimburgh Castle. Imagem daqui.

Correr por entre campos verdes, palacetes, homens de kilt e ruas de edifícios que nos transportam para o século XVIII, animada por bandas rock como os Counting Crows... nada mau para uma experiência de Maratona, pois não?


Sonhos à parte, passemos a mais uma semana do Inferno:


Desafio 30 dias Bodyrock - 3ª semana


Esta semana confesso que não estava com muita cabeça para fazer exercício, mas estes não levam mais do que 15 minutos e não tinha desculpa. Mas fiz contrariada, que fique aqui escrito. :)

Hoje foi o dia em que se realiza um novo fit test e, desta vez, os resultados foram os seguintes:




  • Squat jumps - 31
  • Push ups - 26
  • Burpees (aka still the devil) -  12
  • High knees - 110 (55 cada perna)
  • Switch lunges - 45
  • Tuck jumps - 24
  • Tricep dips - 25
  • Straight abs - 12


  • Houve evolução, mas continuo a não gostar dos abdominais. Acho que esta versão me põe demasiada pressão sobre a coluna, muito diferente dos que costumo fazer habitualmente.

    Dia 2:

    Se calhar alguém ouviu as minhas preces, porque o dia 2 da 3ª semana não existe/desapareceu do site e não pude fazê-lo. Ohhhh.



    Como disse a semana passada, estou a manter-me no nível iniciado dos exercícios, o que prova que de vez em quando tomo decisões sensatas. O exercício de hoje chama-se Bad Girls Workout e é uma série intervalada. Pelos vistos: as meninas boas vão para o céu e as más fazem exercício. Para a próxima porto-me melhor.



    Dia do instrutor que gosta da sua sandbag.



    6 exercícios (flexões, agachamentos, lunges...) + 10 repetições x 5 = 300.



    Fui de fim-de-semana. Não fiz. (Estou a considerar se vou fazer).



    Esta foi uma semana mais curta de exercícios e já só falta uma! Ufa. Nem sei para que me meto nestas coisas.


    Amanhã partilho serranices. Boa semana!


    20 de abril de 2012

    Indo eu, indo eu...

    ... a caminho da terrinha. Quando lerem este post, espero já ter chegado à terra dos meus pais. São as maravilhas de um post agendado, estou aqui e estou ali.
    Apesar da viagem ser repentina e por razões menos felizes, directamente relacionadas com o dia mau, já não voltava à "minha" Serra desde o Natal, e tinha saudades.

    Embora goste muito de praia, é no campo e nas montanhas que me sinto em casa. Sou quase sempre um vulcão prestes a rebentar de mau feitio (a sério, se não fizesse exercício físico ninguém me aturava e ainda assim...), mas as montanhas acalmam-me. Não sei explicar, deve ser qualquer coisa na água (ahah), mas fico sempre uma paz de alma quando lá vou passar uns dias.

    Acho que grande parte da razão é poder caminhar rodeada deste cenário:


    Não estão mais calmos só de olhar?

    Não?


    Então e agora?
    Reparem nas vaquinhas (ao fuuundo) na última foto. É impossível não se sentirem relaxados ao observar uma paisagem com vaquinhas a pastar. Im-po-ssí-vel.


    Vou levar os ténis comigo, mas não tenho muita fé que vá correr. É que este povo serrano, apesar de viver rodeado de maravilhas naturais e trilhos que eu adorava teletransportar para mais perto de Lisboa, não sabe aproveitar o que tem. Nunca vi ninguém a correr por ali e acho que se alguém o fizesse ia ser olhado como se tivesse acabado de descer a correr, nu, de uma nave alienígena.
    Eu, às vezes, arrisco uma semi caminhada-corrida pelos trilhos, porque sei que dificilmente encontrarei alguém, e, se alguém aparecer, posso sempre dizer que estava a fugir de um javali (o que podia acontecer, porque uma vez avistei uma família de mãe ou pai javali e os seus dois javalis bebés e não sei quem ficou mais assustado).

    Quando lá estou, entre os amigos da terra, tento sempre lançar para o ar a dica de como era bom combinar uma corridinha pelos montes, mas mandam sempre calar-me e acabar mas é de beber a cerveja. Ninguém me leva a sério.

    Só mais uma foto, pronto.
    Agora sim, im-po-ssí-vel.

    Assim sendo, não vou poder participar na Corrida da Mulher, o que é um bocado chato, até porque já tinha pago. Mas foi por uma boa causa, o meu dorsal não vai ser desperdiçado, e conto ter à minha espera uma foto-reportagem do acontecimento.
    Em relação às meninas que irão participar, depois quero saber como correu, contem-me tudo!

    Da minha parte, pelo menos umas caminhadas vão acontecer de certeza. E talvez até venha a fugir de um javali ou dois.


    Um bom fim-de-semana!


    19 de abril de 2012

    Correr para ver o jogo

    Hoje de manhã quando acordei à hora proibitiva, 6h30, cheia de boa vontade para ir correr, o que aconteceu? Estava a chover, pois claro! Mas eu estava decidida a ir treinar hoje, por isso aproveitei para tomar o pequeno-almoço com mais calma

    Este é o aspecto de um "pequeno-almoço com mais calma"


    e comecei a planear o meu trabalho de forma a conseguir despachar-me mais cedo. É que hoje tinha combinado ir jantar a casa dos meus pais porque jogava o Sporting, e eu gosto de ver jogos do Sporting com o meu irmão, porque ele é do Benfica e há sempre picanços mútuos e muitas bocas foleiras. Ahhh, o amor fraternal!

    Acontece que o planeamento não foi grande coisa, porque cheguei a casa já depois das 19h. Como o primeiro planeamento correu tão bem, fiz outro: "Vou dar a minha volta habitual, mas em vez de voltar para trás, sigo directo a casa dos meus pais e consigo, com sorte, encaixar 10km de corrida entre este exacto momento e o início do jogo". Boa ideia.
    Ora, quando saí de casa para começar a correr, já eram 19h15. Uma pessoa mais treinada teria tempo para correr 10km e ainda parar para beber um cafézinho, mas eu sabia que ia perder o início do jogo. Não faz mal, fui na mesma.

    Treino de hoje:

    Distância: 10km
    Tempo: 01:02:02



    Este treino foi muito engraçado, porque nos primeiros 5km corri abaixo dos 6m/km e estava toda contente "I'm the queen of the woooorld!". Depois os quilómetros 5 a 9 foram uma miséria que se arrastou indefinidamente "sou uma lesma, acabem com o meu sofrimento" e, finalmente, o km9 foi do género "vamos a despachar isto que quero ver o jogo".
    Acabei por fazer os meus 10km mais rápidos de sempre! (Eu disse que rápido era relativo...) Embora tenha enfrentado uma grande batalha mental nos últimos quilómetros.

    Quando cheguei a casa dos meus pais toda vermelhona e transpirada é que me lembrei de um pormenor sem importância: não ia poder tomar banho porque não levei muda de roupa. Não há problema, estamos todos em família, e os meus pais nem se queixaram de que cheirasse a suor. Muito.

    O jantar foi bom e o resultado do jogo também. Houve ali uma altura de impasse (golo do Bilbao) em que considerei nunca mais na vida dirigir a palavra ao meu irmão, mas, como gosto muito dele, tudo acabou em bem. Isso e porque o Sporting ganhou.



    Agora estou de volta a casa, já tomei banho, e só falta falar do livro do Murakami, para quem estiver interessado.

    1Q84, Haruki Murakami

    Este livro deu-me uma luta quem nem queiram saber, demorei mais de três meses para acabá-lo. Foi oferta do meu irmão pelo Natal, e eu pedi especificamente que me comprasse a versão inglesa integral, que contém os 3 livros, porque não me fazia sentido estar a comprar a versão portuguesa, em que cada livro está a ser publicado em separado, a cerca de €16 cada um. (Esta versão inglesa custou €25 e está completa).

    Claro que isso resulta num livro do tamanho de uma Bíblia


    e numa história que custa a concluir.

    Quem já leu algum livro do Murakami, sabe que ele dedica grande parte da narrativa a descrições das emoções e monólogos mentais das personagens. Isto, numa história separada em duas narrativas individuais, dá azo a páginas e páginas em que a acção não desenvolve. Houve alturas em que parei a leitura e disse (sim, em voz alta): "Tem lá paciência Murakami, mas vou ali ver qualquer coisa activa e interessante na televisão, como a transmissão em directo de um jogo de Snooker profissional, e volto amanhã. Provavelmente a personagem ainda estará a pensar se fez bem em apanhar o comboio ou se deveria ter ido a pé, por isso não perco grande coisa".
    Claro que, também quem já leu Murakami, sabe que é impossível deixar um livro dele a meio, mesmo que às vezes dê vontade de cortar os pulsos de aborrecimento, porque queremos sempre saber o que vai acontecer. As histórias são sempre tão surreais e mirabolantes, que é impossível não ter curiosidade em saber como vai acabar.

    Na minha opinião, não sei se existe história para três livros. A narrativa anda ali entre as vidas de duas pessoas que percebemos que terão algo em comum, mas que só se vem a confirmar lá para o segundo livro, se não me engano. E no terceiro livro, talvez para justificar a sua existência, é acrescido um terceiro ponto de vista, de uma personagem que entra um bocado de páraquedas.
    Ao contrário de algumas opiniões que já li na net, gostei do final. Não me importo de histórias que fiquem mais ou menos em aberto, porque, como na vida, nem sempre tudo tem que ter explicação e eu até prefiro terminar a pensar "o que será que..." do que achar que o final foi uma grande falta de originalidade. (já me aconteceu com outros livros). Apenas acho que o livro ficaria perfeito com umas boas 200 páginas a menos (e estou a ser simpática).

    Se algum de vocês estiver a ler as versões portuguesas, se calhar, como tem tempo entre um livro e outro, não vai achar que se prolonga demasiado, mas eu fiquei com essa impressão.

    E é isto. Tenham uma boa noite, que eu estou de rastos e vou-me deitar!

    Até amanhã!