31 de agosto de 2012

Correndo e caminhando

Ontem achei que não era cedo nem era tarde e ia acordar às 6h30 para fazer o meu treino antes de começar a trabalhar. Foi uma boa ideia porque o dia começa com mais energia e apanhamos o corpo meio adormecido e ele nem sabe o que lhe está acontecer, mas também foi má ideia porque a minha mente não quis colaborar e foi uma corrida muito dolorosa. A ideia era fazer 12km. Quis parar aos 2km. Insisti. Aos 4km encontrei o meu pai, que também vinha a correr e não esperava encontrá-lo por ali tão cedo, mas segui com ele e acabou por ser um incentivo extra. Despedimo-nos ao km 8, ele segue em frente em direcção a casa e eu volto para trás em direcção a casa. Quis parar logo ali. Km 9 apanho o vento novamente de frente. Quis parar outra vez. Km 10 quis mesmo mesmo parar. Lembrei-me da entrada em estádio das equipas paralímpicas, que tinha estado a ver na noite anterior.
 
Aqueles atletas são uma inspiração.
E esta foto derrete-me o coração e põe-me logo no meu lugar.
 
 
Deixei-me de pieguices. Concluí os 12km. Ritmo medonho e disposição terrível, mas concluí.
 
Treino de quinta:
 
- Manhã
- Sol, vento
- Distância: 12km
- Ritmo suposto: rápido.
- Ritmo real: sofrível
- Bpm médio: 169
- Calorias: 787
 
 
Fica agora aqui uma sugestão de corrida para o dia 08 de setembro: ERP Green Run, uma prova de conceito green (eu sou sempre a favor do verde), para quem mora na zona de Cascais. A inscrição é gratuita e no levantamento da t-shirt e dorsal deverão entregar pilhas usadas ou antigos aparelhos eléctricos para reciclagem. Mais informações.
 
 
 
E agora vou falar de caminhadas, que acho que é o exercício que mais gosto de fazer a seguir à corrida. Não estou a falar de caminhadas em volta do quarteirão depois do jantar, para "desmoer" a comida, como dizem os meus vizinhos mais velhos que vão sempre dar o seu passeio à noite. Embora esse tipo de caminhadas também seja saudável e agradável, eu gosto mesmo é de caminhar no meio da natureza, preferencialmente em trilhos, preferencialmente no meio da serra, preferencialmente com um grau de dificuldade médio-alto. Já fiz caminhadas de horas e já fiz caminhadas de vários dias. E apesar de ser "apenas" caminhar e parecer que não é nada de mais, já aprendi da pior forma que convém termos um mínimo de preparação, sobretudo se caminharmos de mochila às costas por terrenos irregulares.
 
Aqui na cidade é difícil encontrar locais mais agradáveis para fazer caminhadas. Já fui uma vez para Monsanto, já fui para as lezírias do Trancão e depois já fui várias vezes para Sintra, que é dos meus locais favoritos aqui mais perto. Quero um dia ir conhecer a serra da Arrábida a pé. Mais alguma sugestão?
 
Durante estas férias fiz algumas, sobretudo para "desmoer" as quantidades de gelado, pãozinho quente e queijo da serra consumidos. (Não) todos ao mesmo tempo.


1) Da Vila ao local da foto: 13km (este ano não foram feitos a pé na totalidade).

 
 

Era neste percurso que fazia os meus treinos de 8km enquanto estive de férias (4km a subir e regresso).
Dificuldade: 7/10 - É sempre a subir, com alguns troços muito inclinados e quase nenhuma sombra. Ideal para iniciar de madrugada e ver o sol nascer. Duas nascentes pelo caminho.



2) Do Vale à Barragem: 3,5km ida e volta (cerca de 5km se formos até à barragem antiga).

 
 

Dificuldade: 8/10 - é um passeio curto mas com alguns atalhos mais selvagens e subida de grandes degraus e rochas.





Uma nascente de água gelada pelo caminho para beber e outra tanta para nadar.





3) Da Vila à Central: Aprox. 7km ida e volta.





Dificuldade: 5/10 - A estrada está em mau estado, mas a inclinação é mais moderada e há bastantes sombras.



Contras: Algumas quintas com os seus muitos, muitos cães.
A favor: Água de nascente no destino e uma imensidão de amoras pelo caminho.



E pequenas ribeiras para refrescar.


 
 Por hoje é tudo.

Quais os vossos locais favoritos para passear? Um trilho que não posso perder?

Bom fim-de-semana!


 

29 de agosto de 2012

"Correr é estar absolutamente sozinho"


Ontem fui devolver à biblioteca os livros que tinha levado para férias e aproveitei para fazer uma caminhada longa, em jeito de aquecimento, indo a pé. Quando os entreguei, fui fazer o meu treino para o parque lá perto.
 
Tal como tinha dito, o livro do José Luís Peixoto não é um livro leve, não é um livro "de férias", mas gostei. Achei que tinha uma beleza melancólica. Fala de amor, pequenas rotinas quotidianas, tragédias familiares e morte.
 
Cemitério de Pianos
 
 
O maratonista português Francisco Lázaro é um dos personagens deste livro, mas apenas o corredor e a Maratona são reais, tudo o resto é ficção. O pai que recorda a sua vida, o filho que perde um pai. Às vezes torna-se confuso saber quem é o narrador no meio das histórias entrecortadas, mas se calhar é mesmo essa a intenção do autor. Afinal, a história repete-se em ciclos.
 
 
 Destaco aqui uma citação do personagem Francisco Lázaro em relação à corrida:
 
 
"(...) quando ia treinar, passava pelas ruas a correr e ninguém podia imaginar o mundo de palavras que levava comigo. Correr é estar absolutamente sozinho. Sei desde o início: na solidão, é-me impossível fugir de mim próprio. Logo após as primeiras passadas, levantaram-se muros negros à minha volta. Inofensivo, o mundo afasta-se. Enquanto corro, fico parado dentro de mim e espero. Fico finalmente à minha própria mercê. (...) Foi então que aprendi a correr contra as palavras dentro de mim, da mesma maneira que aprendi a correr contra o vento."
 
José Luís Peixoto, in Cemitério de Pianos


Compreendo este ponto de vista, quantas vezes as minhas pernas não estão a 100 mas a mente está a mil... Correr é, sem dúvida, um tempo que aproveito para estar comigo e com os meus pensamentos, organizar ideias, extravasar coisas tristes, voar com coisas alegres ou simplesmente focar-me no que me rodeia e correr, correr... Mesmo quando se corre com companhia, a corrida é sempre nossa.


Não sabia, mas é também neste livro que está o meu poema favorito de José Luís Peixoto, do qual já vos tinha falado. Como todos os livros de que gosto, fiquei triste por ser apenas empréstimo e não poder ficar com ele para a minha futura biblioteca particular.


Em relação ao treino de ontem, foi o seguinte:

- Final da tarde
- Sol
- Distância: 5km
- 4km jogging + 1km "sprint"
- Bpm médio: 151
- Calorias: 302

Fiz ainda alguns exercícios nas máquinas de manutenção e depois fiz um "arrefecimento", voltando novamente para casa a pé. Cheguei a casa praticamente de noite (já se nota bem os dias a diminuir), depois fazer uns alongamentos, tomar um duche, fazer o jantar, arrumar as coisas, perder tempo no facebook, organizar trabalho e ups... já passa da 01h da manhã. E hoje que tinha de acordar tão cedo...


Preferem treinar de manhã ou ao final da tarde? Eu: MANHÃ! Se pudesse/não fosse tão preguiçosa ao acordar, corria sempre em desafio ao nascer do sol.

 


27 de agosto de 2012

Treinos Meia Maratona - semana 8 (e já lá vão 2 meses...)


Com o finalizar da semana 8 dos treinos para a Meia Maratona terminam também as férias (OHHHHHH...), pelo menos de um dos trabalhos (freelance), o outro ainda vou saber se estará lá em Setembro... Mas não é disso que estou aqui para falar.

Ora então, no sábado concluí o treino da semana com mais 12km - Fortalecimento. Desta vez não me correu tão bem como na 4ª-feira embora, verdade seja dita, não tenha levado com nada em cima. Levei, no entanto, com muito sol e terminei o treino com 2 minutos a mais do que o que tinha feito anteriormente. Consegui manter-me dentro da média esperada e já não foi mau.

Treino de sábado:

Manhã
Sol
Distância: 12km
Fortalecimento
Bpm médio: 169
Calorias: 799


O calor é algo que me preocupa em relação ao dia da Meia Maratona. Todo aquele tempo de espera a apanhar sol e depois fazer uma prova em que não há sombra do início ao fim, pelo que conheço do percurso, não me agrada muito. Já nem falo do que me atrasa (ainda mais) em termos de tempo, mas do mal que me sinto a correr em dias mais quentes.

Tenho, propositadamente, adiado a hora dos treinos de sábado para correr mais ou menos à mesma hora da prova e assim começar já a ambientar-me. Na minha opinião, 10h30 para dar início a uma prova de 21 km é muito tarde, porque no final de Setembro tanto pode já estar tempo de outono como ainda estar calor de verão. Mas as coisas são assim e inscrevi-me porque quis e só tenho é de começar a habituar-me à ideia. Por mim começava no máximo às 09 da manhã. (Sim, eu sei que vêm pessoas de longe e a logística e tal e coiso e não dá...)

E por falar em logística, quem já fez a prova: com as camionetas para a partida a circularem entre as 07h e as 9h da manhã, a que horas costumam ir para lá? Eu não quero ir cedo, primeiro porque não me interessa ficar mais para a frente quando vou fazer uma prova tão lenta e depois ver todos a passar, mas sobretudo porque não quero estar 3 horas plantada no tabuleiro da ponte. Mas depois às 09h (com ainda hora e meia de espera) se calhar fico a quilómetros do início, entre montes de gente que vai fazer a Mini a andar e depois demoro uns 30 minutos só para chegar ao ponto de partida... É só decisões difíceis (e muito tempo livre, que já acabou hoje). ;) No fundo, eu sei que há-de correr tudo bem.



Resumo da semana:


1 treino jogging (5k) + 2 treinos fortalecimento (12k).


Semana 8
 

  • Sábado - 12 km: o mesmo de 4ª-feira mas sem pinheiros e com menos força nas pernas.



Totais da semana:
Distância - 29 km
Tempo - 03:16:08
Calorias - 1876



Outros exercícios:

- 2ª-feira: passeio de bicicleta com o meu irmão - 01h30, não controlei distância.
- 5ª-feira: caminhada com a minha mãe - 4km, 1h.
- 6ª-feira: caminhada com a A. e a I. - 8km, 1h40.
- Sábado: mergulhar e esfolar-me nos escorregas da piscinas - 4,5horas.



Pois é, no sábado à tarde fui com uns amigos conhecer as piscinas de Santarém. Nunca lá tinha ido, mas quando me convidaram não estava com muita vontade porque não sou muito de piscinas, mas depois disseram-me que tinha escorregas aquáticos e eu disse que estava pronta.




Eu gosto muito de parques aquáticos, mas tenho um azar qualquer porque sempre que ando em algum escorrega aleijo-me. Uma vez, no Aquashow, fiz uma queimadura por esfregão num braço a descer um dos escorregas (não perguntem como) e outra vez, no Aqualand, escorreguei ao descer e bati com toda a força com a canela na beira da piscina. Desta vez estava tudo a correr bem até que ao terminar a descida do escorrega acima, a aterragem não foi das melhores e raspei com o pé no fundo da piscina. Acho que está na altura de desistir. Ou talvez tente outra vez para o ano, mas se depois acontecer qualquer coisa desisto mesmo.


Voltando aos treinos, os últimos dois meses foram assim:

Balanço 2 meses


23 treinos
Mais de 24 horas a correr
209,5 km percorridos


Totais  1º mês:
Distância - 95,9 km
Tempo - 10:01:31
Calorias - 6171

Totais 2º mês:
Distância - 113,6 km
Tempo - 13 h (aprox.)
Calorias - 6947 (aprox.)


Ao início ainda fazia trabalho de core e de força, mas desde que fui de férias foi para esquecer. Sei que só tinha a ganhar em trabalhar a parte muscular, mas aborrece-me tanto... Agora que estou (mais ou menos) de volta à rotina, vou tentar melhorar nesse aspecto.
A piscina aqui perto de casa já abriu as inscrições para o ano lectivo... Gostava de voltar à natação e é um bom crosstrainning. Sei que não é trabalho muscular (também), mas é melhor que nada e bem mais divertido. A ver se passo por lá esta semana para ver os horários e preços.


Como vão os vossos treinos? Já voltaram à rotina ou ainda de férias?

Boa semana!



As últimas semanas:

- Treinos Meia Maratona - semana 7
- Treinos Meia Maratona - semana 6
- Treinos Meia Maratona - semana 4 (balanço mensal)

23 de agosto de 2012

A corrida em que fui atacada por uma árvore

 
Na quarta-feira o meu plano marcava 12km - Fortalecimento. Como não me apetecia fazer o mesmo percurso do jogging de terça, saí de casa e fui a correr até ao parque de que já vos falei antes.
 
Fotografia deste post.
 
Este parque tem a particularidade de ficar numa colina, com um trilho circular a toda a volta, o que significa um constante agora-sobe-e-agora-desce, com atalhos em estrada ou terra batida opcionais pelo meio.
 
Escolhi este local, não só para incorporar algumas subidas no treino, mas também pelas sombras oferecidas pelo extenso arvoredo. -> Este é um aspecto positivo das árvores, já passarei ao negativo.
 
 
Não ia muito confiante para este treino, estive a engonhar no sofá até às últimas (o meu objectivo até ao final das férias é fazer uma mossa permanente no sofá com o formato do meu corpo estendido) e sentia as pernas cansadas. Foi preciso algum debate mental, sobretudo por se tratar de um treino em que teria de correr um pouco abaixo da minha velocidade de conforto.
 
Já reparei que ultimamente vejo "16km - ritmo confortável" no meu plano de treinos para o dia e fico logo YUPIII!, mas se vir "8km - ritmo rápido" fico logo OH NÃOOO.... Prefiro, sem dúvida, treinos longos e lentos do que treinos de velocidade. Sei que tenho de aguentar-me à bronca, correr e calar, mas não gosto. O meu coração é ultra-maratonista, o meu corpo é que ainda não chegou lá.
 
E vocês, preferem treinos longos ou de velocidade?
 
Adiante. Como estava a dizer, tive de me aguentar e fazer os 12km ao ritmo pretendido. Não dava nada pelas minhas pernas nesse dia mas, surpreendentemente, passados 2km entraram no ritmo e as coisas até estavam a ser... fáceis! O único ponto negativo foi durante os primeiros quilómetros sentir "algo estranho" no joelho esquerdo. Não era a dor da outra vez, mas uma sensação esquisita. Já não me acontecia há algum tempo, desde antes de ir de férias, e já notei que a tendência é manifestar-se nos treinos mais rápidos. Entretanto acabou por desaparecer, mas por via das dúvidas voltei a pôr gelo depois dos treinos (coisa que não fazia na Serra porque tinha nas ribeiras um banho gelado natural de recuperação).
 
Bom, continuando, tudo estava a correr bem e sentia-me uma Dulce Félix em potência quando, a passar por um carreiro, sinto uma pancada forte e bicuda de algo que me passa a rasar a orelha e aterra no meu ombro direito... Fiquei logo em estado de alerta: "Oh Meu Deus, masoquéquéisto? Atiraram-me uma pedra? Está alguém atrás de mim a atacar-me? Vou ser assaltada em plena luz do dia e com um casal de velhinhos sentados num banco a cerca de 50 metros!!! Será que consigo chegar lá antes de me agarrarem? Estas coisas só me acontecem a mim, porque é que não fiquei no sofá...".
 
Tinha o coração a mil quando olhei para trás e deparei-me com... NADA. Estavam umas crianças a brincar na zona de baloiços, mas não teriam força para mandar nenhuma pedra  àquela distância. Algumas pessoas faziam ginástica nas máquinas de manutenção, mas nenhuma com ar suspeito de atirar pedras a corredoras incautas... Olho para o casal de velhinhos e.estão.a.rir-se. Estão a rir-se DE MIM. E aos meus pés está uma pinha de 5 quilos.
Eu tinha sido atacada por uma árvore. Um pinheiro atirou-me com uma pinha. Em frente a público. Que se estava a rir de mim.
O que é que eu fiz? Ri-me também, rezei para que associassem a minha cara vermelha de embaraço ao esforço da corrida e continuei, voando para longe do cenário da minha vergonha.
 
Isto sim, só a mim, mesmo.
 
Se tivesse uma lareira tinha trazido a pinha e pegado-lhe o fogo. Toma lá que é para aprenderes. E eu que sou sempre tão pró-ambiente e as árvores são nossas amigas, vamos abraçar as árvores e depois fazem-me uma coisa destas. Hoje ainda me dói o ombro quando lhe toco. Podia ter-me caído a pinha na cabeça. Podia ter ficado inconsciente e as únicas testemunhas que me poderiam prestar auxílio iam estar demasiado ocupadas a rir-se da minha cara.
Al Gore, temos de ter uma conversa.
 
 
Concluindo. Se ignorarmos esta situação que quero esquecer, foi um bom treino. Mantive-me sempre no ritmo esperado e os 12km passaram-se num instante.
 
Treino de quarta:
 
Final da tarde
Sol
Distância: 12km
Fortalecimento
Bpm médio: 167 (-> também influenciado pela taquicardia do incidente, de certeza)
Calorias: 750
 
 
A reter: quando forem treinar para "o meio do mato", o maior perigo vem de cima, estejam atentos.
 
 
 
Para recuperar do trauma fui jantar a casa dos meus pais e, como "acompanhamento", comemos cherovias.
 
 
 
Já ouviram falar em cherovias? É uma raiz cultivada na região da Serra da Estrela (foi de lá que eles as trouxeram) e a melhor forma de a descrever é: se uma cenoura e um nabo acasalassem, o filho seria uma cherovia. Tem o aspecto de uma cenoura gorda e branca e o sabor é muito semelhante a esta. Pode utilizar-se em guisados e sopas, mas a forma em que mais gosto de a comer é a mais saudável possível: frita. ;) Um dia, quando tiver uma casa com mais de 10 m2 de diâmetro, convido-vos a todos para experimentarem esta iguaria.
 
Pronto, com este prato típico finalizo a história do dia em que fui atacada por um pinheiro.
 
 
Já tiveram alguma situação insólita/engraçada/assustadora durante algum dos vossos treinos ou passeios?
 
 
 

21 de agosto de 2012

Inscrição feita - considerações a pouco mais de um mês da Meia

Inscrevi-me para os 21km no dia 21. Só pode ser um bom augúrio, certo?

Pois é, antes que me distraísse e entretanto a inscrição ficasse mais cara lá fui eu tratar do assunto. Agora já não há volta a dar. Quer dizer, inscrevi-me não posso faltar, porque estão a contar comigo e depois dão pela minha falta. Além disso, sempre foram €14 que não quero que vão parar ao lixo.

E, para mais, isto está à minha espera:

Medalha da Meia Maratona.

Agora que falta pouco mais de um mês perguntam-me: "Achas que estás preparada?" - Sim. Ainda faltam umas semanas de treino, mas estou confiante de que consigo correr essa distância. "Achas que vais fazer um bom tempo?" - Não. Depende muito do que consideram bom tempo, mas não. Decididamente nunca menos de 2 horas e tudo abaixo das 2h30 seria bom. Não é falsa modéstia, o meu tempo dos 10km  ainda é pouco inferior aos 6min/km, velocidade que está fora de questão conseguir manter no dobro da distância. Mas acho que consegui encontrar a minha velocidade confortável e é nessa que vou tentar concluir os 21,097 km.

A grande maioria dos blogues de corrida que sigo, para não dizer todos, são de pessoas que correm todas muito mais rápido. Embora goste muito de os ler e de me motivarem,  às vezes é difícil não entrar em comparações, porque sei que ainda estou muito longe de atingir esse nível, se é que algum dia o irei fazer. Não digo que não faço por evoluir, mas não sou atleta, sou alguém que gosta de correr, na sua, sem stresses.

Se fosse mais sensata provavelmente esperaria mais uns meses, faria mais treinos de velocidade, séries, baixaria uns segundos da minha velocidade ao quilómetro para poupar uns minutos ao meu tempo de chegada. Mas não. Por isso vou competir comigo e com a minha força de vontade. E embora não gostasse de ser a última (não que tenha algum mal, apenas dispenso a pressão de ter toda a organização e público à minha espera para concluir a prova), o meu objectivo vai ser apenas fazer toda a corrida sem parar.  Penso que a questão de conseguir concluir já não se põe. A não ser que algo de muito mau aconteça -knoc knoc- nem que seja a arrastar-me eu corto aquela meta. Eu fiz mais de 100km a caminhar com uma lesão nos pés, não subestimem a minha determinação! Ou a minha teimosia inconsciente, mas prefiro chamar-lhe determinação... :) Seria preciso uma equipa de rugby (podem ser Os Lobos) a fazer placagem no percurso para me impedir de prosseguir.

Já fiz alguns testes durante os treinos, sei que se corresse "x" quilómetros e depois andasse 2 minutos (recuperação) e assim por diante, provavelmente conseguiria terminar num tempo melhor. Mas eu não quero fazer isso, eu quero  tentar correr a totalidade dos 21 km, mesmo que leve mais tempo.

E depois tenho uma coisa boa (ou má, depende do ponto de vista): não me importo de falhar em grande, falhar vergonhosamente e depois vir contar aqui no blogue para toda a gente ler, desde que dê o meu melhor. Esta primeira Meia Maratona vai ser um teste, uma aprendizagem. Depois, se ainda gostar de correr após a experiência, volto a correr uma segunda com o objectivo de melhorar o tempo.

De qualquer das formas vai ser sempre bom. Se correr bem, vou ficar nas nuvens e andar a sonhar com o ouro olímpico durante semanas; se correr mal, vou choramingar um bocadinho, mas o meu ego ferido recupera depressa e vamos todos poder rir juntos da minha desgraça. Toda a gente sabe que quando as coisas correm mal sempre dá um post mais engraçado. Mas não contem com isso! ;)


Vemo-nos lá?



Para celebrar, hoje fui fazer o meu jogging do dia com vista para a dita:

Ponte Vasco da Gama, estou de olho em ti.


Treino de hoje:

Final da tarde
Sol
Distância: 5km
Jogging
Bpm médio: 149
Calorias: 327


Corria uma ligeira brisa de tarde que se faz noite. Senti-me bem. Não só por ser ritmo de jogging, o que, sejamos sinceros, é um relaxe, mas porque tinha a minha mente cheia de pensamentos felizes. Sorri o tempo todo.




20 de agosto de 2012

Treinos Meia Maratona - semana 7

Estou de volta à cidade. Ainda tenho alguns posts serranos para publicar, mas vamos primeiro ao resumo da semana 7 rumo à minha primeira Meia Maratona.

Começo por fazer o relato da corrida de domingo, que encerrou a semana, de volta à minha planície junto ao rio, 16km para fazer valer as duas últimas semanas de treino em altitude.

O dia amanheceu com o sol forte, comecei a correr por volta das 8h30 e rapidamente começo a escorrer suor (que imagem agradável). Ah, as saudades que eu já (não) tinha desta humidade!



Sempre junto ao rio, (humidade concentrada ao cubo) vou avançando nos quilómetros e ao olhar para o relógio fico admirada por estar a correr a uma velocidade média uns 15 segundos abaixo do normal. Como me sentia bem, não abrandei. O ritmo cardíaco também estava nos meus valores normais para estas corridas, mas o tempo estava tão abafado... Pouco depois dos 4 km parei pela primeira vez para beber água. Quando, a meio de um treino, param para beber água ou por qualquer outra razão, costumam parar o relógio? Eu antes fazia isso, mas agora deixo a contar na mesma. Acho que para mim faz mais sentido assim, o número de vezes que paramos para beber água ou o tempo que o demoramos a fazer ou até as paragens devido a algum tipo de dor podem ser indicativos de maior ou menor cansaço e é importante que esse tempo também entre nas contas. Claro que isso acaba por baixar o ritmo médio e às vezes é desmoralizante, mas faz parte da aprendizagem.

Parei 4 vezes para beber água, mas tudo paragens muito rápidas (se algum bebedouro estivesse a ser utilizado ou com fila de espera seguia para o próximo), nunca demorei mais do que 10 segundos em cada uma. Prefiro beber pequenas quantidades e parar outras vezes, se necessário. Onde corro tenho condições para o fazer, mas preciso de começar a levar comigo uma garrafa e praticar essa grande técnica que é beber água ao mesmo tempo que se corre e que exige mais perícia do que a que parece.

Entretanto, mais uma das muitas razões porque prefiro correr de manhã: os sistemas de rega. De manhã os aspersores são ligados e há zonas onde passo a correr junto ao relvado, numa brincadeira de fintas à água, mas na esperança de ser molhada. É tão bom sentir as gotinhas frescas ou o vapor a colar-se na pele... Foram bem vindos ao fim de 9km de corrida. Que saudades de uma chuvinha de verão.

Aos 12km, quando já corria em piloto automático, passou por mim um grupo de rapazes a correrem de tronco nu. Vestiam todos calções pretos iguais, por isso devia ser algum grupo organizado (amigos da corrida, estudantes da residência aqui perto ou militares, que costumam muitas vezes vir correr junto ao rio). De qualquer forma, gostei de vos ver passar rapazes, obrigada pelo incentivo extra, passem mais vezes! ;)

Com a falta de novos incentivos e com o passar dos quilómetros comecei a notar a velocidade média a aumentar. De vez em quando aproveitava os picos de energia mas no geral já denotava algum cansaço. Terminei os 16km com uma velocidade média ligeiramente inferior à da regra das minhas corridas mais longas, mas não posso dizer se se deveu às duas semanas em que corri em condições mais difíceis ou se simplesmente foi um dia bom. Às vezes também há desses, em que o nosso corpo, pernas e mente trabalham em conjunto para um bom desempenho. Mas também pode ter sido dos aspersores e das vistas, não tenho como saber.
Resumindo, foi um bom treino e cheguei a casa encharcada em suor e água mas com a boa sensação de mais um treino cumprido.

Desta vez só levei comigo algumas passas para comer, por isso quando cheguei a casa tive de tomar um pequeno-almoço reforçado. Foram muitas calorias dispendidas, por isso posso tomar dois pequenos-almoços e talvez duas sobremesas ao almoço.

Treino de domingo:
- Manhã
- Sol, humidade elevada
- Distância: 16 km
- Bpm médio: 162
- Calorias: 1044 (-> vêem, muitas calorias).


Vamos então ao resumo atlético da semana:


Plano: 2 treinos de velocidade + 1 longo confortável.



Semana 7

Ainda na Serra:
  • Terça-feira - 8 km no habitual sobe e depois desce da montanha. Bpm médio: 171; calorias: 493. Treino em que me esforcei um bocadinho mais, o que resultou num excesso de confiança para a corrida de quinta:
  • Quinta-feira - 8 km que acabaram por ser apenas 7,5 km, com um desvio para um belo mergulho. A mexer no relógio apaguei sem querer os dados da corrida.
Em Lisboa:
  • Domingo - 16km ritmo confortável.

Totais da semana:

Distância - 31,5 km
Tempo - 03:41:52
Calorias - 1537 (em 2 das 3 corridas). Como sou muito consistente na perda de calorias, o valor total das 3 deve andar perto dos valores da semana passada (2215).


Agora que estou de regresso a casa tenho medo de tornar a entrar no facilitismo das rectas. Tenho subidas boas perto de casa, mas a maioria das vezes é mais fácil evitá-las e optar por descer até ao rio. As subidas aqui, junto à estrada e poluição de carros a passar, não são tão apelativas como as da serra, em que só passava um carro (quando passava) de meia em meia hora e tinha uma vista desafogada. Não é que deteste a elevação. Aliás, nas provas é quando tenho a oportunidade de passar mais pessoas, nas subidas (algumas tornam a passar-me depois nas rectas, é a vida), porque as minhas pernas até aguentam bem. O problema é mesmo o não gostar de correr ao lado do trânsito e nem sempre me apetecer pegar no carro para ir para outras paragens.

Por outro lado, agora já vou ter mais disciplina para complementar a corrida com outros exercícios, nomeadamente tornar a pegar na minha bicicleta que tem andado esquecida. A ver se amanhã já vou dar uma voltinha.



E como ainda me restam alguns dias de férias, espero ainda poder dar mais alguns dos meus ridículos épicos mergulhos, desta vez em águas mais quentes e salgadas (ou com cloro).



Esta foto acima tem a ver com mergulhos, mas não com os meus. Há pessoas que saltam do cimo daquelas escadas na árvore lá para baixo para o poço... Eu não sou uma delas.




E esta foto acima não tem nada a ver com mergulhos nem com corridas. Apenas quis terminar o post com uma imagem bonita e insólita. Quem será que pôs assim as pedras e com que intuito?



Uma boa semana!


17 de agosto de 2012

Velocidade: fail. Treino: ok. Natureza: KO

O ar da Serra deve ter um efeito narcótico qualquer porque ontem acordei com a convicção de que iria conseguir fazer um treino rápido no meu percurso dos 8km que, vos recordo, é metade a subir a encosta da Serra da Estrela. E juro que na noite anterior só tinha bebido UM destes.

Nas Beiras o que é que se bebe?

Tudo isto porque na terça-feira tinha finalmente conseguido fazer o mesmo percurso e ficado apenas "extremamente cansada" em vez de "de rastos". O optimismo subiu-me à cabeça, foi o que foi.
Assim sendo, acordei cedo e pus-me a caminho, andando até ao ponto de partida, que é geralmente onde os satélites resolvem começar a colaborar.



Pensei que mesmo que os 4km iniciais fossem um pouco abaixo da média esperada depois recuperaria a descer. Huh huh.
Mantive uma velocidade decente apenas durante o primeiro quilómetro e ao fim dos primeiros 2.100 metros estava a morrer. A MORRER. Quase não conseguia a respirar e tinha a garganta tão seca que mal tinha saliva para engolir. Neste trajecto só há uma nascente que fica pouco depois do 4 km, por isso não costumo levar água comigo. Tive de fazer os restantes 2km a reboque de um caracol e já me imaginava a desfalecer e ficar ali horas estendida até ser encontrada por uma família de javalis ou algum lobo solitário... (Esta última parte já era delírio, porque o meu pai, o meu irmão, um tio e um primo vinham logo atrás a caminhar e por ali não há lobos. Acho.).

Portanto, a tentativa de velocidade não correu bem mas o treino acabou por não ser FAIL porque aquele primeiro quilómetro e depois a descida acabaram por compensar o descalabro momentâneo. Além disso, tenho sempre a generosa contribuição da natureza selvagem para a minha recuperação energética.

Amoras!
Muitas amoras ainda estão vermelhas, mas nos locais em que as silvas apanham mais sol deu para apanhar três palhas cheias. Era assim que quando era pequena apanhava as amoras com os meus amigos: espetávamo-las em palhas e depois levávamos na mão uma meia dúzia destes cordões pretos até à água para as lavar. Ou então comíamos mesmo quentes e sujas do pó da estrada, dependia da vontade.


Os figos, por outro lado, ainda estão todos muito verdes...

Tenho pena de a minha estadia estar a terminar e não ter comido nenhum figo. Só gosto de os comer assim, apanhados directamente da árvore.

Depois do pó da estrada, mergulho em águas límpidas (e geladas, não há como evitar).

Parece que tem pouca profundidade, mas engana.


E agora, para terminar, deixo-vos com uma amostra do meu talento inato, graciosidade e forma impecável de mergulho (também conhecido por "parece que me estou a afogar mas não estou"):

PERFEITO.

Em 2016 estou nas competições de mergulho dos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Bom fim-de-semana!



13 de agosto de 2012

Treinos Meia Maratona - semana 6


Versão Férias na Montanha II

Pois é, continuo de férias e a correr pelos montes. Sou praticamente uma Heidi, como fizeram referência nos comentários e muito bem. Já se está quase a acabar, mas esta semana ainda houve tempo para mais três treinos nas alturas.

Para os que pensam que estou a ser a exagerada do costume quando me refiro à tortura do ganho de elevação, não estou.


A vila já lá tão em baixo e eu ainda no início da minha subida...

Por isso sabia que na corrida longa do fim-de-semana, que desta vez calhou ser os primeiros 16km do plano de treinos, não podia fazer o percurso do costume. Subir 8km a pique e depois regressar estava fora de questão já que, apesar de tudo, ainda conservo alguma sanidade mental, e repetir o percurso dos 8km duas vezes (subir 4km e voltar) também estava fora de questão, porque depois de descer nem pensar que conseguia convencer as minhas pernas a repetir a proeza. Isso só significava uma coisa: Tinha de ir correr para o meio da Vila... o que exigiu alguma preparação da minha parte.
Primeiro, tinha de ir bem cedo, para evitar muita gente nas ruas e não me deparar com  uma aglomeração populacional à saída da Missa ou, pior, passar por algum amigo meu que depois me gozaria durante o resto das férias.
Segundo, teria de seleccionar bem as ruas para evitar muitas subidas, que também as há embora bem mais acessíveis, e para poder passar por algumas fontes de forma a poder beber água sem ter de levar uma garrafa comigo.


Esta última parte foi fácil, já que há bastantes.

Depois, teria de convencer o meu pai a vir comigo pelo menos nos primeiros 8km, já que dois malucos das corridas sempre é melhor que só uma. Feito.

Foi uma experiência engraçada... Um estudo da relação entre a evolução do cansaço e declínio do humor. Ao início, respondíamos aos olhares mais interrogadores com um "Bom Dia" animado, passada meia-hora já só respondia (eu, porque o meu pai mantém o bom feitio ou então não se cansa tanto) com exasperação e um sorriso cansado e passada uma hora já tudo me irritava e fulminava com os olhos qualquer velhinha que se atrevesse a cruzar o olhar comigo. Ahahah, estou a brincar! Mais ou menos.;)
Na verdade, não foi tão mau como eu pensava, mirones à parte, senti-me sempre razoavelmente bem durante a corrida, embora no fim, quando tive de fazer os últimos 2km  a subir até casa (que fica numa zona mais alta), já me doessem bastante as pernas. Levei imenso tempo a completar os 16km e já estava a ficar muito calor quando terminei. No entanto, como o clima aqui é mais seco, parece que não me afecta tanto como a humidade o faz. Além disso, de vez em quando corria uma aragem fresca.

Treino de domingo:
- Manhã
- Sol
- Distância: 16km
- Bpm médio:165
- Calorias: 1074


Agora a propósito do gasto de calorias, geralmente levo comigo nos treinos algumas passas, frutos secos ou gomas (de vez em quando um cubo de marmelada), mas aqui não tenho nenhum do meu arsenal disponível e então resolvi dar uso a um gel que tinha comprado na Decathlon já há alguns meses, para experimentar. Trouxe dois na minha mala de viagem e bebi um na corrida de ontem. Era bom, tinha a consistência de uma marmelada líquida, mas com sabor a maçã.



Não sou muito deste tipo de produtos, por isso não penso voltar a comprar quando há coisas que fazem o mesmo efeito e são mais baratas, mas gostei do sabor. Aqui ficam os dados nutricionais:

Basicamente é só carbs e proteína...



E como o post já vai longo, vamos ao que interessa.

Resumo da semana:




Semana 6

  • Terça-feira - 8 km rápidos (-> já sabemos que isso não vai acontecer aqui na montanha): tinha-me deitado tarde e estava cansada, tive de parar para caminhar um pouco a seguir ao km2. Custou-me voltar a entrar no ritmo mas depois já não parei.
  • Sexta-feira - 8 km rápidos  inspirados. Geralmente quando corro só penso em comida ou no trabalho que tenho para fazer em casa, entre outras banalidades. Mas desta vez as montanhas motivaram-me. Foi um treino duro (quando é que se torna fácil??!), mas bem sucedido física e mentalmente.
  • Domingo - 16km ritmo confortável.

Totais da semana:
Distância - 32 km
Tempo - 03:53:58
Calorias - 2215

Esta foi a semana com mais quilómetros desde o início do plano. Confesso que os treinos mais "curtos" das últimas semanas me andavam a deixar insegura quanto às corridas mais longas, mas aguentei bem. No entanto, não tenho feito evoluções em termos de velocidade. Espero que este treino intenso de subidas me facilite a recuperação de velocidade quando regressar a casa.

Aliás houve, de facto, um único treino de velocidade em toda esta minha estadia e não foi bem um treino. Foi pós-visualização do recorde do Bolt nos 100 metros, em que estávamos todos (primos) a discutir a loucura que é a rapidez daqueles atletas. O Bolt terminou abaixo dos 10 segundos, o que significa menos de 1 segundo por cada 10 metros. Então quisemos tirar a limpo as capacidades individuais de cada um e corremos um trajecto de 100 metros na maior velocidade possível...  Bem, digamos que o Bolt não precisa de se preocupar com o facto de lhe roubarmos o recorde nos próximos tempos (=nunca). Por isso voltámos a sentar-nos com as nossas minis e amendoins.


Outros exercícios:

Tenho feito algumas caminhadas, das quais vos falarei depois, mas fora isso não me tenho esforçado por acrescentar mais exercício à minha rotina. Afinal estou de férias e as corridas já me cansam bastante. O que vale é que posso mergulhar as pernas numa banheira de gelo ao ar livre sempre que me apetece.



E, quando o calor aperta, combater o reumático nadando em águas fresquinhas.



Mas mais sobre isso também depois.


Conseguem nadar em águas frias? Mergulham logo para desafiar o choque térmico ou vão molhando os pés, depois os joelhos, depois mandam uns salpicos para a cara e o peito, e meia-hora depois finalmente molham a barriga e costas (a parte mais difícil, como toda a gente sabe)?

Boa semana!


O que se passa aqui:


10 de agosto de 2012

Tiquetaque

Sempre uma ânsia de viver, de ver, fazer, conhecer e o tempo que passa num inclemente tiquetaque.
Quero ver o mundo. Subir a Machu Picchu, percorrer os Himalaias, ver a aurora boreal e o sol da meia noite,  nadar na Barreira de Coral, conduzir no que restar do traçado da Route 66, visitar o Vale dos Reis, dançar o tango nas ruas de Buenos Aires, correr a Maratona de Nova Iorque,  beber um chai na Índia, visitar castelos e palácios. E pensar que ainda nem comi um cozido das furnas… Tiquetaque, tiquetaque. Quero saber tanto, aprender tanto, conhecer. Pessoas, histórias, civilizações, culturas…  Falar mandarim, praticar tai chi, aprender surf, fazer mergulho de garrafa, estudar o Espaço e outras galáxias, decifrar hieróglifos e descobrir segredos antigos. Tanto ainda para aprender e o meu saber é tão curto... Tiquetaque, tiquetaque. Quero trabalhar mais e gostar sempre do que faço. Gostarem do que faço. Ganhar dinheiro que me permita a liberdade de quem trabalha por prazer e não obrigação. Dinheiro para mim e para retribuir a quem tanto fez e faz para que nada me falte. Uma casa, um cão, um jardim, uma biblioteca. Mas o tempo passa e eu pago as contas... Tiquetaque, tiquetaque. Quero apaixonar-me. Mais. Outra vez. À séria, a valer. Sem medos, inseguranças e indecisões. Um amor tão grande que não cabe apenas em dois corações e se multiplica e gere vida e se prolonga. Pequenos passos que irão continuar a correr quando os meus terminarem. Mas o tempo passa e eu hesito... Tiquetaque, tiquetaque.
Tanta coisa para fazer, tanto mundo para correr e este relógio que não pára. Tiquetaque.
Depois chego às montanhas.




Tão perenes, serenas… Têm a quietude sábia de quem já viu a correria de tantas vidas e assistem do alto às águas dos rios que acabam invariavelmente todas no mar. Parece que as sinto sorrir, complacentes desta juventude que não sabe parar e desfrutar da corrente.


“Relaxa. Por águas calmas ou tumultuosas, no fim, o destino é o mesmo. Aproveita a viagem”.
E a minha mente finalmente acalma, mas o corpo corre.

Treino de hoje:

- Manhã (para fugir ao sol)
- Tempo nublado (mas quente, quente...)
- Distância: 8 km (4km dolorosos a subir e 4 km misericordiosos a descer)
- Bpm médio: 167
- Calorias: 578


7 de agosto de 2012

Treinos Meia Maratona - semana 5

Versão Férias na Montanha.



Antes de mais, adianto desde já que se ficasse aqui a treinar um mês teria de mudar o nome do blogue, porque correr a esta altitude e com estes ganhos de elevação não é para meninas.

Altitude máxima: 1993 metros.
Altitude mínima: 300 metros.
Aqui ando geralmente entre os 600 e os 850 metros de altitude.

No sábado tive um dos treinos mais duros de sempre. Esqueçam as minhas lamúrias quando corria descontraidamente e feliz, na minha ingenuidade, junto ao rio, sempre a direito (exceptuando as lamúrias das lesões, essas são para levar a sério), correr na serra fez-me ganhar um novo apreço por quem faz trail nas montanhas, apesar de me ter mantido sobretudo em estrada. Não é nada fácil quando em 4 km a altitude sobe 150 metros. Claro que depois a descer é uma alegria e tive de me controlar por causa do joelho (que tem estado calminho, graças a deus). Mas aqueles quatro primeiros quilómetros a subir deixaram-me as pernas a arder e fartei-me de falar na minha cabeça (sem ar para falar com a boca) para que não parasse, já que depois seria pior para recomeçar.

Treino de sábado:

Manhã
Sol
Distância: 8km
Bpm médio:154
Calorias: 511

Claro que o "rápido", que era a ideia para este treino, ficou sem efeito. Até me admiro de ter mantido a frequência cardíaca tão baixa (no treino posterior a este isso já não aconteceu).


Resumo da semana:


Semana 5

Em Lisboa:
  • 2ª-feira - 8 km rápidos: a semana começou em grande com o estrear de uns novos ténis e o meu primeiro treino a um ritmo mais elevado que correu bem do início ao fim, exceptuando o "acidente".

  • 4ª-feira - 5,1 km jogging, adiantados devido à vinda para a Serra no dia seguinte. Já não me lembro porque acabei por fazer mais 100 metros do que o necessário, mas como não sou esquisita com o terminar em número certo, não faz mal.
Na Serra:
  • Sábado - os já referidos 8 km rápidos para duros.


Totais da semana:
Distância - 21,1 km
Tempo - 02:23:34
Calorias - 1309

Considerações: Correr aqui tem sido complicado, não só devido ao que já foi acima descrito, mas também porque não tenho tido grandes horários para comer e isso desregula um bocadinho o nosso organismo. Não acho que a minha alimentação ande muito má, exceptuando os milhares de calorias em queijo da serra. Em termos de proteína estou despachada.
Uma novidade: Vi um rapaz a correr pelo meio da vila! Se não tivesse vergonha ia lá dar-lhe um beijinho (ahah). Disseram-me que desde que abriu aqui o hotel que alguns funcionários (de fora da terra, claro) vão muitas vezes correr depois do trabalho. No entanto, ainda não fui para o meio da vila correr, porque como tenho a companhia do meu pai tenho ido para o meio dos montes, o que é mais difícil mas espero que traga benefícios a médio prazo. A curto prazo já trouxe, porque em cada treino penso que depois disto uma Meia Maratona não vai custar nada e isso é bom para a minha autoestima desportiva. Não creio é que se mantenha quando regressar a casa, mas vamos a ver.



 
Outros exercícios:

Caminhadas até à lua e voltar:
ou quase...
Fugir das vaquinhas:
Mentira, elas são dóceis e/ou preguiçosas e nem se levantaram.
Mergulhos em águas gélidas:
(bom para os músculos)
Ver os outros competir:
Está provado que queima calorias solidárias.
 
 
Conclusões:
- Enquanto aqui estiver dificilmente conseguirei fazer treinos de velocidade. Sinto que estou em falta nesse campo.
- Zero exercícios que não sejam cárdio.
- Estou de férias, não quero saber. ;)



Como foi a vossa semana? Preguiçosa,  activa, ou "vi o Bolt correr os 100 metros e fiquei cansado"?



Ver balanço de treinos do 1º mês:


6 de agosto de 2012

O tamanho do que vejo

"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura..."

Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos".






Férias. Família. Gargalhadas. Queijo da serra. Muitas calorias. Descanso. Sestas. Jogos Olímpicos. Mergulhos. Água gelada. Passeios. Serra. Montes. Caminhos de cabras. Corridas. Ganho de elevação. Corridas duras. Corridas boas.


Hoje raro momento de internet, por isso post telegráfico. Volto em breve com resumo da semana.

Boa semana a todos!



1 de agosto de 2012

Corrida e livros

Dois dos meus temas favoritos.


A propósito do "acidente" durante o treino de segunda-feira, aqui fica um artigo sobre os cuidados a ter quando corremos na rua. Destaco a dica nº 8: Olhe para onde corre. Evite ser pego de surpresa com buracos, objetos e pessoas no meio do caminho. Mas tenham em conta que desviarmo-nos de um buraco, uma pedra ou uma árvore é diferente de fintar uma pessoa, que é mais imprevisível. Todo o cuidado é pouco!

Amanhã estou de viagem por isso fui hoje fazer um jogging de 5km de manhã. Estava muito calor já por volta das 9 horas, quando saí, por isso foi bom não ter objectivos de tempo.

Treino de hoje:

- Manhã
- Sol
- Distância: 5km
- Jogging
- Bpm médio: 151
- Calorias: 311


Almoço

 
Depois de almoço fui devolver uns livros à biblioteca e trazer uns novos para ler durante as férias. Em férias quero livros de viagens e um (do) José Luís Peixoto. JLP não é um escritor muito "leve" para leitura de férias, mas este livro tem uma personagem inspirada no maratonista português Francisco Lázaro, e fiquei curiosa quando li o resumo.

Trouxe também uma Agenda Cultural, que é gratuita nas Bibliotecas.

Fui à biblioteca do costume e desta vez arrisquei a expulsão perpétua e irrevogável só para vos mostrar umas fotos. :) Tenham em atenção que este foi um trabalho de risco e subterfúgios, por isso é que as fotos estão com uma qualidade ainda pior do que a habitual.

Um cantinho da "sala de convívio"
(estavam pessoas no outro lado)

"Room with a view".
Another room with a view (e livros).
Cantinho da lareira.

Pormenores.

Zona livros infantis e bedeteca (à direita).

Lembram-se deste livro?

Na altura trouxe este livro para saber um bocadinho mais sobre as grandes unidades de produção e abate animal. Eu não penso tornar-me vegetariana, nem foi com esse intuito que o li (nem é o objectivo do livro), mas a verdade é que as descrições do que se passa em muitas unidades da indústria agropecuária são perturbadoras e nauseantes. Uma pessoa está consciente de algum sofrimento animal, mas não queiram saber as coisas sádicas que são retratadas neste livro. Embora se foque numa realidade norte-americana, as grandes unidades de produção não deverão ser muito distintas por aqui (Europa).
Alertou-me ainda mais para a importância de comer com consciência e da importância das produções biológicas (que não são perfeitas, mas é um mal menor).

Não quero entrar pelas questões morais discutidas no livro, até porque é muito mais do que um desfilar de horrores. Gostei de ficar a saber sobre as "hormonas de crescimento", que fazem com que em 6 semanas tenhamos um frango "adulto" ou um porco mais rechonchudo e do efeito que pode ter no nosso organismo. Por acaso nunca tinha pensado nisso, mas quando se olha para as crianças de hoje em dia, que cada vez se desenvolvem mais rápido, quanto disso não terá a ver com esta alimentação rápida e adulterada, com hormonas de crescimento que entram na nossa cadeia alimentar?
Depois, o que quase toda a gente já sabe: A agropecuária tem uma contribuição 40% superior à de todos os transportes mundiais combinados para o aquecimento global; é a principal causa de alterações climáticas.

É claro que temos sempre de ler com algum afastamento crítico, mas é um livro interessante não só para nutricionistas mas também para todas as pessoas que gostem de saber mais e questionar as consequências das opções disponíveis na actualidade. A verdade é que há muito desconhecimento.



Mantendo o tema da alimentação, deixo aqui o link para um óptimo artigo sobre Suplementos Desportivos e Nutrição Desportiva que é um tema que me interessa sempre muito e sobre o qual já li as mais diversas opiniões e sugestões. Este artigo parece-me estar bem estruturado e completo.



Para terminar, não sei se na terrinha terei acesso frequente à Internet. Às vezes apanho a Zon Free e outras não, depende dos humores (da rede, não dos meus). De qualquer forma, espero conseguir ao menos registar os meus treinos.

Entretanto, desejo umas boas (futuras/presentes) férias* a todos e mantenham a forma!




* outro dos meus temas favoritos. ;)