30 de setembro de 2012

Hoje foi O DIA!

sou Meia Maratonista (weeeeee)!

E o prometido é devido.

PS: Está tudo bem! Obrigada.
 
(E aqui que ninguém nos lê, talvez eu tenha andado com a medalha ao peito a tarde inteira... É até possível que tenha entrado num café envergando a dita. Não, as pessoas não acham nada estranho alguém entrar num café com uma medalha pendurada ao pescoço....)
 
 
 
Obrigada pelo vosso apoio, comentários e mensagens! Peço desculpa de não agradecer a cada um individualmente, hoje ainda não parei, mas li todos com carinho.
 
Até tive direito a cartaz virtual e tudo! (E juro que não ouve incentivo monetário da minha parte à autora do mesmo...)
 
Inspirador e com um toque de humor, mesmo como eu gosto!
Daqui.
 
Obrigada à autora e a todas as meninas que partilharam o apoio. Fiquei com uma lagrimazinha...
 
 
Mas vamos ao que interessa: a Meia.
Muito resumidamente: Corri os 21,097km inteirinhos, sem parar, o que era o meu grande objectivo. "Rockei" durante o percurso todo (na medida do possível...). Estava a gostar tanto daquilo que ainda ia a meio e já estava a pensar "epá, tenho de fazer isto outra vez!". Nos últimos 2km "epá, já aparecia a Meta...". Mas terminei feliz (claro!).
 
Assim que tiver um tempinho volto com uma crónica à altura.
 
Obrigada mais uma vez. Abraços/beijinhos!
 
 

29 de setembro de 2012

Tudo a postos e O Susto

- "Não sejas parva. Vai correr e depois trazes-me a medalha à tarde!"

Sexta-feira, 19h. Deveria estar a fazer a minha última corrida, ao pôr do sol, calma, com a mente na prova de domingo. Chegaria a casa, mal transpirada, abriria o frigorífico e levaria ao forno a ansiada pizza de final de semana.  Mas são 19h e estou nas urgências de um Hospital, de onde só sairei por volta da meia-noite e meia. Nada aconteceu comigo mas estou a acompanhar um familiar. Esperamos, desesperamos. Primeiras análises, mais espera. Terá de fazer um TAC, mais espera. Já passa da meia-noite quando espetam o murro final: vai ter de ficar pelo menos esta noite, a soro, quem sabe a próxima também.
Chorei. Chorei tanto. Não pela gravidade da situação, que felizmente não se revelou o pior, mas por tudo. Por mais de 8h fechados numas urgências, a ansiedade do "não saber", o cansaço, a fome, a preocupação, os nervos...
 
Se fosse mais grave, já não iria fazer a Meia. Foram 3 meses de preparação que não iriam dar em nada, o que só prova que na vida não se podem fazer grandes planos. Mas tu disseste: - "Não sejas parva. Vai correr e depois trazes-me a medalha à tarde!" - e eu quis acreditar em ti, que ficarias bem.
 
Hoje fui visitar-te e sei que estás bem, talvez te dêem alta amanhã, mas tenho no corpo o cansaço de tantos nervos e uma noite mal dormida. Tornaste a insistir. E é por isso que mesmo assim vou correr a Meia Maratona. A primeira. A tal que me levou 3 meses de preparação, a que tu assististe e te cansaste de ouvir falar. Os 21km há muito que deixaram de ser só meus, são de todos aqueles que, com gosto ou já fartos, me ouviram falar vezes sem conta das dores nas pernas, do medo da lesão no joelho, das dúvidas que teria em terminar.
Por também serem teus os meus 21km, amanhã vou correr. Cansada, mas já sem dúvida nenhuma de que termino, nem que seja de rastos.
 
 
 
 
Não era este o post que tinha planeado escrever, o último post antes de fazer A Meia, em que falaria dos nervos, da ansiedade, de onde estava há um ano e onde estou agora. Mas o destino às vezes troca-nos as voltas.
 
 
 
Amanhã, se não houver mais surpresas, lá estarei. À tarde levo-te a medalha.
 
Promessa de uma futura Meia Maratonista.
 
 

27 de setembro de 2012

Os últimos treinos antes do dia R (de Rock)

 
Como fiquei toda invejosa de quem participou no Urban Night Race, no domingo fui fazer um treino à noite. Durante o Inverno já é normal fazer treinos de noite (a partir das 17h), mas não à noite (a partir das 20h).
Na verdade, fui correr já era perto das 20h porque sabia que esta semana ia ser complicada e que não ia ter muito tempo de treinar, por isso quis ter a certeza de que fazia pelo menos um dos treinos.
 
A minha Urban Night Race.
Uma altimetria muito mais simpática mas com um décimo da emoção.
 
O treino em si foi agradável. 5km bem calminhos, nem cheguei a transpirar, mas bastava ser um bocadinho mais tarde e já não me iria sentir muito confortável a correr sozinha, apesar de ainda se ver muita gente a correr também. Tenho de correr sem música, para estar mais alerta, e limitar-me às zonas mais iluminadas e frequentadas (aka Parque das Nações). Torna-se um pouco aborrecido, para dizer a verdade.
 
No sábado, quando saímos do restaurante onde foi o aniversário do meu irmão, vi dois rapazes a correr e já passava da meia-noite. Repito: já passava da meia-noite. E não estávamos nem perto da zona onde se realizou o Urban Trail. Fico sempre admirada com as horas a que algumas pessoas fazem exercício (tenho duas vizinhas que fazem sempre a sua caminhada matinal às 5h30 da manhã, antes de irem para o trabalho). Mas é claro que nem toda a gente tem um horário das 09h às 18h e têm de ser mais inventivos se quiserem manter uma actividade física regular.
 
Posto isto, correr de madrugada, com um grupo grande de pessoas, deve ser uma experiência engraçada. Há menos poluição no ar, menos confusão nas ruas... Mas depois não ficarão demasiado despertos para conseguir adormecer? Alguém que já tenha experimentado?
 
A segunda corrida da semana foi na terça de manhã, antes de começar a trabalhar.
 
Os meus últimos treinos antes da Meia:
 
Domingo:
- Noite
- Distância: 5km
- Jogging
- Bpm médio: 140
- Calorias: 277
 
Terça:
- Manhã
- Distância: 8km
- Ritmo confortável
- Bmp médio: 160
- Calorias: 489
 
 
E pronto, agora na sexta faço outra corrida calminha igual à de domingo e já está. Ou será melhor não correr mais até à prova? Depois logo vejo como me sinto.
 
 
Hoje é dia de ir levantar o dorsal. Acho que já estou a começar a ficar um bocadiiiiinho ansiosa...
 
 
 
 
Ei, é bom para dar energia, ouvi dizer.
 
 
E vocês, que vão fazer no fim-de-semana? (As respostas certas são: vou correr ou vou ficar a ver a Meia Maratona Vodafone Rock'n'Roll na televisão.;) ). Estou a brincar, actividades que não incluam corridas nem pontes são bem-vindas e agradeço a distracção!
 
 


24 de setembro de 2012

Treinos Meia Maratona - semana 12 (This is it)

 

Parece que foi ontem que anunciei a minha intenção de correr a Meia Maratona e agora o contador ali ao lado não engana: já só faltam 5 dias.
Ainda estou surpreendentemente calma. Talvez lá mais para o final da semana comece a ficar com a minha ansiedade característica.


Ainda vou ter pesadelos com isto até domingo. ;)
 
Mas, antes de falar da prova que se aproxima, o treino de sábado.
 
Apesar de ainda ter dois ou três treinos curtos esta semana, a semana passada foi oficialmente a minha última semana de treinos, que terminou com o último treino rápido do plano.
Fartei-me de transpirar no sábado de manhã, nos 8km que acabaram por ser apenas 7,5km, devido a erro de cálculo. Foi a primeira vez nesse dia que fiquei encharcada, a segunda seria já de madrugada, não devido ao suor, mas à carga de água que caiu por volta das duas e meia da manhã. Foi por volta dessa hora que assumi o meu estatuto de cota e dei a noite de aniversário do meu irmão por encerrada, deixando os jovens continuar a divertir-se. Correr de sandálias até ao carro quando o céu parece descarregar toda a sua fúria contida nos últimos meses de seca não foi a melhor das experiências. Fiquei a escorrer.
 
 
Mas valeu a pena, não só por ter sido o aniversário do meu irmão lindo mas porque consegui introduzir um brinde à minha primeira Meia Maratona no meio da dezena de brindes que foram feitos ao longo do jantar. Só por causa disso já vai correr melhor. Se calhar não deveria era ter bebido tanta sangria, mas estou a contar que o meu organismo desintoxique até ao próximo sábado. A partir de hoje só água, muita água para hidratar.
 
 
Treino de sábado:
- Manhã
- Sol (ainda)
- Distância: 8km
- Ritmo de competição*
- Bpm médio: 168
- Calorias: 441
 
 
* Este "ritmo de competição" sugerido pelo meu plano não será a realidade. Aguentei 8km neste ritmo, mas não aguentaria 21. O meu nível de conforto está a duas ou três dezenas de segundos acima do previsto, mas aceito. Sei que me baldei um bocadinho nos treinos de velocidade, que me permitiriam ganhar uma maior resistência, mas como o objectivo era o de terminar, não me preocupei muito com isso. Claro que agora a uma semana da prova começo a ficar cheia de dúvidas sobre se estarei realmente preparada... O normal. Mas acho que fiz o que podia e vou dar o meu melhor.



Quem vai participar na prova já deve saber que vamos ter direito a um concerto final dos Xutos & Pontapés (mais Luís Represas e João Gil). Claro que como está previsto começar às 11h30 já vou com sorte se chegar a tempo de um encore. Mas, se me for permitido pedir, Tim, gostava muito que tocasses "À minha maneira" quando estiver a chegar à meta...

" A qualquer dia, a qualquer hora, vou estoirar, para sempre.
Mas entretanto, enquanto tu duras, tu pões-me tão quente"

-> Dedicado à Meia Maratona. :)


O que vale é que vão haver muitas outras bandas ao longo do percurso para poder distrair-me um pouco.



Resumo de treinos da última semana:


5,5km jogging + 8km ritmo + 7,5km ritmo

Semana 12

 
  • Sábado: 7,5 km de confirmação do não-ritmo de competição.


Totais da semana:

Distância - 21 km
Tempo - 02:09:47
Calorias - 1251

 
E assim, o plano de treinos começou com uma semana de 21km e termina com outra semana de 21km.
 
 
 
Balanço final - 3 meses


 
35 corridas
Mais de 37 horas a correr
329,5 km percorridos


Totais 1º mês:
Distância - 95,9 km
Tempo - 10:01:31
Calorias - 6171

Totais 2º mês:
Distância - 113,6 km
Tempo - 13 h (aprox.)
Calorias - 6947 (aprox.)

Totais 3º mês:
Distância - 120 km
Tempo - 14h (aprox.)
Calorias -  7606


 
Outros exercícios:
- A semana passada não foi muito dada a exercícios extra e esta semana também não o será. Para piorar, vai ser uma semana de muito trabalho e vou chegar a casa sempre mais tarde do que o habitual... As restantes corridas nesta semana de redução terão de ser feitas de manhã e espero chegar ao final da semana sem (muito) stress.
 
 
E pronto, está concluída a minha sessão de treinos para aquela que será a maior distância que já corri até hoje. Obrigada por estarem desse lado e me terem acompanhado ao longo destes três meses, no domingo vou lembrar-me de todos vocês.


 
Boa semana!



O último trimestre:
- Treinos Meia Maratona: balanço 2º mês
- Treinos Meia Maratona: balanço 1º mês

23 de setembro de 2012

Ao meu irmão


Imagem

Faz hoje 21 anos que nasceste.
 
Lembro-me de sempre ter querido um irmão e dos meus pais sempre terem querido mais filhos, mas, devido a circunstâncias da vida, tardaste em chegar. Quando, há 21 anos, te fui ver à maternidade e te puseram ao meu colo, eu era também ainda uma criança e não saberia explicar mas, naquele momento, segurava todo o amor do mundo nos meus braços.
 
Devido à diferença de idades sempre fui  um pouco protectora. Nem sempre gostaste disso e hoje, às vezes, continuo a ser "a chata". Mas tens de entender que és o meu pequenino, com quem brinquei e cuidei e vi crescer.
 
Penso que é uma coisa que os irmãos mais velhos (e não só) saberão entender na perfeição, este misto de amizade, companheirismo e protecção, em que nos desafiamos mutuamente, arranjamos alcunhas "carinhosas" e somos capazes de lhes pregar as piores partidas só pela piada mas sabendo que, se algum dia alguma pessoa te fizesse mal, teria em mim a mais terrível das adversárias.
 
Fui a tua irmã mais velha quando te levei pela primeira vez à escola "dos grandes" e senti um aperto no estômago porque não querias que te largasse a mão, e daquela vez que outras crianças te empurraram do baloiço e caíste e chegaste a casa todo esfolado e eu, cheia de raiva, queria sair para "pedir explicações", e daquela vez que, ao brincarmos com uma bola, partiste a cabeça e fui eu que chorei e chorei... Chorei tanto que o médico me puxou primeiro a mim para o consultório, pensando que era eu que estava ferida. E tu ali, num canto, sem uma lágrima, a aguentares as dores como um menino grande.
Fui tua irmã mais velha quando chegaste à adolescência e eu me preocupava com as tuas companhias, depois apresentaste-me a tua primeira namorada e eu olhei-a como quem analisa uma radiografia, e depois tiraste a carta e eu ficava com o coração encolhido sempre que fazias uma viagem de carro mais longa (ainda fico, shiuuu...).
Depois fui tua irmã companheira, nas brincadeiras, nos "segredos" que escondíamos dos pais, nas primeiras saídas, nas festas, na primeira vez que bebeste demais e tive de disfarçar quando chegámos a casa de madrugada, nas viagens, nas noitadas a ver filmes e rirmo-nos de coisas parvas.
Lembro-me que já desde pequenos sempre fiz as maiores palhaçadas só para te ouvir rir, naquelas gargalhadas contagiantes de bebé e que tento sempre que repitas hoje, já no teu tom rouco de homem. Quero que te seja sempre tão fácil rires como o fazias naquela altura. 
 
Hoje fazes 21 anos, já não cabes no meu colo e, mesmo que quisesse, nem conseguiria segurar-te. Tenho de olhar de baixo para o alto do teu 1.85m. Hoje és tu que às vezes me pegas ao colo e gozas com a tua irmã "pequenina".
 
Ainda não tenho filhos, por isso, quando me falam de amor incondicional lembro-me sempre de ti. Porque hoje, mesmo já sendo um homem, és e vais ser sempre o meu menino, o meu irmão pequenino que peguei ao colo, nos meus braços de criança que não sabiam ainda o tamanho do amor que amparavam.
 
Faz hoje 21 anos que entraste na minha vida e, por causa disso, sou muito melhor pessoa.
 
 
 
Sei que não gostas de ler grandes textos, os "testamentos", como lhes chamas (nisso somos tão diferentes...), mas não faz mal. Se te mandasse uma mensagem, o mesmo poderia ser dito dentro do limite de caracteres.
 
- "Parabéns maninho, que sejas muito feliz! Adoro-te."
 



Nota de rodapé: O meu irmão não lê o meu blogue. Se lesse, sei que morreria de vergonha da lamechice do post (envergonhar os irmãos com a nossa demonstração de afecto também faz parte do privilégio de ser irmã mais velha). Mas fica aqui o registo para a posteridade, porque nunca se sabe...
 


21 de setembro de 2012

Corridas vs Livros

Ora aqui está uma competição de que nunca me canso. Mas, antes de vos pôr a par das minhas últimas leituras, vou só fazer o registo do treino de ontem.
 
A corrida
 
Era suposto ter feito o treino rápido de 8km na quarta, mas devido a 'dores femininas' (senhoras, vocês sabem do que estou a falar...) tive de adiar o treino para ontem de manhã. Há dias em que o exercício físico ajuda à disposição, mas há outros em que nem vale a pena tentar e foi o caso de quarta. Sendo assim, fiz um treino matinal durante a semana, o que é raro.
 
De facto fiz 8km rápidos, mas não foi fácil. Ando desabituada das corridas com mais velocidade e ainda bem que não fui ambiciosa e não vou tentar nada louco como sub-2h nesta minha primeira Meia Maratona, porque ia ser um sofrimento do início ao fim. Aliás, sendo sincera, nem seria capaz. Gosto mais de ir a ver as vistas e a respirar calmamente e não como se estivesse a ter um ataque.
 
Se não me engano, foi o meu penúltimo treino com alguma velocidade, para a semana os restantes serão todos feitos a uma agradável velocidade de cruzeiro.
 
Treino de quinta:
 
- Manhã
- Distância: 8km
- Ritmo rápido
- Bpm médio: 174 (-> a morrer)
- Calorias: 494
 
 
Os livros
(de corrida e não só)
 
Quando morava em casa dos meus pais já tinha uma biblioteca considerável e gastava uma boa parte do meu dinheiro em livros. Algumas pessoas perdem-se em lojas de roupas ou de material informático, eu perco-me em livrarias.
Quando mudei de casa e comecei a ter de pagar todas as contas, foi um duro golpe aperceber-me de que não poderia continuar a gastar quase um quarto do meu ordenado em coisas "supérfluas", como livros. Mais recentemente, novo golpe quando me apercebi de que não me poderia inscrever em todas as provas que queria, pela mesma razão... Há que fazer opções. Acho que faz parte de ser uma adulta responsável. Uma chatice.
 
Mas como estava a dizer, tinha uma biblioteca considerável que não veio comigo para esta casa. Trouxe apenas meia dúzia de favoritos e fiz-me prometer que apenas compraria livros em promoção, de bolso ou na língua original, que geralmente ficam mais baratos. Entretanto já acumulei um pequeno cantinho de leitura de que estou orgulhosa.
 
Tive uma fase em que lia muito Murakami e Saramago,
não sei se se nota... :)
 
E na semana passada acabei mais dois livros, um de bolso (estou a cumprir a promessa) e outro que foi empréstimo.
 
Passemos ao primeiro, que já tinha referido aqui: Correr ou Morrer, de Kilian Jornet.
 
 
 
Calhou bem ter um amigo que comprou o livro, porque confesso que tinha curiosidade em lê-lo.
O extremismo do título deixava-me um bocadinho reticente (eu sou mais de correr e viver), e não sabia se ia conseguir identificar-me com um jovem de 25 anos que é campeão mundial de corrida de montanha e que vive para aquilo.
 
Mas fiquei agarrada depois das seguintes palavras: 
 

"Mais uma volta! Um par de horas mais! Mais uma subida! A dor não existe, só existe no teu
cérebro. Controla-a, destrói-a, elimina-a e continua. (...) Parar, tossir, ter frio, não sentir as pernas, enjoar, ter vómitos, dores de cabeça, sofrer pancadas, sangrar, etc. Há alguma coisa melhor?"


 Posso nunca vir a ser nenhuma campeã mundial, mas do prazer por vezes masoquista da corrida entendo bem...
 
Agora a sério, o que me atraiu foi o facto de se falar de corrida como se fosse poesia:
 
 "Os leggings molhados da neve que o vento arrasta e que também se nos agarra à cara e nos congela o suor. Corpo leve, pernas leves. Sentir a pressão nas pernas e o peso do corpo concentrar-se nos metatarso dos pés e fazer uma pressão capaz de partir rochas, destruir planetas e mover continentes. Com as duas pernas suspensas no ar, a flutuarem como o voo de uma águia e a correrem mais velozes do que um leopardo. Ou descendo, com as pernas a escorregarem sobre a neve e a lama, no instante que antecede o novo impulso para nos sentirmos livres para voar, para gritar de raiva, ódio e amor ao coração da montanha, lá longe, onde só os mais intrépidos roedores e aves escondidos nos seus ninhos sob as rochas podem transformar-se em nossos confessores. Só eles conhecem os meus segredos, os meus temores."

 
Além disso, Kilian começa por falar da sua infância nas montanhas, quando fazia grandes passeios com a família, a pé ou de bicicleta, em grandes altitudes. E já sabemos como eu adoro reminiscências nostálgicas, sobretudo sobre uma coisa com a qual me identifico tanto (infância nas montanhas). De resto, as coisas em comum ficam-se por aqui, já que Kilian é um monstro das corridas (no bom sentido) e corre sempre para ganhar - este rapaz subiu e desceu o Kilimanjaro mais rápido do que qualquer outra pessoa até agora.
 
Correr ou Morrer despertou-me ainda mais o gosto pelo trail. Correr livre, correr com e contra os elementos, num woman-vs-nature interior e pessoal.
 
"Ganhar não quer dizer acabar em primeiro lugar. Não quer dizer bater os outros. Ganhar é vencermo-nos a nós próprios. Vencer o nosso corpo, os nossos limites e os nossos medos. Ganhar significa superar-nos a nós mesmos e tornarmos os nossos sonhos realidade."
 


É isso mesmo Kilian.
 
 
Um livro num registo muito diferente de What I Talk About When I Talk About Running, de Murakami, do qual já tinha falado aqui, mas gostei de ambos.



O segundo livro não é de corrida mas é um livro que merece ser lido por toda a gente. Cem anos de Solidão, de Gabriel García Márquez.

 

Peguei neste livro há muitos anos. Larguei. Tornei a pegar. Desisti. Mas a culpa não é do livro, eu é que ainda não tinha a idade certa para o ler.
Decidi que tornaria a dar-lhe outra oportunidade quando o meu espanhol estivesse num nível que me permitisse ler este livro no seu original, e finalmente este ano achei que seria capaz. Terminei-o a semana passada.

Foi uma leitura lenta, dificultada pela barreira linguística, mas ininterrupta.
 
"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo."
 
E é assim que começa a história, no momento em que um homem enfrenta a morte e recorda a sua vida. Desde aquela tarde contam-se muitas gerações da família Buendía-Iguarán, nomes e histórias que estão condenadas a repetir-se, episódios trágicos, episódios fantasiosos. Torna-se difícil recordar tanto parentesco, mesmo quando alguns partilham destinos comuns. Destaco o caso dos Aurelianos, que partilharão a missão de desvendar os misteriosos pergaminhos de Melquíades, um cigano. Estes pergaminhos têm encerrados em si a história dramática da família e apenas são decifrados com a morte do último familiar. Eu acho que este lado fantasioso ajuda a equilibrar o tom trágico da obra, que poderia tornar-se muito pesado.

Quando se termina o livro quase que parece que nos estamos a despedir de uma família amiga. Cem anos de partilha fazem-nos isso.
 
 
Já leram algum destes livros? Têm algum vosso preferido?

 
 
Bom fim-de-semana!
 
 

19 de setembro de 2012

O treino das Praxes e a comida da praxe

Ao fim da tarde, já com o sol a mergulhar no horizonte, saí de casa para ir correr uns descansados 5km. Como ia anoitecer rápido, quis limitar-me à zona do Parque das Nações, que é mais iluminada e frequentada por outros atletas e transeuntes. Mas esqueci-me que estamos naquela altura, a altura das Praxes Académicas.
Adianto desde já que não tenho nada contra as praxes. Também eu fui praxada, de livre vontade, e cheguei a participar em praxes nos anos posteriores ao de caloira. No entanto, acho que há limites. E esse limite sente-se no ar, mal nos começamos a aproximar dos jardins da Expo. É um cheiro nauseabundo, resultante de uma qualquer mistela com que encharcam os caloiros.
E enquanto acho que há praxes engraçadas e que promovem a integração e convívio (não é para isso que elas servem?), não vejo piada nenhuma em estar um caloiro a fazer flexões, enquanto alguém lhe esfrega uma qualquer mistela nojenta e malcheirosa na cabeça e uma 'veterana' de megafone na mão lhe grita ao ouvido: "Vai mais abaixo, ó boi", como numa paródia sádica de recruta militar improvisada.
Se calhar sou eu que fervo em pouca água, mas não ia achar-me 'integrada', nem 'divertida', nessa situação (nem como caloira, nem como veterana). Só de assistir já me estava a incomodar, por isso resolvi mudar de percurso, deixando o piso empestado e o cheiro a ovos podres para trás.
 
O trajecto pelo qual optei era sempre a subir, por isso acabei por ter também a minha própria praxe militar auto-imposta, mas a vozinha na minha cabeça que me impelia a continuar era muito mais simpática do que a da veterana esganiçada...
 
Treino de terça:
- Final da tarde
- Distância: 5,5km
- Jogging
- Bpm médio:149
- Calorias:  317

 
Já que me referi a ovos podres, que melhor ocasião para lançar o tema: 'Alimentação'? :)
 
 
Segue-se um exemplo do meu menu diário. Não quer dizer que seja sempre assim (há dias de festa, dias atípicos, dias stressantes, viagens), mas tende a ser a regra.

Nota: Esta partilha é a título de curiosidade, não é, de modo algum, um exemplo a seguir. Não sei se será a melhor alimentação para um 'atleta', mas suspeito que talvez não o seja para alguém mais sedentário, porque eu como mesmo muitos hidratos de carbono. E isto não tem nada a ver com a corrida, já que sempre foi assim. Depois admiro-me que o ganho muscular seja diminuto e a minha faixa abdominal se assemelhe a um donuts recheado... Bom, digamos assim: ainda bem que agora corro!

Nota 2: As quantidades não são referidas porque variam muito consoante os dias/intensidade de treino e a minha fome.


Pequeno-almoço
- Cereais com leite/iogurte
ou
- Torradas e café com leite

(Se for treinar:)
Antes - Só uma banana ou meia torrada com marmelada e café
Depois - Meia torrada e leite com chocolate

Meio da manhã
- Uma peça de fruta
ou
- Frutos secos

Almoço
- Salada + uma dose de hidratos (arroz, massa, batata-doce -> o meu favorito) e fonte proteica (frango, atum, salmão...)
- Sobremesa: fruta (se não estiver numa de doces...)

Um dos meus pratos favoritos: esparguete à bolonhesa.


Lanche
- Papas de aveia (iogurte, leite de soja, aveia, manteiga de amendoim, sementes de chia, banana)
ou
- Batido (iogurte, leite de soja, mel, sementes de chia, bagas goji + fruta à escolha)
ou
- Torradas/sandes e chá

(Se for treinar:)
Antes - Uma banana
Depois - Uma das opções acima ou uma panqueca/crepe

Iogurte, banana, mel, sementes de chia


Jantar
- O mesmo que ao almoço
ou
- Sopa

Refeições temáticas
- Meatless Monday*
- Pizza & beer Friday


* Opções proteicas para as refeições vegetarianas:

Peço desculpa ao autor, não me recordo da fonte desta tabela.

 
 Bebidas
As refeições principais são sempre acompanhadas por água, a não ser que tenha companhia para jantar ou vá jantar fora, sendo substituída, nesse caso, por sangria ou vinho.


E regra geral é isto. O pior são as noites... Como me deito tarde ando sempre a fazer investidas na cozinha depois de jantar. É um hábito terrível. Claro que nessas alturas nunca me apetece frutinha...

Confesso que tenho curiosidade em reduzir os hidratos (curiosidade, não vontade) e aumentar o consumo de proteínas só para confirmar se é verdade o ganho muscular e energético. Alguém que possa confirmar esta teoria?

E vocês, fazem/tentam fazer uma alimentação controlada?


Para quem ainda não leu: recomendações nutricionais para atletas.

 

17 de setembro de 2012

Treinos Meia Maratona - semana 11

 
Esta semana marcou o fim das 'corridas longas', a partir de hoje começa a diminuir a intensidade dos treinos - a Meia Maratona aproxima-se, tiquetaque, tiquetaque... Por isso este últimos 18km do plano de treinos foram um bocadinho agridoces.
Sábado, depois das 09h, lá saí, com uma nova t-shirt (que não me fez assaduras, por isso temos vencedora para o dia da prova) disposta a enfrentar o calor que não há maneira de dar tréguas. Como estava muita gente nas ruas entusiasmei-me um bocado, comecei os primeiros quilómetros a um ritmo mais acelerado e depois paguei a factura nos últimos quilómetros. Foi uma aprendizagem para o dia da prova: não me deixar levar pela adrenalina inicial, fazer a minha corrida.
Tenho um ritmo médio no qual me sinto confortável nestas distâncias maiores que acabou por aumentar gradualmente nos últimos quilómetros... acho que, se esta situação sucedesse na Meia, seria capaz de continuar por mais três quilómetros e terminar a prova sem parar, mas não ia ser bonito... E eu preciso de estar apresentável na foto da Meta dos meus primeiros 21km.


Nota para mim mesma no dia 30: calma lá contigo, aproveita as vistas e, se ainda tiveres força nas pernas lá para o final, então sim, aproveita o embalo.

Treino de sábado:
- Manhã
- Distância: 18km
- Ritmo de competição (+/-)
- Bpm médio: 165
- Calorias: 1161

Quando cheguei a casa, descurei os alongamentos porque ia almoçar com uns amigos e depois rumar até ao Saldanha, para a Manifestação. Foram muitas horas de pé, quando me deitei sentia as pernas a latejar e ontem estavam meio empenadas. Por isso é que ainda fui andar de bicicleta, uma boa decisão.
 
 

Por acaso hoje já me sinto melhor e, se não tivesse de trabalhar até tarde, ainda ia pedalar um bocadinho ao final do dia.
 
Viram a Meia Maratona do Porto? A Sara Moreira acabou por desistir ao fim de 12km. Todos temos os nossos maus dias, espero que a prova da Ponte Vasco da Gama lhe seja mais feliz.
 

Aqui vai o resumo semanal:
 
5k jogging + 12k confortável + 18k ritmo
 

Semana 11
 
  • 3ª-feira: Treino de 5km jogging, "a nu".
  • Sábado: 18km, última corrida longa do plano de treinos.


Totais da semana:
Distância - 35 km
Tempo - 03:47:00 (aprox.)
Calorias - 1946 (em 2 de 3 treinos)



Outros exercícios:

- Esta semana não foi muito profícua em exercício, excepto um curto passeio de bicicleta ontem ao final da tarde (1h30).
- Quero voltar à natação (acho que já escrevi isto aqui), mas ainda não consegui levar o meu rabo preguiçoso a caminhar os 1000 metros que separam a minha casa das piscinas, para ver se ainda há inscrições... Correr 18km: tudo bem; caminhadas de 3h até à Póvoa de Santa Iria: perfeitamente normal; andar 1km para ver os preços e horários das aulas de natação: grande sacrifício.

Alimentação:

- Nunca falei aqui do tipo de alimentação que tenho feito, por várias razões. Primeiro, porque não sou uma cozinheira especialmente dotada ou original e tornar-se-ia aborrecido estar sempre a repetir os mesmos pratos. Depois, como não sou de restrições, nem sempre tenho uma dieta 'exemplar' que mereça ser aqui partilhada. Por último: não alterei em grande coisa os meus hábitos alimentares, apenas tenho estado atenta aos alimentos que me dão mais energia ou que, pelo contrário, me deixam mais mole. Por exemplo: um ou dois quadrados de chocolate preto podem ser energéticos, mas quase metade de uma tablete de chocolate de leite com amêndoas não é... Testado em primeira mão.
Esta semana partilho um exemplo de cardápio diário, porque às vezes também gosto de cuscar os vossos.


Boa semana!


A par dos últimos tempos:
- Semana 10
- Semana 9
- Semana 8 e balanço bimestral
 

14 de setembro de 2012

O treino em que troquei um olhar com o Wolfswinkel

Quarta-feira ao final da tarde fui correr para o Parque das Nações. Seriam 12km a ritmo confortável, por isso fui ver as vistas até à zona da Marina, voltei pela travessia ladeada por rio, passei pelas esplanadas cheias de alemães de canecas de cerveja na mão, pelo novo hotel quase a estrear (é no próximo sábado) e quase ao chegar às colunas da ponte (cerca de 9km percorridos), ponho-me a observar um grupo de "bootcamp" dos muitos que costumam assentar ali arraiais. E era ali que ele estava, a segurar uma mala junto a uma árvore. Primeiro pensei: "Olha, aquele ali parece mesmo o jogador do Sporting". Depois: "Calma, acho mesmo que é ele... Não... Sim... Quase de certeza... Sim, é o Wolfswinkel". E foi durante estes segundos que fiquei a olhar de ar esgazeado (eu sou um pouco míope e tive de força a vista), que ele virou a cara e, pensando que talvez estivesse a ser reconhecido por uma fã (mais ou menos isso), retribuiu o olhar fixo e tivemos o nosso "momento".




E foi só isto.
Eu continuei a correr e ele voltou aos seus assuntos. Lamento defraudar um possível momento romântico, mas não se tratou de nada assim. Não desfazendo do moço, que não é mal-parecido, mas deve ter a idade do meu irmão mais novo, é apenas um jovem imberbe, por isso nunca iria resultar. Mas não se preocupem, acho que ele sobrevive ao desgosto, porque eu também não devo fazer o género dele.

Mas tivemos ali um momento, que me ajudou a terminar os últimos quilómetros com mais energia. Mal podia esperar para chegar a casa e contar a uma prima adolescente, fã acérrima do jogador, que me tinha deparado com o seu Ricky enquanto corria. E a verdade é que, por causa disso, acho que acabei de ganhar uma companheira para as minhas corridas na Expo. Pode ser que depois de dezenas de voltas a circundar o local acima referido ela ganhe gosto pela corrida. Não é todos os dias que podemos dizer que por causa de um jogador de futebol o atletismo ganha novos adeptos...

Wolfs, se me estiveres a ler: era eu. Apesar de não termos futuro juntos, se quiseres fazer parte da família és bem-vindo. Deixa o teu contacto nos comentários que daqui a uns anos, quando a minha prima for maior de idade, liga-te.


Na realidade, não é a primeira vez que avisto jogadores do Sporting naquela zona, penso que muitos devem ter lá casa, por ser de rápido acesso à Academia de Alcochete. Na minha opinião nada tendenciosa, os jogadores do Sporting são os que dão melhores vizinhos ;). (Notem que utilizo a palavra "vizinhos" num sentido muito lato, já que não moro naqueles prédios de preço inflacionado).

Mas com quem também já me cruzei ao treinar, tenho quase a certeza que era ela, embora na altura não tenha associado a cara ao nome, foi a atleta Sara Moreira. Não sei porque raio estaria a correr ali, mas também cruzámos o olhar naqueles milésimos de segundo que ela levou a passar por mim e a levantar vento à sua passagem. Tivemos um momento.

(Na altura ainda não tinha blogue e então não vos pude pôr a par da situação, mas de certeza que devo ter chateado alguém com o assunto. Familiares e amigos estão muito mais à vontade desde Dezembro de 2011).

Ouvi dizer que a Sara também vai estar presente na Maratona Rock 'n' Roll, será que me vai reconhecer? :)


Treino de quarta:

- Final da tarde
- Distância: 12km
- Ritmo confortável
- Bpm médio: 166
- Calorias: 785


Também já se cruzaram com alguma "celebridade" nos vossos treinos/caminhadas?



Outros assuntos: acabei agora de ler dois livros, um "normal" e outro de corrida, não estivesse eu em busca de toda a motivação possível para os 21km. Trata-se do Correr ou Morrer, de Killian Jornet, campeão mundial de corrida de montanha. Para a semana faço um resumo.


Bom fim-de-semana!





12 de setembro de 2012

Dependência tecnológica

No sábado de manhã fui com dois amigos fazer uma caminhada. Estamos os três a pensar fazer grandes caminhadas em breve, embora em percursos e dias diferentes, então este passeio serviu como um teste à nossa condição geral e também para tirar o pó às botas de caminhada.
Tirámos proveito do percurso assinalado por setas amarelas e azuis, que marcam o início dos caminhos de Fátima e de Santiago em Lisboa, que partilham o mesmo trajecto durante algumas etapas.
 
Saímos de manhã cedo do ponto de encontro (debaixo da pala do Pavilhão de Portugal) e a ideia era seguirmos até à Póvoa de Santa Iria, regressando depois de comboio.
 
 
 
Levámos mochilas com água e comida, para simular algum peso, mas nada como as mochilas enormes que vimos ser transportadas por alguns verdadeiros peregrinos que se cruzaram connosco.
 
Tirando alguma zona de estrada, foi um percurso agradável. Depois de passarmos o Trancão temos por companhia a Ribeira de Alpriarte e pouco depois encontramos as ruínas de uma antiga Quinta. Depois disso, muito asfalto até Santa Iria. Penso que existe uma variante pelas Lezírias do Trancão, que sempre é um percurso mais agradável, mas seguimos sempre as setas e foi o caminho mais directo, penso eu.
 
Demorámos entre 2,5 a 3 horas, com uma pequena paragem para um lanche a meio da manhã.

Tortilha de batata numa tasca é considerado um lanche matinal?
Era quase hora de almoço...


Como me esqueci de carregar a bateria da máquina, fiquei praticamente sem documentação fotográfica (o que fazíamos antes de haver telemóveis para nos safar?). Mas este não foi o único esquecimento dos últimos dias.

Ontem cheguei tão cansada a casa que sabia que, se não saísse logo, o treino já não iria acontecer. Por isso nem me aproximei a menos de 5 metros do sofá, o que numa casa pequena como a minha é difícil, vesti logo o equipamento, calcei os ténis, até coloquei a faixa cardíaca como pseudo atleta responsável que sou, saindo porta fora em seguida.

Estava já à saída do bairro quando reparei que não tinha posto o relógio. Ou melhor, tinha relógio, mas era o meu swatch do dia-a-dia e não o do cardiofrequencímetro, o que significa que a banda cardíaca era completamente inútil, mas depois também já não me apeteceu voltar atrás. Por isso segui, sem relógio e sem telemóvel mas com a faixa inutilizável à volta do peito, muito importante.

Não me importei porque iria correr apenas 5km à vontade e, de tanto correr por ali, já conheço um percurso mais ou menos com essa distância, mas, se fosse um treino maior, teria voltado atrás. É incrível como uma pessoa se torna dependente destes aparelhos. Como é que os nossos pais corriam maratonas?? Como é que se aguentavam sem descarregar os dados da corrida na net, comparando cada parâmetro de análise??

Estou a brincar, é obvio que se pode treinar bem sem isso. Até recentemente corria apenas em função do tempo: 45 minutos, 1 hora... e via até onde aguentava ir e, no próximo treino, tentava ir um pouco mais longe. Mas a verdade é que depois de experimentarmos uma aplicação nova ou termos acesso a um relógio com gps é difícil abdicar. Às vezes corro com um Garmin 405 de empréstimo. São treinos em que vou sempre nervosa, com medo de mexer em alguma coisa que não deva e baralhe os dados todos daquilo ou que possa cair e raspar o ecrã (sim, faço logo um filme!). Mas, regra geral, recorro ao runkeeper no meu telemóvel ou qualquer outra app que apanhe os satélites mais rapidamente. E é assim que tenho treinado.

Conto, neste próximo Natal, e com o subsídio de Natal inexistente, comprar um relógio destes para mim, porque é mais cómodo do que ter de andar sempre com o telemóvel atrás, mas não acho que seja indispensável. Dá é outra motivação, isso sim.

Adiante. Ontem corri "nua" - sem relógio, no mundo da corrida, equivale a nu, não é?;) - e foi bom não estar de 20 em 20 segundos a controlar o tempo. Só correr por instinto. Acho que vou voltar a fazer alguns treinos destes a seguir à Meia.


Treino de terça:

- Final da tarde
- Distância: 5km (aprox.)
- Bpm médio: n/d
- Calorias: n/d


E vocês, a que equipamento/método recorrem para controlar os vossos dados da corrida? Voltariam a correr "nus"?

 

10 de setembro de 2012

Treinos Meia Maratona - semana 10


A semana que terminou com o meu maior treino de sempre: 18km. Vamos começar por aí.

O plano aconselhava a utilizar este treino como uma experiência para o dia da prova: acordar à mesma hora, tomar o mesmo pequeno almoço, correr à mesma hora e vestir o equipamento que se está a pensar levar.
1º - Acordar à mesma hora: feito. Costumo acordar pelas 07h30 para correr ao fim-de-semana e acho que será por volta dessa hora que vou acordar no dia da Meia Maratona.
2º - Tomar o mesmo pequeno-almoço: feito. É sempre o mesmo (torradas, banana e café) e como o estômago se tem dado bem não vou inventar.
3º - Correr à mesma hora: pois... Nada feito. Estava calor e não me apetecia estar 3 horas à espera para ir treinar. Sei que é o que vai acontecer no dia da prova, por isso talvez tenha de fazer novo teste para  a semana, mas não tenho muita vontade. De qualquer forma, já saí depois das 09h, o que é um pouco mais tarde do que costumo fazer.
4º - Vestir o equipamento do dia da prova: feito. E ainda bem que o fiz, porque o top acabou por raspar-me nas duas alças e fiquei com assaduras que me fizeram saltar quando tomei o duche. Vou ter de experimentar outra t-shirt para a semana.
5ª (e bónus) - Fazer o mesmo percurso da prova: quase.

Senti-me bem durante a maior parte do treino. Os primeiros 12km passaram num instante (não em termos temporais, mas não dei pelo tempo passar) e só comecei a sentir as pernas mais pesadas já perto dos 16km. A partir daí era "terreno desconhecido" e, apesar de ter quebrado um pouco o ritmo, fiquei contente por não ter precisado de parar, sobretudo porque o último quilómetro e meio foi sempre a subir.
 
Momento nostálgico:
 
Depois, porque estas coisas da memória são surpreendentes, a meio do treino lembrei-me de um episódio tão distante já na minha vida, mas cujas imagens me vieram à cabeça como se fosse ontem.
- Devia ter cerca de 9 anos e participava numa prova de infantis na zona de (acho) Telheiras. Como sempre, corria ao lado das minhas colegas de equipa. Fazíamos sempre isso, íamos juntas do início ao fim e só nos últimos metros largávamos  num sprint para ver qual de nós era a primeira a chegar. Mas naquele dia era diferente. Dias antes tinha pedido ao meu pai que me comprasse uma boneca enorme que tinha visto numa loja. Ele, que sabia que não ligava a bonecas e que me cansaria de brincar com ela passado o interesse inicial, disse-me que me oferecia a boneca, mas que para isso tinha de ficar em primeiro lugar na próxima corrida (uma maneira simpática de dizer: já te estou mesmo a comprar a boneca, espera aí sentadinha). Era a essa promessa que me agarrava quando, a meio de uma subida (as subidas eram o meu forte na altura), fiz o impensável e deixei as minhas colegas para trás. Sentia-me mesmo forte, enquanto passava uma e depois outra menina que começavam a caminhar. Ao chegar ao cimo, virávamos à esquerda, onde nos esperava uma descida até à meta. Passados estes anos todos recordei tão bem as passadas fortes, o medo de cair, as meninas que iam ficando para trás enquanto eu me sentia a voar rua abaixo onde, ao fundo, estava o meu pai que me gritava entusiasmado com a promessa da ambicionada boneca. Foi nesse espírito feliz que cortei a meta.
Agora era bonito se dissesse que fiquei em primeiro lugar, mas não. Fiquei em quinto. Mas lembro-me perfeitamente da medalha que recebi (pequenina e triangular, com fita azul), do gelado que fui comer a seguir com as colegas da equipa, de termos aplaudido o Tó, que tinha ficado em primeiro no escalão dos grandes (Escalão Iniciados, mas para nós eram "os grandes") e do meu pai, dias depois, me ter oferecido a boneca na mesma.
Aquela prova teve menos de 1km de distância, mas chegou aos dias de hoje com uma vividez incrível.
 
Fim de momento nostálgico.
 
 
Treino de domingo:
 
- Manhã
- Distância: 18km
- Ritmo confortável
- Bpm médio:164
- Calorias: 1167
 
 
 
Depois tive direito a almoço reforçado (comida da mãe) e um pastel de nata com o café. Tinha acabado de correr 18km, acho que merecia.
 
 
 
Quem é que eu quero enganar, eu comeria o pastel de nata mesmo que não tivesse corrido os 18km, mas assim soube a celebração e não gulodice. Win win! ;)
 
 
Hoje já me alonguei demasiado, vamos aos números:
 
 
1 treino lento (5k) + 1 treino semi-rápido (12k) + 1 treino longo (18k)
 
 
Semana 10
 
  • 3ª-feira - 5km: 4km jogging + 1km progressivo
(Um aparte para agradecer o apoio dos amigos "virtuais" e um ou dois da "vida real" - já vos posso chamar amigos? - relativamente às últimas semanas da treta. O meu humor já anda melhor, por isso o resto há-de ir pelo mesmo caminho.)
 
  • Domingo - 18 km ritmo confortável


Totais da semana:
Distância - 35 km
Tempo - 03:49:08
Calorias - 2276



Outros exercícios:

- 2ª-feira: exercícios de core, abs, flexões e pernas.
- 5ª-feira: idem + elásticos (acho que já atinei com aquilo e até é engraçado)
- 6ª-feira: passeio de bicicleta, 2horas, sem controlo de distância.
- Sábado: caminhada matinal, 2,5 horas



Já está a voltar a época de provas frequentes. Alguém participou numa corrida este f-d-s?
Estou a terminar agora um livro. Aceito mais sugestões de leitura!


Boa semana! (e já só faltam 3...)



Treinos Meia Maratona - as últimas semanas:
- Semana 9
- Semana 8 e balanço bimestral



7 de setembro de 2012

A importância de um objectivo

 
Alerta: a bloguer aspirante a corredora hoje está sentimental.
 
 
Sempre me considerei uma pessoa forte. Apesar de me dar muito bem com a minha família, nuclear e alargada (a minha família é mesmo muito grande) e de saber que tenho neles um apoio, sempre gostei da minha independência e de fazer as minhas coisas. Claro que com essa independência veio a responsabilidade. Responsabilidade pelos meus actos e consequências. Assumia as minhas escolhas e, se errasse, a culpa era indubitavelmente minha. Não havia cá desculpas. Aprendi a gerir os estudos, depois o trabalho, a vida social, hobbies, uma casa, contas para pagar... Ainda hoje faço este malabarismo da vida e mesmo quando ventos inesperados sopram e o equilíbrio já é precário, eu continuo a achar que consigo, que não preciso de ajuda, que sou forte, como se pedir ajuda fosse sinal de fraqueza quando não fazê-lo significa apenas orgulho.


Tudo isto para dizer que a corrida tem sido uma lição de humildade. Algo em que não sou naturalmente boa e que às vezes me faz pensar que se calhar não sou assim tão forte. Há corridas em que quero parar aos primeiros quilómetros, não porque esteja fisicamente exausta, mas porque é difícil. A minha mente desiste. A única coisa que me leva a insistir nesses dias é a minha teimosia, a teimosia de manter no ar esta parte da minha vida, juntamente com as outras, como bolas num malabarismo perfeito.

Esta última semana (semanas?) não tem sido fácil, os problemas pesam-me e naqueles dias em que saio para correr e todo o corpo a mente implora "Pára, mas porque é que estás a fazer isto?" é o meu objectivo que me faz continuar. Se não fosse esta Meia Maratona que se aproxima, em muitos finais de tarde não sairia para correr, entregue à derrota de saber-me fraca. Neste aspecto, a corrida é a metáfora perfeita da vida, em que é um objectivo maior que nos faz continuar, mesmo quando as coisas estão difíceis, mesmo quando queremos parar. Para mim é saber que consigo correr uma Maratona, para outros poderá ser perder peso, deixar de fumar, ser saudável, bater recordes, desafiar-se...

Há sempre um motivo que nos faz continuar a lutar, mesmo que aos olhos dos outros não faça sentido.

Mas isso é porque eles não sabem que depois há as outras, as corridas boas, as corridas em que tudo se alinha e sabemos que estamos no caminho certo.


Como na vida.


Treino de quarta:

- Final da tarde
- Distância: 12km
- Ritmo rápido
- Bpm médio: 174
- Calorias: 787


PS: Sim, esta foi uma dessas corridas. ;)

 

4 de setembro de 2012

Fuel

 
Ontem uma nuvem de fumo cobria a cidade de Lisboa devido aos incêndios. Não fui correr, mas cheguei a casa pus a minha esteira de campismo transformada em esteira de exercícios no chão, em frente à tv, e toca de fazer abdominais,  flexões (bleh), agachamentos, prancha, etc. Hoje doíam-me os músculos, mas soube-me bem.

Enquanto fazia exercício assistia ao Ultra Trail du Mont Blanc, num programa de 30 minutos do Eurosport que tinha ficado gravado na box. Fiquei fascinada a ver. São 168km de percurso nas condições mais adversas (este ano as condições climatéricas foram especialmente complicadas e a prova foi reduzida para 106km). O primeiro classificado concluiu a prova em menos de 12 horas e os últimos em mais de 26. Mais de 26 horas de neve, vento e gelo, passando por locais acima dos 2000 metros de altitude. Podem até ser os últimos, mas quem é capaz de dizer que não são vencedores? Todos, homens e mulheres, duros.

UTMB - 2012
Foto daqui.
Como podem ver, a edição deste ano contou novamente com a presença de alguns portugueses, entre os quais, pelo segundo ano consecutivo, Carlos Sá (aquele atleta na foto que achei espectacular e que tinha posto aqui no blogue há uns tempos).


Depois de jantar fui dar um passeio com uma vizinha para "desmoer" a comida. Estava uma noite muito abafada e quando voltei comi a minha sobremesa fresca.
Tenho o hábito de antes ou depois dos treinos comer sempre uma banana. Agora, com o calor, é um fruto que amadurece muito rápido e então às vezes aproveito e congelo-as para batidos e gelados. Desta vez queria um gelado diferente e então experimentei esta receita. Só são necessários 3 ingredientes:


Uma banana (madura), coco ralado e canela.

É só esmagarem uma banana, adicionarem canela a gosto e coco ralado (na receita dizia 3 colheres, mas como não gosto de sabor muito intenso a coco pus só 1 e 1/2 e ficou bom). Depois é levar ao congelador até endurecer. Não precisa de açúcar.

Eu não deixei estar tempo suficiente, por isso acabou por ser mais uma sobremesa fria do que gelado, mas gostei e foi uma maneira diferente e igualmente saudável de comer a fruta.

Agora uma pergunta: o que vocês comem durante os vossos treinos mais longos?
Como já disse antes, não sou muito de géis nem bebidas energéticas. Sobretudo por causa do preço, mas também porque, até agora, o número de quilómetros e/ou tempo que corria nunca justificou essa necessidade. Entretanto, para ver as opções com que o meu estômago e organismo se dão melhor, durante os últimos treinos já testei em diferentes dias outras alternativas de "combustível", umas mais naturais que outras. Entre as quais: marmelada em cubos, passas, amêndoas, cajus, gomas e bolachinhas salgadas (crackers). As opções mais práticas, até porque praticamente não é preciso mastigar, é a marmelada, as passas e as gomas. Pela sua informação nutricional acho que não são más escolhas, mas gostava de saber mais.


Hoje foi dia de treino mais soft, 5km jogging, com o último quilómetro a um ritmo mais elevado. Sentia-me cansada mas acho que me fez bem, porque as dores musculares abrandaram.

Treino de hoje:

- Final da tarde
- Distância: 5km
- 4km jogging + 1km progressivo
- Bpm médio: 156 (-> um pouco alto para jogging. Só mostra como estava cansada - e calor)
- Calorias: 322


Estou pronta para o outono. Espero que chegue antes do dia 30, se é que me entendem...



3 de setembro de 2012

Treinos Meia Maratona - semana 9

 
"Every morning in Africa, a gazelle wakes up. It knows it must outrun the fastest lion or it will be killed. Every morning in Africa, a lion wakes up. It knows it must run faster than the slowest gazelle, or it will starve. It doesn't matter whether you're a lion or a gazelle--when the sun comes up, you'd better be running."
 
Roger Bannister - former athlete
 
 
E foi o que eu fiz.
 
Treino de sábado:
 
- Manhã
- Sol
- Distância: 12km
- Ritmo rápido
- Bpm médio: 167
- Calorias: 729
 
 
Na sexta à noite tinha ido a um jantar de aniversário. Toda a gente sabe como são esses jantares, por isso não estava muito confiante e nem pensei que fosse capaz de acordar cedo no sábado. Mas a verdade é que acordei e acabei por fazer um bom treino e rápido (para mim), batendo o anterior tempo aos 12km. Quem diria que um/uns copo/s de sangria são energéticos? Já estou a considerar beber um jarro na noite antes da Meia Maratona. (Estou a brincar, não façam isso, é capaz de não ser uma boa ideia).
 
Quando cheguei a casa estava a apetecer-me algo doce para o pequeno-almoço e acabei por fazer um crepe, que já não comia há muito (demasiado) tempo. Como já não tinha bananas, comi com algumas amoras que trouxe da terrinha e congelei.
 
Olá bebé, tive saudades tuas.



Sem mais demoras, a semana de treinos em números:
 
1 treino lento (5k) + 2 rápidos (12km)



Semana 9

  • 3ª-feira - 5km: 4km jogging + 1km progressivo
  • 5ª feira - 12km: ritmo medíocre num treino complicado
  • Sábado - 12 km ritmo rápido



Totais da semana:

Distância - 29 km
Tempo - 03:11:08
Calorias - 1817



Outros exercícios:
 
Esta semana foi um pouco complicada a nível psicológico para mim. Cumpri as corridas do plano de treinos para a Meia e pouco mais (caminhada e máquinas na 3ª-feira). Isto dos problemas da vida interferirem com a nossa disposição para fazer exercício é uma indecência. Como é que se atrevem? Eu tenho uma prova para a qual tenho de me preparar, por isso é bom que as coisas se resolvam. Ouviram, problemas? Organizem-se. Obrigada.
A semana que agora começa já há-de correr melhor, venha ela. Além disso, vou ter o meu primeiro treino de 18km. Só por isso, já vai ser uma semana boa. :)


E com vocês, está tudo bem? De volta à rotina?

 

Boa semana!
 

Os últimos dois meses:

- Semana 8 e balanço bimestral