29 de outubro de 2012

20ª Corrida do Monge

 
O dia começou às 07h15, com um bonito sol lá fora que não fazia adivinhar o frio que estava. Levanto-me para o ritual do costume: fazer o pequeno-almoço, vestir o equipamento já separado de véspera, separar uns alfinetes para o dorsal e abrir a janela para sentir o clima. Estava frescote.

Desta vez não estava nada nervosa. Ia ser uma prova para levar nas calmas, aproveitar o ambiente e tirar umas fotos. Sabia que ia haver zonas em que teria obrigatoriamente de caminhar e, ao contrário das provas de estrada, não me incomodava e até estava ansiosa para ver os "muros" que se iriam apresentar pela frente.
 
Saí de casa pouco depois das 8h porque tinha ficado de dar boleia à Isa, companheira estreante da Meia Maratona, agora do Trail e, quem sabe um dia, também de uma Maratona. Graças às tecnologias e às maravilhosas simulações de percurso e "vista de pássaro", uma pessoa fica a saber o percurso, quantas rotundas tem de passar e até onde poderia estacionar, se fosse preciso. Por isso, chegámos lá num instante.

Fomos levantar os dorsais, rapidíssimo, e como a prova só começava às 10h30 ainda voltámos um bocado para o carro. Comemos qualquer coisa e depois, gajas, ainda aproveitámos para ir à casa de banho na Sociedade de Instrução e Recreio Janes e Malveira.
A caminho da partida vimos dois ou três rapazes com uma t-shirt com inscrição nas costas a dizer "Isto faz-se", e esse passou a ser o slogan para o trail do dia!

Quando já estávamos a fazer o aquecimento encontrámos o "padrinho" Jorge Branco, que já conhecia esta prova de anos anteriores, mas optou por não divulgar muito do que nos esperava, talvez para não nos afugentar logo de início! Por um lado foi bom, pois assim fomos à descoberta.

Passado um bocado oiço chamarem o meu nome e era o Vítor, que ainda não conhecíamos pessoalmente, mas que se junta à inesperada confraternização "bloguística". Depois disso só já ficava a faltar o João, que sabia que também iria participar na prova, e que acaba por se nos juntar a poucos minutos do início da partida.
 
 Não olhei para o relógio, mas penso que por volta da hora marcada lá se ouviu o tiro e aí vamos nós.
 
 A 100 metros da partida seguiu-se logo uma subida em empedrado, para aquecer.



Foi pouco depois desta subida que "perdemos" o Jorge que, apesar de uma dor no pé, arrancou com força e nunca mais o vimos! Imagino se estivesse a 100%!

E nós, um bocadinho a precaver o que viesse, lá fomos encosta acima, devagarinho.

Depois, entrámos numa zona de terra batida, mas continuámos sempre a subir, para não perder a prática.



Apesar de não termos combinado, acabámos todos por fazer a prova juntos. Foi bom eu e a Isa termos companhia, porque houve alturas da prova em que não se avistava ninguém, nem à frente nem atrás, o que por breves momentos levantava a suspeita de estarmos perdidos, mas depois lá encontrávamos uma fita sinalizadora. O trajecto, aliás, esteve sempre muito bem assinalado, quer através de marcas quer através de colaboradores, distribuídos estrategicamente pelos  cruzamentos.

Às vezes uns, às vezes outros à espera, lá fomos avançando. Apesar de na foto acima algumas pessoas já estarem a andar, nós não andámos logo ao fim dos primeiros 1,5km de subida sem fim... Acham? Não, quando muito fizemos uma caminhada técnica (completamente diferente).
Agora a sério: se não fosse acompanhada, provavelmente teria iniciado uma "caminhada técnica" mais cedo.

O bom de irmos sempre a subir por entre trilhos é que sempre que aparece uma pequena recta, por mais pequena que seja, fazemos uma festa! Dá logo um novo alento para a subida que se segue.

Acho que íamos com 30 minutos de corrida quando alguém perguntou quantos quilómetros tínhamos feito e acho que vão gostar de saber que ainda estávamos perto dos 4km... Nada como um trail para nos deixar a moral logo em alta! Eheh... Mas eu estava mais preocupada em absorver tudo do que no tempo. Havia zonas tão engraçadas que se estivesse em passeio teria explorado com mais calma.

Perto do 5km o primeiro posto de abastecimento. Como não sabia como ia ser o resto do percurso, resolvi levar a garrafa comigo. Infelizmente, apesar de vários sacos disponíveis para o lixo, foi triste ver algumas garrafas que foram mandadas para o chão ao longo do trilho... É certo que não dava muito jeito correr com a garrafa e a partir de certa altura tive mesmo de a enfiar atrás no elástico das calças para poder agarrar-me a ramos e troncos que me ajudavam em algumas passagens -> esta é, na realidade, uma técnica muito específica de transporte de água a que o próprio do Carlos Sá recorre com frequência ;) .

Os kms 5 a 8, aproximadamente, foram os que mais gostei. Entramos numa zona de mato mais cerrado, com um pequeno trilho em que só passa uma pessoa, pequenos cursos de água que passamos através de pontes de ramos escorregadias e com subidas e descidas muito acentuadas. Houve um ou outro momento em que tive de segurar-me em ramos para não escorregar por ali abaixo... Adorei!

Foi nesta parte que eu me senti uma Indiana Jones em aventura. Foi também por esta zona que enfiei um pé numa poça e fiquei contente por de manhã me ter lembrado de pôr vaselina nos pés, mesmo já a prever estas situações que provocam bolhas.



Não estou a andar, estou a fazer corrida técnica rampa acima. (Obrigada Isa, por esta foto!)


 

(O número de fotos tiradas não tem nada a ver com o facto de precisar de parar, mas sim devido ao facto de querer documentar melhor a experiência. Claro...).



Já não me recordo bem, mas penso que foi depois do km9 que os colaboradores nos começaram a avisar de que estava quase mas que agora é que vinha lá uma subida puxadinha. Só agora, portanto.

E aqui está ela.


Lembrar o slogan: "Isto faz-se"

A foto não lhe faz justiça, era muito mais inclinada e longa do que parece (a foto de ontem era do que já tinha ficado para trás)

Foi mais ou menos nesta altura, nesta escalada em que tive de me apoiar em rochas para me ajudar a subir, em que sentia músculos pouco usados a serem testados, as pulsações não havia maneira de baixarem e tinha uma respiração de gaita-de-foles que pensei "Oh mulher, mas tu metes-te em cada coisa, sinceramente!" Mas é um pensamento momentâneo, porque eu sei que pode estar a ser duro, mas a experiência vivida e os limites que pensávamos existir serem ultrapassados é o que faz com que tudo valha a pena.

Além disso, também não prejudicou chegarmos ao cimo e termos direito a vistas destas:


Só por isso é que estes muros foram apelidados de Subidas do Paraíso, porque custam a escalar mas a recompensa é sempre boa.

Foi no km10, no segundo e último abastecimento, que nos disseram que a partir daí era sempre a descer (iupiiii). E de facto assim foi, até à meta.

Quero deixar uma palavra de apreço aos colegas cavalheiros que esperaram pelas duas meninas, que tiveram uns percalços para o final. Mas notei que fizeram questão de cruzar a meta à nossa frente... humm!


Quando terminámos tivemos de lá deixar os dorsais (não pude ficar com ele para a colecção), mas tivemos direito a um saco com a t-shirt, a indispensável água e ainda um sumo, um pãozinho com chouriço e uma maçã, que serviram para confortar o estômago depois do esforço, a jeito de almoço improvisado.


A t-shirt com o Monge atleta bonacheirão.

Hoje, por incrível que pareça, só me doem um pouco os gémeos. O que é pouco usual, já que geralmente fico é com dor nas coxas, mas suponho que tenha sido pela especificidade do percurso.

O que é que mais posso dizer desta prova? Senti-me "em casa". Eu sabia que ia gostar da experiência, porque sou uma rapariga das montanhas e das caminhadas em Natureza mas, por outro lado, também não estava à espera da dificuldade técnica de alguns trechos do percurso. Claro que se fosse tudo fácil não tinha graça nenhuma, e por isso é que é uma experiência, sem dúvida, para repetir!

Aliás, ontem à noite inscrevi-me no Grande Prémio do Fim da Europa - culpa das endorfinas, só pode. Já me custou tanto fazer algumas partes desta prova, que foi "só" de 12km, nem quero pensar em 10km a subir numa de 17...  (umas 5 horas devem chegar!) Mas até lá ainda faltam quase 3 meses e ainda vou passar uns dias à terrinha, onde vou poder praticar rampas e trilhos com fartura. Com sorte, até vou encontrar neve pelo caminho.

Não posso terminar sem agradecer a companhia durante todo o percurso, já que nem dei pelo (imenso) tempo passar e tornou a experiência muito mais divertida.


Para o ano espero voltar ao Monge. Até lá, tenho de tratar de arranjar mais músculo nas pernas, que o trail sim, não é para meninas...


Provas de trail? Isto faz-se. Quando é a próxima? :)

 

28 de outubro de 2012

1º Trail: FEITO!

 
Deixo-vos aqui uma amostra:
 
Este caminho foi feito a SUBIR.
 
 
Foi uma prova durinha (agora, com o descanso de algumas horas, já posso acrescentar o "inha"), com perto de 12km, e algumas Subidas do Paraíso... mas ADOREI!
 
Amanhã faço o resumo com mais calma.
 
 
Boa semana!
 
 


27 de outubro de 2012

Todos os dias são bons



É já amanhã!
 
 



"I went to the woods because I wished to live deliberately,
to front only the essential facts of life,
and see if I could not learn what it had to teach,
and not, when I came to die, discover that I had not lived."
(...)
                                                                    
                                                                 - Henry David Thoreau


 
Vai ser o meu primeiro trail (em prova), mas tenho uma suspeita de que não vai ser o último...
 
 


25 de outubro de 2012

E quando o impermeável fica em casa, chove.

Engraçada esta coisa dos blogues. Uma pessoa acaba por criar afinidades devido a pormenores que os autores de cada um resolvem partilhar. A uns posso nunca ter visto a cara, mas sei que têm um "joelho de atleta" que os atormenta desde há vários anos e sempre nas alturas mais inoportunas; outros não faço ideia da idade que têm, mas conheço os números das suas provas e o 4.15 que aguentam ao quilómetro. Podemos não saber coisas comuns, como o nome próprio, mas trocamos impressões sobre coisas "íntimas", como a bolha no dedo grande do pé que rebentou durante um treino, a unha negra que acabou por cair e as assaduras nos locais mais insólitos, como se fosse a coisa mais normal do mundo (e é), que merece a troca de comentários e sugestões diversas, porque há sempre alguém que já passou por isso. Somos solidários com as corridas más, com as provas desastrosas, com aqueles que tiveram de caminhar com dores  e com aqueles que dominaram mas ficaram aquém de um RP por 2 segundos. Ficamos também genuinamente contentes (quero acreditar que sim), com o sucesso daqueles que seguimos nas suas lutas de meses, alguns de anos, como se também nós cruzássemos as metas com eles.
E tudo isto apenas dentro do mundo bloguista de corredores.
 
O círculo alarga-se muito mais. Porque alguém fez uma viagem que está na minha lista ou vai visitar o que já visitei, porque alguém partilha os mesmos sentimentos em relação a algum filme, ou livro, e aconselha e sugere. Porque eu sou uma naba a cozinhar e alguém é uma cozinheira de mão cheia e consegue fazer refeições criativas e deliciosas com 3 batatas, um pacote de ervilhas e uma lata de atum. Porque alguém tem dotes que eu admiro, um sentido de humor que reconheço, a harmonia de vida que procuro, ou está a passar por algo que já passei e sou solidária. Porque correm que se farta, porque escrevem bem, porque informam, porque me fazem sempre rir.
São tantas as razões para ter criado afinidades, gostos e afectos com pessoas por essa blogosfera fora. Algumas dessas afinidades saltaram do virtual e vão-se transformando em amizades reais. Outros nunca conheci, mas conhecem tão bem esta faceta de mim que escolho partilhar, que me sugerem filmes, livros, blogues, coisas que "acham que vou gostar" e acertam sempre.
 
Podemos não conhecer a pessoa, mas partilhamos interesses em comum. Como há uns tempos comentei num blogue, no que às minhas aventuras no desporto diz respeito, acabo por receber mais apoio por parte de outros bloguers e leitores do que por parte de alguns amigos que, por mais boa vontade que demonstrem, não entendem esta paixão. Há um reconhecer-se nas palavras do outro, e é por isso que sigo os blogues que sigo (e tantos outros que leio) e é por isso também que escrevo.
 

 
E o que é que isto tudo tem a ver com o título do post, perguntam vocês? Nada. Só que ontem, para não variar, quando cheguei a casa fui correr, não levei o impermeável e choveu. Mas eu não me importei, porque foi uma chuvinha miudinha e eu ia entretida em pensamentos.
 
Vejam só quem aprendeu a tirar screenshots!
(Eu descubro sempre estas funcionalidades muito tarde e por acidente)
 
Foi um treino semelhante ao da semana passada, mas desta vez foram 7km intervalados. Custou, mas acho que vai ficando um bocadinho mais fácil com o tempo (e a chuva ajudou).

Treino de quarta:

Final da tarde
Distância: 7km intervalados
Distância total: 10,2km
Bpm médio: ?*
Calorias: ?*

* Fiquei sem pilhas no Sigma.


Não contei com o tempo de recuperação, por isso pensei que despachava o treino num instante, mas claro que cheguei a casa já de noite.


Hoje vai ser dia de descanso e de bolo de chocolate. (Não é isso que todos os dias de recuperação incluem?) A minha mãe faz anos e tenho direito a jantar feito em casa dos meus pais e uma fatia ou duas de bolo e talvez um brinde com Licor Beirão. Portanto, tenho um agradável jantar em família, com comidinha boa, sobremesa, e não tenho de lavar a loiça no fim. É quase como se fosse eu a receber prendas!


Tenham um bom dia!

 

24 de outubro de 2012

Suar as emoções (negativas)

Ontem não foi um dia muito bom. Ou melhor, até começou bem, como quase todos os dias, mas depois houve uma situação mais desagradável que arruinou o meu humor o resto da tarde.
Há pouca coisa que me tire do sério, mas não posso com má educação... Sobretudo quando não podemos responder à letra, até porque nem vale a pena. Infelizmente, há pessoas dias assim, que nos deixam com um vulcão interno fervilhante de respostas contidas a ameaçar explodir. (E eu estou uma poeta!)
 
Como temos de ver sempre o lado positivo das coisas, o melhor foi poder chegar a casa com tempo de aproveitar a fúria acumulada e usá-la como combustível para a minha corrida de final de tarde.
 
Levei o mp3 e fiz um treino de intervalos/fartlek (?) improvisado ao som da música. Fui ao baú buscar clássicos da adolescência rebelde e depois foi só acelerar nos refrãos mais revoltados - a 7 Words, dos Deftones, resultou especialmente bem - e repetir até substituir a raiva pelo cansaço.
A verdade é que a má disposição foi expurgada através do suor e cheguei a casa muito mais "Don't Worry, Be Happy".
 
Um dia destes publico uma Playlist orientada para estes dias em que nos apetece partir a cara de alguém tudo. :)

 
 Entre acelerações, as subidas também não escaparam.

Prova nº 1

Não costumo incluir muitas subidas nos meus treinos porque ao pé de casa só tenho subidas dignas desse nome em paralelo ao trânsito e eu evito correr ao pé de estradas.

Prova nº 2


Há um parque ao pé da casa dos meus pais com umas subidas jeitosas mas ou tenho de ir de carro até lá ou vou a correr... atravessando dezenas de estradas e fintando o trânsito, o que acaba por ir dar ao mesmo.

Mas ontem, a pensar na Corrida do Monge, aguentei-me e percorri a serra urbana.

Corrida enraivecida - confere.
Domínio das subidas - confere.

Foi um bom treino.


Treino de terça:

Final da tarde
Distância: 7.5km
Variações de ritmo
Bpm médio: 168
Calorias: 478


O que também é muito bom para acalmar os ânimos é ter uma taça tamanho familiar de gelatina à nossa espera em casa e não termos de partilhar com ninguém.



(Ainda bem que "banquei" aquelas 478 calorias...)


Vocês 'suam' ou 'devoram' a irritação?



PS: A todos os interessados em Trail Running: esta 5ª-feira, às 21horas, no programa Linha da Frente - "Para lá do Limite", com Carlos Sá e outros atletas do Ultra Trail du Mont Blanc. A não perder.

 

22 de outubro de 2012

Corrida de São João / ACCL

A manhã começou cedo para um domingo: 07h30. Estava escura e chuvosa, mas tinha aquela expectativa no ar que todos os dias de prova têm para mim, sejam 5km ou 21km. Estava com fé que ia ser um dia bom. Levanto-me e vou fazer as minhas torradinhas e ainda tive de fazer café na chaleira porque se acabaram as cápsulas e nem reparei. Tenho sempre de beber café antes de uma corrida, é o hábito.

Tinha combinado com o meu pai numa estação do metro às 8h45. Tínhamos de chegar mais cedo porque ainda íamos levantar os dorsais. Não sei qual será a edição desta prova, mas pelos vistos já se realiza há muitos anos, porque o meu pai ainda se lembra de a correr com a minha mãe (a minha mãe deixou de correr há muiiiiitos anos). Agora corre com a filha, pronto. Ainda tentei convencer o meu irmão a ir fazer pelo menos o percurso de 3km, mas aquele rabinho preguiçoso não quis. Ainda não desisti dele, um dia chateio-o tanto que é obrigado a correr só para me calar de vez.

Adiante. Chegámos com tempo mais do que suficiente para levantar dorsais, ir à casa de banho, acompanhar o meu pai a um café e ficar a ver as vistas. Ainda assistimos à chegada da prova infantil, que começou às 9h30 e à partida da prova dos 3km, às 10h.
 
A Partida (e Meta) teve lugar na Praça Paiva Couceiro. Apesar da chuva miudinha que caiu toda a manhã, poucos minutos antes da prova parou de chover, o que se manteve até ao final.
 
Enquanto o meu pai fazia um jogging e eu ensaiava uns movimentos de aquecimento aparece o João, que também ia participar, e falámos um pouco dos vossos alertas aqui deixados em relação a uma certa subida no percurso e da prova da próxima semana, a Corrida do Monge, em que ambos vamos participar.
 
Com o aproximar da hora, dirigimo-nos para a partida. A partida estava anunciada para as 10h30, mas, devido a um pequeno atraso na prova dos 3km, a nossa prova acabou por começar alguns minutos depois da hora marcada. Coisa pouca, nada de grave.
 
E a prova começa. --> Corremos na direcção da Av. Mouzinho de Albuquerque, cerca de 2km de abençoada descida até à Av. Infante Dom Henrique, com algumas (poucas) pessoas a aplaudir nas janelas e a fazermos uma velocidade média de 11km/hora - verdade, um daqueles controlos de velocidade do trânsito assinalou o nosso ritmo! O meu pai vai pouco à frente, eu encontro novamente o João e vamos ali um bocado à conversa e a voar na encosta (5.30min./km para mim é voar). Chegando à Infante Dom Henrique, essa estrada já tantas vezes corrida, mais recentemente na Meia Maratona de estreia, ainda tento acompanhar o João durante um bocado, mas sem descida já não tenho pernas para tanto e depois do 3km ele segue e eu fico um pouco para trás. Mesmo assim, e guiando-me pelo meu cronómetro, estava a conseguir manter-me abaixo dos 6min./km.
 
Ainda antes do km4 surge o primeiro abastecimento. Como o tempo estava fresco, ainda não sentia muita sede, mas bebi um pouco de água na mesma. Pouco depois o ponto de retorno e já estava no lado da Av. Infante Dom Henrique dos que "regressam" Gosto destes locais de ida e volta, mais quando estou a voltar do que a ir.
Novo abastecimento depois do km5 - como ainda tinha a garrafa do primeiro, não cheguei a precisar.
 
Passei na marca dos 5km com 28 minutos (ena ena) e segui distraindo-me a olhar para a fila de trânsito que se formava no outro lado da estrada devido ao corte. Sabem que nenhuma das pessoas que estava parada no trânsito a olhar sem fazer nada deu uma forcinha, um aplauso ou um comentário "corram p'raí, corram", sequer? Para compensar, quando virámos para a Rua Madre Deus, um grupo de turistas que aguardava junto à carrinha em frente ao Museu do Azulejo fez as honras da casa e tivemos direito a bastantes palmas e incentivos. Um último momento de glória.
 
E depois, isto aconteceu:
 
 
Av. Afonso III, a partir de hoje também conhecida por Subida do Inferno (eu sei que sendo "do Inferno" deveria ser a descer, mas não, o Inferno é a subir).
 
 
Vocês tinham razão, tentar manter um ritmo abaixo dos 6min./km nesta avenida era inviável. É que para além de ser inclinada como um raio, era in-ter-mi-ná-vel. Mas eu ia na inocência, porque não conhecia esta rua. Ao início tentei não baixar muito o ritmo, mas depois fui quebrando. Ia tão devagarinho, sempre a lutar com a vontade de parar e caminhar. Sempre que se aproximava uma curva eu rezava para que na esquina me aguardasse uma descida ou pelo menos uma recta amigável, mas não. Foi mesmo muito difícil.
E agora tenho de confessar que cedi à tentação e cheguei a caminhar, porque estava a ir tão devagarinho que achei que caminhando era mais rápido (só para verem...), mas só foram 10 metros, se tanto, porque eu sou um bocado orgulhosa e não gosto de ter de andar em provas. Já tinha as pernas a arder, as pulsações no topo, mas quis continuar a, chamemos-lhe, "correr".
Já maldizia a minha vida quando finalmente avisto o topo do Evereste e a bendita descida final - cerca de 100, talvez 200 metros, até à Meta. Depois consegui recuperar um bocadinho, ainda passei uma senhora, ouço um rapaz que, suponho, fosse da organização dizer que eu era a 200 e qualquer-coisa no geral e a 20ª feminina (não, não eram só 21 mulheres, não sejam mauzinhos) e segundos depois corto a Meta com um ar todo contente.
 
 
Resumo em números:
 
1º e 2º kms - aprox. 5.30 min./km (voar)
3º ao 6º km - aprox. 5.50 min./km (bonzinho)
6º até quase à Meta - 1 milhão de anos/km
Últimos 100 metros - sprint  (recuperar a dignidade)
 
 
Terminei com 46:12. A prova tinha um pouco mais do que os anunciados 7.100 metros; cerca de 7.700 metros, pelo que ouvi dizer, mas não tenho como comprovar agora, fico a aguardar os dados no relato do João. Se essa distância for a verdadeira, consegui fazer uma média geral a resvés de 6min./km (enganadora, como já sabem). *Actualização: Confirma-se que o percurso tinha aprox. 7,770 metros, o que coloca a minha média uns 2 segundos abaixo dos 6min./km!*
 
Apesar do teste superado q.b. da subida, fiquei contente com o resultado (acho que foi a primeira vez que passei nos 5km aos 28min). Se morasse naquela zona ia passar a treinar Av. Afonso III acima todos os dias. Para o ano, se puder, volto e vou dominar aquela montanha.


Recordações
 
 
Para a semana, Corrida dos Monges, a minha primeira experiência em Trail.
 
 
Como foi o vosso domingo? Corridas, treinos, maratonas de cinema no sofá? Contem-me tudo.
 
 
 
Boa semana!
 
 


20 de outubro de 2012

Dançar, pedalar, correr

Ontem, abdiquei da minha noite descansada no sofá a ver filmes porque recebi uma sms de uma amiga a convidar-me para ir a uma Festa de Anos 80, e se há coisa que uma pessoa não pode recusar é ir a uma festa 80's e dançar ao som de todos aqueles maravilhosos - e alguns pirosos - clássicos.
Além disso, era perto de casa e terminava cedo ( -> essencial).

Portanto, dancei Billy Idol, Rolling Stones, Queen, R.E.M. e outros sucessos da década, deitei-me (relativamente) cedo e hoje até acordei com vontade de ir dar a corridinha de sábado, mas como amanhã vou participar numa prova, pensei melhor e nem sabem para o que me deu: fui andar de bicicleta. Sozinha. A um sábado de manhã. Hora de ponta junto ao rio de todos os grupos de ciclistas e bbtistas mais experientes, alguns com t-shirts personalizadas e tudo.
Como estou aqui a escrever o post, já sabem que sobrevivi. Levei a bicicleta até uma zona mais segura e depois ela levou-me a mim em voltinhas pela ciclovia. A parte mais desagradável foi descer e subir dois andares com a dita e sem ajuda. (Quando é que eu vou ter a minha moradia térrea, com um grande quintal e garagem? Quando?).
 
 Agora, a prova:
 
Corrida São João / ACCL
 
Enquanto a maioria dos meus colegas corredores irá rumar a Algés para a Corrida do Tejo, eu vou participar pela primeira vez na Corrida São João. Apesar de ser uma prova relativamente pequena (7.100 metros), só vejo vantagens:

1- É grátis (oláaaa).
2- É relativamente perto de casa e posso ir de metro (grátis para quem tiver o dorsal da corrida).
3- Vou correr numa zona de Lisboa onde nunca corri.
4- O meu pai, que já tinha saudades de participar numa prova, vai poder ir comigo e fazer-me companhia (mas ele ainda não sabe, é segredo, só lhe vou dizer que o inscrevi quando for almoçar lá a casa daqui a pouco).
5 - E como se tudo isto já não fosse suficiente, ainda temos direito a medalha e t-shirt.

Como ando numa de tentar bater recordes (só o meu), vou tentar fazer todos os quilómetros a 6min/km ou abaixo. Não sei se será possível, pois desconheço a altimetria do percurso mas conheço a zona e não é amiga de rectas.



Resumindo: sexta a dançar, sábado a pedalar e domingo a correr. Nada mau para quem passou a semana a trabalhar (e comer) que se farta.


Aproveitem estes dias, parece que a chuva vai dar um bocadinho de tréguas (para todos vocês, que não se entende porquê, mas não gostam quando chove.. tsss tsss...)! :)


Bom fim-de-semana!




18 de outubro de 2012

Singing in the rain

Quem nunca lhe apeteceu, num dia de chuva, recriar esse grande clássico do cinema? Geralmente o bom senso (e a vergonha) trava-me, mas já correr à chuva: adoro.
 
Aí está ela, equipada e pronta a sair.
 
Acho que só houve uma vez em que apanhei um grande temporal. Estava a correr há cerca de 15 minutos, estava escuro e não tinha onde me abrigar. Já estava encharcada de qualquer maneira, por isso continuei a correr. Acho que só passei por outros dois corredores que foram igualmente apanhados de surpresa (ou não) pela chuva que caía a cântaros, e uma mulher que passeava o cão. Não avistei mais ninguém. As ruas estavam desertas. Sentia a água a escorrer-me pela cara e a turvar-me a visão, as meias e ténis ensopados, num contínuo chlap chlap ao ritmo das passadas, as pernas a encherem-se de lama e areia que acabavam por escorrer em gotas de chuva. Quando passei à beira de um café com os últimos clientes do dia, os seus olhares validaram o que já me passava pela cabeça: "devo ser é maluquinha".
 
Cheguei a casa cansada, vermelha, despenteada e encharcada de suor e chuva. Nem me atrevi a entrar em casa com os ténis calçados. Tirei o que me pareceram 5kg de peso dos pés e descalça segui logo directa para aquele que senti como o melhor duche quente de sempre.
 
Correr à chuva não é confortável, mas nessa noite senti-me uma verdadeira atleta. Nesse dia corri à chuva (chuva a valer, não uma chuvinha) e aguentei-me. E maluquinha como sou, até gostei. Tal como Gene Kelly na sua eterna dança, saltei passeios, pisei poças, chapinhei na água. Sou até capaz de ter cantado um bocadinho, só na minha cabeça.
 
 
Ontem saí num esperançoso "impermeável", mas não choveu. Apenas pequenas ameaças que nem chegaram a humedecer o chão.
 
 
No entanto, o impermeável ficou molhado na mesma, porque ontem tentei um treino mais rápido. Eu nem sei porque é que me meto nestas coisas de tentar melhorar tempos, porque claramente detesto correr com mais velocidade. Mas eu sou assim, tenho estas ideias mirabolantes e depois não consigo abandoná-las. Sei que no fim tudo compensa (esperemos), mas se conseguir chegar até ao fim do ano a fazer 57.59 aos 10km  já fico contente e não quero saber tão depressa de melhores tempos (acho...).
 
Tudo isto me passou pela cabeça no primeiro treino mais "rápido", por isso começamos bem!
 
Como eu não percebo nada de séries, fartleks, intervalos e etcs., inspirei-me num plano de treinos gratuito disponibilizado pela app RunKeeper para "Sub 55 min 10k"  (também tem um "Begginers 5k", para quem esteja a começar). O plano engloba 61 treinos, e como eu não quero manter a tortura tanto tempo e o objectivo não é tão ambicioso, adaptei um dos treinos mais levezinhos.
 
Vejam lá se dá para perceber:
 
 
 
A ideia era:
 
- Aquecimento: 5 min.
- 1km ritmo acelerado, seguido de 3 min. de recuperação a trote.
- Repetir mais 4 vezes.
- Arrefecimento: 5 min.
 
Foram 5km intervalados, por assim dizer.
 
Apesar do esforço, não correu assim tão mal. Consegui manter a velocidade no ritmo esperado, mas vou limitar este tipo de treino a uma vez por semana. Não gosto de correr sob comando do bip.
 
E vocês:
- Corridas rápidas ou corridas longas?
- Exercício: chuva, frio ou calor?
 
 
Entretanto, venham as corridas mais longas e despreocupadas, venha a chuvinha (eu pus "inha", não me batam!:) ).
 
Mas há lá coisa mais aconchegante que estar em casa quentinho com o som da chuva a cair lá fora? Só se for daqueles treinos à chuva geniais, em que nos sentimos tal qual o Gene Kelly.
 
"Let the stormy clouds chase.
Everyone from the place,
Come on with the rain
I have a smile on my face.
I'll walk down the lane
With a happy refrain
Just singin', singin' in the rain
."
 
 
Tenham um bom dia!



16 de outubro de 2012

Homens (e mulheres) de ferro


Faz hoje três dias que se realizou mais uma edição do Campeonato Mundial Ironman, no Hawai. Eu passei o dia todo fora, mas quem quis pode assistir à transmissão directa online de toda a competição. Agora vou esperar que fique o resumo disponível no YouTube.

Desde que há uns meses me deixaram o link para o vídeo de uma destas competições (estão várias edições de anos anteriores disponíveis na íntegra) que fiquei fascinada com estes atletas de "ferro" (acho que até já falei disso aqui).
Eu já tinha ouvido falar do Ironman, sabia que se tratava de um triatlo composto por 2.4 milhas de natação, 112 milhas de bicicleta e 26.2 milhas de corrida (3.9km-180km-42.2km, aprox.), mas associava sempre a uma prova de grandes atletas profissionais e patrocínios e desconhecia a história por detrás de centenas de anónimos, pessoas com profissões a tempo inteiro, pessoas com limitações físicas, mais velhos, mais jovens, que conseguem encaixar os exigentes treinos para uma competição destas no seu dia-a-dia, muitas vezes com grandes sacrifícios pessoais.

Quem tiver interesse pode pesquisar no YouTube estes vídeos de cerca de 1hora cada, mas agora deixo-vos apenas aqui um excerto de cerca de 10 minutos que mostra os quilómetros finais da competição de alguns destes ironmen/women "anónimos".


 
 

 
A partir do minuto 1.41 podem assistir à luta de dois senhores de mais idade contra o corpo que bloqueia e se recusa a continuar. Até custa a ver...
 
Vou ser uma spoiler e dizer já que estes senhores conseguem terminar dentro do tempo limite (antes da meia-noite) para serem considerados Ironman, o que só mostra o que a determinação de uma pessoa consegue fazer. Caem tantas vezes e de todas as vezes conseguem novamente levantar-se (não se admirem de as pessoas à volta não os ajudarem, os atletas não podem receber ajuda externa, apenas de outros atletas, sob o risco de serem desqualificados) e terminam a prova com uma alegria extraordinária no rosto. "YOU ARE AN IRONMAN!"
 
Se forem como eu, o vosso teclado pode ficar inundado em lágrimas... Eu culpo a música emotiva...
 
 
 
Bem, agora que já fui buscar um lenço, passemos a coisas bastante mais leves: o meu treino de ontem.
 
Treino de segunda-feira:
 
- Final da tarde
- Distância: 6km
- Ritmo confortável
- Bpm médio: 147
- Calorias: 312
 
 
Nada de muito notável a assinalar. Vou ver se ainda esta semana começo a aumentar o ritmo para tentar conseguir bater o meu recorde aos 10km (58.18min. - Corrida de Santo António) até ao final do ano.
 
Foi também a primeira vez que vi uma senhora visivelmente grávida a fazer jogging. Acho muito bem, pois acaba por ser um exemplo para outras mulheres de que se pode continuar a fazer exercício durante a gravidez. Claro, sempre sob aconselhamento médico e apenas a um nível de conforto. Cada caso é um caso. Mas gostei de ver, era uma grávida com bastante estilo. Até trazia uns phones que ando há uns tempos para comprar (as mulheres reparam logo nestas coisas).
 
 
- Mamãs que poderão estar a ler-me: mantiveram exercício físico regular durante a vossa gravidez?
 
- Homens (e mulheres), seriam capazes - esquecendo os custos que envolve - de participar num Ironman?
 
 


14 de outubro de 2012

O fim-de-semana parece um sprint...

Parece que foi hoje que cheguei a casa e me refastelei no sofá a ler o meu livro na minha habitual noite louca de sexta e agora aqui estou eu, com uma mantinha (já está a ficar frio e eu sou velhinha) no sofá, acabada de ver um filme, e amanhã já é segunda-feira outra vez...

Desta vez, o filme escolhido foi La Piel que Habito, de Almodóvar. À boa moda de Almodóvar, tem o seu quê de insólito e macabro. Antonio Banderas desempenha o papel de um cirurgião plástico, numa história "Frankensteiniana" dos tempos modernos. Para quem for fã do género acho que está um filme interessante.

Hoje ainda me doem os glúteos as pernas devido às pedaladas de sexta. Como vos tinha dito, fui andar com um grupo de prós, no qual claramente não me enquadro, mas que teve bastante paciência para esperar por mim quando tinha de montar e desmontar da bicicleta para subir e descer alguns degraus e enquanto saltitava ali durante uns momentos em bicos de pés e equilíbrio instável sempre que tínhamos de parar em algum sinal. No entanto, notei com algum agrado que já estou mais destemida na velocidade, desde que em caminho recto e terreno estável, claro.
Para dizer a verdade, sinto-me mais segura com os dois pés bem assentes no chão. Preferia sinceramente ter de correr amanhã 20km, à chuva, antes de ir para o trabalho, do que pedalar novamente as 2 horas de sexta, só para terem a noção da confiança que tenho a andar de bicicleta.

Não houve a habitual corridinha de sábado de manhã porque foi um dia de excursão. De manhã uma visita à cabeleireira/tia em Setúbal e da parte da tarde uma visita a uns amigos em Palmela, seguida de um grande passeio pelas margens do Sado, Arrábida e, já de volta e de igual importância, cenário indissociável da minha grande Meia Maratona, a Ponte Vasco da Gama (desta vez de carro).




Ainda deu para tirar umas belas fotos ao pôr-do-sol e terminar o dia/começar a noite numa esplanada.




Claro que hoje tive de compensar e ir correr de manhã, desta feita e pela segunda vez desde sempre, para os lados de Monsanto.
Tive a companhia da Isa e a ideia era treinar um bocadinho as subidas/descidas e percorrer alguns trilhos. Lá pelo meio apanhámos pelo menos uma subida que era muito digna de um trail de montanha, durante a qual tivemos forçosamente de nos calar durante uns segundos, pelo que já deu para ter uma amostra do que nos espera.

Treino de hoje:
Corremos cerca de 1 hora (devemos ter feito entre 8km a 10km), mas como o meu relógio não quis colaborar não faço ideia se o meu coração andou muito aos saltos nem quantas calorias perdi.
(Acho que o meu Sigma anda a dar as últimas... Estamos quase no Natal, se o Pai Natal quiser ser generoso já sabe que gostaria muito de uma prenda que começa por G e acaba em armin - ou similar, não sou esquisita).

Apesar de correr quase sempre sozinha e até nem me importar, a verdade é que correr com companhia, sempre em conversa, ajuda sem dúvida a passar melhor o tempo. É de repetir (desta vez para os meus lados).



O resto do dia teve de ser dedicado a coisas bem menos interessantes, entre as quais limpar a casa, pôr a roupa a lavar e estendê-la, só para ter de apanhá-la uns minutos depois quando começou a cair uma chuvada. Vendo o ponto positivo: o carro já não precisa de ser lavado.


Como não tinha pipocas, deu-me para comer isto enquanto via o filme:



Fica aqui anotado: os tremoços não têm nem metade da piada quando não são acompanhados por uma imperial. (E tenho de ir comprar pipocas.)


Espera-me outra semana cheia de trabalhinho... E vocês, preparados para a maratona de segunda-a-sexta?


Boa semana!



12 de outubro de 2012

CCUM e a Mini Cruzada na Serra de Sintra

Como algumas pessoas já sabiam e outras adivinharam, a minha próxima corrida-desafio será a 20ª Corrida do Monge, dia 28 de Outubro. Esta prova está integrada no Calendário do Circuito Nacional de Montanha 2012.
Por isso, como já entenderam, vai ser a minha primeira prova de trail! Vão ser cerca de 11,5km em que vou percorrer empedrado, asfalto, estradas de terra e caminhos florestais, sentindo-me qual versão feminina do Indiana Jones em aventura pela Serra de Sintra (se não acharem que o Indiana Jones é fixe não podemos ser amigos).
É um mini-trail, o que é ideal para uma primeira experiência em que se pretende correr, e não desfalecer, na mata. Já imaginaram se chover nos dias anteriores? Caminhos enlameados, chapinhar em poças de água, riscos de queda... espectáculo!:)
Adoro a Serra de Sintra, já fiz por lá vários percursos a pé, mas vai ser a primeira vez que vou fazer um troço a correr. Mais uma vez, como vai ser uma estreia no género não vou ter objectivos de tempo (até porque, pela amostra que tive estas férias, correr em trilhos pela serra não é nada fácil).

Por causa disso, este fim-de-semana vou já praticar um bocadinho as minhas subidas, mas primeiro, hoje ao final da tarde vou tirar o pó da minha bicicleta e juntar-me a um pequeno grupo de pessoas que realmente sabem andar e que não tremem sempre que vêm um degrau ou um passeio mais alto no meio do caminho. Wish me luck.


E vocês, o que têm planeado para este fim-de-semana?


Como sei que alguns já estão inscritos ou vão inscrever-se na Corrida do Monge, a gente dia 28 vê-se por lá. Como não conheço a zona em questão, a aventura começará logo à saída de Lisboa. Será que vou dar com Janes (local onde se organiza a prova)? Será que me vou perder e acabar antes por ir dar um mergulho ao Guincho? Não percam os próximos episódios.


Agora só um aparte relativamente ao post de ontem, em que referi a hidratação e recuperação pós-corrida. Nos comentários deixaram a sugestão de um batido natural, que pode ser de interesse a algumas pessoas. Fica aqui o respectivo link. Obrigada pela partilha!

Bom fim-de-semana!

10 de outubro de 2012

Oxigénio para as ideias

 
Hoje fui correr pelo terceiro dia consecutivo. Pode parecer que não é nada de mais, mas eu nunca corro mais do que dois dias seguidos e sempre limitei os treinos a três dias por semana.
No entanto, agora não estou a treinar para nada específico e, como me tem apetecido correr, aproveito.
 
Fisicamente, as corridas não têm sido nada de especial. Fiz cerca de 30 minutos de jogging na segunda-feira, igual tempo na terça e hoje, para tornar a dar uso ao gps, corri 8km a um ritmo confortável. Não foi muito confortável, foi até um pouco meh, mas no fim até fiquei contente por ter ultrapassado a preguiça.
 
Tenho trazido algum trabalho para casa e estes momentos ao final da tarde são aqueles que me permitem destressar um bocadinho e organizar as ideias. Mais do que o meu corpo, o meu cérebro também tem agradecido esta "oxigenação" ao final do dia.
 
Claro que depois quase não tenho tempo para cozinhar (e daí também repetir as comidas dias seguidos), mas o exercício físico já faz parte integrante do meu dia-a-dia e se ficar muitos dias sem "suar", a minha paciência, já de si pouca, começa a escassear e depois ninguém me atura e uma pessoa tem de viver em sociedade. :)
 
Por falar em suar: e este tempo? A gente olha pela janela e já dá ares de outono: tempo mais cinzento, árvores a mudarem de cor e a perderem as folhas... mas depois vai correr ao final do dia para as margens do rio e apercebe-se dos níveis de humidade insanos que têm estado, até se torna desagradável.
 
Mas hoje, ao correr de regresso a casa já ao anoitecer, um daqueles momentos: estou eu a quebrar numa interminável subida quando começa a cair uma chuva miudinha que me refresca e acompanha o pôr-do-sol... Lindo! Como se diz: são as pequenas coisas.
 
O que fazem quando precisam de "parar" e organizar a mente? Vão correr/caminhar, dar uma volta, fazem yoga, relaxam no sofá com um chazinho, bebem um café e comem um pastel de nata? (Todas são válidas e boas).
 
 
 
Quando cheguei a casa fui experimentar a bebida acima, que vinha no saco de ofertas da Meia Maratona e que eu ainda não tinha bebido. Como já sabem não sou muito deste tipo de hidratação e bebidas de cor azul deixam-me desconfiada (a não ser que seja Blue Curaçao), mas até achei bastante boa dentro do género. Não é demasiado doce mas também não é insípida, como algumas versões.
 
Geralmente limito-me a beber água, simples ou com gás, ou leite com chocolate (há um estudo qualquer que refere a sua eficácia na recuperação pós-treino. É uma teoria no meio de muitas, mas esta não me importo de testar na prática).

 
 Por hoje é tudo, que tenho de voltar ao trabalho (yupi...). Não se esqueçam de oxigenar o vosso dia-a-dia.

Até amanhã!
 
 
 
 

9 de outubro de 2012

Recuperação e panfletos

Ontem, com uma semana de atraso, fui fazer uma corrida de "recuperação" em condições. Apesar da recuperação da prova não ter sido tão dura como pensava, já que só me doíam as coxas ao levantar-me, sentar-me e ao utilizar as escadas (coisa pouca). Não vivesse eu num segundo andar sem elevador e não tivesse de alternar entre horas de pé e horas sentada no meu trabalho, a coisa até teria sido pacífica. Mas saí para correr ao fim do dia, devagarinho, já que depois da corrida de sábado de manhã senti-me invulgarmente cansada.
 
Duas situações a registar:
1. Ao passar em frente ao Lidl,  um rapaz que está a distribuir Dicas da Semana estende-me simpaticamente um jornal para eu pegar. Ora, eu estou a correr. Devagarinho, mas estou. Porque é que ia pegar no jornal que só ia acabar por ficar meio desfeito com o meu suor e manchar a minha mão, hum? Acenei que não.
2. Numa esquina, uma rapariga distribui panfletos publicitários de um condomínio fechado, cujas casas nunca na vida vou ter dinheiro para comprar. Eu sei o conteúdo desses panfletos porque, mais uma vez, apesar de estar a correr, estenderam-me o papel para a mão e desta vez ao contrário do jornal, por reflexo, aceitei. Depois cheguei ao fim da rua e pus num caixote do lixo. Sou má! Ahah (nem por isso, já havia lá vários).
 
Eu estou ali a tentar bater recordes mundiais (por acaso não) e só me querem entregar material de leitura porquê? Começo a sentir-me insegura da minha performance...
 
Como era um treino sem nenhum objectivo de tempo ou outro que não o "mexer as pernas", nem liguei muito. Sei que as pessoas já estendem os panfletos de forma automática. Mas fez-me lembrar uma vez em que estando a meio de uma corrida (semi) rápida umas senhoras queriam que eu parasse para me mostrarem "A Sentinela" e falar um bocadinho... Eu que, apesar de não ser crente da religião em questão, quando não tenho pressa até costumo parar e falar com as senhoras, fiquei a pensar "Mas que raio?!Estou a CORRER."
 
 
Mais uma vez não levei relógio. Corri por volta de meia-hora, por isso devo ter feito cerca de 5km a passo pequenino, seguidos de alongamentos in situ (geralmente espero por chegar a casa).
 
 
Quando regressei a casa, já a caminhar, é claro que o rapaz da Dica da Semana já lá não estava e eu fiquei sem saber as promoções da semana. É castigo. (O meu prédio é daqueles "Publicidade aqui não, obrigado".)
 
 
Depois de aquecer já não gosto de parar durante o treino. Tento evitar percursos em que tenha de atravessar muitas estradas e passadeiras com sinais por causa disso.
E vocês, correm numa zona relativamente calma? Não gostam de parar a meio do treino ou não vos importa?
 
 
Mudando de assunto, não sei se foi de ter corrido mais quilómetros num só dia do que alguma outra vez na vida, mas desde o anterior domingo que ando com uma fome devoradora. Hidratos de carbono e doces, claro. Ainda bem que não tenho o habitual stock de chocolate e gomas em casa.
 
 
 
Já é a terceira vez no espaço de uma semana que como esparguete à bolonhesa com os mais diferentes acompanhamentos e não tenho vergonha de admitir.
 
(Qual a vossa comida de eleição?)
 
 
O que vale é que acho que já escolhi a minha próxima prova. Vai ser uma experiência diferente, para me motivar. Quando me inscrever depois digo qual é.
 
Boa semana!
 


6 de outubro de 2012

Regressando passo a passo

Hoje corri pela primeira vez depois da Meia Maratona. Não tinha planeado esperar tanto tempo para "voltar ao activo", mas na quinta-feira acordei com febre e a sentir-me como se estivesse de ressaca, apesar de não ter tocado em uma gota de álcool. Achei melhor adiar. Não sei se terá sido algum vírus que apanhei nas inúmeras visitas ao hospital, mas na sexta-feira ainda não estava completamente recuperada. Para piorar, ia passar o dia quase todo fora. Por isso, quando cheguei a casa, só queria enfiar-me no sofá com um chazinho e um livro.
 

 
São as noites loucas de sexta-feira cá em casa.

 
Aproveitei para ver um filme brasileiro que já tinha em lista de espera há algum tempo: Estômago. Gostei.

Sinopse (que não lhe faz justiça):

"Na vida há os que devoram e os que são devorados. Raimundo Nonato descobre um caminho à parte: ele cozinha. E é nas cozinhas de um boteco, de um restaurante italiano e de uma prisão - o que ele fez para acabar ali? - que Nonato vive sua intrigante história. E também aprende as regras da sociedade dos que devoram ou são devorados. Regras que ele usa a seu favor, porque mesmo os cozinheiros têm direito a comer sua parte - e eles sabem, mais do que ninguém, qual é a parte melhor."

A história é contada em duas linhas temporais. Uma em que vemos o protagonista começar a a dar os primeiros passos como cozinheiro e a sua ascensão profissional e outra posterior em que o vemos na prisão. Só no fim é que descobrimos o que aconteceu.


 Mas como estava a dizer, hoje voltei a correr.

Acordei a sentir-me bem e saí. Foi bom sentir o fresquinho nas pernas de calções curtos, já tinha saudades. Adoro correr com o tempo mais frio, sair de manhã com a névoa da madrugada ainda baixa, o vapor do bafo quente da respiração, a calma nas ruas (há muito menos gente)... Hoje ainda não havia névoa, mas o dia amanheceu com algumas nuvens e pude estrear um tapete de folhas secas que estava mesmo a pedir para ser 'corrido'. Bem-vindo outono!

No entanto, demorei a entrar no espírito da coisa. Durante os primeiros minutos sentia as pernas perras e pesadas e só já passado um bom quarto de hora é que encontrei o ritmo. Era para ter corrido apenas meia-hora, mas acabei por correr perto de 50 minutos. Se calhar não devia ter corrido logo tanto da primeira vez, mas apeteceu-me. Corri novamente a nu, desta vez por opção, por isso não faço ideia dos quilómetros percorridos, mas foi um tempo bem passado.

Como seria de esperar, não tivesse eu vista privilegiada sobre a ponte Vasco da Gama, os pensamentos voaram novamente até ao passado domingo. Ainda não acredito que fui capaz de correr tantos quilómetros seguidos e, melhor, ter terminado a achar que não foi assim tão mau... Atenção, claro que fiquei cansada, e muito. Aqueles dois últimos quilómetros foram um teste à minha determinação e sinceramente não sei se seria capaz de correr mais um quilómetro que fosse. Mas a Meia Maratona, que me parecia uma coisa tão assustadora, agora sei que é passível de ser feita e bem aproveitada, desde que se treine para isso.

Agora provavelmente regressarei durante uns tempos às provas de 10km, embora não possa ser fim-de-semana sim, fim-de-semana sim, devido a várias razões, mas sobretudo monetárias. Vou ter de escolher melhor as minhas 'batalhas'. Quero ver se até ao final do ano melhoro o meu tempo, embora não esteja muito entusiasmada em voltar a treinos de velocidade... Não tenho um átomo de Bolt em mim.

Vou procurar umas provas de trail curtinhas e já volto.

Bom domingo e boas corridas!

 

4 de outubro de 2012

Meia Maratona (a primeira): o pós cruzar da Meta


Então, no post anterior tinha ficado no momento em que cruzo a meta, no meio de outros tantos meios maratonistas, já veteranos ou caloiros como eu, ao som de "Sexy and I Know it", dos LMFAO. (Há alguma coisa mais sexy do que atletas a cruzar a meta a escorrer suor e com uma salina a criar-se na testa? Muito pouca coisa.)

Sei que o speaker ia animando quem chegava, mas nem consegui prestar atenção às suas palavras, estava mesmo alheada no momento.


 
Parece que estou a dormir, mas estou "concentradíssima",
como diria o outro.
 

Dei dois high-fives a mãos do público que se estendiam para quem terminava, apesar de não conhecer as pessoas. Quando alguém nos pede um high-five  não vamos deixá-los de mão pendurada, não é?

Depois, um pequeno momento anticlimático quando esbarro no garrafão de atletas que aguarda pela sua medalha. Para refrescar o corpo e os ânimos, voluntários distribuem um gelado por quem espera. Quando chega o meu momento de receber a medalha, estava à espera de que fosse posta ao pescoço, qual medalhada olímpica, mas não. Toma lá enroladinha na mão porque, segundo o rapaz que ma entregou, "era muita gente para se poder fazer isso". Nem se compadeceu com o facto de ser a minha prova inaugural... (Na verdade não lhe disse, senão tenho a certeza de que abriria uma excepção, nem que fosse para me despachar).

Segundo pequeno momento anticlimático: 'cadê' os meus abraços suados?! Tive de ficar à espera que os meus pais aparecessem porque a minha mãe, obviamente com pouca fé nas minhas capacidades atléticas, ainda estava junto à Gare do Oriente à espera de me ver passar e o meu pai teve de voltar atrás para buscá-la...

Ainda fiquei a ver se aparecia alguém conhecido (soube depois que a Isa, acompanhada dos padrinhos João Lima e Jorge Branco, chegou poucos minutos atrás - outra recém meia maratonista que também está de PARABÉNS!) mas entretanto vi um primo meu com a namorada, que tinham ido fazer a Mini, e acabámos por ir assistir um pouco ao concerto dos Xutos. Não tocaram o "À Minha Maneira", pelo menos que tivesse ouvido (fiquei muito triste, Tim...), mas tocaram uns quantos êxitos que tantos anos depois ainda põem todas as pessoas a cantar.

Em seguida, e como não tinha acabado de comer um gelado nem nada, fui beber a cerveja a que tinha direito (1 por participante da Meia Maratona). Só não queria ficar maldisposta durante a prova, agora depois já não me importava. Por acaso não me caiu mal.

Antes de ir para casa ainda deu para ver e aplaudir alguns dos últimos participantes. Eu sei que o tempo limite da prova eram 3 horas e as pessoas têm de ser conscientes das suas capacidades para terminar dentro desse tempo, porque a organização tem de cumprir horários e abrir novamente as estradas ao trânsito, mas fico sempre um bocadinho triste de ver pessoas ainda a terminar e já estar o staff todo a tirar as grades e os voluntários a ir embora... Deve ser um cruzar de meta com uma sensação um bocadinho agridoce, apesar de não tirar mérito nenhum àquelas pessoas.


Quando ao tão falado "runner's high"... Apesar de não ter tido muito tempo de parar e pensar em tudo o que aconteceu, já que cheguei a casa, almocei, e da parte da tarde fui fazer a prometida visita ao Hospital, nesse dia andei com a medalha ao peito e entrei num café cheio de pessoas desconhecidas com ela... Acho que as endorfinas são uma droga poderosa!



Imagem

Claro que no dia seguinte levei-a para mostrar no trabalho (desta vez, não ao peito) e para falar da experiência a toda a gente que conseguisse encurralar encontrasse junto à máquina do café logo pela manhã.


É linda!

Agora que já parei para pensar, acho que não cheguei a sentir aquele soltar de adrenalina que nos deixa em êxtase, se calhar devido à situação que aconteceu nas vésperas da prova. A única manifestação de delírio demonstrada foi quando me virei para o meu pai e disse que a seguir queria correr uma Maratona e ele, muito sensato, responde: "não te metas nisso". Ahahah! (Quando ele menos esperar...)

Mas senti sim, uma leveza, aquela paz de objectivo cumprido para o qual se trabalhou com tanta dedicação. Confesso que fica até uma espécie de vazio. O que vou fazer agora com tanto tempo livre? Vou continuar a correr, claro, e é óbvio que tenho outros objectivos fora do âmbito desportivo, mas fiquei nostálgica de uma Meia Maratona que ainda agora acabei de correr (é possível?).


Já que não posso andar eternamente com a medalha ao peito para prolongar o momento, acho que vou encomendar esta t-shirt, o que acham?


Obrigada, Carla!

Será que é suficientemente explícita? :)




Obrigada a todos pelos parabéns e pela força.

 

3 de outubro de 2012

Meia Maratona Vodafone Rock'n'Roll Lisboa

... A minha PRIMEIRA MEIA MARATONA! (Já tinha dito?)

Aqui vai a história do dia em que corri 21,097km. Peço desculpa mas vai ser longa, porque quero que fiquem registados os pequenos momentos que se perdem com o passar do tempo. (Foram avisados!)

À semelhança das anteriores edições, a manhã do dia da prova surgiu radiosa e sem uma nuvem à vista. Não era o tempo fresco e nublado pelo qual tinha esperado, mas que se pode fazer, o sol também quis participar na festa.


Como deixei as coisas preparadas de véspera não perdi muito tempo a preparar-me e tomei o pequeno-almoço nas calmas. Ainda estava relativamente serena (ou podia ser sono, já que andei às voltas na cama grande parte da noite sem conseguir adormecer).

Eu e a Isa, na nossa inocência de inexperientes nestas andanças, quando fomos buscar os dorsais tínhamos combinado no dia da corrida encontrarmo-nos por volta das 09h na Gare do Oriente. Nenhum local em específico, apenas "por ali pela Gare"... Claro que mal lá cheguei e me deparei com o caos, vi logo que tínhamos sido muito optimistas! Sobretudo não tendo levado telemóvel.
Não querendo perder mais tempo, até porque já passava das 09h, fui logo pôr-me numas das enormes filas que levavam aos autocarros que nos deixariam na ponte. Apesar da extensão das ditas, estavam a circular bem e não devo ter demorado mais de 10 minutos até entrar num autocarro.
Como começava a ficar nervosa e a viagem ainda demorava um bocado, meti conversa com um senhor ao meu lado, que tinha ar de já ser batido nestas competições e não me enganei. No entanto, o senhor não estava a ser muito participativo no diálogo, o que eu vou encarar como ele sendo daquelas pessoas que não estão de bom humor de manhã e não porque eu o estivesse a aborrecer com as minhas dezenas de perguntas (claro).

Quando finalmente chegámos e fomos despejados no tabuleiro da ponte já passava das 10h. Milhares de canários amarelinhos, nos quais eu me incluía, de pé, sentados, na conversa, a comer, a fazer aquecimento, alongamentos... Havia também algumas pessoas disfarçadas de super-heróis, que foram muito solicitadas para fotos. Procurei pela minha companheira pré-meia maratonista e pelos colegas João Lima e Jorge Branco, que tão gentilmente se ofereceram para nos acompanhar, mas não os encontrei. Pensei que talvez estivessem junto ao separador que separava os atletas da Meia e da Mini, mas da parte de dentro, e então continuei.

Foto Rock'n'Roll Portugal Half Marathon

Nisto já eram 10h15 e começava a ficar mesmo nervosa. Como não vi ninguém conhecido, acabei por me sentar junto a uma rapariga que também estava sozinha e tinha ar de ser estrangeira. Chamava-se Zane e era da Letónia, apesar de viver há alguns anos em Portugal. Era já a terceira vez que participava na prova da Ponte e então fiquei a conversar com ela até anunciarem a partida. Desejámo-nos "Good luck" e comecei a correr.

Os nervos desapareceram, era agora, o momento para o qual me tinha preparado durante 3 meses: estava a correr os meus primeiros 21km!

Foto Rock'n'Roll Portugal Half Marathon

Mal tinha entrado no meu momento zen e já estava a descer à terra com problemas técnicos.  O meu relógio não queria colaborar, eu ligava o cronómetro e passado uns segundos ele parava sem ninguém lhe tocar, depois recomeçava, tornava a parar... Como é que ia correr a minha primeira Meia sem saber a quantas andava??! Entendi que era pelo melhor e desisti de tentar resolver a questão, não queria começar a prova enervada. Continuava a ter acesso à minha frequência cardíaca, teria de servir.

A ligeira subida inicial que me preocupava, nem dei por ela. Aliás, quando dei conta apareceu o marcador do km1 e ouço alguém comentar "5.45 minutos ao km, é um bom ritmo". O quê?! 5.45 min/km para mim nesta distância não é um bom ritmo, é de loucos! Estava a apontar mais para os 6.45min/km (não, o meu pace para a meia maratona não era ambicioso) e então forcei-me a abrandar. Claro que provavelmente depois abrandei demais, mas na altura não me preocupava com isso, estava a correr 21km e à saída da ponte estava a primeira banda a actuar. Let's Rock!

Muita gente, muitas conversas paralelas, pessoas que param para fotos, atropelamentos... tudo isto até ao km5 onde os atletas da Mini viram à esquerda para a Meta e os da Meia seguem em frente. Tive um momento de orgulho parvo, por seguir em frente e ir fazer a prova GRANDE.

Nisto oiço uma voz familiar a chamar: "estás a ir muito lenta!" - era o meu irmão, que fofo... Que bom que pude contar com o teu apoio fraternal, obrigadinha, sim? (Estou a brincar, gostei da surpresa).
Apesar de estar na brincadeira para me picar (ele próprio não corre nem 1km), não deixava de ter razão em relação ao eu ir devagar. Naquela altura não fazia ideia do tempo e não queria estar a abusar de início. Além disso, estava a adorar a experiência e se pudesse evitar muito sofrimento, melhor!

Perto do km8, novo palco com actuação de uma nova banda. Uma senhora que no passeio dá apoio aos atletas grita: "Força, já falta pouco!" e eu sorrio. É tudo uma questão de perspectiva.

Acho que foi pouco depois que comecei a avistar os primeiros atletas da prova de Cadeira de Rodas. Vários aplausos de todos os participantes, achei bonito.

Passo por um rapaz, sozinho, que não deveria ter mais de 15 anos e estava a correr de ténis All Star (!!). Perguntei-lhe se ia correr os 21km todos e ele diz que sim, mas que já ia com duas bolhas nos pés. Não admira, os All Star queimam os pés só de andar muito tempo com eles, quanto mais correr! Não era de todo o calçado mais adequado. Ainda seguimos durante um tempo lado a lado, mas depois parou para caminhar e não o tornei a ver mais. Não sei se terminou a prova, espero que tenha ficado bem.

Daí para a frente fui sempre junto a um grupo de homens que iam a discutir o jogo do FCP da noite anterior. E com grande fervor! Ao menos serviu de distracção durante uns quilómetros, enquanto ouvia as diferentes descrições contraditórias dos lances. Eventualmente acabei por passá-los (vou lenta mais ainda passo outros atletas, ouviste mano?) e vou encontrar o meu pai à minha espera pouco antes do viaduto de Santa Apolónia (+/- km11). Foi um bom apoio antes da inclinada subida, que assim acabou por não custar tanto.

Foi em cima do viaduto, ao ver o rio ao lado e o mar de atletas que se estendia para trás e para a frente, que tive uma epifania: estou mesmo a correr uma Meia Maratona. É claro que já estava a correr a Meia Maratona há 11 quilómetros, mas só ali é que me apercebi de que metade já tinha passado e do bem que me estava a sentir. Faltavam apenas 10km, a partir dali já era contagem decrescente, talvez fosse mesmo conseguir o sempre quis: não parar e terminar contente.

Cerca do km 12,5 era o ponto de viragem e só o facto de saber que já estava no lado dos que estão a "regressar" ajudou a nível psicológico. As minhas pulsações não passavam dos 165 bpm, o que para mim é muito bom, já que geralmente em provas chegam a atingir os 180. Estava calor, mas a respiração estava estável. Tinha bebido água em todos os abastecimentos e, apesar de não gostar muito, um copo de uma bebida energética. So far so good.

Confesso que subir novamente o viaduto, já no km14, custou-me um bocadinho nas pernas. Mesmo assim fiz questão de não parar. Não.podia.parar. Ponto de honra.

Foi no km16 que encontrei o João "Ganfas" e acabámos por ir um bocadinho à conversa (eu ainda conseguia conversar, nada mau!). Foi uma boa ajuda para ultrapassar aquela fase mais crítica dos 16 aos 18km. Lembro-me de ao chegarmos à placa dos 18km ter comentado que nunca tinha corrido para além disso. Era terreno desconhecido, mas continuava a sentir-me relativamente bem.

Foi já depois do km19, na subida para a rotunda da CUF, que as pernas começaram a revelar o cansaço. Não posso dizer que tenha esbarrado com o famoso "muro", já que continuei a correr, mas mentalmente tornou-se mais complicado. Já nas minhas provas de 10km é assim: enquanto que para a maioria das pessoas o/s último/s quilómetro/s dão um novo impulso, para mim tornam-se um longo arrastar de "mas onde é que está a meta". Desta vez não foi diferente.

Ao meu lado, um homem enfrenta o mesmo debate mental que eu. Vira-se para o amigo e diz que não aguenta mais, que tem de parar. O amigo responde-lhe que é tudo psicológico, que se correu 20km consegue correr mais um. "São mil metros,  que é isso? Não desistas agora". Ele tem razão, muita da luta é mental, mas o amigo, com dores devido a cãibras, acho que acaba mesmo por parar.
Mas eu não posso parar. Faltam 1000 metros, mais ou menos mil passos que me separam do objectivo. Lembrei-me do vosso apoio, do cartaz (a sério, sempre que me lembrava fazia-me rir!) e consegui continuar. O meu pai separa-se de mim junto à entrada do C.C. Vasco da Gama e diz "Faltam menos de 500 metros, segue!". Um último esforço e ao virar à direita e começar a descer para a Meta sabia que já estava: ia completar a prova sem parar.

Tentei ganhar um bocadinho de velocidade, para terminar "bonito", e oiço alguém a gritar o meu nome. Eram os "viciados em corrida", que obviamente já tinham terminado a sua prova há séculos e que se preparavam para ir embora, mas ainda tive a sorte de receber o seu incentivo. É engraçado, porque horas depois ao falar com a Carla, ela diz-me que eu já devia estar mesmo cansada porque ia a correr devagarinho... E eu que pensava que ia a voar para a Meta!! Realmente, 20km em cima das pernas tornam o conceito de velocidade muito relativo... :)

Um último esforço, ultrapasso dois homens que me estão a bloquear a chegada triunfal, aceno para a foto, falta só mais um bocadinho e já está!

Um senhor estrangeiro, que incentiva os atletas, vira-se para mim e diz: "It's your day!"

Cortei a meta. Sou Meia Maratonista!


Demorei 02h25. Sei que a nível competitivo não é um tempo nada de especial, mas a nível pessoal são das 2 horas e 25 minutos mais orgulhosas da minha vida.


Tem toda a razão, simpático senhor estrangeiro: It's my day!



(Como o relato foi longo, volto depois com as considerações finais, emoções pós-chegada, gabar também a prestação da minha companheira estreante e para dizer se afinal o tão falado "runner's high" sempre é real ou não.)