30 de novembro de 2012

Limpezas a solo, corridas a pares

 
Antes de mais, MUITO OBRIGADO pela vossa partilha de experiências e informação no post anterior. Claro que nestas coisas cada um tem as suas preferências, mas graças a algumas dicas consegui reduzir o meu leque de escolhas e ontem estive a fazer as últimas pesquisas. Não nego que vai ser uma opção um pouco condicionada pelo orçamento, mas penso que me vou adaptar bem. Este fim-de-semana espero concluir a Demanda do Santo Garmin.


 

Eu gosto de correr no tempo frio, não me custa tanto sair como quando está um calor insuportável no Verão, embora vá na mesma. No Inverno é uma questão de me  vestir por camadas e depois correr para aquecer! Também tenho a sorte (?) de correr numa cidade em que nunca, ou raramente, está aquele frio, frio em que custa a respirar e nos enregela os pulmões, por isso não sei como me daria nessas condições. Mas este ano vou, pela primeira vez, correr na Serra no mês de Dezembro, depois logo comunico a experiência.

Estou a falar nisto porque ontem apanhei outra molha sem estar à espera. Eu sei que disse que gosto de correr à chuva, a Mãe Natureza deve ter-me ouvido e como tem um sentido de humor perverso agora faz-me sempre a vontade, mesmo quando não estou preparada para tal.

Os últimos dias têm sido um bocado ocupados, por isso, exceptuando a mini-corrida de terça, não tenho tido grande tempo. Na 4ª-feira passei a noite a fazer limpezas (eu sei, divertido) porque apesar de ser só eu, juro que deve haver uns seres da desarrumação que se infiltram aqui em casa quando não estou e tiram as coisas do sítio, porque só isso justifica o tempo que tenho de perder a limpar uma casa tão pequena, sobretudo se quero ter os fins-de-semana mais ou menos livres. Mães de família: admiro-vos, porque não deve ser nada fácil conjugar tudo e ainda terem tempo de sair para fazerem exercício.
Quando é apenas uma pessoa está bem que não se suja tanto mas, por outro lado, também sou só eu a limpar... O que dava jeito de vez em quando era uma fada das lides domésticas cá para casa.

:)


Assim já podia sair para correr quando quisesse, descansadinha, sabendo que a casa ficava bem entregue.


Mas ontem, aproveitei que tinha companhia e fui treinar já era de noite por ruas diferentes das habituais. Apesar de não ser adepto de provas e competições, o amigo que me acompanhou acha que fazer 10km em 50 minutos é uma "coisa leve"... Lá deveria estar mais cansado ou com vontade de fazer um jogging de recuperação e então veio correr comigo.
Os primeiros quilómetros foram chatos, pois tivemos de atravessar algumas estradas e parar em sinais, mas depois chegámos a um parque onde deu para correr em asfalto, empedrado, ciclovia (não havia ciclistas, juro!) e terra batida. Tinha algumas subidas jeitosas, por isso a conversa estava a ser praticamente um monólogo por parte do meu amigo, no qual eu intervinha ocasionalmente com sons indistintos de concordância. Fui uma bela companhia.

O que interessa é que ele teve o seu treino "mais leve" e eu um treino razoavelzinho.

Treino de quinta:

- Noite
- Chuva (súbita e inesperada)
- Distância: 8,5km
- Bpm médio: 164
- Calorias: 609


Para mim foi bom ter uma companhia que puxasse por mim, mas e quando é ao inverso, ter de se controlar o passo por alguém mais lento? Vocês não se importam? (Sejam sinceros!)
Eu tenho algumas amigas que correm mais devagar e não me importo de lhes fazer companhia. O problema é que não têm também tanta resistência e então são sempre corridas muito curtas, com caminhadas pelo meio. Não são dias de treino, são dias de convívio.
Espero que ontem tenha sido um treino para os dois lados, porque eu, na minha companhia sem fôlego, não fui lá grande coisa no convívio.

Sabem o que é uma boa comida de recuperação pós-treino?

Castanhas!

Estou a brincar, não sei se é uma boa comida para o pós-treino, mas soube-me bem.



Bom fim-de-semana!



28 de novembro de 2012

Encontros imediatos num treino e uma pequena ajuda sff


Ontem fui apanhada de surpresa pela chuva na corrida de final de tarde. Não levava o impermeável, apenas um corta-vento, e estava muito frio. Corri apenas 5km, mas a uma velocidade desconfortável, por isso conta como treino de velocidade (não é?).

No entanto, apesar de curta, não foi uma corrida isenta de mais surpresas, porque tive um encontro imediato de primeiro grau inesperado.

Quando a meio do treino me estava a preparar para beber água num dos inúmeros chafarizes, avisto um pouco mais à frente, no caminho que vira à esquerda, um pequeno animal peludo a focinhar nas folhas secas que, por breves segundos inocentes, pensei: "Awww, é um gatinho pequenino...".

Não era um gatinho.

Nem era um coelho, apesar de parecer, ao afastar-se aos saltinhos depois de me pregar um grande susto eu o assustar. Eehhhhhh... Gosto mais da vida selvagem do campo...


Apesar de a foto abaixo quase passar por totalmente verdadeira, devido aos meus elevados dotes artísticos :), trata-se apenas de uma recriação do sucedido, onde desenhei a ratazana no local do crime, para melhor visualizarem o acontecimento.



Vou passar a evitar estes caminhos mais estreitos, que deixam pouco espaço por onde fugir. Para o pobre bicho, claro, que eu não tenho medo (um bocadinho...).


Treino de terça:

- Final da tarde
- Chuva
- Distância: 5km
- Bpm médio: 163
- Calorias: 350



E agora precisava de ajuda vossa, sobretudo de quem já tem relógio gps.

Já sabem que estou a pensar comprar um agora, para me surpreender a mim mesma, como prenda de Natal. Como este tipo de coisas não são propriamente baratas, tenho andado a ver sites, vídeos e críticas aos diversos modelos, já que é um tema de que percebo muito pouco.

*A quem estiver à procura de algo do género, aconselho os Product Reviews do site do DC Rainmaker (ing.) que, na minha opinião, são muito informativos e claros, mesmo para leigos como eu, destacando bem os aspectos positivos e negativos de cada um, adequando-os aos objectivos de quem adquire*

Enquanto por um lado tanta informação me ajudou - descobri que o Garmin FR110 que tinha em mente não tem duas funções que para mim são importantes - por outro lado confunde-me mais. Depois de ler e comparar tinha quase a certeza de que o FR210 é que era! Até ver o preço... É ainda mais caro que o FR410, que estou reticente devido à sua característica do "rebordo táctil"... Alguém tem este modelo? É fácil mexer com ele em andamento e com as mãos transpiradas?

Para quem, como eu, não precisa cá de grandes funções a que não vai dar utilização e tem o orçamento limitado, podem haver por aí outras opções mais acessíveis que desconheça. Não tenho necessariamente de adquirir um Garmin, embora seja a gama que conheço melhor.

Basicamente, um relógio que controle:
- Tempo/distância
- Velocidade média
- Ritmo/cadência
- Frequência cardíaca
- Altimetria (preferencial)
- Permita criar um treino intervalado, para os raros momentos em que me apetece (preferencial)
- Resistente à agua (no sentido de não começar logo a ficar com o ecrã embaciado com uma pequena chuvinha, que já sabem que eu sou uma rapariga que gosta dos seus treinos à chuva)

E acho que é isto.

Ah, pronto, também preferia que não fosse enorme, que eu já tenho um pulso pequenino, mas isso é apenas um pormenor estético, não é eliminatório.


Que relógio, se algum, têm? Estão contentes com a vossa escolha?
Algum relógio em super-promoção de que ainda não tenha conhecimento e que me vai deixar muito feliz este Natal? :)


Partilhem, sff! Obrigada.



26 de novembro de 2012

Corrida num domingo de chuva

Domingo de manhã. Amanhecer cinzento. Chove lá fora.
Estico o braço e carrego num botão ao acaso no telemóvel, o que faz com que ele páre de vez ou adie (depende da sorte) o alarme.
 
- Estou tão quentinha aqui, não quero sair...
- Sais sim, levanta já esse rabo da cama!
- Ontem deitei-me tarde, preciso de dormir.
- Fazes uma sesta depois à tarde.
- Não gosto de dormir à tarde.
- Se não te levantares agora arrependes-te depois.
- Mas está a chover...
- Não és tu que estás sempre a dizer que 'adoras' chuva, que correr à chuva é que é bom?
- Sim, mas...
- Siiiinging in the rain, just siiiiiiiinging in the rain, what a glo...
- CALA-TE!
- Ou te levantas ou sigo a cantoria. Siiiiingin...
- Pron-to, está beeem... Já estou a sair. Chata.
 
Eu tenho sempre argumentos muito bons, nunca perco uma discussão comigo própria.

 
Salto da cama, abro a persiana para deixar entrar a pouca luz. A vizinha do rés-do-chão aproveita a água da chuva para, com uma vassoura, limpar o terraço. Olho para o relógio, são 07h48. Parece madrugada.
 
 
Desperto com o cheirinho do café a ferver na cafeteira. As cápsulas dão muito jeito mas são para as alturas de pressa, esta manhã é para saborear. Se as torradas já são um pequeno-almoço bom num dia normal, num dia de chuva então é perfeito. Como ao som da chuva que continua a cair. Forte. Resolvo esperar mais um bocadinho.
De comando na mão avanço os canais sem lhes fazer muito caso. Nada de jeito. Desligo a televisão e pego no livro que deixei suspenso na noite anterior antes de dormir. A chuva não há meio de abrandar. Começo a considerar sair mesmo assim e assumir a loucura. Espreito mais uma vez pela janela. Já estou acordada há mais de 1 hora, começo a pensar que mais valia ter ficado a dormir...

9h45 avistam-se umas breves tréguas, se não na chuva, na intensidade; é agora ou nunca.

Ténis calçados, impermeável vestido. Peguei no boné, agora numa função adaptada de protector de chuva e frio, e saí.



Os primeiros quilómetros custam a passar. Não aqueci, sinto as pernas presas e sigo a passinhos curtos. Estão mesmo a custar-me estes primeiros quilómetros... Concentro-me na respiração, na chuva miudinha que cai, nas cores. Ligo o rádio no mp3. Parece resultar e as coisas daí para a frente já fluem melhor.

Surpreendentemente, há muita gente a correr. Nos seus impermeáveis amarelos, vermelhos, verdes fluorescentes que alegram as cores deste dia cinzento. Estão também mais sorridentes (ou será impressão minha?) e mais generosos nos seus "- Bons dias". Se calhar é para contrastar com o mau tempo exterior. Ou, então, é por ser mais tarde do que habitualmente corro e as pessoas a esta hora já estarem mais despertas.

Chego ao passeio dos pescadores. Eles estão cá sempre, faça chuva ou faça sol, de canas estendidas num jogo de paciência que nunca soube jogar.  Sempre quis tudo para agora, para ontem, mas agora começo a entender a sabedoria de quem lança o isco e espera, na certeza de que o peixe, hoje ou amanhã, morde sempre. Será esta a quietude que sempre dizem que chega com o passar dos anos? Há dias em que me sinto tão miúda ainda, com tanto para aprender e fascinada a cada coisa nova que descobre. Outros dias sinto em mim o peso dos anos que ainda não tenho, e perco-me em reminiscências de tempos e pessoas que já não voltam. Sou feita de contradições, perdida numa idade indefinida (a da alma, que a do corpo sei-a bem...).

Passa por mim uma rapariga de casaco rosa-choque, a correr de cabelo comprido e solto, de headphones. Sempre estranhei ver uma mulher a correr de cabelo solto. Não lhe faz calor, não transpira? O cabelo não se enrola num emaranhado enriçado? Não chega a casa numa juba frisada e húmida, sobretudo com esta chuva? A verdade é que ela lá seguia, numa elegância que eu, de boné e rabo de cavalo descomposto, invejei.
Foi assim que, pouco depois de 5km  percorridos, uma mancha rosa-choque que avistei ainda lá longe me retirou dos meus pensamentos profundos e despertou as considerações mais fúteis. É uma coisa fascinante a mente humana e a forma como facilmente divaga.

Paro para beber um pouco de água e continuo a correr. A ideia para hoje era fazer pelo menos 15km, mas a chuvada que agora começou a cair mais forte começa a fazer-me mudar de ideias. Sinto o "impermeável" colado à pele gelada dos braços, da pala do boné encharcado caem pingas de chuva, e as pessoas por quem passo, encolhidas, já não dão os bons dias. Os pés que tinha conseguido manter secos, pisam agora poças que alagam todo o caminho e sinto o desconforto de cada passada. O lado bom? A minha velocidade aumentou consideravelmente.

Km 11, passa um par de bicicletas por mim, cujas rodas levantam ainda mais a água, molhando-me as pernas. Não estivesse já eu toda encharcada e ficava furiosa. Do outro lado do passeio vem um senhor velhinho, a correr com os seus ténis, impermeável comprido e chapéu de um material plástico, que o protege da chuva. Arrisco dizer que terá os seus 75, 80 anos e vem com o ar contente e, ao mesmo tempo, comprometido, de uma criança que vai para casa a correr à chuva e saltar poças e sabe que vai levar um raspanete por estar toda molhada. É assim que da quasi-fúria passo ao sorriso. Como será que vou ser se tiver a sorte de chegar à idade deste senhor? Será que ainda terei saúde para correr? Estarei contente com a vida que construí? Se tiver netos, vou ser daquelas avós que leva os netos a passear, a correr pelos campos, brinca e se perde numa segunda-infância com eles? Quase de certeza que sim.

Nova carga de água traz a consciência do meu estado actual. Não estou nada cansada, mas sinto pingos gelados a escorrer pelo corpo e não é confortável. Olho para o relógio. Vou almoçar fora, ainda tenho de tomar banho e não sei o que vestir... Novamente as coisas mundanas da vida a interporem-se a um bonito estado contemplativo. Viro à direita, na rua que me levará sempre a subir até casa.

Entro no prédio e fecho a porta à chuva lá fora. Deixo pegadas molhadas de duas em duas escadas, que terminam no 2º andar.

Descalço-me para entrar em casa e atiro os ténis cheios de terra húmida para um canto da varanda. Vejo no telemóvel que corri 13,4km. Lá terá de chegar.

Ligo a água do duche. Não há dia de corrida à chuva que não seja reconciliado com um banho quente. Adoro estas corridas.


Foi assim que, mesmo antes de o escrever, nasceu este post.


Corrida num domingo de chuva:

- Manhã
- Distância: 13,4 km
- Bpm médio: 162
- Calorias: 891



23 de novembro de 2012

Prendas para corredores

 
Ontem foi dia de agradecer e hoje é dia de pedir. Para terminar a semana em grande. 
Apropriando-me de outra tradição além-mar, a Black Friday, que inaugura com grandes descontos a época de compras natalícias, deixo abaixo uma lista de presentes que fariam o corredor da sua vida muito feliz.
 
Notem que eu, diplomaticamente, apelidei a lista de "Prendas para Corredores". Mas, na verdade, o que vou fazer é introduzir aqui e ali algumas mensagens subliminares em relação a prendas que eu gostaria de receber, não vá dar-se o caso de algum familiar estar a ler-me e as dicas que tenho vindo a dar nos últimos tempos, presencialmente e por telefone, não terem sido suficientes.

 
Assim sendo, e de uma forma genérica, aqui fica um rol de coisas, das mais acessíveis às estupidamente caras, que fariam um corredor feliz:

 
1 - Relógio com GPS

A marca é um pouco indiferente, já que cada um tem as suas preferências pessoais mas, para mim, gostaria que viesse já com HRM, para depois não ter de andar com dois relógios.

Amazon

2 - Equipamento de corrida para o Inverno

Pode ser na forma de um bom impermeável ou camisas técnicas de manga comprida.

Asics
(Tamanho M, sff.)


3 - Acessórios de corrida

Aqui há muita opção de escolha. Pode ser uma bolsa para transportar as chaves e o telemóvel à cintura, umas luvas, um boné... ou uma braçadeira, por exemplo.

Decathlon
PS: A minha actual braçadeira já está com o velcro muito fraquinho...


4 - Rolo de massagem

Confesso que já tinha lido sobre isso, mas nunca lhe tinha reconhecido muita utilidade. No entanto, quem usa diz que faz maravilhas pelas dores musculares e prevenção de lesões. Ver aqui sugestões de como utilizar um rolo de massagem.


5- Voucher de massagem profissional

À falta de um utensílio, podem sempre oferecer uma sessão de massagens.


6 - Hidratação

SportsDirect


Já referi alguns exemplos aqui. Um acessório para transportar a água durante as corridas dá sempre jeito.


7- Barras energéticas e/ou bebidas isotónicas


8 - Roupa de compressão

Sendo, o mais habitual, as famosas meias.

Decathlon

(A da imagem é uma perneira, mas a ideia é a mesma)


9 - Auriculares
Fnac

De preferência com este tipo de formato, para não escorregar durante a corrida.


10 - Livros inspiradores

Como não podia deixar de ser, para alguém que, como eu, adora ler. Junte-se a leitura ao tema das corridas e fico contente a dobrar.

Falei do "Correr ou Morrer", de Killian Jornet, aqui e do "Auto-retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo", de Murakami, aqui. Mas há muitos outros.


Amazon

(Mano, se me estiveres a ler, adiciona mais este à lista dos que já te pedi.) A biografia da minha "ídola" do Ironman, a Chrissie Wellington. A rapariga que ganha aquilo tudo, a sorrir.


11 - Cheques-prenda para inscrições em corridas

É fácil uma pessoa deixar-se entusiasmar ao olhar para o calendário de corridas e querer participar em todas.



Mas como, infelizmente, não pode ser (pelo menos para mim não pode), acho que deveriam criar-se vouchers de oferta para serem descontados em corridas à escolha.

Xistarca, Terras de Aventura e outros... pensem nisso!


12 - Apoio moral

Mesmo não havendo dinheiro, a disponibilidade é muito (e a maioria das vezes mais) importante. Comprometam-se - ponham por escrito, se necessário - a acompanhar o corredor da vossa vida numa prova importante para ele. Estejam lá, levem garrafas de água, gritem, levem até um cartaz se for preciso. Vai fazer toda a diferença.

Se precisarem de ideias... aqui.

...



Esquecendo a actual situação nacional, troikas e essas chatices todas. O que quereriam vocês receber este Natal? Alguma coisa a adicionar a esta lista?


Bom fim-de-semana!

 

22 de novembro de 2012

Thanksgiving

  


Hoje é dia de Acção de Graças. Por cá não temos essa tradição, mas como hoje é um dia bom como qualquer outro, fica aqui a lista das coisas pelas quais estou agradecida:

- Obrigada por hoje ter começado a trabalhar mais tarde, o que fez com que tivesse tempo de ir correr de manhã e deixar o treino do dia "despachado".

- Obrigada por ter sido uma corrida maravilhosa, em que não me senti cansada e os 8km passaram num instante.

- Obrigada pelo senhor carteiro, que finalmente ontem chegou com uma encomenda para mim, e por isso pude novamente controlar a frequência cardíaca durante o treino.

- Obrigada ao senhor da loja que me arranjou o meu velhinho pulsómetro, mesmo já sem estar na garantia, e de forma gratuita (sou cliente habitual, mas ele não tinha essa obrigação).

- Obrigada pelo solinho e vento gélido frio que me batiam na cara e fizeram com que despertasse muito mais depressa do que o meu habitual (lá para as 11h da manhã, mesmo quando começo a trabalhar às 09h...)

- Obrigada pelo café.

- Obrigada por ter podido tomar o pequeno-almoço sentada e com calma, em vez de agarrar em qualquer coisa a correr e sair porta fora.

- Obrigada pelo jantar ontem com o meu irmão, que é a pessoa mais capaz de me irritar e fazer rir em quantidades proporcionais, e isso é bom.

- Obrigada, se me permitem continuar a ser lamechas, por ter nascido na melhor família do mundo. É um jackpot pelo qual estou agradecida todos os dias, mas nem sempre (quase nunca) o demonstro.
 Mea culpa.

- Obrigada à colega que hoje apareceu com uma caixa de chocolates "Garoto" e a deixou à disposição de toda a gente (hmmmm.... não sei se devia agradecer por isto, mas agora estou embalada).

- Obrigada pelo meu corpo saudável, que me permite trabalhar, passear, fazer exercício, às vezes sendo testado um bocadinho mais do que a conta, mas sem se queixar (muito).

- Obrigada em especial às minhas pernas, que há já quase um ano se viram obrigadas a começar a correr com frequência e que têm aguentado de forma positiva o teste à sua anterior vida mais sedentária, mantendo-se livres de dores maiores, mesmo quando massacradas.

- Obrigada ao blogue, que já me fez conhecer pessoas espectaculares, que me dão confiança a ultrapassar limites.

- Obrigada pelos 20 minutos de intervalo que me permitiram vir aqui debitar esta lista (e beber café).

- Obrigada aos senhores da tmn, que acabaram de me mandar a 313ª mensagem do dia, a avisar que passou o prazo de carregamento e que tenho de carregar o telemóvel para continuar a fazer comunicações. Eu sei que se preocupam com a minha vida social.

- Obrigada por muito mais coisas que não me ocorrem agora.

- Obrigada por ser uma sortuda, que vê coisas pelas quais agradecer em todo o lado (embora haja dias em que custe mais que outros, há que admitir).


Alguma coisa que queiram agradecer hoje?

Tenham um bom dia!


Treino de hoje:

- Manhã
- Sol, frio
- Distância: 8km
- Bpm médio: 162
- Calorias: 424



21 de novembro de 2012

Metas e novas partidas

 
Como no post anterior se falou das coisas que alguns corredores fazem e que as outras pessoas não acham "normal", fica aqui o link para um artigo da revista Sábado: «As maiores loucuras que eles fazem por corridas». Já fizeram algo do género? Vá podem confessar, que por aqui somos todos solidários.
 
Ontem estava tão mentalmente exausta ao fim do dia que tive um dos treinos mais estranhos dos últimos tempos. Acho que meti o piloto automático, porque não me lembro quase nada da corrida. Penso até que devo ter dormido um bocadinho durante o percurso. O que interessa é que, mesmo alheada, a minha mente ia atenta, porque regressei sã e salva ao meu bairro após cerca de 35 minutos de corrida (não sei quantos quilómetros), e ainda me lembrei que precisava de passar na mercearia antes de ir para casa. Há muito tempo que não ia lá comprar fruta depois de um treino, toda transpirada, e acho que eles estavam com saudades (ou não).

E como no post anterior ao anterior se falou de sonhos e objectivos, partilho já a data da minha 2ª Meia Maratona: 24 Março 2013. Por isso, se nada acontecer até lá, daqui a 4 meses vou estar a correr a outra grande ponte da cidade de Lisboa. Não sei porquê, mas sinto que tenho de despachar as duas pontes primeiro antes de avançar para novos desafios (as pontes no Porto, talvez, ihih).

Mesmo antes de cruzar a meta da primeira Meia Maratona, eu já sabia que ia querer correr outra o mais breve possível.
 

Podemos correr 10km quase todos os fins-de-semana, são provas rápidas (para uns mais do que outros, vá), mas para 21km já temos de esperar mais tempo. Gostei do ambiente, da antecipação, do facto de ter treinado 12 semanas para chegar ali, de ter dado luta, de mesmo sendo uma "atleta" de fim de pelotão ter conseguido correr uma distância que muita gente nunca vai tentar na vida. E foi por isso que eu fiquei com vontade de mais.

Ânimo.

Sim, acho que foi isso que senti. Ânimo. Aquela força que nos impele a avançar. É uma sorte sempre que na nossa vida sentimos ânimo a fazer mais e melhor, já o senti antes em outras vertentes, por isso fico contente por no dia 30 de Setembro ter sentido isso também em relação à corrida.

Eu quero correr outra meia maratona.

Não, eu preciso de correr outra meia maratona.

Saber se foi apenas uma coisa de momento ou se posso, como eu estranhamente não tenho dúvidas, fazer melhor e repetir aquele momento fantástico em que nos sentimos invencíveis.



É sol de pouca dura, mas vale a pena!

- "Tenho de entregar um texto com 30 e tal páginas até amanhã às 8:00? Pffff, o que é isso? Eu acabei de correr 21km..."

- " Aquele EE é uma besta e só me apetece espetar-lhe um murro na cara, mas faço um sorriso, porque acabei de correr 21km..."

- "Preciso de estar numa reunião importante às 16h30 e são 16h29 e ainda estou a 4km presa no trânsito? Sem stress, eu acabei de correr 21km..."

-  "Que se lixe, até posso sair e CORRER até lá. Saltos altos e tudo. Afinal, são 4 km..."

Tudo pensamentos que podem ou não ter passado pela minha mente no dia 01 de Outubro.

E isto sendo apenas uma Meia, imagino todos vocês maratonistas e ultras (e todos os que superam provas e experiências para as quais trabalharam muito).


Claro que depois a euforia começa a desaparecer e é aí que uma pessoa tem de perseguir o próximo desafio.


Acho que 2013 vai ser um bom ano. (É bom que seja, 2012 deixou muito a desejar até agora... mas ainda está a tempo de se redimir. Estás a ouvir 2012?)

Os vossos próximos desafios?

 


19 de novembro de 2012

Exercício do fim-de-semana

O Natal está a aproximar-se, e com ele as prendas e a comida. Toda aquela comidinha boa a que uma pessoa não pode resistir. Nem quero. Por isso é que tenho de ganhar espaço para o espírito natalício.
Estou a brincar, faço exercício porque gosto e o resto é um (bom) acréscimo.

Como o fim-de-semana começa sexta-feira mal pomos um pé fora do local de trabalho, quando cheguei a casa arrisquei sair para correr um bocadinho, apesar do tempo não estar agradável. Não choveu, mas estava uma ventania desgraçada. Junto ao rio, as ondas chegavam a atingir o passeio onde corro. Confesso que o tempo me incomodou um bocadinho; só passei por um outro corredor (coisa rara), não se via ninguém nas ruas e estava escuro, por isso encurtei o treino.

Quando voltei a casa, como ainda estava cheia de energia, tentei fazer um daqueles vídeos de Zumba de que as meninas tanto falam e só tenho a dizer que: vocês são loucas! Como é que conseguem orientar-se no meio daqueles passos todos e, mais importante, como coordenam com o acto de respirar? Se calhar escolhi uma aula mais avançada (este é o meu orgulho a querer justificar-se)... Bom, acabei por optar antes pelos vídeos do The Beach Bum e, como não queria cansar muito as pernas, fiz apenas a sequência de braços e abdominais.

Treino de sexta:

- Final da tarde
- Vento, frio
- Distância: 5km  aprox. (bónus de corrida determinada por ter enfrentado a intempérie)
+
- Sequência de abdominais e braços
- Alongamentos

 
 Sábado foi dia de passeio e caminhadas...


e noite de descanso porque no domingo aguardava-me um treino de cerca de 18km na companhia do João Lima, Isa e Gi, que trouxe também dois amigos.

O ponto de encontro foi no Cais de Sodré às 09h30, de onde arrancámos em direcção a Algés. Nem dei pelo passar dos primeiros quilómetros e, quando me apercebi, já estávamos na zona do Mosteiro dos Jerónimos, onde nos aguardava o 1º abastecimento, providenciado pela esposa do João. Quando chegamos perto de Algés e temos de voltar tudo para trás é que se torna mais chato. É que parece que nunca mais chegamos ao Cais de Sodré, apesar de ser o mesmo número de quilómetros... O desgaste mental das grandes rectas. Contudo, ainda ia bem, mas sentia as pernas anormalmente cansadas.

Até ao km14 foi mais ou menos pacífico. Passámos no Terreiro do Paço e as pessoas sentadas na esplanada lembraram-nos coisas boas: gelados! Do que nos fomos lembrar! Ainda fomos ali um bocado a falar de sabores preferidos de gelados da Santini, o que resvalou para chocolate e tipos de chocolate favoritos. Agora, em vez de serem as pernas a queixarem-se era o meu estômago, o que foi bom para variar um bocadinho.
Entretanto, começámos uma pouco inclinada mas ininterrupta subida que se manteve até ao ponto de chegada na Alameda (para mim e para a Isa, já que os restantes seguiriam mais uns quilómetros). Na Praça da Figueira "perdemo-nos" da Gi e dos amigos, que entretanto já iam mais ligeiros. Os últimos três quilómetros já me estavam a custar um bocadinho e só me vinha à cabeça a frase do burro do Shrek  (versão brasileira): "a gente já chegou?".

Finalmente, chegados à Alameda despedimo-nos do João, com 18,6 km feitos. Ahh, é tão bom aquele cansaço de final de corrida longa!


Treino de domingo:

- Manhã
- Sol, vento
- Distância: 18,6km
- Cais de Sodré-Algés-Terreiro do Paço-Alameda

 
Isto de ter corrido uma Meia Maratona, mas sobretudo de ler e seguir muitos blogues de corrida, inclusive de maratonistas e ultramaratonistas, transtorna-nos um pouco a noção de grandes distâncias. Ainda há uns tempos pensaria "18km, está tudo louco!", mas agora penso "ok, é um treino longo, mas não assim tãooo longo". Só quando alguém fora do "mundo da corrida" me pergunta quantos quilómetros fiz e depois da resposta fica a olhar para mim como se estivesse a questionar a minha sanidade mental é que eu me apercebo de que 18km não é propriamente uma distância de gente "normal". As minhas pernas concordam, mas a minha cabeça está convencida de que habita o corpo de uma maratonista olímpica e não há maneira de a fazer ver o contrário.

Quando começaram a evoluir na corrida também não foram mudando o vosso conceito de distância longa?

Uma coisa positiva é que eu acho que as pessoas que correm têm memória curta em relação à dor, pelo que, quando cheguei a casa, já achava que poderia ter perfeitamente corrido os 21km em treino na boa... (é delírio).

Este treino foi também bom para ficar a conhecer o restante percurso da Maratona de Lisboa, já que eu vou estar presente! Calma... não é na Maratona "Maratona"... mas vou fazer parte de uma equipa de estafetas que divide a prova em quatro etapas. Em princípio, ficarei com a segunda etapa (dos 10km aos 21km) e tenho a honra de partilhar a prova com outras três mulheres atletas naquela que, na minha opinião nada tendenciosa, é a melhor equipa de estafetas presente na competição! :) Tenho a certeza de que, pelo menos, vai ser divertido. E vou ter muito tempo de apoiar os restantes colegas que irão participar.

Novidades despachadas, adiante.

Para tentar prevenir dores musculares a uma segunda-feira, que já de si não é um dia bom, depois de chegar a casa da corrida, almoçar e ir beber um café ao local mais próximo possível (+/- 200 metros) - onde passei umas duas horas porque não me conseguia levantar a conversa estava agradável - terminei o dia a fazer alongamentos na forma de yoga. Andei a pesquisar no youtube e encontrei algumas aulas de Yoga for Runners e acabei por fazer esta. São cerca de 20 minutos, dificuldade média, e serviu para me mostrar que ando a perder elasticidade, não pode ser. Avizinham-se mais vídeos de Yoga for Runners num futuro próximo.
 

 
Apesar de todo o esforço ao longo do fim-de-semana, hoje quando acordei ainda tinha o mesmo corpo de sempre. Não notei que a minha barriga estivesse mais definida, nem os meus braços mais torneados, nem as minhas pernas com mais músculo... Muito desapontada. Se leva mais do que um par de dias não sei se me quero dar ao trabalho. ;)

Por outro lado, também não tinha grandes dores musculares. Vou considerar isso uma vitória.

E vocês, muito exercício este fim-de-semana?

Hoje vai ser um dia off total de actividade física. Descansar faz parte do treino, não é o que dizem?


Boa semana!


 

15 de novembro de 2012

Before I die...



Já tinham visto alguma foto destes muros? O projecto Before I Die começou numa parede de uma casa abandonada em Nova Orleães e tornou-se um projecto de arte a nível global, repetido em muros de cidades um pouco pelo mundo fora (que eu saiba ainda não chegou a Portugal). Basicamente, consiste no convite à partilha dos nossos grandes objectivos e sonhos de vida, completando a fatídica frase: "Antes de morrer quero..."
 
Sempre que um mural fica cheio, é lavado (as frases são escritas a giz) e permite que mais pessoas continuem a contribuir com ideias pessoais ou objectivos comuns. As respostas variam entre as engraçadas: "fazer um rap com o Eminem", as pessoais: "conhecer o meu pai", as comuns: "ganhar a lotaria" ou generalistas: "Paz".
 
É uma pergunta que, apesar de simples, nos deixa sempre a pensar e acredito que mesmo quem nunca a tenha formulado em voz alta, já pensou para si qual seria o seu maior sonho na vida. Afinal, como diz o poema "Pelo sonho que é vamos".
Para mim, mais importante até que a concretização de um objectivo é o "trabalhar para", aquela sensação de motivação que nos deixa entusiasmados. Por isso é que sempre que risco um ítem da lista já estou a pensar noutro para o substituir! Acredito que mesmo que viva até aos 115 anos (totalmente possível) vou estar sempre à procura de mais experiências para viver. Haja saúde para isso (coisa nº1).
 
Alguns dos meus sonhos/objectivos de vida já partilhei neste post, mas ficam aqui outros dos menos pessoais e publicáveis:

Desporto
- Correr uma Maratona (aposto que este é uma surpresa para vocês!;) )
- Participar numa Meia-Maratona fora do país
- Acompanhar alguém na sua primeira prova
- Fazer um Trans-Portugal de bicicleta
- Participar num Ultra-Trail (ei, se não for difícil não é sonho!)

Outros
- Viajar no Expresso do Oriente
- Backpacking pela Austrália/Nova Zelândia
- Passar uma passagem de ano em Nova Iorque
- Voltar a Londres no Natal (e levar o meu irmão comigo, que gosta da época tanto quanto eu)
- Tirar um Mestrado/outra licenciatura naquilo que realmente quero e não no que me poderá dar melhores oportunidades de trabalho (f**k a crise!)
- Ensinar TEFL como voluntária

E outros tantos tantos tantos....

Como vêem, não há pedidos materiais... Regra geral prefiro as experiências embora, claro, haja algumas coisas que calhavam bem, entre as quais, e numa necessidade mais premente, um Garmin. Não sei se já tinha dito isso aqui... :)

O melhor disto tudo é saber que muitas das coisas podem levar muitos anos ou até nem chegarem a ser feitas e serem substituídas por outras, mas só o facto de ter vontade de as fazer deixa-me contente. (Não sei se é parvo, mas comigo funciona assim).


E porquê toda esta conversa agora? Porque hoje aproveitei uma folguinha na chuvada que caiu para ir correr um bocadinho, já que ontem não tinha corrido e estava com saudades, e quando estava quase a sair do bairro assisti a uma cena muito rápida e insólita, mas que poderia ter sido fatal. Estava a escurecer, mas apercebi-me de algo a cair da varanda de um dos prédios e estatelar-se cá em baixo com um estrondo enorme e a poucos centímetros de pessoas que iam a passar. Um vaso! Mas, atenção, um vaso daqueles de barro, pesadões... Não sei se terá escorregado devido ao vento e chuva, se alguém lá em cima se encostou e o desequilibrou (se foi isso, ninguém veio à janela acusar-se), mas já viram bem o perigo? As duas senhoras que lá iam a passar no momento ficaram mesmo transtornadas e depressa se juntou ali um grupo (o que não achei grande ideia, já que sabe-se lá se não poderiam cair mais coisas). Eu ia poucos metros atrás e pude ver tudo isto. Mas e se tivesse saído mais cedo de casa? Se não tivesse voltado atrás para ir trocar de phones? Passo por ali tantas vezes... Uma pessoa vai muito bem a pensar "epá, a ver se me lembro de comprar leite antes de voltar para casa..." e puf. Ponto.

Fiquei logo com os batimentos cardíacos alterados do susto. Depois quando comecei a correr deu-me para ter os pensamentos filosóficos partilhados acima. Quando voltei ainda lá estavam os cacos, já encostados a um canto entre um monte de terra e restos de plantas partidas.


Se bem se lembram, aí há uns tempos fui atingida por uma pinha. Mas pronto, sempre é uma pinha, não é um vaso de 10kg. Aqui está mais uma vantagem do trail running em relação ao correr na cidade, livra! Já não bastava ter de me preocupar com o trânsito...


Treino de hoje:

- Final da tarde
- Chuva
- 7km com algumas rampas (lá tem de ser...)
- Continuo sem relógio


Como já li em qualquer lado, a vida é mesmo um desporto de alto risco.


E vocês, algum sonho confessável?
 

14 de novembro de 2012

Pensamentos em duas rodas

Ontem tive a tarde livre e depois de ter tratado de uns assuntos pendentes fui... correr? Não. Andar de bicicleta!
É verdade, às vezes leio os vossos relatos bttistas e fico toda inspirada. Claro que depois a realidade é completamente diferente, começando na qualidade da minha velhinha bici, passando pela falta de trilhos bonitos aqui mais perto e concluindo na minha inepta falta de jeito para a coisa. Em cima da bicicleta sinto-me como um bebé a dar os seus primeiros passos, pernas rechonchudas e tremelicantes que quando iniciam a marcha instável sabe Deus quando e como vai terminar. As pernas rechonchudas e tremelicantes são, neste caso, as duas rodas que me sustentam, com a agravante de não ter ninguém de braços estendidos disposto a amparar a minha queda, caso se dê.
 
 
Geralmente, sempre que saio para os meus raros passeios em duas rodas, o pensamento que me assola a mente é:

Preferia estar a correr.
 
 
Andar de bicicleta não me é tão natural como a corrida. Exige mais coordenação, mais técnica, posso "atropelar" alguém... Mas sei que se algum dia quiser participar num triatlo (ahahah), tenho de ultrapassar esta insegurança.
 
Ainda não foi ontem que a ultrapassei. Mas, pela primeira vez, quando via alguém passar a correr não fiquei com inveja. Estava onde devia estar e a fazer o que devia fazer.
 
Sentia o vento frio a queimar-me a cara e as mãos nas descidas (não levei luvas - só para verem como sou uma "rookie" nisto), em contraste com as pernas a arderem-me nas subidas (ainda a experimentar com as mudanças e um dos manípulos está estragado - chique...). De certeza que de cima de uma bicicleta fico tão elegante e natural como um elefante de triciclo, mas isso não invalida que me imagine já toda ligeira, a descer ravinas e trilhos, num modelito a destacar o físico atlético que nunca tive, com uma daquelas barriguinhas de lavar roupa que nunca hei-de ter. Podia culpar aqui a genética, mas a verdade é que a quantidade de hidratos de carbono ingeridos dão luta aos quilómetros percorridos e a vontade de diminuir a sua ingestão é nula. Não faz mal. Mas como dizia: na minha cabeça o momento é perfeito e eu domino a máquina como uma profissional. Salto degraus, passeios, cruzo pessoas e obstáculos. A bicicleta é um prolongamento meu, que me ajuda a ir cada vez mais rápido, mais longe, e já não um aparelho instável que me atrapalha.
Quando o sol se põe, pego nela e levo-a de forma elegante e sem esforço (na verdade, não) montanha acima (na verdade, são dois andares) de volta a casa.

Imagem

Terça: Passeio de bicicleta -16.3km


Foi uma história bonita, mas acho que hoje volto às corridas.


Qual é o vosso cross-trainning?
 


12 de novembro de 2012

29º GPA Prova Cândido de Oliveira

Mais um domingo de prova que desta vez começa com o despertador a tocar um pouco mais tarde do que habitual, 8h15, já que a corrida era próxima. Estava solzinho lá fora, mas não se deixem enganar porque estava um frio... upa upa! Um "calor esquisito", como dizem alguns amigos meus. Ainda bem que não sou muito friorenta porque saí apenas com um corta-vento fininho por cima da t-shirt.
 
Fiz uma corridinha da porta do prédio até ao carro, que fui deixar no bairro dos meus pais, onde o meu pai já estava à minha espera para irmos buscar os dorsais ao Grupo Desportivo que organizou a prova, que ficava a poucas centenas de metros.
 
A prova principal, a dos 6km (aprox., já lá vamos), tinha início marcado para as 10h30, mas como tivemos de aguardar a chegada dos Juvenis (prova de 3km), cujo último classificado chegou com algum atraso e bastantes aplausos, só já perto das 11 horas é que estavam os atletas na linha de partida, que entretanto já tinha avançado uns 20 metros, apesar da insistência dos organizadores que pediram repetidas vezes, sem sucesso, que os corredores recuassem.
 

Partida dos Juvenis, que eram pouquinhos.


Apesar de ser uma prova pequena, em distância e em participação (penso que estavam cerca de 200 atletas na prova principal), é muito competitiva e tem a presença de bons atletas, uma vez que o pódio tem prémios monetários.
Portanto era eu, o meu pai, alguns senhores e senhoras mais idosos do bairro que se juntam à festa da corrida e um monte de atletas bons e/ou de Grupos Desportivos equipados a rigor. Sem pressão.
 
 
O início da prova foi um pouco afunilado, com as lebres logo a desaparecer para nunca mais se verem, deixando as restantes poucas dezenas de nós em competição para não fazer má figura. O meu objectivo era conseguir terminar a prova abaixo dos 36 minutos, o que significava que teria de manter uma velocidade média abaixo dos 6min./km que, de resto, vai ser sempre o meu objectivo em provas de 10km ou menos daqui para diante.
Para quem tem um relógio com gps é fácil fazer este controlo, mas eu só tinha um relógio com cronómetro e a informação oficial de que o percurso tinha, e cito: "6km mal medidos"... (não havia marcação de quilómetros). Logo, é uma corrida que tem de ser mais intuitiva. Não queria começar demasiado depressa porque sabia que me esperava uma longa subida, mas também não queria ir muito confortável, porque seriam "apenas" meia dúzia de quilómetros e sabia que poderia arriscar mais. Concluindo, uma matemática muito difícil de fazer apenas com base na sensibilidade das minhas pernas e pulmões.

Resolvi começar com um ritmo"aceitável-mas-não-fales-comigo-para-não-me-cansar". Logo na descida inicial o meu pai toma a dianteira, eu vou sempre na sua peugada e uma senhora junta-se a mim. Vai tão juntinha a mim que poderia jurar que estava com frio e estava a aproveitar o calor humano. Já só vou conseguir afastar-me quando se inicia a interminável subida.
 
Esta subida fez muitas "vítimas". É que a seguir ao primeiro quilómetro de subida ligeira temos uma curva e (surpresaaaa) mais um quilómetro de subida. Quem não estiver habituado ou se tiver entusiasmado na descida inicial pode ver-se em apuros. Eu, que já tinha sido vítima o ano passado, desta vez resguardei-me. Tinha ideia que mesmo assim ia rápido demais, mas estava a gostar da sensação de, por uma vez,  ir passando pessoas que começavam a caminhar ou a quebrar na subida e contar (para mim): "menos um!" (Eu sei, eu sei, que mazinha... Mas não estava em mim, naquele momento era um monstro inebriado de glória momentânea :p ).
 
Durante a subida um homem junta-se à nossa boleia e ali vamos os três, a passo certo que nenhum queria quebrar. A minha "táctica" estava a ser fixar-me numa rapariga à minha frente e tentar passá-la. Consegui passar três durante a subida mas, quando me aproximei da quarta, uma rapariga de trança que estava a caminhar, ela vê a nossa comitiva de três pessoas e resolve juntar-se a nós. E assim seguimos durante pelo menos mais quilómetro e meio, todos juntos, sem ninguém à volta, sem trocarmos uma palavra mas sempre na expectativa de ver qual seria a primeira "baixa". Confesso que já não estava a ser fácil para mim mas, lá está, agora também não queria ser a primeira a ceder. O meu pai, por contrato de amor paternal, está obrigado a terminar pelo menos sempre um segundo atrás de mim, portanto eu só tinha de lidar com o homem e a rapariga da trança.
Fico contente por anunciar que apesar da luta que deu (e que eu não tive oportunidade de agradecer na altura, mas faço-o agora, já que se não fosse por ela não teria corrido aquela parte do percurso tão depressa) a rapariga "desistiu" ao avistar uma nova subida ao fundo da rua em que íamos e baixou o ritmo.
Eu já estava a começar a ficar cansada, sobretudo com aquela última subida mais inclinada, mas olhei para o relógio e vi que se mantivesse o ritmo ia conseguir terminar abaixo dos 36 minutos. Só faltava um quilómetro, só mais um...
O homem, com o ímpeto do quilómetro final a descer, ganhou uma nova passada e não consegui acompanhá-lo. Bolas... Mas sentia que estava a dar luta ao meu pai (embora, se lhe perguntarem, ele tente negar), por isso sabia que estava a conseguir manter um bom ritmo e tentei - um pouco em vão, há que admitir - melhorá-lo nos últimos metros.
 
Terminei com 35:21, para os 6.3km de prova (o homem do ímpeto final tinha gps), por isso: objectivo cumprido!
 
Matematicamente dá uma média de 5.37min/km, embora, se tivesse um Garmin, fosse engraçado ver o quanto as descidas compensaram a média das subidas...
Estamos quase no Natal, pode ser que tenha uma surpresa (de mim própria)!
 
 
Como as t-shirts e as garrafas de água eram entregues em sacos fechados acabei por ficar com uma t-shirt tamanho XL, o que significa que ganhei mais uma camisa de dormir para o verão (é a última moda... ihih!)


Em suma, fiquei muito contente com  resultado desta prova, quanto mais não seja porque o ano passado terminei à beira do colapso e este ano terminei à beira do colapso mas muito mais rápido! Evolução, como se quer.
 
 
Para terminar, esta corrida deixou-me com uma dúvida existencial em relação ao meu objectivo de baixar dos 58 minutos nos 10km ainda este ano... É que eu até ao fim do ano já só estava a pensar em participar na S. Silvestre dos Olivais, mas quem já fez essa prova sabe que não é muito amigável para recordes...

Alguma outra corrida de 10km nos próximos tempos? Preferencialmente, mas não obrigatório, com condições ideais de altimetria? ;)


Boa semana!
 
 
 

9 de novembro de 2012

Desafio aceite

Na zona onde corro vêem-se muitos corredores. Os corredores do costume, os corredores de visita, os do ano inteiro, os estivais, os de grupos, os solitários, os rápidos, os lentos (eu incluída), os "joggers"... Alguns vou conhecendo de vista por tantas vezes nos termos cruzado neste trânsito desportivo. Sei aqueles que correm mesmo muito e que por mais que desse às pernas ficaria sempre a vê-los passar, aqueles que talvez pudesse acompanhar em treinos mais confortáveis, os gentis que te dão sempre a vez nos bebedouros ou os que param apenas 2 segundos para molhar os lábios e ala que se faz tarde. Quando estou mais preguiçosa ou desmotivada gosto de "lançar o laço" ao corredor da frente e deixar-me arrastar pela corda imaginária que alivia o esforço das minhas pernas. Umas vezes resulta, outras vezes não.

O bom no meio disto tudo é que cada um faz a sua corrida, o seu treino, embora às vezes se notem alguns despiques. Acho que é normal e até salutar, sobretudo se for levado na brincadeira. Geralmente essas coisas passam-me um bocado ao lado, primeiro porque vou sempre "na minha" e, segundo, porque é que os lamborghinis haveriam de querer competir com um renault 5? Não há glória nisso. :)

Mas o caso de ontem foi flagrante e era impossível ficar indiferente a uma provocação tão descarada (não foi assim tão descarada, mas alinhem comigo).

Vou eu, na minha velocidade de sempre, a ouvir a minha musiquinha baixinha (agora que anoitece mais cedo não gosto de ir alheada no som) quando vejo ao longe o "interveniente", que também ia em passinho pequenino, e ainda mais pequenino deveria ser porque a distância se foi encurtando e acabei por ficar lado a lado, eu na parte direita da via e o rapaz  na parte mais à esquerda. Pois que quando o moço se apercebe que eu vou lado a lado, começa a aumentar a velocidade. Eu não liguei, poderia ser um qualquer treino intervalado. Mas a velocidade só se manteve até ficar uns 3 ou 4 metros à frente, e depois abrandou para o mesmo o passo pequenino... Mau. Eu continuei no meu passo e acabei por apanhá-lo sem para isso ter feito qualquer esforço adicional. Nisto, ele pára para beber água e eu continuei, contente por a distância se ir alargando e agora já não haver hipótese de continuarmos sombras em disputa. Até que começo a ouvir o som de passadas a aproximarem-se e imaginem quem era? O meu competidor (sim, neste momento já era o meu competidor) que me alcançou e, contente por estar 3 metros à minha frente, deixou-se ficar...

"Olha, este quer guerra", pensei eu.
  
 
(Cortesia do "awesomest" Barney Stinson)

Pois que eu posso ser uma pessoa fraquinha, que ainda não tem grande força de pernas, mas depois também não gosto de dar parte de fraca. "Ai queres ir à minha frente, não é? Pois agora vais levar comigo a fazer pressão atrás de ti".
Nesta altura eu ainda estava com um bocado de pena do rapaz, que podia estar simplesmente a fazer o seu treino, alheio a todas estas minhas teorias mentais, mas mantive a minha velocidade estrategicamente 3 metros atrás e ele começou a correr ligeiramente mais rápido. Não muito mais rápido, mas rápido o suficiente para eu ter de aumentar  meu ritmo. Eu continuava na parte direita da via e ele da esquerda. Pelo canto do olho conseguia ver que ele não olhava para o lado, mas podia ouvir as minhas passadas cada vez mais pesadonas sem alargar a distância entre nós.
A partir de certo ponto tornou-se ridículo (ainda mais). A velocidade já não era confortável para mim, mas agora era uma questão de honra. Eu não ia descolar! Parecíamos atletas na última volta em pista. Eu já pensava "Oh meu Deus, eu não aguento este ritmo muito mais tempo, mas não posso ficar para trás senão ele ganha" (notem que provavelmente esta competição só estava a existir na minha cabeça, embora o comportamento do outro fosse suspeito).
Nos intervalos da minha respiração já alterada podia ouvir o "adversário" também a debater-se. "Boa, não é um lamborghini!" - pensei toda contente.
Mas eu também já estava a ficar cansada e só pensava em como toda a situação era parva e porque é que o raio do rapaz não abrandava ou acelerava de vez, mas nãoooo... E enquanto aguentasse ia continuar atrás dele porque ele é que tinha começado com a competição (como eu disse, era uma situação parva).
Isto continuou durante uns bons 15 minutos e eu já via a minha vida a andar para trás. O trajecto era sempre a direito, não havia curvas por onde fugir, outros corredores passavam ou eram passados por nós mas a nossa corrida continuava paralelamente imparável.
E eis que quando eu estava quase no limite das minhas forças, ele corta para uma ruela transversal à rua principal por onde se corre e atira um: "Boa corrida", o que eu entendi como: "Desisto. És muito forte, não tenho hipótese". E eu GANHEI a minha competição imaginária!

Em boa hora aquela alma atalhou caminho porque eu estava prestes a desgraçar-me para o meio do chão de tão cansada que já ia. Mas não importa, porque acabou por ser um excelente treino de velocidade e este renault 5 provou que está aí para as curvas. Ou, neste caso, para as rectas.


Já alguma vez alinharam numa competição amigável durante os treinos?



Este domingo infelizmente não participarei na Corrida do Jamor, e digo "infelizmente" porque esta prova é como se fosse um mini trail e já sabem que fiquei apaixonada pela coisa. No entanto, é por uma boa causa.

Eu já falei aqui da minha história com a corrida mas, resumidamente, em 2010 tinha visto o meu pai concluir a S. Silvestre dos Olivais e tinha decidido que no ano seguinte me juntaria a ele. A verdade é que andei o ano de 2011 todo a adiar treinos, ou a correr muito pouco, e cheguei a finais de outubro em estado de pânico por ainda não conseguir correr mais do que 4 ou 5 quilómetros sem ficar sem os bofes de fora.
Em novembro houve uma prova de bairro perto da casa dos meus pais. O meu pai conhecia os senhores da Direcção e inscreveu-nos para aquela que seria a minha primeira prova de 6km, como um teste à minha preparação para a S. Silvestre.
Naquela altura ainda não tinha blogue, por isso ficarão para sempre (e talvez seja pelo melhor) sem saber os pormenores da pior corrida da minha vida (sim, ainda pior do que a das Lezírias) e recordo-vos que eram "apenas" 6km... O que mostra que não é a distância que conta, mas sim a nossa preparação e motivação.

Tudo correu mal naquela prova. Comecei demasiado rápido e não me resguardei para a subida. Metade dos 6km eram uma subida, de pouca inclinação mas contínua, e logo aí o erro nº 2: nunca ter treinado subidas. Depois, e não sendo um erro não ajudou: eu conhecia a zona. E o que pode parecer uma vantagem por vezes não é. Por exemplo, enquanto a "Subida do Inferno" da Prova de São João era super inclinada e sem comparação com esta, aí eu não sabia o que me esperava e ia sempre com a esperança de na curva seguinte aparecer uma descida, mas aqui não. Eu sabia que não ia aparecer uma descida tão depressa e isso arrasou-me mentalmente. Via as pessoas a afastarem-se cada vez mais e eu sem conseguir avançar, com as pernas a queimar e a respiração fora de controlo... Fiquei com uma dor de burro enorme e já nem na descida que se seguiu consegui correr nada de jeito. Concluindo: foi um horror. Por incrível que pareça não fiquei em último, mas foi um horror.

Claro que depois desta experiência eu tinha tudo para desistir do meu objectivo dos 10km a 30 de dezembro. Mas eu não gosto de dar parte de fraca, lembram-se?... Quando alguém me diz que eu não consigo fazer uma coisa é quando eu tenho mais vontade de a fazer, mesmo que esse alguém sejam as minhas pernas e os meus pulmões. Só tinha de ter a mente determinada.

Bom, o que interessa é que, como já sabem, a partir desse dia meti mãos pernas à obra e pouco mais de um mês depois acabei mesmo por participar na S. Silvestre dos Olivais e adorei. A partir daí nunca mais parei. :)

É por isso que este domingo vou lá estar novamente, naquela infame prova de 6 km que teve a ousadia de me fazer duvidar de mim. E desta vez não perde pela demora.

- Challenge accepted!

;)



7 de novembro de 2012

E dúvidas houvesse...

 
É por momentos como este que eu corro. Em que uma chuva precipitada cai e vai-se tão depressa como chegou. Esses minutos foram o suficiente para afugentar pessoas, limpar o ar e calar a cidade. Já repararam no silêncio que precede a chuva? Paz...
 
Ainda há instantes só havia ruído dentro e fora da minha cabeça, abafado pelo rock que saía dos phones e me entrava nos ouvidos. Parei o mp3. Não há melhor som que este silêncio.
 
Depois passo por um fotógrafo que com a sua máquina e objectiva de meio metro tenta prender este momento em imagem. Fiquei com inveja.
 
 
 
 
Os megapixéis da câmara do meu telemóvel não podem nunca fazer-lhe justiça. Mas foi neste instante que fiz as pazes com um dia difícil, em que estive quase quase para deixar os ténis no seu cantinho.

Por momentos, esqueço-me da corredora que sou no agora e fico apenas a contemplar o momento em que o sol toca a terra naquela ilusão de óptica e espalha as suas cores pelas nuvens e pelas águas.

Ao longe, oiço as badaladas do sino de uma igreja a anunciar que já é tarde, que tenho coisas para tratar, comida para preparar, telefonemas para fazer.

 
Ironicamente, hoje fui correr apenas para descansar da correria do dia-a-dia. Ainda bem que saí...


 
"(...) Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido."
                                           
                                                             A Espantosa Realidade das Coisas,  Alberto Caeiro
 
(O heterónimo das coisas simples da vida.)
 
 
 
Treino de hoje:
 
- Distância: 7km
- Ritmo confortável
- Bpm médio: *
- Calorias: *
 
 
*Afinal o meu relógio não tinha falta de pilhas. Estava, sim, a finar-se. Felizmente, apesar de já não estar há muito dentro da garantia, acho que há salvação livre de custos. Quando o tiver de volta conto a história da sua viagem.



5 de novembro de 2012

Dos últimos dias: thriller, treinos e trinta

 
Tinha programado ir passar estes dias do feriado à minha Serra, mas desde que as SCUTs (Sem Custo para os Utilizadores) passaram a ser pagas, o que pago em portagens na viagem quase que quadruplicou. Aliado aos mais de 300km de distância... vais por alturas do Natal e já vais com sorte. O que é pena, porque o outono é das minhas estações favoritas para andar em passeios pelos montes, procurar cogumelos (procurar, não apanhar, que eu não sei distinguir os comestíveis dos não-comestíveis e tenho medo de comer míscaros, apesar de toda a minha família o fazer) e respirar o cheiro dos pinheiros molhados. Podia até ter aproveitado novamente o treino "intensivo" de subidas e trilhos que fiz no verão.

Mas passei estes dias em casa com a minha Jack o' Lantern acesa e está o Halloween feito. Foi a loucura.


Por acaso não foi assim tão mau, mas estou mesmo a precisar de passar uns dias fora da cidade.

(*Um aparte por causa dos filmes de terror do post anterior: jovens com vinte e muitos, trinta e poucos que eram crianças quando passava o videoclip do Thriller na RTP, a seguir ao jornal da noite... Não achavam aquilo assustador? Eu tinha um medo terrível daquilo, mas ao mesmo tempo tinha também um fascínio qualquer que me obrigava a ver aquilo até ao fim e depois chorava que não queria dormir sozinha. Lindo.  Porque é que os meus pais permitiam esta situação? Podia ter ficado traumatizada. Cá para mim,  já depois de eu me deitar deviam fartar-se de rir às minhas custas...)


Voltando ao fim-de-semana. Como para correr ainda não se paga scuts, foi isso que também aproveitei para fazer. Na sexta à tarde/noite a Isa veio ter comigo e fomos correr juntas, à chuva, como grandes atletas que somos que não se deixam amedrontar por uns pingos! Por acaso a chuva não era muita e correu-se bem, durante cerca de 50 minutos. Mas depois combinámos com a Carla numa esplanada para discutir uma aventura futura conjunta e deixámo-nos ficar ali um bocado à conversa, todas molhadas, no meio de correntes de ar... Não foi uma ideia inteligente.

Por acaso tomei um banhinho quente mal cheguei a casa e fiquei bem, mas a Isa acabou por ficar meio adoentada e infelizmente já não pôde participar no treino de domingo de manhã, em que o objectivo era acompanhar o João Lima durante parte do percurso da Maratona de Lisboa, naquele que seria o seu primeiro treino de 30 km.

Quando despertei com o barulho da chuvada por volta das 6h de domingo pensei que se calhar teria de faltar ao encontro, mas queria apoiar o João e, ao mesmo tempo, ver se conseguia correr uns 15km, já que desde a Meia só tinha feito a Corrida dos Monges como treino lo(oooo)ngo. Felizmente, quando me levantei por volta das 7h30 a chuva já tinha amainado.

Pequeno-almoço reforçado

Quando não sabem se hão-de meter marmelada ou manteiga de amendoim
na vossa torrada, não precisam de optar. Para isso é que existem duas fatias.

e lá fui apanhar o metro até ao Estádio 1º de Maio, ponto de encontro e onde terá início a Maratona de Lisboa a 9 de Dezembro.

Às 9h20 estávamos eu, o João e Lúcia a iniciar o trajecto delineado. A Lúcia também se estreou na distância da Meia Maratona no mesmo dia que eu, na Rock'n'Roll, terminando em 2h16. Segundo o João, poderia bem ser uma "queniana" se se dedicasse mais aos treinos. Mas ela confessou-me que não corria desde a Meia, limitando-se aos treinos de ginásio. E aguentou-se muito bem! Dá Deus nozes... Tivesse eu potencial queniano e era verem-me por aí, a correr pelas ruas da cidade fora (mais ou menos como faço agora, mas muito mais rápido).

Fomos sempre bem e na conversa, contando com apoio ao longo do caminho e foi já perto do km 10, na zona de Telheiras, que resolvemos alterar o percurso oficial da Maratona. Não, nós não nos perdemos, que ideia! Fizemos foi um upgrade ao trajecto, que estava muito aborrecido sempre a direito. :) E quem quer correr sempre a direito? Melhor subir e descer escadas e viadutos, a lembrar um trail urbano (trail!!!). Eu gostei do desvio propositado, em que acabámos por passar nas traseiras do EUL e lembrou-me que tenho de ir para lá correr um dia destes, que não ponho lá os pés desde os tempos de faculdade em que ia algumas vezes almoçar à cantina.

Perto de Sete Rios, com 14km de caminho, a Lúcia tem de voltar para casa e eu continuei a acompanhar o João até ao Marquês de Pombal, terminando com 16,5km feitos. Terminei bem e penso que poderia ter feito mais um bocadinho (o facto de ser a descer por ali abaixo também ajudava), mas não quis abusar neste primeiro treino mais "longo" do último mês.
Despedi-me do João à entrada do Metro do Marquês e desejei-lhe força para os restantes 13,5km! Fiquei com pena de não poder continuar, mas ele ficou com a equipa de apoio incansável, da sua esposa e amigos, e conseguiu terminar o seu maior treino de sempre: TRINTA quilómetros. São muitos quilómetros! Parabéns!

Quando entrei no metro de volta a casa, sentou-me uma mulher ao meu lado com um daqueles perfumes super intensos e enjoativos... Até me custava respirar. "Mas esta mulher tomou banho em perfume ou quê?! - pensei eu. O engraçado é que, por sua vez, a senhora devia estar a pensar "Mas que cheiro a transpiração, esta rapariga nem deve tomar banho nem nada, que horror!". Ahah! Foi uma viagem agradável para ambas.

Ah, é verdade, levei o meu cinto de hidratação a fazer um test-drive neste treino (test-run?) e, ao contrário do que vejo as outras pessoas fazer, deu-me mais jeito correr com os cantis para a parte da frente. Não sei se há alguma maneira correcta de transporte, mas deu-me mais jeito assim. Não andou aos balanços e nem notei o chocalhar da água. Para o fim começou a desviar-se porque alarguei a faixa sem querer ao ajeitar o cantil e depois não queria estar a parar para ajeitar.
Os 400ml que transporta chegaram perfeitamente para esta corrida de 16,5km, mas também não estava um dia de calor. Suponho que num dia de sol, pelo menos para mim, seria necessário parar para reabastecer.
Acho que este cinto vai dar jeito nos treinos mais longos mas para os treinos durante a semana não vale a pena. (Para transportar as chaves de casa tenho bolsos interiores nos calções/calças ou levo no pulso).

E hoje aqui estou eu, impecável das pernas mas com uma dor de cabeça enorme desde manhã. É o que eu digo, ando a precisar de uns dias de férias... Alguma sugestão de um local não muito longe com montanhas (ou uma pequena serra, vá), calminha e bonita, com percursos pedestres e cujos preços de alojamento não façam um rombo na carteira?


O vosso fim-de-semana foi agradável? Tiveram direito a mini-férias?


Boa semana!

 

2 de novembro de 2012

NYC Marathon e um novo acessório de corrida

O treino de ontem de manhã não foi lá grande coisa. Em parte, porque não dormi muito bem. E porque é que não dormi muito bem, perguntam? Porque fui a casa de uma amiga, jantar temático "Halloween", que foi tudo muito giro até começarem a pôr filmes de terror. E eu durmo sozinha... Uma coisa que fica proibida a partir do momento em que têm a vossa casa é ver filmes de terror, sobretudo à noite, toda a gente sabe disso. Mas todos foram insensíveis aos meus pedidos. O que significa que depois acabei por passar a noite em estado de alerta com qualquer barulhinho que ouvia em casa, e deixem-me que vos diga que uma casa faz bastantes barulhos à noite.
Bom, pelo menos não houve miúdos aqui do bairro a bater às portas a pedir "Doces ou Travessuras" e não tive de partilhar as minhas gomas do Lidl com ninguém. (Hoje em dia ainda se pede o "Pão por Deus"? Mais alguém o fez em criança ou sou eu que já estou a ficar velha?)
 
Mas como estava a dizer, não dormi muito bem. Depois, quando comecei a correr senti as pernas pesadas durante mais ou menos os primeiros 2km e quando finalmente estava a entrar no espírito a palmilha do ténis direito começa a incomodar-me. Mas que raio, fiz praticamente os treinos todos para a Meia Maratona com estes ténis, corri a Meia Maratona com estes ténis e as mais recentes provas (excepto o trail, em que levei os antigos) e agora é que me começa a raspar o pé?? Ainda me descalcei e compus a palmilha, que podia estar mal colocada, mas não. Tive de encurtar o treino e parar ao fim de 8km (o objectivo eram 10km), antes que começasse a formar uma bolha, mas já foi tarde.
 
 
Treino de quinta de manhã:
 
Distância: 8km
Velocidade: 6min/km aprox.
Bpm médio: 168
Calorias: 459
 
 
 
Para compensar, o meu irmão teve um acesso de generosidade e quando o fui visitar à tarde tinha esta surpresa para mim:
 
 
 
 
Uma bolsa para colocar à cintura com dois cantis de 200 ml cada. Diz ele que estava em promoção na loja SportsDirect.com, no Dolce Vita. Nunca fui a esta loja, mas o meu irmão diz que tem bastantes coisas de desporto a bons preços. Conhecem?
Foi lá por causa de uns ténis e lembrou-se de mim... Eu ainda estou desconfiada e à espera da contrapartida. Estes actos de generosidade espontâneos não são normais da parte dele. :)
 
Uma vez já tinha falado aqui de alguns acessórios para transportar a água durante a corrida. Eu tenho sorte porque a zona onde corro tem bastantes bebedouros mas, quando vou para outros locais, andar sempre com uma garrafa de água na mão não é prático. Agora tenho de me acostumar a correr com uma bolsa à cintura, coisa que ainda me incomoda um bocadinho, mas estes cantis vão dar jeito.
 
 
 
Mudando de assunto. Quem já me lê há algum tempo sabe que uma das minhas provas de sonho, se não mesmo "a" prova de sonho, é a Maratona de Nova Iorque. Infelizmente, este ano a cidade foi bastante devastada pelo furacão Sandy e a realização deste evento na data programada chegou, compreensivelmente, a estar posta em causa. No entanto, pelo que tenho lido nos sites noticiosos, a realização da prova vai mesmo para a frente e é já este domingo, dia 4 de novembro, que vamos poder seguir em directo, a partir das 14h, na EuroSport (penso que também na RTP2 mas ainda não consegui confirmar), a corrida dos mais de 50 000 atletas que vão percorrer os bairros mais emblemáticos da cidade.
 
Não sei como vão conseguir gerir um evento destes, com as milhares de pessoas que atrai (atletas + público), com o sistema de transportes ainda a funcionar a meio gás e com a destruição e caos que assolou a cidade, mas se alguém consegue são os nova-iorquinos. Cheira-me que esta vai ser uma edição um pouco polémica, vamos a ver.
 
* ACTUALIZAÇÃO: A Maratona de Nova Iorque 2012 foi cancelada*
 
 
Entretanto, para quem tiver curiosidade, pode ver neste link um vídeo que segue o percurso da Maratona, com comentários de atletas e moradores sobre cada bairro atravessado.
 
Um dia, não muito longe, espero, entro no sorteio e sou seleccionada para fazer parte da NYC Marathon, já que pelos tempos mínimos está fora de questão:
 
Talvez a partir dos 70 anos comece a ter hipótese...
 
Ver condições de acesso à NYCM aqui.
 
 
 
Como diz um atleta no minuto 15:30 do vídeo "If you're gonna pick one marathon, in one marathon to run in your entire life, NYCM is the one". Depois preocupo-me com pormenores como: como vou arranjar dinheiro para a viagem e estadia e como vou conseguir correr 42 195 metros. First things first! :)
 
Entretanto, ainda tenho muito para correr até lá (literal e não literalmente), por caminhos bem mais perto, e fico contente por poder fazê-lo.
 
Também têm alguma prova de sonho?
 
 
Bom fim-de-semana!