28 de junho de 2013

Quilómetros (e decisões) a quente


A pergunta:

- Porque é que agora nos últimos treinos resolveste começar a correr assim "tantos" quilómetros, à maluca?

A resposta (óbvia):

- Vou fazer um trail maiorzinho, pois está claro!

Mas agora não pensem que andei aqui a adiar o anúncio como se quisesse causar alguma espécie de suspense. O que se passa é o seguinte: uma pessoa inscreve-se para as coisas num ímpeto de loucura, num dia mais feliz, ou sob o efeito de endorfinas de um treino maravilhoso. Depois, depois o tempo passa, o coração acalma e ouve-se o cérebro "o que é que foste fazer?". Ou seja, comecei a racionalizar.  Ou seja, o bom senso foi questionado, as dúvidas levantaram-se, a confiança diminuiu. Vulgo: Cagufa (chamemos as coisas pelos nomes).
Daí a hesitação, porque, apesar de algumas pessoas já saberem, a partir do momento em que o escrevesse aqui, tornava-se real.

Vamos lá rever os objectivos desportivos, modestos até, que tinha definido no início do ano:

 "- Participar em, pelo menos, duas Meias Maratonas (e gostaria que uma delas fosse no Norte).

- Participar em mais provas de Trail, aumentando gradualmente (ou não) a distância, até chegar ao meu objectivo mais desafiante: O Grande Trail Serra d'Arga, em Setembro (versão 21km)."

Ora, parece-me que está tudo bem encaminhado. Uma Meia Maratona já está, a segunda, se não acontecer nada em contrário, farei certamente, embora esteja por decidir a questão do "Norte". E quanto aos trails... está a ser um bom ano! Basta ver que nas minhas páginas das Corridas, junto ao cabeçalho, as provas de trail já suplantaram em número e quilómetros as de estrada.

Para o Grande Trail Serra d'Arga ainda falta algum tempo, embora confesse que, neste caso, não é tanto a distância que me preocupa, mas mais o acumulado positivo completamente absurdo (para as minhas pernitas): cerca de 2000m! Bom, mas não é isso que me impede de considerar esta prova com grande estima e carinho porque, estando a três meses do evento, quando sonho com a sua concretização é sempre o meu alterego desportivo, em excelente forma física, que visualizo, e não a realidade.

Então marquei um objectivo para mais breve: o Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos (25km), a 03 de Agosto. 
Até aqui tudo bem, já tinha corrido 21km em trail, aqui seriam apenas mais 4km, com algum tempo até lá para treinar convenientemente e, sendo à noite, não teria de me preocupar tanto com o calor, apenas em arranjar um bom frontal.

Depois foi quando as coisas começaram a descambar. Pensei (ou melhor, não pensei): 25km... já agora, porque não 30? E foi assim que, a 4 semanas do acontecimento, achei boa ideia inscrever-me para o Trail do Almonda.

A ideia ficou a fermentar na minha mente desde que o colega Vitor referiu, durante o Trilho das Lampas, que estava a pensar participar nesta prova. Posteriormente, outra pessoa conhecida também me disse que ia participar. Não que consiga acompanhar algum dos dois, mas o facto de ter caras conhecidas na linha de partida ajudou-me a tomar a decisão.
Verdade seja dita, estive até à última para fazer o pagamento que confirmava a inscrição (até sexta-feira passada, para ser mais concreta) e mesmo assim só o fiz oferecendo-me uma escapatória: "Se tu vires que o calor é muito, encurtas para o Mini Trail". Porque, apesar de nunca ter corrido 30km, o que me preocupa (mais) são os 30º!

E se beber água a menos? E se beber água a mais? Como faço em termos de "combustível?" Aquelas subidas todas com o calor que está, mas tu estás louca? - Tem sido esta a minha agitação mental nos últimos dias.

E é isto. Nada de mais mas, ao mesmo tempo, tudo de muito.

Nos próximos dias desenvolvo mais as minhas preocupações e "estratégias" em relação a esta prova. Para além da dança da chuva, que já ando a aprender (curso online) para ver se consigo baixar a temperatura nesse fim-de-semana. Veraneantes, peço a vossa compreensão, é só para domingo, dia 07, depois a meteorologia seguirá dentro da sua (a)normalidade.

Alguém por aí que vá participar em alguma das provas referidas? Toda a ajuda/sugestões são bem-vindas (contactos com S. Pedro incluídos).

Bom fim-de-semana!

27 de junho de 2013

Não há duas sem três

Finalmente o terceiro treino longo em Monsanto. Já se passaram alguns dias,  mas não poderia passar sem ser relatado, porque é com agrado que tenho verificado que havia muitos monsantólicos anónimos por aí escondidos e que se têm vindo a assumir! Por enquanto sou apenas membro honorário, mas dêem-me mais uns fins-de-semana e quilómetros acumulados e assumo-me, como vocês.

Se bem se lembram, na sexta tinha ido andar de bicicleta e estava com medo que no dia seguinte tivesse um acordar doloroso, mas não. Quer dizer, realmente, tinha uma dor localizada... (digamos que o meu selim não é dos mais confortáveis...), mas nada que afectasse a corrida, por isso acabei por ir treinar no sábado de manhã.

Ao contrário do treino anterior, a solo, desta vez queria companhia, porque estava na ideia de fazer pelo menos 3 horas de treino, englobando todas as subidas mais difíceis, sem fugir, como gente grande (sozinha tinha medo de cair na tentação de dar meia volta).
Sabia que ultimamente o Vitor andava a fazer os treinos longos por lá e como também lhe interessavam mais as horas nas pernas do que a distância percorrida, assim não ia prejudicar a sua prestação, que é sempre o meu grande receio quando faço treinos conjuntos.

Claro que isso não significa que não tenha abusado da sua boa vontade, pelo contrário. Como tinha companhia masculina, achei que devia aproveitar para conhecer aqueles atalhos por sítios recônditos que sempre quis correr mas tive medo de experimentar. E então ele acabou por ser arrastado por percursos mais técnicos e duvidosos (=bons) do que o habitual.


O local acima foi uma nova descoberta. Num grande "buraco", que lembra uma pedreira, esconde-se este parque de desportos radicais, com as pontes suspensas e parede de escalada.
Gostei bastante desta zona, onde se pode correr por carreiros bastante técnicos que eu adorei e o Vitor também, porque disse que eu era a melhor guia de sempre. Pronto, não disse, mas presumo que fosse isso em que ele estava a pensar quando ficava em silêncio.

Nem por acaso, mais à frente perdemo-nos.

Há alguns trilhos sem saída ou caminhos que vão dar a portões de propriedades privadas ou estradas que não dá para atravessar, faz parte do encanto de Monsanto. Mas é como vocês dizem, uma pessoa não se perde, perde, porque há sempre maneira de nos localizarmos em relação a algum marco de referência.

Como estávamos a atacar as subidas e os single-tracks, tive de andar bastante e ainda parámos duas vezes para comer qualquer coisa. O calor começou a apertar com o avançar das horas e a água na minha mochila já estava tão quente que não me refrescava, pelo que comecei a ficar dependente dos bebedouros.
Estava cansada, suada, numa mistura de sal com protector solar na pele que me ardia nos olhos, e cada zona sem sombra era um desconforto acrescido. Para o fim já fazia quase todas as subidas em power-walk, recuperando a (pouca) velocidade nas descidas, mas tínhamos passado a barreira dos 20km e o meu desejo secreto de ultrapassar a distância feita no treino anterior (22km) foi assumido em voz alta. Já faltava pouco.

Foi assim que, em cerca de 3 horas (parei o relógio nos "abastecimentos", um bocadinho de batota), fizemos 23km, num número que fiz questão que saísse redondinho, como não podia deixar de ser. Antes do Vitor aparecer, ainda tinha feito cerca de 1km, em jeito de aquecimento, mas, para todos os efeitos, conto os 23km como distância oficial do treino.

Considerações:

- Hidratação é muito importante, para a próxima ponho, na noite anterior, o depósito da água da mochila no frigorífico, numa tentativa de o manter fresco durante mais tempo.
- O calor intensifica a transpiração que intensifica os raspões... (até a etiqueta dos calções me deixou uma marca...) e geralmente estas coisas só são notadas, de forma muito dolorosa, no duche.
- Nunca o sofá me soube tãoooo bem.
- Uma pessoa fica com o corpo k.o., mas com a mente vitoriosa.

25 de junho de 2013

Blogues de corrida

Penso que a maior parte das pessoas que lê o meu blogue terá de se interessar por "corrida" ou, pelo menos, ser alguém que se interessa pela temática "exercício físico", em geral, e suas tentativas amadoras, em particular. Não podem ser pessoas que só gostem de resultados daqueles mesmo bons ou crónicas sintéticas. Arrisco dizer que terão de ser pessoas que gostam de ler extensos relatos sobre os treinos mais insignificantes ou a declarar o amor a uns ténis novos. Ou, em último caso, terão de ser pessoas que gostam de mim e se sentem na obrigação de fazer uma visita diária (obrigada, Mãe).
Pode ser tudo isto que suponho, ou exactamente o contrário.

Depois, surpreende-me haver pessoas que, declaradamente, não gostam de correr, mas mesmo assim são assíduas neste cantinho.

Eu tento manter sempre as coisas num tom "levezinho", por opção, porque correr me diverte mesmo muito, sobretudo (a posteriori) os treinos maus, e gosto de partilhar isso com as pessoas, para quem se reveja de alguma forma e tenha paciência para ler.

Esporadicamente, porque nem tudo são gargalhadas, lá me sai um post mais directo do coração.
Há pessoas que me dizem que lhes veio as lágrimas aos olhos ao ler o texto que dediquei Ao Meu Irmão, e que deve ser dos poucos que não aborda uma única vez o tema "correr". Por outro lado, houve um rapaz que veio ter comigo, antes da partida da Meia Maratona de Lisboa, e me disse que se tinha emocionado ao ler o meu post Os Grandes, os Sonhos, dedicado aos estreantes na Maratona. Ainda ficámos ali um bocadinho à conversa mas, se bem se lembram, tinha tido umas últimas semanas difíceis, e aquele também não foi um dos meus dias melhores, por isso nem me lembro se agradeci convenientemente as palavras simpáticas. Se não o fiz, aqui me redimo: Obrigada. Mesmo.

Surpreende-me que um mero blogue possa tocar as pessoas de alguma forma, se bem que eu própria já tenha dado por mim a ler textos alheios e acenar repetidas vezes com a cabeça, com um sorriso no rosto, como quem reafirma cada palavra.

Gosto dos vossos comentários. Gosto de serem no número certo que me permite responder individualmente a cada um, sempre que se justifica. Gosto que a caixa de comentários acabe por se tornar um diálogo que complementa o post com  informação importante, e agradeço-vos por essa partilha. Gosto quando dizem apenas "possas rapariga, até a mim me dás vontade de correr!" porque comecei este blogue para me motivar e tornou-se um ciclo. Gosto quando quebram o silêncio e se apresentam, porque fico a conhecer também um bocadinho de vocês. No entanto, compreendo quem se mantém sempre em silêncio, porque há blogues que sigo aos anos e nos quais também nunca comentei.

Tudo isto por causa da reportagem sobre Blogues de Corrida, que saiu este fim-de-semana na revista Domingo, do CM.



Só fui entrevistada, sem ser por escrito, duas vezes na vida.
A primeira, porque não consegui "fugir" (sim, eu sou daquelas pessoas que foge quando vê uma reportagem de rua, como se a câmara fosse uma bazuca apontada à minha cabeça). Foi no meu antigo bairro, e o jornalista fazia entrevistas para o jornal da freguesia. Tinha apenas um pequeno gravador, e estava lado a lado com o fotógrafo, com uma câmara igualmente discreta. Quando me apercebi era tarde demais e depois já não tive coragem de recusar quando pediram a minha colaboração. E foi assim que ficaram para a posteridade as seis linhas com a minha opinião acerca das obras de requalificação e posterior dinamização da Praça X., junto à minha pior fotografia instantânea de sempre. Acho que os meus pais guardaram essa edição na casa deles, o que eu tento esquecer.

Depois, esta última vez, em que uma jornalista me contactou e pediu a minha colaboração para este artigo. Pode parecer contraditório, já que exponho de livre vontade uma parte específica da minha vida online, mas eu sou uma pessoa reservada. A escrita é uma coisa que me sai naturalmente, mas, quanto ao resto, prefiro estar sossegadinha. Gosto de ouvir falar quem sabe. Sou mais feliz "detrás da câmara".
No entanto, apesar de ter hesitado, acabou por não ser nada de mais. A Marta foi muito simpática e acabou por ser uma conversa telefónica informal. Acho até que a certo ponto me entusiasmei (tenho de aproveitar quando alguém mostra interesse em ouvir-me falar sobre corrida!) e o que falei daria para 3 ou 4 páginas de artigo.
Acabei por ter a agradável surpresa de ver que os restantes bloguers entrevistados são pessoas que sigo e, quase todos, pessoas que acabei por conhecer pessoalmente devido ao blogue, e de quem gosto. E, mais uma vez, é engraçado ver também que as palavras deles poderiam ser as minhas.


Por isso faço aqui referência ao artigo, por respeito à jornalista que mostrou interesse em falar deste pequeno mundo, independentemente das escolhas, que poderiam ser tantas outras e todas justas. Também por ter sido uma honra ter partilhado a página com pessoas que me inspiram.
Saí um bocadinho da minha zona de conforto, mas por vezes é necessário, e até é uma lição que a corrida nos dá quase todos os dias.

Hoje estou excepcionalmente emotiva. :) Prometo que amanhã retomo a programação habitual, com o relato, um pouco atrasado, do terceiro treino longo monsantiano.

Boa semana!

21 de junho de 2013

Vou de bicla

Sobre duas rodas mesmo à beira do mar,
nem preciso da cerveja para refrescar.
Já não quero ir de carro à torreira do sol,
a secar ao volante a passo de caracol.

Por isso vou para a Costa,
por isso vou na minha bicla.
Viro costas a Lisboa,
vou para o sol da Caparica.



Não fui para a Costa, e o sol também não estava assim tão quente, mas hoje fui (andar) de bicla.

Da última vez que andei (há mais de 4 meses!) tive um furo, depositei a bicicleta nas masmorras (cave) da casa dos meus pais e nunca mais a fui resgatar. Mas com o início, eventual, do Verão, achei que estava na altura de tratar do assunto.

Esta situação prolongou-se porque, como já sabem, não tenho grande paixão por bicicletas. Gostava de ter, porque é um bom complemento à corrida e uma maneira fantástica de fazer passeios mais longos, mas entre mim e a bicicleta nunca houve aquele "clique". Ando pouco, mal, e sempre muito insegura. Paro em quase todos os cruzamentos e, arruinando a paciência de todos os que me acompanham, tenho de desmontar sempre que me aparece uma berma de passeio gigante (mais de 5 cm) pela frente.
A maioria das vezes, ao fim de três quilómetros já estou: "Pronto pessoal, o passeio foi giro, mas vamos lá parar de desafiar a morte e voltar a pôr os pés no chão, sim?"

Mas hoje aconteceu uma coisa maravilhosa... Hoje adorei andar de bicicleta!

Fiz mais de 18km, o que para mim é um recorde, e sentia-me bem e cheia de força. As subidas com mais de 1% de inclinação já não me pareceram o Monte Evereste, as travagens nas descidas já não deixaram as pastilhas a fumegar e até me aventurei a subir um ou dois passeios (dos mais pequenos).

Não sei o que se passou, mas gostei. Se calhar, não é só pedalar que ajuda a fortalecer os músculos para a corrida, o inverso também acontece. Quem pratica os dois desportos com frequência, o que acha? A vossa corrida saiu beneficiada por causa de andarem de bicicleta ou vice-versa? Os dois? Nenhum?


Para além disso, houve duas situações em particular que acho que contribuíram para o sucesso do passeio de hoje:

1 - Andei em corta-mato num carreiro pelo meio das árvores, onde por vezes passo a correr.

Ok, foram só cerca de 200 metros... MAS nem sabem o medo que me mete andar em carreiros estreitos e com piso irregular em cima de uma bicicleta. A frequência cardíaca deve ter atingido os valores máximos e tenho a certeza que fiz duas bolhas só com a força com que ia agarrada ao guiador, mas foi um progresso. 200 metros agora, 2 quilómetros amanhã e um dia destes estou feita uma bttista (ahah).

2 - Quando baixei a cabeça num troço do percurso em que estava com um vento muito forte de frente... "Ena! Estou a ficar com musculo(zinho)s nas coxas!"

É só uma definição leve e, aparentemente, só eu é que me apercebo, porque quando chamei a atenção para o acontecimento...

- Vejam só isto! Olhem o músculo da minha coxa!
- Onde?
- Aqui, então não se vê bem?!
- Não vejo nada.
- Estão a gozar, mas não se vê claramente?? Reparem quando eu faço força com o pedal para baixo.
- Ah, isso...

É só para verem o tipo de pessoas com que tenho de lidar diariamente...

Adiante, eles podem não ver, mas eu tenho a certeza que este musculozinho não estava lá há uns meses atrás. Como eu não sou pessoa de muita força, fico contente com a recém adquirida definição muscular, por mais insignificante que seja.

Em relação a novos passeios de bicicleta, pode ser que este não tenha sido um evento feliz único e que seja o início de uma bela história de amizade (de amor é a corrida). Para a semana já combinei novas pedaladas.


Amanhã ou depois (provavelmente depois, devido à "pedalagem" de hoje...) há novamente treino na casa dos 20km. Para a semana digo-vos porque é que ultimamente ando a aumentar os quilómetros das corridas de fim-de-semana. E não, não estou a pensar correr a Big M. (Maratona)!

Bom fim-de-semana a todos!

18 de junho de 2013

O regresso a Monsanto

Estes últimos dias têm sido um pouco caóticos, mas estava em falta com o relato de Monsanto parte II - a Redenção. 

Tínhamos então ficado pelo último treino de 20km (intitulado por mim de "pior treino de sempre", se bem se lembram), no qual, em delírio causado pelo arrastar dos meus músculos esgotados, quase que podia ouvir, através da aragem que fazia estremecer as folhas da árvores, o risinho dissimulado da mata de Monsanto a fazer pouco do meu sofrimento. E as coisas não podiam ficar assim, tinha de lá voltar, recuperar a minha moral, e fazer as pazes.

 Não é tarde nem é cedo, voltei logo lá no sábado.



Desta vez sem companhia, por isso tive de manter-me pela encosta familiar, alargada por uma nova zona descoberta no treino de quarta e que me lembro de, quando não estava a choramingar o meu cansaço, ter achado agradável e razoavelmente frequentada.

E é com felicidade que vos digo que as pazes foram feitas e eu e Monsanto somos amigos novamente!

Corri novos caminhos, descobri atalhos, "perdi-me" pelo meio das árvores e ainda consegui incorporar umas belas escaladas a meio do treino.


Fiz novamente 20km e depois pensei: "volto a correr até ao carro e faço uma Meia Maratona". E depois, como estava a poucas centenas de metros, decidi: "já agora faço 22km e está feito o meu maior treino oficial", e assim foi.

Não vos vou mentir e dizer que foi um treino fácil, nada disso. Ali a partir do km12 a parte psicológica de estar a correr sozinha começa a testar a nossa força de vontade e, claro, a partir de certo ponto o cansaço físico. No entanto, foi aquele cansaço normal do peso dos quilómetros e das subidas, e nada daquele esgotamento inesperado da outra vez.

Apesar de treinos desta distância serem certamente mais agradáveis com companhia, fazê-los sozinha, e ainda por cima sem música, ajuda a reforçar a minha "performance mental". Geralmente eu até me entretenho bastante com os meus filmes e os quilómetros passam rápido, o truque é distrair a mente. Mas há ali sempre picos de dor, em que o cérebro se apercebe do que o corpo está a fazer e lança o alerta: "isto é estúpido, vamos mas é parar" e depois temos de contrariar este comando que é enviado a todos os nossos músculos. Estas são as partes complicadas. Superando estes momentos, às vezes é possível entrar em modo-fantástico, no qual o corpo e mente trabalham em simultâneo e, com sorte, até temos uma epifania em relação a algum problema que esteja a afectar a nossa vida.
Dizem que Newton estava deitado à sombra de uma macieira quando lhe caiu a maçã em cima e fez-se luz na sua mente para a Lei da Gravitação? Cá para mim estava era a correr num pomar!

Eu nunca descobri nada de relevante para o universo, mas já curei algumas neuras com a corrida. De facto, quando uma corrida é boa, é mesmo muito boa! Por isso é que acho que tanta gente persiste numa coisa que, à primeira vista, é um horror de cansaço e sofrimento.

O treino de ontem já foi uma coisa mais soft: 8km ao final da tarde. Solzinho e temperatura amena. Os primeiros dois quilómetros foram os mais custosos, mas para o fim já me sentia mais leve e terminei com o quilómetro mais rápido e, simultaneamente, mais fácil de todos. Foi daqueles raros dias em que sentimos que podíamos continuar a correr e correr...

Passado umas horas começou a chover, mas eu já estava em casa naquela moleza boa pós-treino.

Boa semana e boas corridas!

14 de junho de 2013

Monsanto para Rookies

Títulos alternativos:

1 - Perdida na mata de Monsanto
2 - Embater forte e feio n'O Muro aos 5km, é possível? É sim senhor.

Como vos tinha dito na última vez que falámos, esta semana tinha em vista um treino mais longuinho. 20km, para ser exacta. E queria corrê-los, obviamente, por trilhos. Portanto, fiz o que qualquer pessoa que quer correr em trilhos aqui na cidade faz: fui para Monsanto.

No entanto, desta vez a escolha exigiu um estudo prévio. Eu conheço muito pouco da mata de Monsanto, e sempre que vou para lá treinar reduzo-me àquela circunferência familiar de 3 ou 4km, o que se tornaria aborrecido num treino mais longo. Então, andei a pesquisar tracks e descobri um com cerca de 20km intitulado: "Monsanto para Rookies" e pensei, olha, é mesmo isto, feito para mim, perfeito. Claro que era um track de btt, mas onde passa uma bicicleta passam os meus Trabuco, certo? Então, arranjei companhia e lá fui.

Este é o meu resultado final.


Era quarta-feira à tarde, estava calor, mas nada que não se pudesse suportar. De qualquer forma, levei a minha mochila e alguma comida, para precaver. Mal sabia a falta que me iriam fazer...

Agora, antes de começar a relatar a história de horror e sofrimento que foi este meu treino, há que salvaguardar a qualidade do percurso gps, que não teve nada a ver com o sucedido. Era, de facto, um trajecto para rookies, com um acumulado amigável e uma selecção de diferentes tipos de terreno, ideal para explorar as diferentes vertentes da zona.

Comecei entusiasmada. O local de partida era novo para mim e passado as primeiras centenas de metros entramos logo em zona de "bosque", o que me deixa sempre muito feliz. A minha companhia seguia à frente de bicicleta a seguir as indicações do gps e eu conseguia mantê-la debaixo de olho a curta distância, só tendo de dar um grito de alerta em uma ou duas circunstâncias em que o trilho se dividia em dois e eu ia distraída a olhar para as árvores e os seus ramos bonitos e não vi para onde ela virou.

Perdemo-nos ligeiramente logo ao segundo ou terceiro quilómetro, o que fez com que tivéssemos de pedalar/correr algumas centenas de metros desagradáveis ao lado de uma estrada muito concorrida àquela hora, antes de retomar o caminho certo, mas não foi isso que me desmotivou.

Foi ao km4 que foram accionados os tons de alerta. Como se me tivessem desligado da corrente, quase que oiço o som de bateria fraca a ressoar dentro de mim, começam a esgotar-me as energias de uma forma avassaladora. Não estávamos a subir nem em nenhuma parte do percurso mais exigente, mas começo a sentir os meus músculos a fraquejar, o meu cérebro e os meus pulmões a incitar "corre", mas o meu corpo a responder "não". Um sonoro NÃO.

Comecei a perder terreno e a ficar para trás...



Cada vez mais para trás...


Até que ao km5, BUM, tive mesmo de parar.

Eu nunca corri distâncias superiores à Meia Maratona, nem nunca estive perto de sentir o que era chegar à fase d'O Muro, por isso não sei como é, ou se é semelhante, mas não foi nada agradável.
Nunca me tinha sentido assim, a respiração ainda nem se tinha alterado, mas os meus braços e pernas pareciam gelatina. Não tinha força nenhuma, sentia as pernas a tremer. Comecei a ficar assustada, com medo de estar com alguma quebra de tensão e desmaiar para ali. Encostei-me a uma árvore, suor frio, e pensei que o melhor era comer qualquer coisa, que podia ser só fraqueza. Comi uma banana e alguns frutos secos que tinha trazido e descansei alguns minutos.

Perguntam-me se estava  bem e se queria continuar. Eu respondo "isto hoje não está fácil", mas que queria continuar. Tinha vindo ali de propósito para fazer 20km e só estava no km5, claro que queria continuar. Mas sinceramente, naquela altura eu nem me sentia capaz de andar mais 15km, quanto mais corrê-los. Então pensei sobre o que seria mais sensato fazer e depois fiz exactamente o contrário: continuei a correr.

Vamos a isso.

Os quilómetros seguintes foram vagarosos, mas já não sentia formigueiro nas pernas e achei que seria capaz de recuperar. Engano.

Posso já adiantar-vos que, sim, cheguei aos 20km, mas durante todo o treino senti-me como uma personagem naqueles jogos electrónicos que está a ficar sem energia e que tem de se despachar a encontrar um bónus para recarregar a barrinha da força. Mas esses bónus estavam cada vez mais espaçados e a barrinha de energia estava sempre no limite vermelho.

- "Isto não está fácil", disse eu novamente no km9.

Ao longe avista-se um bairro e ouve-se o som de bailarico. Podia estar em Alfama, a comer sardinhas ao roubo de €1,5 cada uma e a beber sangria, mas não. Estava ali, e ainda por cima a ideia tinha sido minha. Começa a ficar tarde e eu não consigo andar mais depressa.

- "Isto não está fácil", repeti ao km12.

Maldita a hora em que passei o fim-de-semana a comer porcarias. Quase que sinto a cobertura do bolo de noiva comido às fatias a sair juntamente com o suor. Raio de gula incontrolável! Nesta altura estava convencida que só poderia ser essa a justificação para o meu estado: má alimentação e noites mal dormidas. Ter um corpo que se rebela contra nós não é bonito e vou tentar lembrar-me disso da próxima vez que me sentir tentada perante uma mesa de sobremesas.

- "Isto não está fácil", pensei ao km15, mas já nem tive forças para o dizer.

Perdemo-nos novamente e andámos ali um bocado às voltas. Tínhamos a opção de atalhar e voltar ao local de partida mais rapidamente, mas sempre à beira da estrada, ou voltar por trilhos, mas num trajecto mais longo. Nem pensei duas vezes, estou a morrer, mas ao menos seja uma morte lenta e bonita.

E é assim que, 2 horas e 40 minutos depois, estamos de regresso ao local de partida, após os 20km mais dolorosos de todos os quilómetros que corri até agora.

Fiquei contente por ter perseverado. Nem tudo foi mau. Conheci zonas de Monsanto que não fazia ideia que existiam, bosques autênticos, trilhos cerrados, vegetação alta... e vi um esquilo! E depois penso: se consegui persistir nestas condições, não há prova que me escape! (deixem-me acreditar que sim...)

Como este treino me deixou com um amargo de boca, claro que já estou a planear voltar a fazer o mesmo este fim de semana. No percurso de rookies ou não, mas tenho de recuperar a minha honra. Trilhos de Monsanto, aguardem-me.

Bom fim-de-semana!

11 de junho de 2013

O fim-de-semana nas montanhas

Na sexta-feira a montanha recebeu-nos com um humor cinzento, mas continuava linda.


Ao chegar a casa, o desgosto: as cerejas da nossa árvore ainda não estavam suficientemente maduras... Viaja uma pessoa 300km para isto.

Mesmo assim ainda comi uma ou duas, só para contrariar.

O sábado, dia do casamento, continuou chuvoso e frio, o que foi muito bom para todas as senhoras que tinham optado por um vestido mais fresco, porque, afinal, estamos em Junho... Ainda bem que levei casaco.

No dia seguinte ainda estava o tempo cinzento, mas impunha-se o exercício de recuperação das festividades. Se alguém tinha dúvidas sobre se seria boa ideia correr depois de um dia inteiro a enfardar comida, tentar provar de todas as sobremesas disponíveis porque valha-nos Deus se ficar alguma por experimentar, fazer diversos brindes e dançar várias horas em saltos altos... Dúvidas desfeitas: não é boa ideia.

Assim sendo, optou-se por uma caminhada em detrimento de uma actividade mais intensa e até tive companhia de um pequeno grupo, que se juntou a mim praticamente de madrugada (11h da manhã depois de uma noitada é madrugada, não é?) para uma voltinha saudável a respirar ar puro e refrescar dos excessos.


Como queria ver os dados como a altitude e o desnível, levei o Mr.G. para o passeio. Ao início estava a demorar a encontrar satélites, mas depois pus o braço no ar, qual Estátua da Liberdade, e juro-vos que esse é o truque para encontrar satélites mais facilmente. Aqueles cerca de 50 cm mais perto do céu fazem toda a diferença, experimentem!;)



Fizemos cerca de 5km, até que começou novamente a chuviscar. Curiosamente, nessa tarde o tempo teve abertas e houve até quem tenha arriscado um mergulho nas águas geladas de uma ribeira.

Não foi nesta, mas era só para ilustrar o sucedido.

Estou rodeada de pessoas doidas, porque só molhei os pés e acho que me parou instantaneamente a circulação nos mesmos (confesso que isto é só inveja de não ter levado fato de banho, pronto...).

E eis que chegamos a segunda-feira, o tão aguardado dia em que iria reunir-me com as minhas montanhas mais altas, dia para o qual andei, desde sexta, a tentar convencer alguém a juntar-se a mim. Não sei como as pessoas não se deixaram convencer pela qualidade dos meus argumentos: "Se aparecer algum lobo ou javali, assim já somos dois e ele fica confuso em relação a quem seguir" mas ninguém se mostrava entusiasmado com a ideia de acordar cedo para percorrer quilómetros em ganho de elevação.

Mesmo assim, antes de me deitar no domingo, pouco depois da meia-noite, como senhora de idade que sou e que já não aguenta dois dias seguidos de festa, ainda deixei um aviso na porta do frigorífico:

"PONTO DE ENCONTRO NA COZINHA ÀS 10H PARA CORRIDA NA SERRA EM AGRADÁVEL COMPANHIA"

Mas, não só ninguém fez caso, como no dia seguinte, quando desci para tomar o pequeno almoço, reparei que utilizaram a parte de trás da folha do meu aviso para apontar os resultados do jogo da Sueca a que ficaram a jogar até às tantas da manhã... Cambada de preguiçosos imprestáveis, é o que são os meus primos todos. Pffff!

Como eu tenho medo de me aventurar sozinha por atalhos que não conheço, aproveitei a boleia de uns tios que iam à quinta tratar dos animais (-> vida do campo) e segui com eles pela estrada que sobe a Serra, eles a andar e eu a correr à frente deles aos ziguezagues, para não me afastar muito. Depois, eles continuaram pela estrada e eu meti-me por uns caminhos de terra paralelos.

Ontem o tempo já estava melhor... cá em baixo na vila. Porque lá para cima o cenário era este:

Por detrás das nuvens esconde-se uma montanha!

As nuvens estavam a descer a encosta da serra e, quanto mais subia, mais me ia embrenhando no nevoeiro. Reparem.

Vista para trás.

A subir.

Mais a subir.

Arte natural.


A vila ao fundinho.


 A chegar ao topo da primeira encosta e o nevoeiro já a cobrir a paisagem abaixo.


Marco do limite de freguesia.


Nesta parte fiz um pequeno vídeo da paisagem circundante mas filmei com o telemóvel de lado, por isso peço desde já desculpa pelo torcicolo.


Depois de recuperar a respiração não quis estar a continuar em frente, já que este caminho ia afastar-se muito da estrada, então voltei para trás, o que perfez apenas 7,5km de treino. Pouco. MUITO POUCO.



Sabia que podia perfeitamente passar os 1000 metros de altitude, já que a estrada continua a subir uns bons 10km, mas sozinha não me sentia à vontade para continuar. Mas aqueles 915m de elevação máxima ainda me estão entalados... Precisa-se de companheiro/a para corridas nas montanhas, asap.

E depois de três dias muito felizes, ontem regressei a casa, não sem antes passarmos por uma Festa da Cereja, porque não se pode ir à Beira Baixa nesta altura e não trazer cerejas, é como ir a Roma e não ver o Papa.



Como o açúcar consumido nos dias anteriores não tinha sido suficiente, ainda comprei um pastel de cereja para experimentar.

Dois, pronto...

É tipo um pastel de nata, mas com recheio de cereja. Não é mau, mas continuo a preferir os originais.

Assim se passou mais um fim-de-semana. Esta semana, como tenho mais tempo, vou fazer um treino longo, para compensar a falta de distância nas pernas e o excesso de calorias no corpo.

Boa semana!


6 de junho de 2013

Fim-de-semana grande (como as montanhas)

Apesar da temperatura estar outra vez a mudar, no início da semana esteve muito calor e, a melhor forma de lidar com isso, foi procurar um local fresco e cheio de neve para treinar. Sim, em Lisboa. Vejam:


Ok, não é bem neve, mas se tivermos imaginação suficiente...


Não, nem mesmo assim.

Correr com estas coisas brancas das árvores pelo ar, sobretudo quando já vamos cansados e ofegantes, não é agradável, não tentem fazer isso nos vossos treinos.

Foi uma semana cansativa, mas lá deu para os pelo menos dois treinos semanais da praxe e amanhã parto rumo às montanhas. Já as oiço a chamarem-me...


"CORRE-MEEEEEE"

(Ou arrasta-te aí a tentar escalar-nos, o que achares melhor).

Por acaso estou ansiosa por voltar a correr nesta serra que me tira o fôlego (literalmente... por causa da elevação e isso) porque vai ser a primeira vez que vou ter oportunidade de o fazer com o Mr. G. e  tenho curiosidade em ver aquelas coisas todas geeks que os corredores gostam de saber, como a altitude e os ganhos e perdas e acumulados... Já estou a contar que os min/km não sejam valores muito agradáveis, mas ao menos tenho a desculpa de "é da altitude, falta-me o ar". E da emoção também, porque eu sou sempre muito feliz ali.

Acho que já dão chuva para o fim-de-semana, mas não faz mal. Se o casamento for "boda molhada, boda abençoada",  o mesmo deverá servir para a corrida, não é?

A mala ainda não está feita, provavelmente só amanhã ao final do dia, a 5 minutos de me enfiar no carro para a viagem, mas a questão do calçado já está despachada.

(Os trabuco estão ligeiramente sujinhos, acho que nunca mais vão voltar a ser os mesmos, ignorem)

Fazem um belo par, que me dá cabo dos pés de maneira diferente. Adivinhem qual é que prefiro?... ;)

Família. Amigos. Casamento. Comida. Mais comida. Sobremesas. Música duvidosa. Danças com comboio. Bolo. Brindes. Ressaca. Ar puro. Caminhadas. Corrida. Árvores. Ribeiras. Montanhas... Se isto não é um fim-de-semana perfeito, não sei o que é.

Até para a semana!

5 de junho de 2013

E agora para algo completamente diferente

Por causa da conversa sobre "combustível" para o nosso organismo durante o exercício, resolvi fazer barrinhas de cereais.

Quem me lê há mais tempo sabe que não sou uma cozinheira muito dotada. Safo-me. Mas não tenho paciência para receitas longas, com muitos ingredientes, ingredientes desconhecidos, ou instruções muito complicadas.


E agora que vocês mal podem esperar para que um dia vos convide para jantar em minha casa, vamos às barrinhas.

Há uns tempos fiz as minhas primeiras barrinhas de cereais caseiras. Não correu mal, e são estranhamente simples de se fazer. Mas ultimamente andava outra vez a apetecer-me e pensei: "Tu és da lei do menor esforço na cozinha, procura lá bem que consegues arranjar uma receita ainda mais fácil. Acredito que és capaz de te empenhares ainda menos, força nisso!"
Então, andei a pesquisar e encontrei receitas que nem é preciso ir ao forno, basta deixar algumas horas no frigorífico. Feito!

Aqui fica a minha, adaptada consoante os ingredientes que tinha em casa e que, hipoteticamente, me darão energia para centenas de quilómetros (dezenas, vá).

Barrinhas de Cereais Para Quem Quer Aumentar os Kms mas Diminuir o Tempo na Cozinha
  • 1 chávena de aveia
  • 1 chávena de flocos de trigo (ou equivalente que tenham em casa)
  • 2 colheres de sopa de sementes de chia* (* se são boas para os tarahumara, são boas para nós)
  • 1/2 chávena de frutos secos (eu usei passas e bagas goji)
  • 1/4 chávena de chocolate preto aos pedacinhos (mínimo 70% cacau ou amargo)
  • 1/2 chávena de manteiga de amendoim
  • 1/2 chávena de mel


- Misturar os ingredientes secos numa tigela e, à parte, a manteiga de amendoim com o mel (pode ser preciso amolecer previamente a manteiga de amendoim no microondas).

- Misturar todos os ingredientes e ajustar quantidades, se necessário, até ganhar uma consistência moldável.

- Estender a massa num tabuleiro forrado (esta parte pode tornar-se peganhenta e causar algum caos -> aviso de amiga).



- Levar ao frigorífico durante algumas horas (melhor de um dia para o outro).

- Cortar em barrinhas.


Por ser mais cómodo para levar em treinos, cortei em pequenos cubos em vez de barras,
mas penso que esta receita dá para cerca de 12 a 14 barrinhas.

- Correr e comer! 


Enrolei os cubinhos em película plástica e guardei-os no frigorífico. Agora, quando sair para um treino mais longo, é só pegar em um ou dois e seguir.

Eu costumo comprar uma marca de barrinhas de cereais de supermercado, e são boas, mas fazendo as minhas próprias até parece que corro com mais energia. É científico.


Tenham um bom dia e bons treinos!


3 de junho de 2013

Treino na Barragem do Rio da Mula


Lembram-se que a ideia era fazer um treino mais longuinho no fim-de-semana? Pois, não foi isso que aconteceu, por razões que vou passar a desenvolver, mas, no entanto, isso não significa que não tenha sido duro, porque foi! Suspeito que tenha a ver com um certo treino de pernas que uma amiga me convidou para fazer na quinta e do qual não recuperei completamente na sexta... Foi uma experiência tão traumatizante que nem vou partilhar aqui! :) Mas agora já sei o que é correr com pernas muito cansadas e obrigá-las a subidas consecutivas... Sofri um empeno de tal tamanho que se já não tivesse combinado ir ao cinema com o meu irmão, nem tinha saído mais de casa o resto da tarde.

Mas comecemos pelo princípio.

Ponto de encontro: Barragem (do Rio) da Mula, 9h30 da manhã.

A Barragem à direita e, em frente, a subida por onde iríamos iniciar.

Já há algum tempo que queria ir fazer um treino para a zona da Serra de Sintra que, na minha opinião, aqui perto de Lisboa é das matas mais bonitas para se correr. Não conheço bem a zona nem é sítio onde me fosse meter sozinha, mas desta vez juntei-me a amigos do BTT, que foram fazer um treino no local.
E lá apareço eu, pernas ainda rebentadas de quinta-feira (obrigada S., os exercícios funcionam mesmo...), toda armada em atleta com a minha t-shirt da Meia Maratona de Lisboa e a mochila de hidratação (também conhecida no meio por "camelbag") às costas.

Perguntei a um amigo se o início do treino seria sempre a subir, para me preparar mentalmente, e ele disse que não, era só aquele bocado ali até à curva e depois alisava... Nunca confiem num bttista! Não só não alisou como pelos menos os três primeiros quilómetros foram sempre a subir, às vezes mais inclinado, outras vezes menos, mas sempre! Não sei se foi para não me desmotivar, mas preferia ir preparada para a realidade. Fui os primeiros quilómetros todos a odiá-lo silenciosamente e a congeminar como me poderia vingar desta falsa declaração. E a tirar fotos. 


Na realidade, foi exactamente pelas subidas que quis ir para ali, porque se for sempre tudo fácil, não se evolui.

Já se sentia bem o calor a esta hora e o vento dos últimos dias parecia ter tirado uma folga. Hoje foi daqueles dias que entendemos, e agradecemos, a utilidade de trazer água às costas.


Por volta do km4, umas ligeiras dores que me incomodavam desde que acordei (senhoras, vocês sabem quais são) começaram a piorar, o que por um lado foi bom, porque me distraiu das dores das pernas - perspectiva da filosofia copo meio cheio - mas obrigou-me a ter de andar e mesmo a parar, enquanto o amigo da "é só esta subida e depois alisa" voltou atrás para ir buscar ao carro uns analgésicos que a namorada tinha na mala (desta forma, redimindo-se completamente do prévio comentário enganador).

Aguardei junto a um parque onde estava um grande grupo do que parecia ser uma excursão de caminheiros, pelo menos estavam todos equipados a rigor, enquanto a minha outra amiga pedalou até ao Convento dos Capuchos para fazer tempo. Fiquei com pena de não ir até lá (era continuar sempre a subir), mas fica para a próxima.


Felizmente as dores passaram, porque já estava a ver que tinha vindo para tão longe, com trilhos tão atractivos para correr e tinha de voltar para o carro com 4km feitos.

Passado uns bons minutos, onde aproveitei para comer uma barrinha de cereais, volto à corrida, agora sim, numa parte do percurso mais "plano", tanto quanto possível numa serra.


Ao longo de todo o percurso passámos por vários ciclistas, mas só duas pessoas (um casal) a correr. Havia vários carreiros que se entrecruzavam, penso que para quem não conheça seja fácil perder-se, mas também permite criar treinos das mais diversas distâncias ali na zona, pela abundância de opções.

Infelizmente, como perdemos tanto tempo, mea culpa, tive de encurtar o treino e, depois de uma longa descida, daquelas que os joelhos gostam, estava de volta à barragem com 9km feitos.


Para me compensarem e porque agora tenho, cito, "a mania dos trails", reservaram-me uma surpresa e levaram-me a uma última volta em redor da barragem onde tive direito a cruzar um pequeno ribeiro:


e a uma última subida(zona) com montes de ramos e troncos caídos para me sentir uma Tomb Raider em acção.

Terminei o meu treino aos 11km, em cerca de 1h25, porque tinha de estar em casa cedo, e eles continuaram o seu passeio em duas rodas.

Como disse, foi pouquinho, mas ainda assim com um ganho de elevação respeitável. É uma zona que recomendo, se forem com alguém que conheça bem a serra, porque é difícil, mas asseguro-vos de que nada aborrecido.



Este foi só um primeiro teste a ver como me aguentava a correr pelos montes com calor. Não correu muito bem, mas não vou desanimar.

E ontem, como vos tinha dito, fui fazer claque para a Corrida do Oriente, onde alguns colegas quase não me reconheceram porque "estava de cabelo solto". Ahah! Realmente é engraçado, porque há pessoas que só vejo no contexto da corrida e se por acaso calha ver algum "à civil", ou seja, sem estarem equipados para correr, é verdade que à primeira vista acho sempre estranho. Quase como: ena, mas afinal ele/ela também usa roupas de pessoa normal, t-shirts sem ser técnicas e calças de ganga e tudo... :)
Mas portaram-se todos muito bem, sobretudo tendo em conta que já estava uma manhã quente, e estão de parabéns.

Esta semana tenho um casamento na terrinha e é fim-de-semana prolongado, o que significa que, na ressaca da boda, vou ter tempo para correr na Serra. "A" Serra. A minha, a da Estrela. Vai ser assim como uma espécie de Oh Meu Deus particular, embora a uma escala de distância mais reduzida. Depois ponho-vos a par.

Boa semana!