30 de janeiro de 2013

Treinos MM - semana 3

A semana 3 é uma semana rápida de descrever, porque consistiu apenas em duas corridas:
 
- Terça-feira: 8km
 
O treino da chuva de granizo.
 
 
 


Totais:
Distância - 24,4km
Tempo - 02:41:41
Calorias - 1498


Não houve cá exercícios de força, nem de core, nem alongamentos nem sequer meia dúzia de abdominais para amostra. Foi uma semana (e tem sido) de algum stress e mudanças e acho que isso se reflectiu na minha pouca vontade para fazer exercício. O que é mau, porque eu sei que quando saio para correr fico logo com melhor humor.

A alimentação também não tem sido das melhores. Gostava de ser mais organizada, como às vezes vejo, pessoas que criam ementas semanais e preparam refeições com antecedência, mas não consigo. Esta semana cheguei tarde e/ou não me apeteceu estar a cozinhar, o que significou jantar sandes ou outras coisas rápidas e depois no dia seguinte ter de gastar dinheiro a comprar almoço. Não pode ser. O que vale é que quando vou visitar os meus pais a minha mãe acha sempre que tem de me alimentar para o mês todo e então venho de lá com tupperwares cheios disto e daquilo. Apesar de eu refilar sempre, na semana que passou foi uma grande ajuda. Um obrigada a todas as Mães do mundo, em especial à minha, que querem sempre ver os seus filhos rechonchudos e felizes quer tenham 5 anos ou 30.

Esta semana tenho de dar volta à inércia. Ontem já fui dar uma corrida, para ver como estavam os músculos depois da prova. Tal como suspeitava, a experiência do Cabo da Roca deu-me mais luta que a do Cabo de Finisterra (de forma diferente), mas nada que não se faça!


Ando desmotivada, mas melhores dias virão. Um bom resto de semana para vocês!



28 de janeiro de 2013

G.P. Fim da Europa

Mais um relato do Fim da Europa, o meu. Já houve quem tenha feito o seu e ao longo dos próximos dias haverão muitos mais relatos, mas o bom disto é que, apesar de serem os mesmos 17km para todos, é sempre uma experiência individual, há sempre um ponto a acrescentar, algo a que a alguns passa despercebido e a outros faz toda uma prova. Por isso, quando vos leio, estou a ver a mesma corrida mas com os vossos olhos, e isso faz toda a diferença. No entanto, no meio de tantos olhares distintos, ou complementares, sobre o Fim da Europa, numa coisa todos vão concordar: é duro e querem voltar a repeti-lo. (Ok, tecnicamente foram duas coisas, mas estão interligadas).

Deixaram-me perto da estação de comboios de Sintra eram 09h00 num domingo chuvoso. Não tinha dormido cedo nem tomado o pequeno-almoço habitual. Na verdade, todo o pré-prova foi completamente atípico, mas tudo bem, esta também não era uma prova normal. É um dia em que os "tempos" ficam para segundo plano.

Encontrei a "equipa amarela" junto ao local da partida, reunidos sob um chapéu-de-chuva. Hoje iria envergar a t-shirt dos 4 ao Km. Fizemos o aquecimento possível ainda com uns chuviscos ligeiros, durante o qual encontrámos alguns colegas destas andanças bloguer-corredoras, mas na hora da partida a chuva cessou.

Logo de início a prova é muito bonita, passando junto ao Palácio Nacional, seguindo por zonas turísticas e começando a serpentear serra acima. As pessoas já vão avisadas, por isso resguardam-se. Os kms 2 e 3 vão acabar por ser os meus mais lentos de toda a prova, sobretudo porque a meio do segundo senti uma pontada no gémeo. Depois acabou por desaparecer, ou o músculo aqueceu e deixei de a sentir, o que, para todos os efeitos, vai dar ao mesmo.

Vestir uma t-shirt que diz "4 ao Km" dá azo a alguns comentários, como devem imaginar. Sobretudo quando vamos no meio do pelotão a um ritmo, chamemos-lhe, "confortável" (= alguém daí da frente atire uma corda cá para baixo se faz favooooor)... Não sei porquê, mas as pessoas assumem imediatamente que o 4 corresponde a minutos. Porque será?;)

Mas como estava a dizer, vamos serpenteando por ali acima durante cerca de 4km, 5km. Não é fácil. Mas a verdade é que se há sítio em que vale a pena o sacrifício, é ali. Ainda eram visíveis os estragos causados pelo temporal do fim-de-semana passado: árvores enormes e centenárias caíram e arrastaram consigo outras árvores e até muros. Já tinha visto imagens na televisão, mas vendo assim é que nos apercebemos da dimensão da coisa. Apesar de ainda haver muito trabalho pela frente, todo o percurso estava limpo e em condições de segurança.

Sei que muitos de vocês se queixaram do nevoeiro, mas eu achei que estava perfeito assim.
 



No cimo da serra o nevoeiro abafou o som, e só se ouvia o som das passadas e da respiração das pessoas. Houve até um momento em fomos todos ali durante um bocado sem falar, só a desfrutar do silêncio. Foi a minha parte favorita.

[Agora queria introduzir aqui um pequeno vídeo que fiz desta parte do percurso, mas como não estou a conseguir descarregá-lo, vão ter de imaginar! Mais logo, se conseguir, torno a tentar e actualizo.]

Depois chegámos ao infame km 10 e é verdade, não é fácil, sobretudo depois do que ficou para trás. Sentia as pernas a queimar (sou fraquinha!) e tive de caminhar um bocado. Não queria atrasar os colegas de equipa - e entretanto outro atleta que já se tinha juntado à nossa companhia - senão teria caminhado ainda durante mais tempo. É que a correr sentia-me como naquela parte do filme «Mr. Bean em Férias», em que ele tenta roubar uma trotineta motorizada que não dá mais do que uns 10km/hora e é claro que é apanhado pelo dono, que apenas teve de apressar o passo atrás dele. Quando passava por algum outro atleta que ia a caminhar e eu a "correr" (mais a dar aos braços que outra coisa), quase que podia senti-lo a tocar-me no ombro e a perguntar "aonde julgas que vais com essa velocidade?". É engraçado como a subir quase parece que estamos a competir em câmara lenta.

Mas depois, depois começamos a descer.

Já se vê o mar!

Neste ponto, acho que esta prova está incrivelmente bem pensada. Penamos durante uns bons quilómetros, mas depois temos a recompensa de nos quilómetros finais ser só deixarmo-nos ir. Se fosse ao contrário, os últimos quilómetros sempre a subir depois do embalo de uma descida, seria mais cruel.

No entanto, acho que exagerei um bocadinho no embalo do km 15, porque senti novamente o músculo (tendão?) do gémeo a prender-me a perna. O que vale é que já estávamos a chegar à Azoia, onde os atletas que já haviam terminado e estavam a regressar nos iam dando um apoio - "Força, está quase!" - e algumas pessoas, entre as quais um grande grupo de turistas japoneses muito entusiastas, nos iam animando.

Cruzámos a meta juntos, 3 dos 5 ao km que participaram nesta prova. 01:52:32 - tempo Garmin.

Hoje apenas tenho os gémeos doridos, sem a dor no tendão, mas amanhã já faço um test-run para despistar problemas (knock knock). Como estas subidas foram difíceis, para o próximo domingo tenho mais! Água mole em pedra dura tanto bate até que fura - qualquer dia estou a fazer Kms Verticais como passeio. Sonhar não custa, né?

 
Acho que concordamos todos: Foi difícil? Sim. (Embora não seja assim tão assustador como temia). Vamos voltar? Óbvio.

Boa semana!



25 de janeiro de 2013

De Cabo a Cabo

 
Algures no Outono de 2010, concluí uma caminhada de vários dias em Finisterra. 
Finisterra, do latim finis terrae, ou seja, o "fim das terras", é uma cidade costeira, em território galego, que dista mais de 90km, por caminhos a pé, da cidade de Santiago de Compostela. Antes dos navegadores fazerem as descobertas além-mar, numa altura em que o mundo ainda era plano, julgava-se ser aqui, neste ponto mais ocidental da Europa*, que terminava a terra. Daqui para a frente apenas o Mar, e depois o Nada.
A cidade e, mais concretamente, o Cabo de Finisterra, acabaram por ganhar uma conotação mística e tornar-se local de peregrinação numa época que dizem remontar aos celtas. Rumavam pelo norte da Europa, seguindo o percurso do Sol, na sua deslocação do oriente para ocidente, e iam assistir ao ocaso, no último pedaço de terra que se projectava em falésias. Aí, acendiam fogueiras e procediam a uma série de rituais pagãos de purificação e renovação. Posteriormente, já sob império romano, este ritual viria a acabar por dissolver-se na tradição católica dos Caminhos de Santiago e hoje em dia são muitos os peregrinos que escolhem continuar e percorrer os quilómetros que separam esta cidade do mar.

E era neste percurso que me encontrava em Outubro/Novembro de 2010. Os céus tinham-se aberto num dilúvio desde que chegara a Santiago, como que testando a minha vontade de prosseguir. Até há bem pouco tempo nem nunca tinha ouvido falar em Finisterra, trilhos antigos e lendas mágicas, mas estava ali tão perto, e o que são mais três dias de caminhada? Como resistir ao apelo do pôr-do-sol no "fim da terra"? Continua-se? Claro!

Chovia no primeiro dia...

                                        

e continuava a chover no segundo.




Mas eis que, ao terceiro dia, quando já se temia que em vez do sol apenas se contemplaria uma enorme nuvem negra sobre o horizonte...
 
 
Um sinal de esperança.

As horas passam, numa corrida contra o horário de Inverno que antecipa a noite.

Quase a chegar. É "só" contornar toda a enseada e chegar lá ao fundo,
ao piquinho do cabo que se estende à esquerda.
 
As mochilas são largadas a correr no albergue, as botas encharcadas e pesadas são trocadas, numa tentativa de aligeirar o passo nesta corrida que se torna cada vez mais urgente.

Foi por pouco, mas ganhei.
 
A admirar a linha do horizonte onde, para os Antigos, já não havia nada se não Mar.
(Desculpem Américas!)
 
Juntei os meus passos aos de milhares antes de mim, junto à bota de bronze na última rocha,  antes dos últimos raios de sol se esconderem.
 
 
 
Todos querem poder dizer que pisaram o km 0 da Antiguidade.
 
 
 
 
E porque é que vos estou a contar tudo isto agora? Se estiveram com atenção, repararam num pormenor: * o Cabo de Finisterra não é o ponto mais ocidental da Europa. O ponto mais ocidental da Europa é o nosso Cabo da Roca.
 
Este domingo, mais de dois anos depois, vou então finalmente pôr-me a caminho do verdadeiro cabo mais ocidental. Já lá estive de carro, mas isso não conta, têm de ser os pés a conquistá-lo. Curiosamente, como então, a chuva parece lançar o desafio. Aceite.
 
Este domingo vou participar numa prova que termina no Cabo da Roca e que se chama, adequadamente e com mérito, Fim da Europa.
Não são 90km, serão "apenas" 17km. Também não conto chegar ao Cabo ao pôr-do-sol (a prova começa às 10h da manhã, mal seria!), mas cheira-me que vai custar infinitamente mais que os três dias de caminhada que me levaram a atingir o falso segundo ponto mais ocidental da Europa, em terras galegas.
 
"Sin dolor no hay gloria" - era o lema das mazelas do Caminho. Eu preferia um bocadinho menos de dor e chegar à Roca com a glória de me manter de pé.
 
Talvez depois até faça novamente uma pose a la Cristo Rei, quando, pela segunda e, desta feita, justa vez, ganhar ao sol na corrida ao Fim da Terra.
  

 
 
Neste caso, Fim da Europa. Vemo-nos lá.
 


23 de janeiro de 2013

Condições climatéricas: Correr com granizo - Check

 
Eu sei que pelo título nunca chegariam lá (ihih), mas na corrida de ontem apanhei uma molha de granizo!
Passou o dia chove, faz sol, ventania, chove, mas quando saí não chovia, apesar de estar um vento gelado. A cerca de 15/20 minutos do treino, ia na minha habitual velocidade vagarosa quando o céu resolve descarregar uma saraivada. Durou poucos minutos, mas desci logo para uma velocidade de 5s-e-qualquer-coisa ao minuto que foi uma maravilha!
Os corredores que foram apanhados no meio daquilo continuaram a correr (fazer o quê, já estávamos encharcados de qualquer forma), mas olhavam uns para os outros de passagem com um riso no rosto como quem assente "somos malucos e sabemos".
Assim como veio, a saraivada foi-se, mas deixou-me gelada. O granizo é mesmo frio (duh) e foi um choque térmico instantâneo. De nada valeu tentar proteger as mãos ou a cara, até as pernas perderam sensibilidade.

Fiquei um pouco preocupada porque reparei que o Garmin começou a ganhar humidade e a embaciar o ecrã, e isto no espaço de poucos minutos. Nunca me tinha acontecido em nenhum dia de chuva anterior. Parei durante um bocado e virei-o para dentro do pulso, de forma a não apanhar com a chuva directamente (não sei se fez grande coisa). É normal isto acontecer? Entretanto, pouco tempo depois de estar em casa desapareceu a mancha do ecrã, mas sempre pensei que fosse mais impermeável/estanque...

Esta foto tirada do tlm era para vocês verem o ecrã embaciado,
mas como toda a foto ficou desfocada não se percebe... Foto fail.

Uma coisa boa (?) da ventania que estava foi que cheguei a casa e a roupa já estava seca. Só os ténis é que estavam encharcados e este já é o segundo par (o primeiro está a secar desde domingo, com folhas de jornal dentro e tudo, mas não há meios de ficar seco)... Sei que não aconselham secar os ténis junto ao aquecedor, mas se calhar é o que vou ter de fazer se quiser um par disponível para  o G.P. Fim da Europa... 

Foi uma experiência diferente e já posso riscar granizo da lista, fica a faltar a neve.


Hoje passei pela biblioteca a caminho de casa porque já lá tinham o livro que tinha reservado: Dentro do Segredo - Uma viagem na Coreia do Norte, de José Luís Peixoto. A "minha" biblioteca não tem secção de Desporto-Corrida (tem secção de Saúde/Bem-Estar, mas mesmo assim não está muito equipada), o que é uma pena e poupava-me uns trocos, para ler todos os livros que quero e que vocês sugerem. Entretanto, vou lendo outras coisas.

Como já sabem, o JLP é um dos meus autores portugueses preferidos. Muitos sabem que é fã de Moonspell, tem vários piercings e tatuagens, mas poucos sabem que também gosta de correr. É verdade. Bom escritor e também corre? Prémio Nobel já!:)

Aliás, um dos seus livros, Cemitério de Pianos, tem por base a história de vida de Francisco Lázaro, o maratonista português que morreu durante a Maratona Olímpica de Estocolmo. Livro que tem uma das mais bonitas e verdadeiras citações sobre corrida (para mim):

"(...) quando ia treinar, passava pelas ruas a correr e ninguém podia imaginar o mundo de palavras que levava comigo. Correr é estar absolutamente sozinho. Sei desde o início: na solidão, é-me impossível fugir de mim próprio. Logo após as primeiras passadas, levantaram-se muros negros à minha volta. Inofensivo, o mundo afasta-se. Enquanto corro, fico parado dentro de mim e espero. Fico finalmente à minha própria mercê. (...) Foi então que aprendi a correr contra as palavras dentro de mim, da mesma maneira que aprendi a correr contra o vento."


Boas corridas contra o vento (esta semana não dá para evitar!).



22 de janeiro de 2013

Nascidos para Correr

«Uma tribo secreta, superatletas e a mais espectacular corrida do mundo que ninguém viu.»

O livro.

 
 
Terminei a semana passada de ler o livro de Christopher McDougall. Segundo o autor, o livro  nasceu de uma simples pergunta: "Porque me dói o pé?". A partir daí, McDougall entra numa epopeia de exames e médicos, pedindo uma segunda, terceira e até quarta opinião, na esperança de contrariar o diagnóstico que não se conforma em ouvir: Se calhar era melhor deixar de correr.
Em busca de uma resposta para as suas (e da grande maioria dos atletas) lesões, depara-se com a história da lendária tribo Tarahumara, ou os Rarámuris, conhecidos por percorrerem centenas de quilómetros por trilhos inóspitos, descalços ou com umas simples sandálias de borracha, as huaraches. Os Tarahumaras vivem no México, e é para lá que McDougall se dirige.
Aí, irá conhecer Caballo Blanco, um americano que se converteu ao estilo de vida do desfiladeiro e que o apresentará aos superatletas, convencendo-o a co-organizar uma das maiores competições que permaneceu quase anónima e que defrontará os tarahumaras, no seu terreno, a atletas ultramaratonistas dispostos ao desafio.
 
Apesar de o livro estar escrito ao jeito de ficção - por vezes parecia-me estar a ler uma história - os factos são reais. Nomes como Ted "Pé Descalço" McDonald, Scott Jurek e Jenn Shelton, apenas para referir alguns, entram na história como participantes desta curiosa prova e embora acredite que sejam levemente caricaturados para propósitos da narrativa, não deixam de ser grandes (e reais) atletas.
 
Enquanto conta a história que levou à realização de uma corrida de 80km pelos desfiladeiros mexicanos, Chris McDougall partilha algumas das conclusões médicas e científicas a que chegou depois da sua pesquisa acerca da "indústria da corrida", a pressão da marcas e como nascemos geneticamente programados para correr (a teoria do "Homem Corredor", que achei muito interessante.) Basicamente, leva-nos a questionar o lobbie das marcas desportivas e a efectividade dos ténis de centenas de euros. O capítulo 25 é inteiramente dedicado a esta questão, onde expõe, e cito, as "verdades dolorosas":
Nº1: As melhores sapatilhas são as piores.
Nº2: Os pés gostam de levar uma boa tareia
Nº3: Os seres humanos foram concebidos para correr sem sapatilhas.
 
Todos estes são pontos de livre discussão, que devem ser lidos com espírito crítico. No entanto, acho que levantam boas questões.
 
Não fiquei deslumbrada com o livro, se calhar porque tinha expectativas altas, mas acho que dá uma boa leitura e vale a pena ser lido por todos aqueles que gostam de correr.
 
Para terminar, algumas citações:
 
- "Esse era o verdadeiro segredo dos tarahumaras: nunca se esqueceram de como é gostar de correr. Lembravam-se de que correr era a primeira bela arte da humanidade, o nosso acto original de criação inspirada. Muito antes de rabiscarmos gravuras em cavernas ou de tamborilarmos ritmos em troncos ocos, aperfeiçoámos a arte de combinar a respiração e o espírito e os músculos numa autopropulsão fluida sobre terrenos acidentados. (...) Nascemos para correr; nascemos porque corremos. Somos todos parte do Povo Corredor." - in Teoria do Homem Corredor.
 
- "Para lá do limite máximo do cansaço e do sofrimento, poderemos encontrar reservas de força e tranquilidade que nunca sonharíamos ter; fontes de energia nunca antes minadas por nunca antes nos termos obrigado a ultrapassar o obstáculo."  - Scott Jurek, citando William James.
 
- "Prepara-te - gritou-me Eric quando passávamos um pelo outro na margem do rio. - É muito mais difícil do que te lembravas". - Eric Orton para McDougall, um belo exemplo de como animar alguém a meio de uma corrida dura pelos montes.
 
- "Vence o percurso - disse a mim próprio. - Mais ninguém. Vence só o percurso." - McDougall, a meio de uma quebra física e mental na corrida tarahumara.
 
- "Não quero cá ninguém para nada, excepto para correr, confraternizar, dançar, comer e passar um bocado connosco. Correr não é para fazer as pessoas comprar coisas. Correr é liberdade, pá." - Caballo Blanco.
 
 
 
Já leram o livro, que acharam? Alguém já correu com ténis minimalistas (ou até mesmo do género dos Vibram FiveFingers)?
 
 
Quem quiser saber mais sobre esta fascinante tribo, um pequeno vídeo: Super Athletes of the Sierra Madre.
 
 

21 de janeiro de 2013

Treinos MM - semana 2

 
Este fim-de-semana esteve complicado para actividades ao ar livre. Na sexta-feira passei a noite a acordar com as rajadas de vento que faziam estremecer a persiana da janela do quarto e só pensava porque é que naquele dia, entre todos os outros, tinha estacionado o carro debaixo de umas árvores. Felizmente encontrei o carro intacto no dia seguinte mas, enquanto conduzia para ir almoçar a casa dos meus pais, vi muitos estragos causados pelo vento. Inclusive, nessa tarde, haveria de cair uma enorme árvore na rotunda ao pé da casa deles.
 
Claro que ir correr nesse dia estava fora de questão (tinha pensado ir para Monsanto, imaginem). Foi um dia para ficar em casa e fazer qualquer coisa de útil, como passar a ferro os quilos de roupa que se estão a acumular na cadeira do quarto ver mais um filme da lista de nomeados para os Óscares, o Zero Dark Thirty (ou: 0h30 A Hora Negra). Sabiam que foi uma mulher que esteve por detrás da operação de captura de Bin Laden? Eu não sabia. Achei um filme interessante.
Depois comecei a ver o Les Misérables, mas como não sou muito de musicais tive de fazer uma pausa (o filme é bom, eu é que já estava a ficar cansada).

Deitei-me com a esperança de que ontem já estivesse um dia melhor (pelo menos o vento já tinha amainado) e, apesar de me ter esquecido de ligar o despertador e ter acordado "tarde" (09h00), quando olhei pela janela vi que, apesar de chuviscos, não havia ventania - já está muito bom para mim!

Acabei por ficar pela zona, testando um percurso diferente com mais desnível. Acabei por fazer 12km, os últimos dois já sob chuva intensa.


                                 


Com esta concluí a segunda semana de treinos, que foi muito fraquinha.

- Segunda-feira - Descanso
 
- Terça-feira - 8km

Corrida ao final da tarde. Neste dia estava um bocado cansada, mas saí na mesma e, a mal ou a bem, acabei por fazer os 8km com relativa facilidade. Não começou mal a semana.
 
- Quarta-feira - Exercícios de força
 
Desta vez não fiz nenhum programa completo, mas continuo a esforçar-me, por isso merece figurar aqui.
 
- Quinta-feira - 4,7km

Tinha reservado este dia para ir fazer um percurso com rampas, mas recebi uma mensagem de uma amiga a perguntar se queria ir correr um bocadinho com ela. Ela ainda é de menos velocidades que eu, mas tentei, discretamente, levá-la por um percurso um bocadinho mais desafiante, com a desculpa que era "para variar". Ela não gostou e obrigou-me a terminar o treino aos 4 vírgula 7 kms, sabendo perfeitamente que eu gosto de concluir com números certinhos. Foi vingança, que eu sei :). Podia ter feito pelos menos os restantes 300 metros depois de ela ir para casa, mas já não me apeteceu.
 
- Sexta-feira - Descanso
 
- Sábado - Descanso
 
- Domingo - 12km

Nesta corrida andei por bairros diferentes, a descobrir ruas por onde nunca tinha corrido. Não se torna tão aborrecido assim, mas tive de atravessar muitas estradas e correr em beiras de passeio, o que já não gosto tanto. Era domingo e não havia muito trânsito, mas para a próxima se calhar vou mais cedo. Já para o fim começou a chover muito, até se tornar desagradável. Era para ter feito 15km, terminei aos 12km, toda encharcada. Por um lado até foi bom, já que para a semana já me vou cansar o bastante.

 
Uma semana com muito descanso e pouca corrida. Em termos de velocidade acabei por não fazer nada. Parece que a motivação para os treinos desta segunda vez já não é tanta. Se calhar é por não me ter organizado em termos de plano, não sei.

Seguem-se dois fins-de-semana de prova, cada uma com o seu desafio diferente. Vai ser interessante!


Boa semana!
 
 
 

17 de janeiro de 2013

Um elefante com asas (ou porque corro #2)

-  "Porque corres tanto?". Já ouvi esta pergunta algumas vezes. Reparem que o "tanto" aqui é referido por alguém que nem para apanhar os transportes públicos corre. Se o autocarro já estiver a assinalar a manobra de partida, em vez de apressar o passo e esbracejar, para chamar a atenção do motorista, ela encolhe os ombros, senta-se na paragem e puxa de um cigarro.
Também temos as versões "Muito corres tu, mulher", "Andas a treinar para Rosa Mota?" ou "Já estás magrinha, não precisas". São as mesmas pessoas que depois de uma prova me perguntam em que lugar fiquei, em vez de quanto tempo fiz.
Quem está por fora, não entende que já não é uma questão de perder peso e de melhorar a saúde. Também é para ser mais saudável, sim, mas para isso podia correr apenas 5km três vezes por semana que fazia o mesmo efeito e não sobrecarregava articulações. Também não é uma questão de ganhar. Nem nunca poderia ser. Pelo menos, no sentido de vencer os outros. Por isso, quando me perguntam em que lugar fiquei rio-me sempre, sei que é uma pergunta válida e bem-intencionada, mas a verdade é que a maior parte das vezes nem sei em que lugar fico, só sei se fiz mais ou menos segundos/minutos que na última prova de igual distância. Entro em competições para me ganhar a mim, mas também não é por isso que corro.

Poderia, e é geralmente isso que faço, dar a resposta curta: porque gosto.
Como muitos outros, gosto de sair em dias bonitos, dias menos bonitos, sentir a chuva ou o sol tocarem-me na cara e o impacto dos pés a avançarem sobre os trilhos ou asfalto. É um cliché piroso, mas faz-me sentir viva.
 
Mas sejamos sinceros, aquelas corridas mágicas em que ó-meu-Deus tudo é lindo e nos sentimos a voar não são assim tão frequentes. São mais as vezes em que me sinto um elefante, a arrastar o peso de uma tonelada em cima, com passadas pesadas a martelar o pavimento, do que um pássaro. Há dias em que o ritmo é lento, doloroso, e em que odeio correr.
 
Talvez seja por isso mesmo que gosto de correr. Pode parecer estranho, mas é exactamente esse desconforto de testar os limites que tornam a corrida tão interessante para mim. Depois de persistir e sair vitoriosa perante esse teste, o cansaço com que fico é como uma medalha. É muito desconfortável, mas sabe bem.
Soa um pouco a masoquismo, gostar da dor da corrida, não é? Temos de ter um bocadinho de loucura, há que confessar. É exactamente nestas corridas piores em que me farto de maldizer a minha vida que depois me sinto mais orgulhosa. Uma questão da mente vencer o corpo, ou qualquer coisa assim.

Nos dias de prova, aqueles segundos antes do tiro de partida, de expectativa, o coração a bater mais depressa naqueles primeiros quilómetros que invariavelmente faço sempre mais rápido do que devia, aceno para quem apoia, sorrio... Depois aqueles quilómetros finais em que já vou em luta interior, focada, olhar em frente, tão difícil... Cortar a meta é sempre espectacular. Lembro-me bem da sensação que se arrastou durante dias depois da minha primeira Meia Maratona, o desafio físico mais intenso em que coloquei o meu corpo, até à data.




Vou continuar a barafustar mentalmente, sempre que tiver treinos como o de terça, 8 km custosos, de elefante. E vou continuar a fazer odes à corrida nos dias bons, livres, de pássaro. Quando saio de casa para uma corrida ou, ate mesmo, para uma prova, nunca sei como vai ser, aí é que está a piada. Gosto da corrida porque posso num dia ser elefante ou pássaro, ou ambos, mas nunca eternamente um dos dois. Vocês entendem, não entendem?
:)

Treino de terça:
- Final da tarde
- Distância: 8km
- BC médio: 164
- Calorias: 440



15 de janeiro de 2013

Treinos MM - semana 1

 Aqui estão finalmente os dados relativos à primeira semana de "treinos" para a Meia Maratona. Como acabei por não adaptar nenhum plano, esta semana serviu como teste.
 
 
- Segunda-feira - Exercícios de força
 
Aviso desde já que o meu conceito de "exercícios de força" é muito subjectivo. Posso fazer meia-dúzia de abdominais e chamar-lhe exercício de força, por exemplo. Mas este dia foi a excepção. Neste dia dediquei uma hora inteira a séries e repetições dos exercícios mais chatos de sempre: abs; flexões; "pesos"... aproveitando um vídeo recomendado por uma amiga. Penso que assim ficou despachado 'o' treino de força do mês de Janeiro. (Não é assim que funciona? Convém ser todas as semanas? Bolas.)
 
- Terça-feira - 5km

5km jogging ao final da tarde, junto ao rio.
 
- Quarta-feira - 7 km

Aquecimento ~15min + 20 minutos a aumentar gradualmente a velocidade + ~10 minutos arrefecimento.
 
- Quinta-feira - Descanso
 
- Sexta-feira - 5 km

5km caminhada. Era para ter testado umas funcionalidades do Garmin mas não correu bem. No entanto, acabou por entrar para as contas da semana na mesma.
 
- Sábado - Descanso
 
- Domingo - 15 km
 
Para terminar a semana, o já referido treino no Parque das Conchas.

Pela foto não parece, mas era uma bela subida.
 
 
Totais:
Distância - 32km (27km corrida + 5km caminhada)
Tempo - 3h43:38
Calorias - 1873

 
Acabou por ser uma semana em que fiz o que me apeteceu no próprio dia. Não sei se "Fazer o que me Apetece" é um bom plano de treinos, sobretudo se quiser melhorar o meu anterior tempo.
Na última (e primeira) Meia Maratona tinha um plano todo organizadinho, impresso e pendurado na porta do frigorífico (onde vou muitas vezes, por isso era estratégico). Gostei da ideia de ter um programa pelo qual me guiar, embora acabemos sempre por alterar um ou outro treino. Preciso disso outra vez, senão apetece-me fazer tudo e nada ao mesmo tempo.

Acho que sou muito adepta dos "junk miles", termo que já li em alguns sites estrangeiros (não sei se existe, ou qual, o termo em português), ou seja, correr sem propósito nenhum, adicionando quilómetros sem finalidade ao treino. -> "Quilómetros sem finalidade"? Se eu gostar de os fazer, essa já é a finalidade, ou não?! Mas tudo depende do objectivo, suponho.

Quero preparar-me bem para a próxima 1/2, mas também quero deixar espaço para improvisos.


Mais alguém está a seguir algum plano de treinos ou a treinar para alguma prova específica de momento?
 

13 de janeiro de 2013

De regresso à Quinta

 
Hoje voltei à Quinta das Conchas. Decidi que até ao Fim da Europa todos os meus treinos mais "longos"  (eu digo todos, mas depois deste só fica a faltar um! Glup...) terão de ser feitos em locais acima da habitual longa recta elevação 0 em que corro. Era para ter ido para Monsanto, mas lembrei-me da prova que havia em Benfica hoje e não sabia se haveria estradas cortadas até lá, então voltei ao local do crime da semana passada.
 
Foi a manhã toda chove-não-chove, tapa a cabeça, destapa a cabeça. A zona de terra batida tinha bastante lama e em algumas zonas cheguei a patinar um bocadinho, mas quis dar prioridade aos trilhos. E às subidas, claro. Meti os dois pés nas poças e o lado direito dos auriculares deixou de funcionar, mas fora isso, nada a declarar. Adoro manhãs de treino à chuva, mas isso vocês já sabem.
 
Desta vez estava muito menos gente e também não vi o Fiambre.
 


A diferença em relação ao domingo anterior acabou por não ser muita, foi um treino lento de 15km. Demorei pouco menos a completá-los, mas pareceu muito mais. A companhia, de facto, ajuda muito mas, desta vez, os companheiros da semana passada resolveram trocar-me pela Corrida São Domingos de Benfica - Campeonato Nacional de Estrada (pffff...) ;) e eu voltei às minhas corridas solitárias. Mas como corri também 15km, foi quase como se tivesse participado. Em espírito.

Regressei a casa de ténis encharcados e encardidos, e com as pernas agradavelmente doridas. Maravilha.

 
Amanhã faço o resumo da primeira semana de treinos, agora vou voltar à Anna Karenina (o filme).
 
 
Finalmente, para quem não viu este fim-de-semana, fica aqui o link para o vídeo de uma pequena reportagem da TVI: Nova tribo urbana tem o vício de correr.
 
Concordam? A corrida é um vício?
 
Boa semana!
 


10 de janeiro de 2013

~45 minutos mentais

Tento aproveitar as novas tecnologias que me permitem "criar" um exercício no Garmin Connect e depois transferi-lo para o Mr. G. Fico toda contente porque eu, que não sou nada destas "modernices", até achei fácil. Quando vou para fazer o upload não consigo. Há dias assim, em que o dispositivo não é encontrado ou diz que não existem novos treinos a transferir (existem sim!!!). Também vos acontece?

Saio na mesma, hoje é daquelas tardes em que preciso mesmo de ir correr um bocadinho. Com medo da chuva e do frio, levei uma camisola comprida e o impermeável. Má escolha. Ainda durante o aquecimento sinto gotinhas de suor a formarem-se na minha cara e a escorrer pelas costas. Agora não há nada a fazer, siga.

Hoje queria testar os limites com um ritmo crescendo a meio do treino, até culminar com 1 minuto na minha força máxima. Isso é o que eu queria, não sei se será o que vai acontecer, que o meu corpo é muito dono de si e nem sempre obedece. Aí é que está a piada num treino, podemos ir todos confiantes com o nosso plano estruturado e depois não ser nada daquilo que esperávamos. Geralmente é pior. Mas há dias gloriosos em que é muito, muito melhor do que contávamos. Esses valem por todos.

Espero que seja um desses dias.

A cerca de 15 minutos de aquecimento decido estabelecer uma meta. - Agora vais correr até à torre - que, pelas minhas contas, estava a cerca de 3,5km/4km - sempre a aumentar de ritmo.

Comecei bem, embalada pela música, passo um senhor em treino mais lento, fixo-me noutro mais à frente e passo-o também. Olho para o G. no meu pulso e vejo os números a descer. I feel good tanananananana não é a música que passa no meu mp3 mas é a que passa na minha cabeça.

5 minutos depois já não me sinto assim tão bem. Já consigo avistar o edifício que designei como meta, mas não faço ideia quantos mais minutos levarei a lá chegar. 10? 15? Ali tão perto e ao mesmo tempo tão longe... Por cima do som dos auriculares consigo já distinguir o som da minha respiração mais ofegante. Mesmo assim, aqueles números desconfortáveis têm de continuar a descer, não posso falhar agora.
12 minutos depois. Quase que parece que esticando o braço toco a meta imaginária, mas corro corro e parece que ela se afasta, num gozo ao meu sofrimento.- Para que é que te metes nisto? Não podias limitar-te a uma linda e suave corrida ao luar? Queres provar o quê, exactamente? -Tento calar o meu diabinho, mas não está fácil.
Passa outro corredor por mim e diz Boa Noite. Eu só consigo responder com um "Noit" muito fraco entre golfadas de ar. Nem consigo reunir forças/vontade para um pequeno aceno. Continuo de olhos fixos na meta que nunca mais chega. Não gosto disto.
15 minutos depois. "Era esse o verdadeiro segredo dos tarahumaras: nunca se esqueceram de como é gostar de correr". Vem-me à memória esta frase que tinha lido dias antes no «Nascidos para Correr». - Tu gostas disto, tento convencer-me. - Não, assim não, não a esta velocidade, custa muito. Lembro-me das palavras de Chris McDougall, quando referia como correr é tão primordial à nossa condição, de como os nossos antepassados o faziam como forma de sobrevivência, como forma de vida, e como ainda hoje nascemos com essa herança. Desde crianças que todas as nossas brincadeiras envolvem intermináveis sprints incansáveis e a sorrir.
- Tudo muito bem, o "prazer da corrida", mas sabes o que também me ia dar muito prazer agora, McDougall? Chegar-me ali à beira do passeio e mandar-me de costas para o meio da relva até recuperar o oxigénio. Sim, seria muito prazeroso. O que achas disso? Pronto, se calhar não tenho sangue tarahumara em mim. - Cala-te diabinho.
18 minutos depois. Há muito que as gotinhas de suor deram lugar a uma cara escorrida e roupas encharcadas, Já não vejo nada nem ninguém e só quero que aquilo acabe, mas continuo no máximo das minhas forças. - Talvez lembrar-me da minha infância não seja assim tão despropositado. Brinquei tanto na rua, subi árvores, saltei muros, fartava-me de correr e não me lembro nunca de ficar cansada, é verdade. Também é verdade que já não tenho 8 anos... nem 30kg... mas lembro-me de no jogo da "Apanhada" nunca gostar de ser agarrada pelos rapazes, que corriam sempre mais. Então corria e corria e às vezes ganhava. E às vezes "salvava" outras miúdas e corríamos e ríamos enquanto fugíamos. Ríamos muito. Deve ser esse o truque.
1 minuto. É agora, tudo por tudo. Sinto-me um Bolt em baixo de forma e desajeitado, não se ponham à minha frente que eu já só conto os metros e os segundos que faltam. 10 segundos.... 5 segundos... FINALMENTE!

Abrando, não paro. Vou regressar a casa sem parar de correr, mas agora devagarinho, sem pressas nem corridas contra o relógio. Aos poucos, vou recuperando a respiração e a sensibilidade das pernas. Que bom. I feel good. O diabinho calou-se

"(...) nunca se esqueceram de como é gostar de correr". Acho que percebo.
 
 

9 de janeiro de 2013

Plano de ataque à segunda 1/2 Maratona - parte II


O Plano Meia Maratona (PMM) começou ontem com um jogging de 5km ao final da tarde. Iniciei a marcha ao som de Incubus: Drive, fui sempre a um ritmo agradável e, para o final, ainda apanhei com uns chuviscos. Soube bem, já tinha saudades!

Treino PMM nº1:

- Distância: 5km
- RC médio: 156
- Calorias: 273

Depois cheguei a casa e, como sou a pessoa mais preguiçosa do mundo para fazer alongamentos (sair de casa ao final da tarde para correr: tudo bem. Arranjar 5 minutos no final para alongamentos: muito cansativo...), pesquisei alguns vídeos no youtube e acabei por fazer um esquema de yoga/alongamentos de cerca de 11 minutos. É uma forma de me obrigar a alongar e não se torna tão chato. (É também nestes momentos que eu fico contente de não ter ninguém aqui em casa para me ver nestas poses...) Esta sequência incluiu muitos movimentos que eu já conhecia dos meus, muito antigos, tempos em que praticava yoga. Apesar de tudo, foi bom saber que não perdi assim tanto a prática!


 
Obrigada pelas vossas sugestões e ajudas com as questões mais técnicas! Decidi manter um plano semelhante ao utilizado para a primeira Meia Maratona, com 2 corridas mais curtas durante a semana e uma longa ao fim-de-semana, ficando, talvez, um dos dias (ou outro) reservado para aquele tipo de treino em que pensamos que o Inferno não deve andar muito longe, também conhecido por: séries, rampas e demais torturas. Vamos ver se consigo cumprir todas as semanas...
 
No final/início de cada semana farei um resumo da (des)preparação semanal com uma folhinha em excel toda catita. Se me lembrar de a preencher todas as semanas.


Uma coisa que eu noto que também me faz muita falta mas que também me aborrece muito fazer é treino de força, core e crosstrainning, basicamente, todo e qualquer outro tipo de exercício que não seja correr. Já há meses (só 2, pronto) que não pego na bicicleta (a última vez ficou documentada aqui), por exemplo. Ao contrário da corrida, só gosto de andar de bicicleta com companhia e então torna-se mais difícil conciliar horários com outras pessoas.

Para já nem falar de abdominais, flexões, agachamentos... quem gosta desse tipo de coisas? Na segunda ainda tentei fazer uma sequência de exercícios, mas não é uma coisa que prometa tornar-se prática semanal.

Outra razão para explorar outras actividades físicas: correr dá-me muita fome!

Lanche de domingo!
 
Duas panquecas de chocolate, porque só uma não chegava (mas eram pequenas, atenção!).


Como o objectivo da Meia Maratona ainda está distante, acho que vou separar os meses por "mini-objectivos" A única prova do mês de Janeiro (em princípio) vai ser o G.P. Fim da Europa, por isto este vai ser o mês de:

- Variar o exercício para além da corrida (não tenho muita fé, mas vamos ver)
- Treinar subidas

Para isso vou variar um pouco os meus percursos nestas próximas semanas, não fugindo de um trajecto mais exigente.
 

Entretanto estou quase a acabar de ler o "Nascidos para Correr", que foi prenda de Natal do meu querido irmão. Algum outro livro (ou filme) que sugiram? (Para além do do Murakami e do Kilian Jornet, que já li).
 

7 de janeiro de 2013

Plano de ataque à segunda 1/2 Maratona

Desde que corro, a minha rotina de fim-de-semana alterou-se um bocado. Sobretudo porque tento deitar-me cedo na sexta, para poder acordar mais cedo no sábado para correr. Nem sempre durmo o suficiente, o que significa que na manhã de sábado os demais corredores e transeuntes têm de levar com a agradável visão das minhas olheiras até meio da cara. Mas, regra geral, acordo sempre com vontade de sair para uma corridinha.
Às vezes tenho até de acordar mais cedo do que num dia normal de trabalho para ir participar numa prova e faço-o de livre vontade e gosto, só para verem bem... Por isso, como estava a dizer, as coisas mudam um bocado.

A expectativa de sexta-feira à noite:
Antes - Iuhuu PAR-TY!!!
Agora - Adoro-te sofá.

Isto pode também ter a ver com a idade e não apenas com a corrida, mas adiante.


Este fim-de-semana fui antes correr no domingo, porque combinei com a Isa irmos para o Parque das Conchas, que ela não conhecia e onde eu nunca tinha ido correr.

A ideia era correr 1h30 devagarinho e na conversa, não fugindo das subidas mais inclinadas que por lá se iam encontrando por entre as árvores. Perto da 1 hora de treino vimos chegar o Vítor, que se junta a nós, e acabámos por prolongar a corrida até aos 15km.
 

 
 
Um ganho de elevação de 244 metros sei que não parece grande coisa mas, para mim, já é um avanço de 200 metros em relação ao normal calçadão beira-rio. Excepto em dias malucos, em que aproveito a subida de regresso a casa e atinjo uns impressionantes 140-150 metros... ihih! Por isso ontem foi um bom treino. (Qual o ganho de elevação do G.P. Fim da Europa mesmo?)
 
Além disso, corri num sítio diferente e em boa companhia, o que ajuda o tempo a passar. Até travámos conhecimento com um  pequeno porquinho de estimação, que estava a ser passeado pelo seu dono como se de um cão se tratasse (e ao longe até parecia!). Muito querido, trazia uma capinha vestida e chamava-se, imaginem, Fiambre! Ainda soltámos umas boas gargalhadas à conta disso.
 
Como podem ver pela imagem, tivemos de inventar um pouco nas voltas que demos, por o espaço do Parque não ser muito grande. No entanto, gostei bastante do sítio, vêem-se muitas pessoas a correr e para treinos mais pequenos, durante a semana, é o ideal. E por não ser um local muito longe de minha casa, estou a contar lá voltar mais vezes.
 
 
Esta semana, a par da minha preparação para o Fim da Europa, começo também oficialmente a treinar para a Meia Maratona de Lisboa EDP, mais conhecida por "Meia da Ponte 25 de Abril". Faltam 11 semanas, o que é tempo suficiente para me preparar. Sim, porque apesar de ter escrito que melhorar tempos não é uma prioridade, esta prova é a excepção! O objectivo da primeira Meia Maratona foi "terminar sem parar", desta vez quero melhorar o meu tempo. E, embora não goste da ideia de rigidez de um plano de treinos - gosto muito mais de correr ao meu bel-prazer - sei que se não for assim dificilmente saio da minha zona de conforto.
Para a Meia Maratona Rock'n'Roll segui um plano de treinos do MyAsics, desta vez não sei se torne a simular outro ou se experimente alguma coisa diferente. A ideia é 2 a 3 treinos mais curtos durante a semana e um "longo" ao fim-de-semana. Já tenho alguma noção de como o meu corpo reage a certo nível de esforços, por isso, se for preciso, adapto as ideias de um ou outro plano à minha realidade.
 
Seguem algum programa de treinos? Criam o vosso próprio?
 
 
Boa semana!
 



4 de janeiro de 2013

Ano novo, corridas novas

 
 Na quarta-feira fui fazer o primeiro treino do ano. Eu chamo-lhe treino, mas na verdade foi mais caminhada que outra coisa. Os batimentos cardíacos estavam mais elevados do que o costume, para um pequeno jogging, e revelavam a falta de sono e os estragos dos últimos dias do ano. Acabei por correr apenas 3km e depois prossegui para uma "caminhada técnica". Acabei por ficar sem bateria no Garmin por volta dos 4km (e verificar o estado da bateria antes de sair, huh?). De qualquer forma, continuei o meu "treino" até casa e ainda ultrapassei um grupo de velhinhos aqui do bairro que se junta várias vezes para fazer uma caminhada depois de jantar, por isso nem tudo foi mau. ;)

Vi muita gente a correr. Não sei se por ainda ser semana de férias para alguns ou se devido às famosas resoluções de Ano Novo, mas vamos ver. Mantenham-se firmes!


Este ano não tenho assim grandes objectivos a nível desportivo. Vou fazer menos provas de 10km (porque, infelizmente, não há t€mpo para tudo e tenho de fazer opções), mas quero continuar a participar em provas que me desafiem, quer pela distância quer pelo percurso, ou que, simplesmente, goste.

Por isso, aqui vai uma lista muito reduzida de objectivos desportivos/recreativos 2013:

- Participar em, pelo menos, duas Meias Maratonas (e gostaria que uma delas fosse no Norte). A primeira já estou inscrita e vai ser esta.
- Participar em mais provas de Trail, aumentando gradualmente (ou não) a distância, até chegar ao meu objectivo mais desafiante: O Grande Trail Serra d'Arga, em Setembro (versão 21km).

E é só isto. E mesmo assim quero ver se há possibilidade para estas deslocações todas (daí ir reduzir o meu número de participações em provas de estrada mais pequenas).

Um outro objectivo que já não é tanto de corrida mas que envolve actividade física Todos.Os.Dias sem exceção:

- Fazer o Caminho Francês de Santiago a pé (desde SJPP, fronteira francesa).

Já é o segundo ano consecutivo que este objectivo entra para a minha lista. O ano passado tinha dinheiro de parte e flexibilidade laboral para andar um mês fora de mochila às costas. Mas depois CABOOM ( -> este é o som da dura realidade a cair em cima de mim) aconteceram coisas e já não foi possível. No entanto, foi graças ao cancelamento deste sonho que me inscrevi noutro: a minha 1ª Meia Maratona, por isso acabou por ser um bom ano na mesma.
Este ano já não tenho a flexibilidade laboral nem os meios monetários para o fazer, mas deixo-o aqui registado, porque nunca se sabe. A minha vida pode mudar, posso ganhar o euromilhões...
De qualquer forma, posso sempre tornar a fazer o Caminho Português, partindo de um local diferente (Ponte de Lima, Barcelos...) e, nesse caso, já é um objectivo mais atingível.


Não há objectivos de melhorar tempos, embora esteja a contar que seja uma coisa que vá acontecer eventualmente. Até os objectivos que ficaram registados são flexíveis, se entretanto as coisas se alterarem ou se surgirem desafios diferentes... Este vai ser o ano do "ao sabor da corrente" em termos desportivos.


E os vossos objectivos partilháveis, quais são? Já andei a ler as listas de alguns de vocês... Valentes!

 
Este fim-de-semana sim, vou então fazer o primeiro treino a sério. Quero correr cerca de 1h30, vamos ver se o corpo colabora. Quero também ir para um sítio diferente, preferencialmente com algum desnível, para começar a preparar as pernas para o Fim da Europa. Talvez Monsanto ou Parque das Conchas... Sugestões?
 
 
Bom fim-de-semana!



2 de janeiro de 2013

São Silvestre dos Olivais 2012

Agora que já se passaram as festas, posso finalmente fazer o relato daquela que foi a minha última prova de 2012 e a primeira prova de 10km que "recorri", ou seja, em que participei pela 2ª vez: a São Silvestre dos Olivais.

A primeira ideia que levava era fazer uma boa corrida, na companhia do meu Pai e de todos os bolos, doces e chocolates que se agarraram às minhas ancas durante as últimas festividades. Íamos ser um grande grupo.
Segundo, queria melhorar o meu tempo do ano passado, coisa que já contava mais ou menos como certa, a não ser que acontecesse alguma calamidade.
E terceiro, queria fazer a prova abaixo da uma hora, que foi uma etapa que já ultrapassei nos 10km e que gostaria de manter assim, apesar de ainda ser um percurso desafiante.
Sabia que não tinha tratado o meu organismo da melhor forma nos últimos dias (o rácio comida -vs- corrida foi muito desproporcional), mas também sabia que esse era o caso da grande maioria das pessoas que ia participar.

Nesse dia passei a tarde em casa dos meu pais, que moram na zona, e optámos por fazer um lanche tardio com torradas e chá e deixar o jantar para depois da prova. Em corridas a esta hora (21h), uma pessoa nunca sabe o que deve comer, porque não quer abusar e correr de estômago cheio mas depois também não quer passar a noite cheia de fome... Já o ano passado tínhamos optado assim e resolvemos manter.

Por volta das 18h30 fomos levantar os dorsais à Junta de Freguesia, onde encontrei o Vitor, que também optou por ir levantar o seu dorsal mais cedo e, em seguida, fomos então lanchar e fazer tempo até às 20h30, hora a que saímos em direcção à partida.

Apesar de não ter atingido o número recorde de atletas do ano passado, ainda estavam mais de 1200 pessoas na linha de partida e acabei por não ver nenhum dos colegas que eu sabia que também iam estar presentes.

Não me recordo de ter ouvido o tiro de partida, nem nenhum outro sinal sonoro, mas apercebi-me de que a prova já tinha começado quando começa tudo a avançar aos atropelos. O início foi um pouco caótico, o que me obrigou a ir um pouco mais lenta do que seria de esperar, tendo em conta que o percurso começa logo com uma bela descida, mas depois de passarmos a primeira rotunda começamos a ganhar espaço.

Vêem-se algumas pessoas pelas ruas, moradores e familiares de atletas, o que anima um pouco quem corre. Seguimos sempre junto a um homem com uma vuvuzela ou corneta ou lá o que era, que manteve o fôlego ao longo de toda a prova para ir soprando naquilo, o que incentivava a quem assistia a aplaudir ainda mais. Gabo-lhe os pulmões, sobretudo para o fim!

O km2 é uma das subidas mais puxadinhas, mas sabia que se me aguentasse bem, depois iam seguir-se uns bons quilómetros maioritariamente a descer, por isso continuei a "apertar", às vezes eu, às vezes o meu Pai. O bom de correr com ele esta prova é que, como ele mora perto, conhece meio mundo dos que estão a assistir e então acabo por apanhar de tabela com algum do apoio das pessoas que o reconhecem.
Era também já perto do final desta subida que estava o homem que, na minha opinião, levou o prémio de apoiante da noite, já que soprava um apito e tocava uns sinos ininterruptamente, cujo som ainda ouvi durante umas boas dezenas de metros já depois de ter passado por ele (digam-me que também repararam neste senhor!). Eu acho que são estas pequenas coisas que tornam o ambiente das provas São Silvestres tão atraente.

Depois seguem-se uns bons quilómetros a descer até à Gare do Oriente, onde tivemos de nos desviar de uma ambulância que passou em marcha de urgência para recolher um atleta que estava sentado no passeio, espero que não tenha sido nada de muito grave.
Nesta parte do percurso, já com alguns atletas de retorno, fui sempre olhando para ver se conseguia identificar alguém (e também para me distrair um pouco), mas como passavam muito depressa e eu sou um bocado pitosga à noite, apenas consegui ver passar a Analice, que não conheço pessoalmente, mas que é uma senhora que de certeza grande parte dos corredores sabe quem é.

Quando faço a "inversão de marcha" e pouco antes de cruzar a marca dos 6km, oiço chamarem-me e do outro lado vejo o João, seguido do Pedro e do Vítor, que deviam estar a cerca de 100, 200 metros de mim. " - Anda que já me apanhas!". Isso foi o que eu disse, mas no fundo pensei "Espera lá, eles estão cansados da São Silvestre de ontem e estão a resguardar-se para a São Silvestre da Amadora de amanhã, esta pode ser a tua única oportunidade de terminar à frente deles! Mexe-me essas pernas!!!". (Como acham que esta história vai terminar? Aceitam-se apostas.)
 
A verdade é que este meu pequeno momento de esperança me inspirou e valeu-me o segundo quilómetro mais rápido da prova (km7). Só que depois veio a parte mais complicada, para mim, e a qual me tinha custado mais já no ano anterior. A subida ligeira, mas constante, até quase ao final, fez-me sair da minha bonita velocidade de 5's e vi um 6 a surgir no ecrã já no km8. Ora bolas... Tenho mesmo de treinar estas subidas.
Claro que não tardou nada e perto do km9 estava a ser ultrapassada pelo Pedro e pelo Vítor, que vinham na conversa como se estivessem descontraidamente sentados num café e nada se passasse. Ora bolas parte II...  Em minha defesa, tinha a respiração mais ou menos controlada, mas estas minhas pernas habituadas ao bem-bom do calçadão beira-rio fizeram ouvidos moucos às minhas súplicas interiores.
 
Sabia que o João devia estar pouco para trás e já a cerca de 500 metros da meta lá me alcança ele, o que até me veio ajudar a dar um último impulso. Fiz as apresentações em andamento e lembro-me de nas últimas centenas de metros o João me desafiar "vai um sprint final?". E eu fiquei à toa "Como assim? Mas eu  já estou a sprintar!!!"... Lá se foi a minha réstia de dignidade... ihih! Mesmo assim, fiz aqueles últimos 200 metros a uma velocidade de 4:58min/km, que foi o possível na altura (e ver um 4 a iniciar a minha velocidade média não é todos os dias).

Terminei com 58:46, para 10,200km de prova (distância do Mr. G.). Não foi o meu melhor, mas também não foi o meu pior e ficou a anos-luz da marca do ano passado.
Também não foi daquelas corridas bonitas em que fazemos a segunda parte mais rápida do que a primeira (um dia vou aprender a ser controlada e fazer uma corrida inteligente, mas este ainda não foi esse dia), mas houve sempre um despique saudável entre mim e o meu Pai ao longo da prova, que ele concluiu sem dores.

Este ano a t-shirt era bastante discreta, como eu gosto, apenas com o nome da prova escrito no canto superior esquerdo.



Depois da prova tivemos de voltar a correr para casa dos meus pais, onde a restante família aguardava esfomeada por novidades da nossa corrida. Para mim, jantar às 22h30 é bastante aceitável, mas há quem não concorde. ;)


Agora, é voltar a entrar no ritmo e pensar no rumo que quero seguir em 2013.


"The woods are lovely, dark, and deep,
But I have promises to keep,
And miles to go before I sleep,
And miles to go before I sleep."
Robert Frost                                             



Um bom ano para todos!