26 de fevereiro de 2013

Treinos MM - semana 7

 
Esta semana não está fácil, mas aqui fica o resumo dos treinos da semana passada:
 
- Segunda-feira - 6 km

- Terça-feira - Descanso

- Quarta-feira - 12km

- Quinta-feira - Descanso

Foi um mix de descanso com treino mais a fundo de abs. Sempre que me lembro, ou exagero nos Kit Kats, faço o vídeo "Abdominais em 8 minutos". Neste momento já estou no nível 2 e tenho a dizer-vos que até acho fácil! Tirando um dos exercícios, em que a posição do boneco não pode estar anatomicamente correcta (o problema não é meu, é mesmo do boneco... Certo? ).

- Sexta-feira - 5,5 km

- Sábado - Descanso

- Domingo - 18 km


Totais:
Distância - 41,5km
Tempo - 04:36:07
Calorias - 2461


Acho que me estiquei um bocadinho... Mas como esta semana, em princípio, vai ser mais calma no que aos quilómetros diz respeito, está tudo bem. Além disso, os 100km/mensais já foram ultrapassados.


Da página Portuguese Sayings.
Sim, parece que estou.



Não houve passeios de bicicleta porque ela ainda está na cave dos meus pais à espera de ser resgatada (estou a falhar no meu papel de heroína dos contos de fadas em duas rodas) nem grande cross-trainning. Esta semana estou um bocado apertada de horários, mas vamos ver.

E vocês, motivados nesse exercício? Força nisso! (Strenght on that)


24 de fevereiro de 2013

"Arrr' I'm a pirate" 18km

 
Gosto muito das minhas corridas matinais de fim-de-semana. Já o disse várias vezes aqui, mas é verdade, gosto, não me canso de repetir. Gosto de separar o equipamento de véspera, e pôr o despertador para uma hora dolorosamente cedo, sobretudo porque sei que me deito sempre tarde. Gosto de despertar ao som da música escolhida, ver através da persiana, que nunca fecho totalmente, os tímidos raios de sol que entram (ou, durante o Inverno, a noite ainda), ter ali uns instantes de luta que me puxa à cama, mas depois levantar-me contente comigo mesma. Gosto de tomar o pequeno-almoço com calma, sentada, às vezes a ver notícias, outras apenas em silêncio, e depois calçar os ténis e sair para a rua, vazia de pessoas, tão diferente das manhãs em dia de trabalho. O silêncio fresco das ruas semi-adormecidas da manhã é uma das razões porque vale a pena acordar cedo ao fim-de-semana e enfrentar o dia de olheiras postas. Sou uma sortuda.
 
Hoje estava assim.

Sol!
 
(Ainda) pouca gente!
 
Foi mais ou menos aqui que, alheada a ouvir a rádio no mp3, pensava que estava com 7km de treino e afinal eram 9km! Weeee, metade já está!


Jack Sparrow, és tu?

A embarcação acima não é o Black Pearl, mas é a Nau Vitória que, segundo a placa, é uma réplica exacta de uma nau do século XVI, que empreendeu a primeira volta ao mundo. Fantásticos estes barcos, "cascas de noz" por comparação aos grandes navios de hoje em dia.
Quando passei ainda não estava ninguém, mas a embarcação pode ser visitada, gratuitamente, até dia 28 deste mês (entre as 09h e as 19h, se não me engano). Se forem passear até à Marina da Expo, aproveitem!



Mas hoje de manhã não pude entrar, tinha um treino para concluir. Arrr' I'm a runner... Fica para a próxima.



Uma "embarcação" actual. Não deixa de ser impressionante, mas não tem metade da piada da outra acima, na minha humilde opinião.


Treino de hoje:
- Primeiros 18km do ano, feitos!


Sol, ar fresco e um regresso aos Descobrimentos. Nada mau para um treino de fim-de-semana.

E depois a moleza boa com que ficamos após o banho e o almoço? Vale mesmo a pena.




E saber que, hipoteticamente, poderia comer 4 destes para sobremesa, livre de culpa, com o gasto calórico da corrida de hoje? Sei que não é assim que funciona (e se calhar não ia correr muito bem...), mas fico contente por saber que, hipoteticamente, se me apetecesse muito, poderia fazê-lo.

Só comi 1.


Boa semana!



23 de fevereiro de 2013

Passada que nasce torta...

Hoje fui fazer um treino curto ao final da tarde. Fugi da beira-mar só para poder incluir subidas no percurso e, como estava a chover, tinha o parque praticamente para mim.
 
 
 
 
Acho que só passei por uma mulher a passear um cão e outro homem a correr, durante a cerca de meia hora que lá estive. Pessoas com responsabilidades animais e pessoas com uma necessidade inexplicável de correr são os únicos que vão para um parque numa tarde de chuva.
 
Treino de hoje:
Distância - 5,5km
Calorias - 317

Nestes treinos mais curtos aproveito para estar atenta à minha passada. Não sei se já disse aqui, mas tenho passada pronadora, que se acentua quando estou cansada. Há corridas em que até disfarço e quase voo:



Mas na maioria leva a um grande desgaste e péssima postura:



Parece que, este caso em específico, notório quando o dedo do pé aponta para fora, causa um impacto muito grande na anca (bingo!). Eu tenho tentado melhorar esta postura, mas é mais complicado do que parece, porque uma pessoa não tem noção - talvez correndo numa passadeira em frente a um espelho fosse mais fácil - e, além disso, quanto mais cansada mais difícil se torna estar preocupada com a forma.
Eu tenho ténis "adequados" a este problema, mas, sinceramente, acho que corria melhor com os antigos, sem controlo de movimento e essas coisas todas específicas. Além disso, os ténis são apenas um apoio, mas não resolvem o problema. Tenho conseguido evitar lesões, que é o mais importante, e sei que há exercícios específicos de reforço muscular que se podem fazer, mas acho que seria muito interessante falar com um especialista, sem gastar um terço do ordenado. Até porque, pode não parecer, visto que dedico grande curiosidade a estes temas, mas sou sempre um bocado céptica no meio de tantas teorias. Só gosto da prática do sair por aí a correr, e gostava de poder continuar a fazê-lo durante muitos anos, e de forma saudável.

Entretanto tenho marcado um check-up com o meu médico de família, no qual vou aproveitar para lhe fazer todas as perguntas e mais algumas (vai ser uma longa consulta) e vamos ver o que ele acha destas dores que me aparecem de vez em quando e se há necessidade de me encaminhar ou fazer exames. É que, com a aproximação da Meia Maratona e a necessidade de treinos maiores, não quero dar um passo maior que a perna...


E vocês, alguma vez fizeram um teste de passada? Por curiosidade, podem fazer esta análise online. Não é a mesma coisa, mas é uma das mais completas que encontrei e ajuda a ficarem com uma ideia da vossa postura.

Bom fim-de-semana!
 


20 de fevereiro de 2013

Treinos MM - semana 6


Antes do resumo, estava a ler um artigo do De Sedentário a Maratonista, a que achei piada: o  Horóscopo da Corrida.

"Os Arianos são dotados de uma personalidade dinâmica e puramente energética. São os guerreiros do Zodíaco. Por isso, na corrida, tal como na vida, a sua maior dificuldade residirá na incapacidade para parar ou diminuir o ritmo. São pioneiros e entusiastas. Porque o perigo os estimula é provável que os encontrem a correr fora do alcatrão. Trail running e desníveis acumulados acima dos 4.000 metros* são o tipo de desafio que os apaixona. (* Não exageremos, mas sim...)

São os reis da decisão rápida, pelo que gostam de agir primeiro e pensar depois. Assim, é natural que se metam em ultra aventuras e, antes ainda de o desafio ir a meio e acusando algum cansaço, desatarem a insultar a formiga que se atravessou no caminho. (Ihih verdade, mea culpa...)

Os humores dos Arianos são de facto variáveis, mas não guardam ressentimentos. Desta forma, rapidamente esquecerão a agonia que sofreram na última prova de 100 km e rapidamente uma nova aventura surgirá para os propulsionar na senda do futuro." (-> Lá está. Tirando a distância, o resto está certo. Posso ter-te odiado subida quebra-costas, mas passado dois dias já esqueci e somos amigas outra vez.)

Eu não ligo a estas coisas dos astros, mas é engraçado ver que se adequou ao que já tinha referido antes. E vocês, revêem-se nas características desportivas do vosso signo? Vão ver.


 Agora sim, o resumo referente ao exercício da semana passada, que já vem atrasado.

- Segunda-feira - 12km

- Terça-feira - Descanso

- Quarta-feira - 5km jogging

- Quinta-feira - Passeio de bicicleta 4km (3,9km, para ser mais exacta)

E agora vocês perguntam, mas porque raio fui eu pegar na bicicleta para fazer apenas 4km? E perguntam bem, mas juro que a minha ideia não era essa. Quando saí de casa reparei que o pneu da frente já estava um pouco em baixo, mas como a bicicleta fica tantos dias parada acaba por ser normal. Como há umas Bombas relativamente perto, pensei pedalar até lá e encher o pneu. O que já não foi normal foi a velocidade com que o pneu vazou nos poucos quilómetros que fiz. Tinha um furo! Bonito. Um dos meus maiores medos quando vou andar sozinha tornou-se realidade... Claro que não tenho ferramentas nenhumas nem faço ideia de como arranjar o pneu de uma bicicleta. Se fosse o do carro, já me safava (a sério, já mudei um pneu do meu carro mas lidar com o pneu furado de uma bicicleta é demasiado para mim ;) ) O que vale é que, quanto estava a transportar a máquina avariada à mão, me apareceu um simpático senhor que passava de bicicleta, perguntou se o problema era um furo e ofereceu-se para me arranjar o pneu, que não demorava nada... Mas demorou. Demorou uns bons 15 minutos pelo menos, e eu já me estava a sentir mal pelo trabalho que estava a dar... E eu a dizer-lhe, "deixe lá, não é preciso, a casa dos meus pais é aqui perto, eu levo a bicicleta até lá, não custa nad-..." E o Sr. interrompia: "ah, não há problema nenhum, isto é um instantinho!" Sacou de um saquinho com ferramentas que trazia, tirou a roda, tirou o pneu, andou por lá a colar qualquer coisa na câmara-de-ar e tornou a encher. Ele disse que não ficou perfeito, que teria de comprar um remendo e encher melhor o pneu, mas para mim foi uma grande ajuda. Não é toda a gente que perde tempo a ajudar um desconhecido, por isso fiquei muito agradecida e, ao mesmo tempo, a sentir-me culpada pela trabalheira. Devo ter dito obrigada dezenas de vezes. Acabei por deixar a bicicleta na cave da casa dos meus pais e agora vai ficar por lá até me dar coragem de lidar com aquilo.

- Sexta-feira - Descanso

- Sábado - Trail do Monte Serves 16,3km



Mesmo excluíndo as paragens, acho que já fiz caminhadas com mais velocidade.

- Domingo - (Merecido) Descanso


Totais:
Distância - 33,29km
Tempo - 04:12:04
Calorias - 2330


Apesar destes resumos continuarem a ser apelidados de Treinos para a Meia Maratona, a verdade é que ultimamente andam um pouco desfasados. Não tenho seguido um plano e alguns dos treinos foram afectados por estas participações pelos montes. Em princípio, não participarei em mais nenhum trail até depois da 1/2, por isso esta semana já devo voltar a entrar nos eixos. Acho...


Parar terminar, e para quem não viu na segunda-feira, aqui fica a participação (ou parte dela) do atleta Carlos Sá, e os seus impressionantes 28 bcpm em repouso, no programa 5 para a Meia Noite:



- "Mas isto é para ver montras ou para correr mesmo?" Ahahah! :)

Até amanhã.


18 de fevereiro de 2013

Trail do Monte Serves


Já não me lembro como cheguei ao conhecimento desta prova já que, em comparação com outras do género, que agora até começam a ser muito procuradas, esta foi pouco divulgada (na minha opinião). Isso levou a cerca de 200 participantes e ao meu receio de me estar a meter no meio de um grupo restrito de atletas de trail de um campeonato diferente do meu...
Então o que é que eu fiz? Perguntei a um amigo meu que mora na zona onde se realizou a prova - Forte da Casa - se não queria participar também. Ele é corredor habitual, apesar de não participar em provas, por isso sabia que se ia aguentar bem, e até melhor que eu, mas ao menos já não seria a única "amadora". Ihih.
Mas os meus receios foram infundados. Quando cheguei ao local, de facto, apercebi-me de que este, em comparação com as provas de estrada, parece-me ser um grupo mais restrito, já que reconheci várias pessoas que tinham estado presentes no Trail de Bucelas, sobretudo senhoras que, por serem menos, também são mais facilmente identificáveis, e sabia que algumas delas tinham andado mais ao menos ao meu ritmo na competição anterior.

A zona de partida e chegada seria a Escola Secundária da zona. Era uma zona residencial, sem problemas de estacionamento, e pude deixar o carro a cerca de 100 metros, o que foi bom já que estava bastante frio, e depois de levantar o dorsal voltei para dentro da viatura para "aquecer".

A 15 minutos da partida, dirijo-me para os portões da escola, desta feita faço um (verdadeiro) mini-aquecimento e encontro o Vitor. Uns minutos depois chega o meu amigo. Reunimo-nos por ali, porque era onde as pessoas se estavam a concentrar, mas não havia qualquer pórtico ou indicação de Meta. Supusemos que a partida fosse os limites do portão. Entretanto um senhor da Organização avisa os atletas em relação à sinalização e fitas que tinham sido roubadas no percurso, procedendo à descrição de todo o trajecto e respectivas curvas a que tínhamos de estar atentos. Ora, uma pessoa só consegue acompanhar estas indicações até certo ponto, e após 2 ou 3 minutos eu já me sentia perdida e ainda nem tinha começado a prova. Bom, haveria de ir alguém à frente que eu pudesse seguir, pensei, e esperei pelo melhor.

É dada a ordem de partida e lá seguimos, alguns respeitando os limites da estrada e outros atalhando logo pela relva. Nem pensei muito: são trilhos, são trilhos, segui pela relva também.



Estes primeiros quilómetros acabam por ser sempre muito semelhantes: algum congestionamento provocado tanto pelas descidas inclinadas em single-tracks - ou carreiros de cabras, em bom português - como pelas subidas mais rigorosas e enlameadas. Não tenho grande memória dos primeiros 2km, 3km, excepto ter avistado as portagens de Alverca ao fundo, essa linda paisagem..., e sentir-me anormalmente cansada logo desde início, dizendo aos companheiros que me acompanhavam para seguirem sem mim.

Hã, que bela paisagem!:)
O meu amigo eventualmente acabou por seguir, mas o Vitor manteve-se para trás, o que resultou numa prova em que pode dar asas à sua carreira fotográfica, enquanto esperava por mim. (Todas as fotos deste post são da sua autoria).

Assim está melhor!

Os primeiros quilómetros, talvez até cerca do km8, já não me recordo bem, foram maioritariamente a subir. E não eram cá subidas fofinhas, eram subidas para doer mesmo. Foi preciso muita, muita argumentação mental para continuar a pôr uma perna à frente da outra e preferia nem olhar para cima. O Vitor lá ia falando, talvez para me distrair, e eu só respondia com monossílabos - sou a melhor companheira de corridas de sempre.

"Não posso falar, é a subir."

"Continuo a não poder falar".

Por volta dos 6km(?), vejo um rapaz sozinho à beira da estrada, com algumas garrafas de água e reparo que estamos a passar o primeiro abastecimento. Reparo também que as garrafas não vão chegar para todos... Fiquei com a última garrafa. O que vale é que algumas pessoas atrás de nós traziam mochilas de hidratação, mas mesmo assim. Estranhamente, o segundo abastecimento, que só esperávamos lá mais para a frente, acho que nem foi 2km depois, o que até acabou por ser bom, para quem não teve direito a água no primeiro. É aqui também que o rapaz da água, mui simpaticamente, anuncia "Preparem-se, que daqui para a frente é sempre a subir".

...

Entretanto há quem tire fotos...

Mas, antes disso, foi algures entre abastecimentos que passámos numa zona mais perigosa para quedas, já que era sempre a descer por entre relva e palha húmida, num terreno quase sem carreiros visíveis. Foi aqui que a minha adrenalina disparou e até me esqueci do cansaço! Tinha que me ir agarrando a ramos de árvores e arbustos, mas escorreguei tantas vezes que alguma tinha de ser e acabei por cair mesmo. Foi numa zona de relva, por isso foi mais um deslizar feminino por ali abaixo do que um tralho "à homem", por isso não magoei nada para além do ego. ;) Depois da queda, olho à volta para ver se ninguém me viu (viram), levanto-me (muito rapidamente), confirmo se não tenho nada ferido (confirmado) e sigo. Exatamente por esta ordem de prioridades.

Daqui para a frente sinto-me com mais energia - nada como ter um encontro imediato com o chão para nos despertar - e já só vou tornar a ter dificuldades mais à frente, numa zona de terreno semelhante a este das quedas, mas sempre a subir. Aí ainda considerei sentar-me e não me mexer mais até mandarem uma equipa de resgate buscar-me (o meu cérebro cansado é muito dramático), mas a determinação o orgulho venceu.



Penso que foi a partir daqui que a questão com a sinalização do percurso se começou a complicar. Passávamos muito tempo sem ver setas ou fitas de qualquer espécie e não fosse, de tempos a tempos, avistarem-se outros atletas ao fundo, teria achado que estávamos perdidos algumas vezes. Então, quando passámos numa zona algo degradada antes de entrar em Vialonga, achei mesmo que não podíamos ir bem. Não tínhamos avistado nenhum colaborador ao longo de todo o percurso, para além dos dois rapazes do abastecimento, e não se viam marcações de espécie alguma. Valeu-nos algumas pessoas da zona que nos iam indicando por onde os restantes atletas tinham seguido mas, o problema, é que se um estivesse mal, estavam todos.
A verdade é que esta foi a zona mais problemática da prova, com várias pessoas a atalhar percurso (com ou sem conhecimento) e algumas a ter mesmo de telefonar para a organização a pedir indicações. Já só à saída desta área urbana é que encontramos um agente a controlar o trânsito, o que nos encaminhou novamente na direcção certa.

No km15 esperava-nos um último golpe cruel, saindo do asfalto e entrando novamente em trilhos, com outra bela subida jeitosa a fazer jus ao seu nome. Quase que dava para escalar. Ao atingir o topo, foi sempre a descer até à meta, que, mais uma vez, assumi que fosse a entrada da escola, e foi aí que parei o relógio, apesar de não estar ali nada, nem ninguém, a assinalar a chegada dos atletas. Foi outra atleta que já tinha terminado que me disse que tinha de me dirigir à zona de entrega dos dorsais um pouco mais à frente, para dar o meu número, e foi isso que fiz. Uma Meta uma bocadinho anticlimática.

Tenho a dizer-vos que demorei quase tanto a fazer os meus 16,3km de prova (a distância variou bastante de pessoa para pessoa) como a fazer a minha Meia Maratona!* Ufa! Há muito tempo que não "corria" estes minutos todos.

Esta não é a foto da meta mas é uma foto bonita para terminar.


Conclusão: Não se pode negar que houve falhas organizativas, razão pela qual nem chegou a haver classificação. A própria Organização já veio admitir, em vez de tentar transferir culpas, o que só fica bem. Se no meu último evento tive a felicidade de poder dar os parabéns, desta vez ficam apenas estes reparos. Acho que são coisas que podem acontecer, desculpáveis se houver verdadeiro empenho para as melhorar. Entretanto, prometeram emendar-se na prova que se segue - Trail de Arruda dos Vinhos, daqui a duas semanas. Eu não irei estar presente, mas caso algum de vocês vá, espero que a experiência já seja diferente e estou cá para ler que sim!
Fica só uma sugestão, que não tem a ver com o assunto acima: como ainda há falta de civismo por parte de pessoas que continuam a abandonar as garrafas de água pelo meio do percuso, em pleno mato, se calhar será melhor optar-se por abastecimentos em copo, que, por uma questão de comodidade, depois são deixados no local, ou perto.

Agora a minha experiência enquanto "atleta": Cada vez estou mais convencida que gosto mesmo é disto e que é uma variante da corrida pela qual espero optar de futuro. É um desafio constante para além do tempo no relógio. No entanto, tenho de ser humilde e admitir que a minha forma física ainda não é a adequada a grandes aventuras. Ainda. É todo um conjunto de músculos e posturas distintos dos usados em provas de estrada. Aliás, para minha surpresa, ontem quase nem me doíam as pernas, mas doíam-me bastante os músculos dos braços e ombros! Mas vou com calma, testando aqui e ali, aprendendo.

Isto devagarinho vai lá!


*O "resumo em números" será feito na revisão de treinos semanal.
 

16 de fevereiro de 2013

Prognóstico no fim da prova

E não é que a música de ontem foi premonitória??! 

Amanhã faço um relato em condições, mas quis vir aqui apontar isto já, porque eu tenho uma memória selectiva em relação às situações, o que faz com que no dia seguinte já só me lembre maioritariamente das coisas boas. Ora, isto até pode parecer uma coisa positiva (e, regra geral, é), mas obriga-me a vir aqui deixar este recado a mim própria, para quando estiver ansiosamente a procurar a próxima prova de trilhos, e quanto maior melhor: "CALMA! RESPIRA! Pensa bem e dorme sobre o assunto, não há necessidade de te precipitares." Eu sei que provavelmente depois não me oiço a mim própria e inscrevo-me na mesma, mas vale a pena tentar.
 
 
Não me entendam mal, eu gostei bastante da experiência, apesar de algumas falhas organizativas,  e é sobre esse sentimento positivo que irei focar a crónica desta prova, mas este foi o trail (e prova no geral) mais difícil em que participei até à data. Em comparação, os 12km do Trail de Bucelas foram um sereno passeio no campo, enlameado.
 
O Trail do Monte Serves tinha:
- A lama de Bucelas (mas não teve riachos, há que dizer, apenas relva e palha muito escorregadia)
- As subidas "jeitosas" da Corrida do Monge (VÁRIAS)
- O dobro da elevação do Fim da Europa.
 
Eu sei que para atletas de trail mais experientes, ou até para os "malucos" que fizeram na semana passada o Trail de Santa Luzia (vocês sabem quem são!), isto não é nada. Mas, vão por mim, para o atleta comum de estrada já dá uma grande luta.
 
Se este é um trail acessível de nível 2 (numa escala de 1-5), até tenho medo - e curiosidade - de descobrir o que é um 3 ou até mesmo um 4...
 
De resto, escorreguei bastantes vezes e caí pela primeira vez em corridas (yeeeah, já sou uma atleta de trail a sério!! ihih). Percebi que há terrenos em que uns ténis específicos são mesmo fundamentais e que às vezes é melhor mantermos o olhar apenas focado nos metros à nossa frente, porque se olhamos para a totalidade da subida parede, dói-nos o coração (entre outras coisas...)! Depois, também há descidas em que não se pode correr - ver problema dos ténis acima. Escalei e caminhei muitas vezes e também andei ali mais ou menos perdida durante uns tempos, numa zona urbana muito mal sinalizada e numa das partes menos bonitas do percurso. Acho que, pelo menos em relação à sinalização do percurso, certamente haverão algumas críticas por parte dos atletas, porque esta acabou por ser quase uma Prova de Orientação, nem sei como será feita a classificação, já que acabou por haver bastantes atalhos, intencionais ou acidentais.

Se, contrariedades à parte, gostei da experiência? Claro. Quero participar em mais provas destas? Quero. Mas quando* anunciar a intenção de participar numa prova de trilhos ainda maior e, sobretudo, com mais ganho de elevação... remetam-me a este texto, sff.


Até amanhã!


* Repararam no "quando" e não no "se"? Já estou a vacilar... ai ai...
 

15 de fevereiro de 2013

Uma antevisão e um felizes para sempre


Hoje, em vésperas do terceiro trail, deixo-vos com um clássico dessa bela época que foram os anos 80.
 
 
 
"here you go way too fast
don't slow down you're gonna crash
you don't know what's been going down
you've been running all over town"
 
 
-> Dedicado às descidas acentuadas.

Como sempre, por aqui, brinca-se com a situação, prepara-se para o pior e espera-se pelo melhor. Volto amanhã, com o prognóstico no fim do jogo da prova.

(Ai, o que eu fico entusiasmada em vésperas de trilhos!)



Agora, depois da (espécie de) prequela, a sequela.

Lembram-se do Valentim? O seu treino, 15 anos depois:

(Cortesia de Jorge Gois, publicado com permissão.)

" Chegava de mais um treino, era noite e curiosamente não havia frio lá fora.
Entrei na estrada que conduz a minha casa, tirei a t-shirt molhada enquanto aliviava a pressão dos atacadores.
O polar apitava esporadicamente, tinha sido um treino intenso e o coração ainda não se tinha recomposto.

De calção e tronco nu parei ao pé do portão e meti a chave para entrar, Uma luz exterior acendeu e iluminou toda a área da casa. Senti passos femininos apressados na minha direcção, imóvel de t-shirt na mão esperei a sua reacção, ela sorriu olhando-me de alto a baixo…senti um ligeiro torpor pelas costas! Uma sensação conhecida e inexplicável…! Arranjei o cabelo e fitei-a enquanto o suor me escorria pelo rosto

Sensualmente, olhou o meu peito enquanto me arrancou a camisola encharcada da mão, num tom calmo e profundamente dominador, disse:

- “ Sabes que horas são? Não te esquivas de fazer o jantar é que hoje é o dia dos namorados sabias..? e os miúdos já tomaram banho? Ligaste à tua mãe? O meu irmão mandou uma mensagem para amanhã ires ter com ele…bla,bla,bla´´

Rodei a chave e ri-me que nem um perdido.
Que belo e familiar dia de S. Valentim..."


O que acham? Dá uma continuidade realista à minha história? (Casais de muitos anos, manifestem-se!) Foi a contribuição do Jorge, nos comentários ao post de ontem, e eu acho que poderia perfeitamente ser o mesmo casal, alguns anos depois... Num dia em que a personagem feminina não teve tempo de ir correr. ;)
Obrigada, J., gostei da sequela!

 
Bom fim-de-semana.



14 de fevereiro de 2013

O treino do Valentim

_______________

No momento em que se baixa para compor os atacadores, ele vê-a. Pelo canto do olho, cabelo escuro preso num elástico verde, algumas madeixas soltas que escorrem ao lado do rosto. Está a fazer aquecimentos. Ele massaja o músculo do gémeo numa dor que não tem, apenas para poder continuar a observá-la discretamente. Acha-a bonita.

Ela prepara-se para começar a correr. Afasta o cabelo que o vento teima em despentear e põe-no pela décima vez para detrás da orelha. Sente que alguém observa este seu gesto. Olha para o outro lado do passeio e vê-o. De cabeça baixa, parece concentrado numa dor muscular. Deve ter sido só impressão. No entanto, demora o olhar. Moreno, t-shirt técnica preta e calções. Acha-o bonito.

Ele já não pode continuar a fingir a auto-massagem durante muito mais tempo. Levanta-se e põe os óculos de sol, embora, olhando o céu cinzento, não precise. Confere o relógio e aguarda os satélites.

Ela começa a correr.

Ele espera o que considera um mínimo respeitável e parte pouco depois. Ainda a consegue ver, a cerca de 100, 150 metros. Mantém o ritmo, não a quer passar tão cedo. Seria uma pena.

Ela tem vergonha de olhar, mas tem a certeza que ele vem atrás. Sente na espinha aquele desconforto embaraçado, com um misto de adrenalina cúmplice, de quem aceita um desafio silencioso. Começa a acelerar.

Ele mantém-na à distância de um olhar, que os óculos escuros não denunciam. Àquela hora, muitas são as pessoas que se juntam no passeio à beira-rio para fazer exercício. Algumas correm, outras passam de bicicleta, mas a maioria caminha. Ele ainda consegue distinguir ao longe, fintando quem passa, a sua t-shirt azul. Tem a impressão que ela aumentou ligeiramente o ritmo, e não quer ficar para trás. Começa a acelerar.

Ela observa uma embarcação que passa e ouve o som de uma gaivota que se sobrepõe ao das ondas. Hoje não trouxe os auriculares e isso permite-lhe estar muito mais alerta. Mantém a respiração controlada a dois tempos e interroga-se se ainda estará a ser "seguida". Hoje sente-se leve, não será fácil apanhá-la. Resiste à vontade de espreitar sobre o ombro e endireita-se, esperando que, por favor, a sua falta de elegância a correr passe despercebida.

Ela corre.

Ele corre mais.

Os quilómetros vão passando e o tempo e as energias esgotam-se.

Ele está tão perto que já consegue distinguir a humidade no cabelo, e no pescoço, que lhe desce pelas costas. As costas dela. Foram uns bons quilómetros, mas sabe que o jogo tem de terminar. Resiste à tentação de lhe tocar quando passa. Além disso, é desnecessário, tem a certeza que ela sabe que é ele que está ali, e que a  ultrapassa.

Ela ouve passos atrás de si, cada vez mais próximos, e sabe que é ele. O orgulho instiga-a a apertar o passo, o que lhe descontrola o respirar, e sente a cara enrubescer de vergonha, fúria e esforço. Deixou de se preocupar com a forma e o decoro e olha para o lado. Ele passa por ela e diz-lhe adeus, a lata. No entanto, ela não deixou de reparar nas gotinhas de suor que se lhe formavam na testa e desciam pelas têmporas. Também vai cansado, não foi uma disputa fácil.

Ele achou que tinha ido longe demais com o acenar ao ultrapassá-la, provavelmente iria pagar por isso depois. Mas não conseguia deixar de rir ao lembrar-se do seu ar de incredulidade irritada. Valeu a pena. Olha para o relógio, está quase.

Ela ouve o típico som que assinala a passagem de mais um quilómetro, ou o final de treino, no seu relógio. Uns metros à frente, ele pára e vira-se para trás, leva as mãos ao alto e faz uma pequena dança da vitória. "Que idiota, ainda goza", pensa ela. Carrega também no botão de stop do seu relógio e pára finalmente, agarrando-se às pernas para respirar. Ele continua a observá-la, com um riso entre o divertido e o provocador.
 

- Hoje deste luta! - exclama ele.
 
Ela rende-se, como sempre acontece depois deste jogo, e sorri. Estica o braço e agarra na mão que ele lhe estende. Está escorregadia, a dela também. Empoleira-se em bicos de pés e dá-lhe um beijo nos lábios salgados.
 
- Um dia, ainda te vou ganhar, espera só!

_______________

Nota: Os factos e os intervenientes desta história são fictícios, inspirados pelos frequentes treinos da autora neste cantinho à beira-rio. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.



Valentins ou não, hoje desafiem os/as vossos/as companheiros/as sedentários/as a ir correr com vocês. Ou um amigo, uma amiga, o irmão, a Mãe... Numa competição saudável a dois. Tudo em nome da saúde desse nosso belo órgão, que é o coração.

Boas corridas!




11 de fevereiro de 2013

Treinos MM - semana 5...

... e uma mochila de hidratação improvisada (já a seguir).


Mais uma semana que passou. Ando um pouco alheada do objectivo da 1/2, porque entretanto vão aparecendo outras experiências interessantes, mas acho que esta semana portei-me relativamente bem.

- Segunda-feira - Descanso

- Terça-feira - 5 km e alongamentos

Na verdade foram aproximadamente 8km, mas fiquei sem bateria no G. por volta dos 5km, e é esse valor que entra para as contas. Quando cheguei a casa fiz uma sessão de alongamentos.

- Quarta-feira - Passeio de bicicleta 12km

- Quinta-feira - 8km

Corrida ao final da tarde. Ainda me doíam um pouco os músculos do anterior passeio de bicicleta, mas foi um treino em que me senti especialmente leve. Não sei se foi coincidência, mas se for isso que é preciso, vou passar a andar de bicicleta dia sim, dia não!

- Sexta-feira - Descanso

- Sábado - 16km

Treino matinal 'longo', a ritmo confortável. Aproveitei para experimentar correr com uma mochila de hidratação, da qual vou falar em seguida.

- Domingo - Descanso


Totais:
Distância - 32,94km (só de corrida, os de pedalar não estão incluídos)
Tempo - 03:38:54
Calorias - 1937

Esta semana não fiz treino de força, mas andei de bicicleta, acho que compensa. (Não?)


Agora em relação à mochila. Como eu, daqui a uns meses, estou a pensar fazer um trail um pouco maior (mas, ainda assim, mini), em regime de "semi-auto-suficiência", ponderei fazer uns treinos com uma mochila, só para ver como me sentia. Ora, eu não quero gastar dinheiro a comprar uma mochila mais específica, porque acho que não justifica, tendo em conta que faço poucas provas e ainda muito poucos quilómetros. Então pensei: "uma mochila de hidratação de bicicleta não há-de ser muito diferente..." e lembrei-me que tinha uma já antiga na casa dos meus pais. Na sexta passei por lá e fartei-me de procurar por ela... e não a encontrei. Já estava na minha casa quando me lembrei que provavelmente estaria na cave... No entanto, como conheço quem faça BTT, pedi uma emprestada, para ir correr no sábado de manhã com ela.

Seria apenas para ver como me sentia em termos de ajustamento ao corpo e peso, já que na volta que habitualmente faço não preciso de levar água comigo. Então, no sábado lá saí eu, com uma mochila estranha às costas, com o depósito cheio de água que não cheguei a beber.

 

Os primeiros quilómetros foram... diferentes. Não sei se era psicológico, mas parecia que correr com a mochila afectava a minha passada. Deveria ter cerca de 1kg a mais comigo (não tenho a certeza), mas a mochila tem também aqueles fechos que prendem à frente e estava bem ajustada no peito, por isso não andava a roçar-me os ombros e costas, que era o meu receio. Com o passar dos quilómetros fui perdendo a "estranheza" e para o final já nem me lembrava que estava a correr com mochila.

Esta foto serve para vocês verem o sistema de fecho à frente
e para eu ver que preciso de limpar o espelho do quarto.

Entretanto, ontem já fui buscar a minha velha mochila, que é semelhante a esta, e no próximo treino já a levo. Provavelmente, se fosse fazer uma prova muito grande e técnica, se calhar notaria diferenças significativas a nível de peso e estrutura em relação às mochilas de hidratação de corrida, mas, por enquanto, a experiência não correu mal e uma mochila de hidratação de bicicleta reformada vai ganhar uma nova vida.

Alguém corre ou pedala com mochila de hidratação? Notam diferenças? Se tiverem experiência com os dois casos, é mais fácil aperceberem-se de pequenas diferenças que escapam a um olhar mais inexperiente, como o meu.


Boa semana e bom Carnaval, para quem festeja. Hoje, na corrida de final de tarde, vou tentar fantasiar-me de queniana. ;)



8 de fevereiro de 2013

A dúvida (e o Espírito da Maratona II)

 
Às vezes esta lá, pequenina, nem se dá por ela. Pode ser uma angústia que nos desperta a meio da noite e pode ser apenas uma ligeira ansiedade que afastamos com um encolher de ombros no meio dos afazeres diários.  Depois há dias que, de repente, cai-nos em cima como um ponto de interrogação de meia tonelada.
 
É assim em algumas situações. Na escala das inseguranças da vida, há certamente coisas muito piores a tirar-nos o sono, no entanto, este é um blogue dedicado à parte de mim que gosta de correr, e é dessas dúvidas que falo. Dúvidas que começam com uma ligeira dor, uma "impressão" que não devia estar lá, dúvidas que seguem um mau treino, uma má prova, uma má semana...

O processo é sempre o mesmo: meto-me em coisas 'à aventura'. Neste aspecto, tenho a minha habitual atitude descontraída do "isto faz-se!". Depois, com o aproximar da data, começam os primeiros pensamentos duvidosos... "Ai que me dói a perna", "Será que treinei o suficiente?", "Terei a preparação necessária?", "Na terça-feira passada fiz a prancha durante apenas 50 segundos, em vez dos habituais 60. Será que vai afectar a minha performance?". Isto é um exemplo de como os pensamentos vão ficando cada vez mais rocambolescos à medida que o tempo avança.
Depois, acaba invariavelmente da mesma forma: respiro fundo e faço-me à vida, neste caso, à prova. E acaba por não ser nada de mais. Ou seja, eu não tenho problemas com desafios, mas então porque é que tenho sempre esta tendência de auto-sabotar-me e massacrar-me com dúvidas?

Por exemplo, na euforia de uma boa prova, uma pessoa - e, por uma pessoa, entenda-se eu - inscreve-se noutra. É "uma extensão aproximada de 16,600 metros e um acumulado ascendente (ac+) de 680 metros" - e aqui estou, obviamente, a citar, já que este é léxico que ainda não domino. Ou seja, inscrevi-me já noutra prova de trilhos para o próximo fim-de-semana.
Sob adrenalina, os mais 4,6km e os mais de 300 de "ac+" de diferença em relação ao Trail de Bucelas, eram um desafio. Agora, passado uns dias, já são causa de dúvidas. Já me custou tanto os 12km 'fáceis', para que é que me vou pôr já em 16km 'acessíveis-moderados'? Começo a fazer contas, a tirar teimas, a comparar... Racionalmente sei que não é nada de mais, que consigo terminar, a bem ou a mal (prefiro a bem). Qual é o pior que pode acontecer? Ficar em último? Não tenho problemas nenhuns em ter maus resultados, mas não me agrada ter más provas (para mim não é a mesma coisa, embora às vezes possam coincidir). Os maus resultados não me abatem, mas as más provas sim, como se tirassem o objectivo de quem anda nisto por prazer.

E depois, quando saber se de facto estas dúvidas não se devem apenas ao receio natural de sair da minha zona de conforto e sim a uma verdadeira falta de preparação? Quando saber se esta vozinha que não cala é um desafio ou uma prudência? Às vezes tenho uma certa falta de bom-senso nestas questões, e confio mais na minha teimosia em concluir aquilo a que me proponho, do que nos meus treinos/capacidades.

E pronto, aqui fica o meu desabafo de sexta-feira à noite.


Agora a título informativo:

Nos primórdios do blogue falei do filme/documentário «O Espírito da Maratona», que eu aconselho a quem esteja a treinar para a distância mítica, ou, como eu quando estava a começar, a treinar para qualquer outra distância igualmente assustadora (no caso: primeira prova de 10km). Este ano vai estrear o segundo filme, que penso que será igualmente inspirador, tendo como bónus o facto de se realizar na linda cidade de Roma. Espreitem o trailer:


 
 
Dá ou não dá vontade de ir a correr inscrevermo-nos numa Maratona? Mas depois caio em mim, e fica para a próxima.
 
 
Bom fim-de-semana!
 


7 de fevereiro de 2013

A pedalar

Na terça-feira, senti-me muito cansada e dorida na corrida de final de tarde, por isso acabei por fazer um treino muito mais lento do que o programado. Já estaria na hora de apostar em alguma velocidade, mas ainda não foi desta. Um vez li num artigo que "subidas eram trabalho de velocidade disfarçado", por isso espero que estas recentes incursões pelos montes me estejam a valer de alguma coisa, porque o plano de treinos não anda a correr como previsto.
 
Ontem não fui correr, mas, aproveitando que despachei o trabalho mais cedo, fui andar de bicicleta e fazer o meu primeiro passeio de 2013 e uma estreia com o meu Garmin. Se eu tinha dúvidas em relação à minha prestação em duas rodas, finalmente pode ficar registado para a posteridade.
 
 

Três constatações do passeio de ontem:

- Tendo em conta que a minha bicicleta é pré-histórica vintage, e tem um manípulo das mudanças estragado personalidade, acho que até já nem me safo assim tão mal. Pelo menos reparei que pequenas subidas que o ano passado me pareciam o Monte Branco, agora me pareceram apenas a Serra da Estrela.

- Há pessoas para quem o conceito de ciclovia ainda é estranho. Tudo bem que se ande ou corra sobre elas, às vezes também o faço, mas neste caso há que ir com atenção e dar prioridade às bicicletas, e não ocupar a via toda. A grande maioria das pessoas compreende isso, outras não. Se vão a caminhar de costas para quem vem a pedalar, ignoram as buzinadelas e os gritos de 'Com licença' até à última e depois, quando já não é possível ignorarem mais, "assustam-se" com a nossa chegada repentina. Se vêm a caminhar de frente para quem vem a pedalar, desviam-se com todas as calmas e de muito má vontade, e não se coíbem de o demonstrar. Bom, é da maneira que um relaxante passeio pela ciclovia se torna numa emocionante prova de obstáculos! :)

- Andar de bicicleta é um exercício muito bom, não só para a minha força nos membros inferiores, a subir, mas também para a força dos meus membros superiores, quando vou ali que tempos a apertar os travões a fundo, a descer.

- O vento contra, se já é mau quando corremos, é igualmente mau ou pior quando pedalamos.


Afinal foram quatro constatações. Entusiasmei-me.


Passeio de bicicleta:

Distância - 12,2km
Tempo - 01:03:47
Velocidade média - 11,5km/hora
Calorias - 396


Foi um ritmo de passeio, nas calmas, e com paragens para abastecimento (passeio de bicicleta que é passeio de bicicleta tem de incluir paragem para lanche, mesmo que sejam apenas 12km. Não concordam?) e fotografias.

Pode ser que se repita mais vezes, apesar de hoje estar com dores em zonas diferentes do habitual, se é que me entendem... Falta de equipamento próprio para a coisa.

Alguém tem daqueles calções próprios para andar de bicicleta? Faz mesmo alguma diferença ou é mito?
 


5 de fevereiro de 2013

Trail de Bucelas

Vinda da N116, depois de uma viagem com pouco trânsito, chego a Bucelas passava pouco das 08:00. Ia com atenção para descobrir as zonas de estacionamento sugeridas, mas foi fácil, dois colaboradores da Organização encontravam-se à entrada do local a encaminhar quem chegava. Foi um primeiro ponto positivo numa Organização que esteve impecável nesta primeira edição do evento, como já vão perceber.

A caminho do levantamento dos dorsais encontro o Vitor. Apesar de ser uma prova com "apenas" 500 participantes, a banca estava separada por nº de dorsais, o que facilitou em muito a distribuição dos mesmos e não tive de esperar nada. Em troca, recebo também uma pequena garrafa de vinho de Bucelas e o sorriso da senhora que me atendeu. Era cedo e estava bastante frio, mas toda a gente foi muito prestável e simpática, como se estivessem mesmo contentes por nos receber, e isso nota-se.
Para aquecer, havia também à disposição chocolate quente, mas não cheguei a provar (não queria fazer experiências antes da corrida).

A faltarem cerca de 10 minutos para o início da prova passamos pelo Controlo Zero (não havia sistema de chips) e dirigimo-nos para a partida. É aqui que vejo também a Lígia.

Deixo uma nota positiva também para a animadora de serviço. Foi incansável e até pôs os atletas a fazerem a onda para a foto na zona da partida. Aliás, ao invés do habitual tiro ou buzina de partida, as palavras de ordem foram: "Podem começar a correr!", ou qualquer coisa assim parecida, o que foi inédito, para mim, e achei engraçado. E assim iniciámos a prova, às 09h, ao som de «Highway to Hell», dos AC/DC (mais pontos extra pelo humor da Organização).

Como habitual, a poucas dezenas de metros de prova já estávamos a iniciar uma subida, por enquanto ainda em asfalto. Aqui começam logo a ver-se algumas pessoas que preferem resguardar-se e optam por caminhar. Eu ainda ia bem, por isso preferi continuar a correr devagarinho (depois da subida interminável do Fim da Europa, aqueles 500 metros não foram nada!). E assim continuei, até entrarmos nos trilhos, e a cerca de 2km de prova deparo-me com isto:
 
Engarrafamento!
Os atletas estavam completamente parados, penso que pelo primeiro impacto com uma descida em lama, que abrandou o movimento e acabou por juntar ali uma grande fila de pessoas em espera. Ainda foram uns bons 2, 3 minutos, o que, confesso, acabou por quebrar um pouco o ritmo, mas não fez mal, porque aproveitei para tirar fotos!
Acho que este tipo de situações deve ser comum em provas de trail, embora alguns senhores não tenham ficado satisfeitos e tenham surgido as (in)evitáveis bocas.
 
Já em andamento, mas ainda um pouco congestionado.

A partir daqui começamos a entrar numa zona um pouco mais técnica, mas que consistia sobretudo em single-tracks, o que tornava difícil ultrapassar alguém. Cerca de 1km mais à frente, a multidão começa de novo a agregar-se,
 
 
e aparece o primeiro obstáculo "sério" do caminho e uma nova experiência para mim: um pequeno ribeiro que teríamos de atravessar pondo os dois pés na água, claro. Acho que a partir daqui valeu tudo e as pessoas deixaram de se preocupar com a lama, tentando apenas evitar as zonas mais escorregadias.

Até ao km5 foi maioritariamente a subir, mas os atletas começaram a alastrar-se nos seus diferentes ritmos e eu já não quis estar a parar para tirar fotos. Podem ver o post do Vitor, com mais fotografias, para comprovarem que a zona era de facto muito bonita e que o restante percurso já não estava tão congestionado como as imagens acima sugerem.

Depois de uma subida mais custosa em que tive de caminhar pela primeira vez, começámos a descer até ao km6, onde nos esperava o primeiro abastecimento (e último, para quem iria fazer apenas o percurso dos 12km). Foi uma agradável surpresa pois, para além de água, tínhamos à nossa disposição bananas e uns pequenos bolos. Foi a primeira vez que tive direito a abastecimento sólido (na Meia Maratona, sempre que chegava ao local, já não havia comida. Atleta de meio/fim de pelotão sofre!) e, sendo uma prova relativamente curta, nem estava a contar, mas foi bem vindo. Mais uma vez, todos os colaboradores foram muito atenciosos e ainda havia muita comida para os atletas e caminheiros que se seguiram.

O percurso também esteve sempre bem assinalado, com fitas e placas a anunciar os kms e zonas mais perigosas (cruzamento com estrada) e de tempos a tempos éramos acompanhados por uns ciclistas, que suponho estivessem a controlar o trajecto, já que estavam presentes desde a partida.

A seguir entrámos numa zona com algumas descidas e subidas acentuadas, em que era preciso ter alguma atenção ao piso, já que estávamos lado a lado com ribanceiras. Um rapaz espera no topo de uma pequena encosta e grita para a namorada, que vinha atrás de mim, que está farto de esperar por ela. Ela responde-lhe: "Tu só estás à espera porque também estás cansado". Eu não disse nada, mas ri-me para dentro e, olhando para o estado do rapaz, também concordei. Claro que um homem nunca iria admitir e sempre é melhor passar por cavalheiro... ;)

Eu estava a divertir-me muito, apesar dos ténis estarem pelo menos 2kg mais pesados e, a partir do 7km, começo inclusive a passar algumas pessoas (poucas, nada de loucuras). Um bocado mais à frente encontro o João, que seguia com dois amigos, e junto-me a eles durante uns metros.
À semelhança do Fim da Europa, o km10 também nos brindou com uma bela parede. Mas esta, apesar de mais inclinada, era mais curta, o que eu prefiro. Aqui, uma mulher que, ao longo de toda a corrida, andámos sempre ora me ultrapassas tu, ora te ultrapasso eu, passa uma última vez por mim e eu colo-me a ela feita uma lapa e já não a vou largar mais até ao final da prova!

Ao aproximar-me do km11 começo a ouvir um rapaz da organização a gritar: 22! 22! e eu a perguntar-me mas porque raio estava ele a gritar aquele número, já que o meu dorsal era o trezentos e tal, e depois lembrei-me que era ali a separação entre os dois percursos - 12km para um lado e 22km para o outro - e que, segundo o programa, era a partir dali (para os 22km) que "a diversão ia começar". Fiquei com pena de não poder partilhar dessa "diversão", que, pelos que vi nas fotos, incluiu atravessar um novo ribeiro (ou o mesmo), com um caudal muito maior, mas fica para o ano!

Um último controlo de percurso (era-nos feita uma marca no dorsal) e toca a correr para não deixar a minha boleia afastar-se! Eu acho que a mulher quase podia ouvir-me respirar no pescoço, de tão perto que ia (ihih), mas não havia espaço para a passar e ela também começou a acelerar, o que me levou a aumentar significativamente a velocidade no restante percurso e fazer aquele último quilómetro abaixo dos 6 min., já com as pernas cansadas, à maluca.

Cortei a meta com 01:28:34 (tempo Garmin) - embora, como já várias pessoas disseram, isto nos trails o tempo seja muito relativo e acaba por ficar para segundo plano.

Era para ter agradecido a boleia, a quem devo o belo ritmo final, mas depois de cortarmos a Meta a senhora afastou-se depressa - provavelmente farta de me ter à perna! - e já não deu. Mas fica aqui o agradecimento, senhora desconhecida da t-shirt azul clarinha.

 
Quando terminei, como já viram ontem, era este o estado dos meus ténis, pernas e corsários:
 
Um visual que espero adoptar mais vezes.

Portanto, tendo em conta a minha enorme experiência, que consiste em dois trails incluindo este, :) a Corrida do Monge tinha mais subidas duras - nesta prova não houve nenhuma rampa que se equiparasse à "jeitosa", e o Trail de Bucelas destacou-se pela quantidade de lama e pela nova experiência de atravessar cursos de água.

Preciso de alargar o leque. Confesso que fazer "apenas" 12km nestas condições ainda me custa, mas gostava de tentar esticar um bocadinho este limite. Talvez esteja para breve, mas mais sobre isso depois!


Fica aqui uma espreitadela ao resumo em números, para quem gosta de cuscar essas coisas. Acho que dá para ver bem quais os quilómetros em que estive parada e a ajuda que a boleia me deu nos quilómetros finais.



Próximos trails? Contem-me tudo.
 


3 de fevereiro de 2013

Treinos MM - semana 4

Sem mais demoras:
 
- Segunda-feira - Sessão de alongamentos

- Terça-feira - 8km

- Quarta-feira - Descanso

(Só fiz o vídeo Abs em 8 minutos, a ver se me despertava a vontade de fazer mais algum exercício. Não resultou. Mas conta como actividade extra na mesma, pelo menos na tabela seguinte).

- Quinta-feira - 5km

- Sexta-feira - Treino de Força

- Sábado - Descanso

- Domingo - Trail de Bucelas (12km)
 
 
Totais:
Distância - 24,93 km
Tempo - 02:56:22
Calorias - 1589

 
Não foi a semana ideal, mas estamos a melhorar.
 
E assim concluímos o primeiro mês.
 
Gostava de poder dizer que fui eu que criei esta tabela toda xpto, mas não. Só adaptei um bocadinho os campos.
 
A amarelo estão as corridas realizadas e as outras cores correspondem a outro tipo de exercícios e alongamentos. Não detalhei quais os exercícios por uma questão de espaço (e falta de vontade), mas assim disposto em cores dá logo para ter uma noção de onde ando a falhar.
Neste primeiro mês não fiz muito para além de correr, era para ter levado o Mr. G. a estrear-se num passeio de bicicleta ontem, mas depois choveu. Desta semana não passa!
 
 
Totais 1º mês:
Distância - 106,4 km
Tempo - 12:13:24
Calorias - 6108
 
 
Em relação ao Trail de Bucelas, crónica já a seguir! (Já a seguir, como quem diz...). Apenas uma amostra do resultado final:
 
Levei os meus ténis antigos, e foi o melhor que fiz.
Eles não são cinzento escuro, aquilo é encharcado
(e as minhas pernas também não são daquela cor).

É em provas destas que me pergunto porque é que ainda corro em estrada. No entanto, tendo em conta a paisagem circundante aqui para os meus lados, tenho de ser realista. Mas não tem nem metade da piada. Depende dos objectivos de cada um, claro, mas onde mais se pode aliar o prazer da corrida a tratamentos de beleza à base de lama? Só nos trilhos. ;)

Agora mais a sério, gostei muito deste post, uma opinião sobre o que é o Trail Running. Ainda tenho muito pouca experiência nisto (quase nenhuma), mas vai de encontro àquilo que penso ser a vivência na maioria deste tipo de provas.

Boa semana!

 


2 de fevereiro de 2013

Se eu cair...

 
Depois de uma semana com um saudoso e agradável solzinho, hoje choveu. Isso significa que: trilhos = lama.
Os meus ténis não são minimamente adequados a estas aventuras, por isso, se amanhã, por Bucelas, virem uma rapariga a escorregar num single-track e pintar as calças de lama, não se riam. Sejam amigos, dêem-lhe uma mãozinha e ajudem-na a levantar-se. Provavelmente sou eu.
 
 
 
"If I fall back down,
you're gonna help me back up again.
If I fall back down,
you're gonna be my friend."
 
 
Sim?
 
 
Bom domingo e boas corridas!