28 de março de 2013

A meio gás


Ontem fui dar a minha primeira corrida pós-Meia Maratona. Noto que ainda não estou completamente recuperada e senti-me bastante cansada durante o curto treino, apesar de ter sido em ritmo levezinho. Fiz 5km e achei melhor parar por aí, mas aproveitei para dedicar um bocadinho mais de tempo aos alongamentos.
 
Pelo menos até começar a chover.


Geralmente uma chuvinha não me assusta, e até gosto, mas uma vez que ando numa maré de mal estar físico ultimamente, nada habitual em mim, resolvi não testar a sorte. Agora vou com calma enquanto penso no próximo objectivo para Abril.


Lembram-se aqui há uns tempos de eu ter referido que a nova e suave faixa cardíaca do Garmin me raspava sempre que a usava e de ter descoberto que colocando um penso rápido evitava a assadura? Pois bem, descobri que isso resulta, mas não em grandes distâncias. Cheguei a casa no domingo com um novo e grande raspão para a colecção. É sempre uma bela descoberta quando a água quente do duche atinge essa zona!
Já experimentei alargar mais a faixa, apertar mais a faixa, pôr vaselina, pôr quilos de vaselina... O engraçado é que com a faixa velhinha que usava antes de ter o Garmin nunca tive problemas. Estou quase em desespero de causa para usar dois relógios. Entretanto não vou usá-la nos próximos treinos, que, como vão ser calminhos, também não faz mal.

Com esta nova marca a juntar a todas as outras, que ainda por cima demoram muito para sarar, no Verão, quando chegar à praia, vai haver muita gente a pensar que eu me submeto a algum tipo de tortura marada... Aliás, tenho a certeza que a médica que me fez o electrocardiograma na semana passada já pensou isso.  :)
 
Sei que muitos de vocês não usam cardiofrequencímetro, mas eu habituei-me e acho que é útil e um bom barómetro para os treinos (há até quem treine segundo as zonas cardíacas, mas isso nunca fiz).

O que acham, faixa cardíaca: yay or nay?
 
 
Parar terminar: Como reparei que, nos últimos dias, algumas pessoas vieram parar aqui ao blogue através da pesquisa "Harlem Shake Meia Maratona de Lisboa" - lamento desiludi-las, mas eu não tenho o vídeo! No entanto, se alguém tiver gravado, gostava de ver.


Bom fim-de-semana prolongado (para quem for o caso)!

26 de março de 2013

23ª Meia Maratona de Lisboa

 
Tenho sentimentos dúbios em relação a esta prova, daí também ter esperado um dia para fazer a crónica. Por um lado, estou muito contente pelo tempo conseguido, por outro, não foi das melhores experiências. Depois pergunto-me qual o peso que um RP tem numa corrida. É verdade que olhando só para o tempo final, foi uma boa prova, pelo menos traduziu-se na redução de números, que é sempre uma coisa que todos gostamos. Mas falando em termos de prazer na corrida, esta prova nem atingiu a metade na escala de felicidade activa, que é uma medida de grande relevância no meu desporto.

Admito a maioria das culpas, já que sabia que não estava a 100%, tinha feito apenas dois treinos nas duas últimas semanas (um muito mau), mas tinha pago a prova, achava-me capaz de melhorar o meu tempo na distância mesmo indo a ritmo confortável e, basicamente, queria ir, pronto.

A ida até ao Pragal até foi mais pacífica do que tinha pensado, sem grandes confusões no Metro e no comboio, que apanhei cerca das 8h30. Foi a primeira vez que atravessei a ponte de comboio e tive direito a lugar vip com vista para o rio e cidade (à janela).
Cheguei à zona das portagens muito cedo e só me restou esperar. Ao menos tivemos direito a um speaker muito animado, que até tentou incentivar as pessoas a fazer um Harlem Shake versão Mini/Meia Maratona da Ponte. No meio de milhares de atletas apenas vi o João, que passou em aquecimento, e ia acompanhar dois amigos estreantes na distância, e tive um bocadinho de companhia de um colega corredor sem blogue, que me viu a mim.

Com o aproximar da hora fui-me chegando para a linha da Partida, mas não o suficiente. Nem me apercebi da chegada das 10h30 (já tinha o relógio em modo satélite), nem ouvi tiro de partida. Vi que as pessoas começaram a andar e, de repente, não sei bem como, já estava rodeada de pessoas da Mini. Acho que a Mini é uma festa e aquilo que dá a esta prova um cariz tão popular, mas a partida poderia ser adiada 10 minutos em relação à da Meia e isso já evitaria o caos para quem quer correr os 21km. Provavelmente não deveria ter ficado tão para trás, mas depois tive de correr atrás do prejuízo, como se costuma dizer, e passar os primeiros quilómetros a ziguezaguear por entre crianças, carrinhos de bebés, 3 a 4 senhoras de braços dados, um casal que pára sem aviso para tirar fotos a meio do caminho... Optei por correr sobretudo por cima da grelha, que tinha menos gente, coisa que os meus ténis estranharam bastante. 

Só já por volta do km4 ou 5, quando se faz a separação dos dois percursos, é que começo a ver mais asfalto livre e a poder correr livremente (na medida do possível). Por enquanto ainda me sentia razoavelmente bem e, com excepção do primeiro quilómetro, até estava a correr a um ritmo mais rápido do que tinha pensado fazer, controlando os bpm. Fui o caminho todo até ao Cais do Sodré distraída a ver os atletas que já vinham a regressar e a ouvir as bandas que animavam o percurso (levei os auriculares, mas estas bandas ao vivo sempre dão mais ânimo ao ambiente). Ia dando uns goles de água que mantive do primeiro abastecimento e assim cheguei ao Terreiro do Paço, cerca dos 8km e ponto de retorno, onde caíram uns abençoados chuviscos, para refrescar. Foi nesta parte do trajecto, e na recém inaugurada Avenida Ribeira das Naus, que comecei a denotar algum cansaço... Estás bonita, estás! Pensei: "Tu tem calma, rapariga, estás quase nos 10km, a partir daqui só falta metade" - tentativa de ludibriar o cérebro, que já de si não é muito bom para matemáticas, quanto mais em esforço físico. Lá me aguentei durante mais uns quilómetros porque, verdade seja dita, começar quase em último valeu-me um início atribulado mas depois foi só ultrapassar pessoas a prova toda! Tenho a certeza de que não fui passada por mais de meia dúzia de pessoas mas, em contrapartida, passei centenas! E isso sempre nos dá um bocadinho de força porque, "vou em esforço, mas, se continuo a passar pessoal, é bom sinal".

Lembro-me que foi mais ao menos ao passar pela estação de comboios de Belém que as coisas se começaram a complicar. Ali, onde atletas da Meia, já frescos e de regresso a casa observavam quem ainda passava, enquanto aguardavam o comboio (devia ser proibido correrem tão rápido!) comecei a sentir umas tremuras nas pernas e fraqueza geral. Reduzi bastante o ritmo, porque fiquei com medo que fosse alguma quebra de tensão, e fui passando água pela cara e pescoço. Aproximava-se um abastecimento com bebida energética onde a voluntária que servia, vejam-me só isto, me estende a garrafa e diz: "Estás com ar de quem precisa"... Obrigadinha pelo golpe fatal na minha autoestima, sim?!! Nem consegui fulminá-la com o olhar, tenho a certeza que só consegui lançar-lhe uma mirada desvanecida, o que só deve ter servido para reforçar a sua opinião (acertada... Grrrr).

O percurso daí até chegar ao segundo ponto de retorno, em Algés, e por mim apelidado ontem de Travessia dos Quilómetros da Morte, foi muito penoso. Consegui recuperar um pouco o passo, mas não via a hora de terminar ou, pelo menos, de avistar o raio da curva, para fazer parte dos que já estavam a caminho da Meta. Queria tanto parar, mas continuava sempre a passar pessoas e isso deu-me uma réstia de ânimo.

Quando cheguei ao km18 achei que, se tinha aguentado até ali, também não ia parar agora, mas fiz os quilómetros finais num estado de alheamento total, já nem via nada. Sabia que ia superar o meu tempo anterior na distância, mas nem isso me deu forças para terminar em grande. No entanto, fiquei muitooo contente quando finalmente cruzei a Meta. Viva. Mas não torno a brincar com a saúde desta maneira (ah, e tal, são jovens, não pensam...).
 
Só para ilustrar um bocadinho o texto, aqui fica a vista satélite sobre o percurso. (Isto prova como não estava no espírito da coisa, porque nem me lembrei de tirar umas fotos com o telemóvel, nem antes nem depois da corrida).
 
 
 
Depois disto, medalha ao pescoço, gelado na mão e meter-me num comboio ensardinhado de regresso a casa. Sentia-me esgotada.
 
 
Talvez torne a dar outra oportunidade a esta Meia Maratona, porque a culpa não foi dela, foi minha. Merecia ser desfrutada com outro ânimo, que não tive. Além disso, não me posso esquecer que, apesar de tudo, permitiu-me um RP, só por isso vou lembrá-la com carinho.
 
A todos aqueles que se estrearam nos 21km no domingo e que sairam de lá já a pensar na próxima prova: eu avisei-vos! :)
 
 
Uma boa semana!



24 de março de 2013

Welcome to PR-adise


Consegui baixar o meu tempo! (yeaahhh...) Apesar de não ter sido uma prova nada fácil para mim...


Primeiro: a confusão ao início. Não devia ter ficado tão cá para trás, quando dei por mim, já estava rodeada de pessoas da Mini, levei uns bons 7 minutos a cruzar a linha da partida e outros tantos a completar o primeiro quilómetro obstáculos. Se alguma vez tornar a fazer esta Meia, que me perdoem os "bons", mas vou-me plantar logo na primeira fila (ihih).
Mas pronto, o primeiro quilómetro acabou por ser o mais lento de toda a prova, mais lento até do que a Travessia dos Quilómetros da Morte, ali algures entre os kms 13 e 17, em que me senti muito mal física e mentalmente e achei mesmo que não ia conseguir terminar a prova, pelo menos sem parar. Mas mais pormenores depois!

O que me manteve firme foi o facto de vos ter dito que queria melhorar a minha marca (que foi uma ideia idiota, provocada pelo delírio dos medicamentos, só pode) e eu sou muito imbecil orgulhosa para desistir.

Acabei por tirar quase 10 minutos ao anterior tempo*, o que, tendo em conta as circunstâncias (e o sofrimentoooo): Aceito! E muito feliz! :)

Crónica emocionante e completa segue dentro de "momentos" ( -> é relativo...).
 
 
 



* Sei que é normal melhorar as primeiras marcas, sobretudo quando não eram assim tão boas, mas deixem-me festejar na mesma. Não sei se algum dia torno a tirar tantos minutos de uma só vez a uma distância, há que aproveitar.
 


21 de março de 2013

Tudo a postos

Ou nem por isso?

Desta vez é tão diferente da primeira. Não segui nenhum plano de treinos específico, não testei equipamento nem alimentação, nem treinei às horas da prova, para simular a competição. Não estou nervosa, nem ansiosa, ou, pelo menos, até agora não.
 
Tarde de quarta-feira: levantamento de exames e dorsal.

Ao contrário de alguns de vocês, não tenho especial apego a esta prova. É de logística complicada para mim e com muita confusão, mas inscrevi-me porque queria ter a experiência de correr as Meias Maratonas das duas pontes. Irei fazê-la este ano, mas não sei se será para repetir todos os anos (provavelmente não). Outra razão para me ter inscrito: queria bater o meu tempo anterior, e único, na distância.

Claro que o objectivo primordial é sempre ter uma boa manhã e divertir-me, mas isso é assim sempre que saio para correr, em provas ou não. Sinto-me bem a correr aqui no meu local habitual, sinto-me bem a correr por sítios novos, mas sentir-me-ia bem também, a correr numa prova pequena, por trilhos e montes. Para além disso, todos temos objectivos mais ou menos secretos, e eu, como já tinha dito no início do ano, inscrevi-me nesta prova específica porque queria um recorde. Inscrevi-me nesta prova de trajecto plano e monótono por ser o ideal para isso. Era (é) essa a razão que me vai levar a acordar 4 horas antes da prova, sair de casa 3 horas antes, entrar num metro e comboio apinhados de gente, chegar ao tabuleiro da ponte e aguardar pelo menos 1 hora, no meio de milhares de pessoas, num debate entre o querer beber água e o não querer ir às casas de banho portáteis.

Tudo parecia bem encaminhado neste objectivo e, vou ser sincera, tendo em conta os treinos antes de ficar doente, achava-me capaz de tirar pelo menos 10 minutos ao anterior tempo. Mas agora já não estou, nem posso, estar tão confiante. Hoje fiz mais um treino para ver as reacções do meu organismo, e o bpm médio continua um pouco alto, para o mesmo nível de esforço, ou menos, apesar de a respiração estar controlada. A nível de pernas parece-me tudo bem, o cansaço é mesmo outro.
Agora sei que irei para a prova com outras precauções e mais atenta aos sinais do meu corpo. Não vou mentir, gostava de tentar na mesma fazer um tempo inferior, mas vou estar muito mais receosa e controlada, vou ter de manter um ritmo sempre confortável e talvez recuperar nos últimos quilómetros, se me sentir bem para isso. De qualquer forma, tenho de agradecer, e sempre é uma evolução em relação há alguns dias, em que ponderei mesmo não participar ou encurtar a prova para a Mini, caso fosse necessário. De momento acho que já estou em condições de correr os 21km, e isso é bom, mas fica sempre um bocadinho de frustração, não consigo evitar.


Ah, é verdade, como já vi que aconteceu a outros atletas, o meu nome não constava da lista de inscritos (de notar que me inscrevi ainda em Janeiro), mas lá acabaram por resolver a situação e entregar-me um dorsal que, curiosamente, é o meu número da sorte redondinho! Espero que seja um sinal feliz... :)


Domingo, se Deus quiser, lá estaremos, para uma manhã de corrida em que espero sentir-me bem do início ao fim e, se puder sentir-me bem do início ao fim em menos tempo (sem abusos), melhor ainda!



19 de março de 2013

Medo e amor

 
Hoje foi o meu último exame. Tudo normal. E então, para festejar, fui correr até à beira-rio.
 
 
 
 
Não foi uma corrida particularmente rápida, nem longa (6km), mas foi uma corrida livre. Livre das preocupações e do medo dos últimos dias. Do medo que é inflamado pelos nossos fantasmas e que nos pesa ao ponto de nos tirar o ar. Do medo que nos paralisa e tira o prazer dos pequenos passos. Do medo que nos faz temer coisas que não estão lá.
 
Ainda não estou em forma de corrida. Os medicamentos, que tenho de tomar durante 2 semanas, dão-me sono e moleza, mas, ao menos, na minha cabeça começo a ter paz, o resto do corpo há-de acompanhar.
 
Esta foi a parte do medo.
 
Agora a parte do amor.
 
Hoje, perfeito como qualquer outro dia seria, é dia para homenagear aquele que estava lá quando comecei a andar e quando comecei a correr também. (Estava lá, e continuar a estar, em muitas outras situações, mas quero manter-me no tema.)
 
Sempre me lembro de ver o meu Pai correr, não o conheço de outra forma. O Pai Que Corre faz parte do meu Pai desde que, pequenina, a minha mãe às vezes me levava a vê-lo nas provas. Lembro-me em especial de uma Meia Maratona, na Nazaré, em que ele participou. Eu deveria ser muito nova, porque o meu irmão ainda não tinha nascido e eu olhava cá de baixo para a minha Mãe, tão grande lá em cima (hoje em dia é a minha pequenina de metro e meio). Nesse dia, passei a manhã na praia, a brincar com a minha Mãe. Quando o meu Pai terminou a prova, foi ter connosco, pegou-me e levou-me com ele a saltar as ondas. Na altura, não sabia, nem me importava, que ele tinha batido o seu recorde na distância, mas ele estava feliz e levou-me a saltar as ondas. E criou esta imagem, com som das minhas gargalhadas de criança, de que ainda me lembro.
 
Por ter memórias tão felizes, assim que abriu um Grupo Desportivo no meu antigo bairro, quis inscrever-me (isso e o facto de todos os meus amigos andarem lá também). Tinha 6 anos, e passei a acompanhar o meu Pai nas provas, desta vez, como "atleta"! E ele esteve lá, na minha primeira corrida, de 500 ou 750 metros, a acompanhar-me de longe, com medo que desistisse. Não só não desisti, como nunca mais parei.
 
Quer dizer, parei. Parei durante muitos anos, quando o Grupo Desportivo fechou e depois entrei na adolescência, e depois veio a faculdade, primeiro emprego... Desculpas.
O meu Pai não parou. Já não participava em provas, devido a uma lesão que lhe deu cabo do joelho, mas, de vez em quando, lá saía para ir dar a sua corrida. Sempre foi o seu tempo feliz, das gargalhadas da memória.
 
Por isso, quando há cerca de ano e meio lhe disse que ia começar a correr outra vez, ele estava lá e percebeu. Correu comigo os meus primeiros 10km e, alguns meses depois, acompanhou-me durante parte da minha primeira Meia Maratona.
 
Espero ainda contar contigo durante muitas corridas e "corridas". Obrigada, Pai.
 


16 de março de 2013

E ao sétimo dia...

 
ela correu.
 
Mais ou menos.
 
Ontem fiz uma caminhada enérgica, marcha atlética, power walking... Tudo palavras finas que significam apenas que não corri, mas estive perto.
 
 
 
No fim ainda fiz um pequeno jogging, mas não foi raios de sol e o pisar de nuvens. Pensava que no momento em que voltasse a correr ia sentir-me "I'm on top of the world eh, I'm on top of the world eh" (sou só eu que anda sempre com esta música na cabeça desde que passa de 2 em 2 minutos, em horário nobre na televisão, na publicidade de uma conhecida operadora de telemóveis?), mas senti-me estranha... Não sei se é dos medicamentos, ou de ainda não estar a 100%, mas não foi o que estava à espera. Achei melhor não insistir, e aproveitar o passeio pelo pedacinho de campo no meio da cidade. Tenho saudades da minha Serra...
 
Em melhores notícias: hoje de manhã despachei o primeiro exame. Quando entrei na sala de exames, o médico estava a ouvir Frank Sinatra e a cantar. Isso é que se quer, um médico bem disposto e com bom gosto musical. Achei engraçado e fiquei menos nervosa, já que um ecocardiograma não é propriamente das coisas que nos deixe mais à vontade... Uma pessoa está ali constrangida e semi-despida, a rezar aos santinhos para que esteja tudo bem com a nossa máquina, e depois não sabe se há-de fazer conversa de circunstância ou se isso pode atrapalhar os procedimentos, então calei-me e fiquei a ouvir Luck be a Lady. No fim, e como só vou ter acesso ao resultado no dia 20, fiz um choradinho/perguntei educadamente ao Doutor se tinha visto alguma coisa de mal ou alguma coisa que desse cuidados e fosse melhor não correr, mas ele disse que podia estar descansada, pelo menos da parte deste exame.
 
Ufa! Um já está, falta o resto (outro ao coração, a meu pedido, e os restantes devido aos sintomas que tive).
 


Muito obrigada pelo vosso apoio nos últimos dias.

 
 
Já alguma vez fizeram algum exame para ver se está tudo bem com as vossas "máquinas"? Há uns anos fiz um electrocardiograma (que vou repetir agora) e, quando era pequena e andei num Grupo Desportivo, também tive de fazer alguns exames.
Acho que é uma coisa importante, quando se começa a aumentar a frequência ou a intensidade do exercício, quanto mais não seja para ficarmos descansados.
 
 
Bom resto de fim-de-semana!
 


14 de março de 2013

Assim andamos

Ainda não tornei a correr. No entanto, tenho lido bastantes artigos sobre as "pausas forçadas" e a forma como estas afectam o nosso rendimento. Chamem-me masoquista.
 
Na verdade, este é um tema interessante e quase todos os estudos são unânimes em relação ao facto de as pausas de 2 semanas, ou menos, não serem assim muito significativas.
 
Deste artigo
 
 
Já tenho os exames marcados para sábado de manhã e segunda-feira (não consegui mais cedo). Um deles estava bastante difícil de marcar, já que na maioria das clínicas não o faziam pela Caixa. Lá acabei por descobrir uma, a cerca de 2km de minha casa, e o que é que eu fiz? Fui marcar o exame a pé, pois claro. Ainda não me sentia bem para correr, mas uma caminhada de 4km sempre é melhor que nada. Levei o cardiofrequencímetro e tudo, só para me sentir uma verdadeira atleta. E foi este o único exercício da semana.
 
Já ando mais animada, mas ainda me custa muito isto de não ter certezas se vou acordar melhor no dia seguinte. Tem sido aos poucos... Melhorias mui-to len-ta-men-te. Se não fosse tão em cima da prova-objectivo não ficaria assim tão ansiosa. Depois também não faço ideia quanto tempo levará para ter os resultados dos exames. Quando souber, falo mais concretamente do que tive/tenho.
 
Há que ver as coisas como vocês dizem: se não puder correr a prova para bater recordes, corro em passeio, e se não puder participar nesta, haverão outras. Certo... Mas ainda não me mentalizei!
 
Amanhã vou fazer outra caminhada ao final da tarde e, se me sentir como hoje, talvez arrisque um jogging. Mui-to len-ta-men-te.
 

12 de março de 2013

DNS

DNS, ou Did Not Start, é a sigla utilizada, em Inglês, para nos referirmos a uma prova em que estávamos inscritos, mas na qual acabámos por não participar, por qualquer razão. Não sei se haverá termo semelhante no mundo do atletismo português, mas no meu português traduziu-se por: "#(%%&&! mais esta #§$%/ =?& tenho uma prova para correr ##$%&"=* e @#$%#"  e talvez tenham havido algumas lágrimas pelo meio. Não estou no meu melhor quando acordo numa manhã, doente.
Este domingo falhei a Corrida das Lezírias. O que ao princípio pensei tratar-se "apenas" de uma quebra de tensão (não que uma quebra de tensão não seja assustadora, sobretudo se não estiver ali ninguém para nos trazer um copo de água com açúcar), prolongou-se pelo dia todo, e ontem acabei mesmo por ir a uma consulta de urgência com o meu médico, de onde saí com uns quantos exames para fazer (alguns a meu pedido, já que tinha uma consulta marcada para o final do mês).




Hoje ainda estou em casa, mas já estou melhor. Claro que falhar uma corrida não se compara nada ao restabelecer da nossa saúde, mas isso não quer dizer que não tenha ficado chateada e, até mesmo, desiludida. Eu sei que é parvo, mas nunca reagi bem ao facto de ficar doente. Sei que ninguém reage, mas eu chego ao ponto de encará-lo como uma fraqueza, ou seja, fui fraca por não ter conseguido levantar-me daquela cama. Escusam de dizê-lo, eu tenho noção do errado que está este pensamento, mas não consigo evitá-lo. No fundo, acho que não gosto de sentir-me vulnerável e é assim que me acho, a duas semanas de um objectivo pelo qual tenho treinado.
Estou há 4 dias sem correr, e não sei se o vou fazer nos próximos dias (não sou completamente irresponsável, não vou forçar algo para o qual não me ache bem) e não posso negar que isso me afecta. Nada nos faz querer mais uma coisa do que "não poder" fazê-la e o aproximar do dia 24 coloca-me num estado de urgência.
O médico sossegou-me. Disse que o que se passou nada tem a ver com as corridas (acreditem, foi logo o que perguntei) e considerou que não iria pôr em causa a minha participação na Meia Maratona desde que, claro, os sintomas não se prolonguem, mas estes dias indefinidos sem treinar não ajudam.

Não me interpretem mal, sei que sou uma sortuda por não ter problemas de maior, sei que haverão mais corridas na vida e tenho outros interesses com que me ocupar, mas também não vou fingir que, se não conseguir ter uma boa corrida na prova para a qual treino há dois meses, não me vai afectar, porque vai.

É só um desabafo. O próximo post já há-de trazer melhores notícias (a fazer figas).
 

8 de março de 2013

Playlist #6 - Girl's Edition

A música é das coisas que mais facilmente me faz ter flashbacks, viagens ao passado. Posso estar no meu carro, a conduzir, e passar aquela música, e de repente estou outra vez no meu primeiro festival de Verão, ou a viver o meu primeiro amor(ico),  ou numa esplanada, nas tardes de cartadas no campismo, ou num comboio que me levou a percorrer quilómetros, assustada e entusiasmada com a responsabilidade que só a independência nos traz, ou nos bancos da faculdade, a desesperar pelo peso das decisões a tomar... Todas as fases da nossa vida têm banda sonora, mesmo que a gente, no momento, não se aperceba disso.
 
Por isso, há músicas que, mesmo que já não as oiça com frequência, serão sempre minhas.
Como a Bullet With Butterfly Wings, dos The Smashing Pumpkins, que sempre me fará lembrar aquela matiné de sábado na discoteca, em que dei um beijo ao V., adolescentes, ocultos no corredor que levava aos vestiários, num misto de expectativa urgente e timidez, como todos os primeiros beijos a alguém (podia ter sido uma música mais romântica, mas foi o que calhou...). Como, ao ouvir Creep, dos Radiohead, é impossível não me lembrar das angústias do primeiro desgosto, que achamos que é sempre irrecuperável e definitivo, mas não foi. Como o Chegámos ao Fim, dos Peste & Sida, me vai sempre lembrar quando festejei os meus anos num concerto deles no Ginjal e repetiram esta música 2 ou 3 vezes, porque as pessoas não se cansavam de pedir encores. Como, aos primeiros acordes de Come As You Are, vejo novamente o F. a dedilhar na guitarra, acompanhado em vozes pelo grupo que rodeia uma mesa cheia de finos. Como o álbum Around the Fur, dos Deftones, tocado em repeat, me fará sempre lembrar as tardes, que se tornavam noites, de "estudo" em casa da R.  Como, ao ouvir o La la la la la inicial da Self Esteem, dos The Offspring, me lembra sempre a I., e como ela largava tudo e desatava a correr para a pista, quando ouvia esta música, arrastando-me consigo. Como a Roadhouse Blues me transporta para a viagem de camioneta nocturna para Madrid, em que The Doors se ouviam, saídos da rádio que o condutor escutava, baixinho, mas o suficiente para entrar nos meus sonhos e me despertar, ficando ali, na semi-obscuridade, let it roll, baby roll... entre o sono e a realidade, you gotta roll roll roll, you gotta thrill my soul..., a olhar para a auto-estrada escura lá fora. Como todo o Best Of dos Sublime me fará sempre reviver as primeiras férias de Verão na costa alentejana, condutora recente, a conduzir em finais de tarde preguiçosos, lado a lado com o mar, de janelas abertas por onde entrava o cheiro da praia e as ondas de calor quase visíveis, pele salgada e cabelos cheios de areia... Tão livre. Como Where is My Mind, dos Pixies, repete aquele exacto final de tarde, em que andava pelas ruas a correr, de cabeça baixa a proteger da chuva, auriculares nos ouvidos, e tive um daqueles treinos perfeitos.  Como, mais recentemente, o À Minha Maneira, dos Xutos, vai sempre fazer parte da minha primeira Meia Maratona...


A verdade é que ando sempre à procura da próxima banda sonora, tanto na minha vida como agora nas minhas corridas, e é por isso que, de tempos a tempos, partilho as minhas escolhas. A música tem um poder fantástico no nosso humor, por isso, porque não usá-lo para nos impulsionar durante os treinos?

Hoje, por ser Dia da Mulher, resolvi criar uma playlist temática e deixo-vos com escolhas de, e com, mulheres. Para não ficar limitada ao meu gosto pessoal, pedi a colaboração de algumas amigas, que deram tantas sugestões (obrigada!) que, infelizmente, tive de seleccionar, de forma a que a lista não ficasse muito extensa. Talvez haja espaço para uma parte II, futuramente.




Playlist #6


Senhoras e senhores, aqui ficam bandas e vozes, no feminino, para vos pôr a abrir nos próximos treinos e corridas.

6 de março de 2013

Treinos MM - semana 8

Semana 25/02 a 03/03:
 
- Segunda-feira - "Descanso"*

- Terça-feira - 5 km jogging

- Quarta-feira - 10km

- Quinta-feira - "Descanso"*

- Sexta-feira - "Descanso"*

- Sábado - Descanso

- Domingo - Treino 19km
 
 
 
*Durante a semana o "Descanso" está entre aspas porque foi tudo menos isso.
 
Foram menos quilómetros e também menos exercício complementar (nenhum), mas, tendo em conta as condições, fiquei satisfeita com os valores alcançados.
 
Totais semana:
Distância - 34 km
Tempo - 03:38:23
Calorias - 1966
 
 
 
Totais 2º mês:
 
Distância - 157,84 km
Tempo - 17:31:12
Calorias - 9173

(Ver dados relativos ao primeiro mês: aqui.)


Apesar de não estar a seguir nenhum plano de treinos em específico, ao contrário do que fiz da primeira vez, tenho mantido mais ou menos o mesmo esquema. Os treinos de velocidade é que... pronto... Não sei se alguma vez vou mudar, mas ponham-me a correr 2 horas seguidas, tudo bem, vamos a isso, mas fazer séries ou 30 minutos a uma velocidade mais rápida é que não!



Para concluir, pela piada estava a ler este artigo, sobre coisas que, quem corre, às vezes ouve de amigos que não correm, e confirmo que  ponto 3 e 7 já ouvi algumas vezes, bem como algumas variantes do 4.
Outros que não estão na lista e que já partilhei com vocês antes são: "Foste correr? Em que lugar ficaste?" e "Já estás magrinha, não precisas". :)


E os vossos amigos e familiares, gozam (no bom sentido. Ou não!) ou fazem perguntas inocentes engraçadas relativas a este vosso/nosso hábito das corridas?



4 de março de 2013

19km bem contados (e acompanhados)

Manhã de domingo:
 
Acordar "tarde" (deixei-me dormir).
 
Tomar o pequeno-almoço.

 
Café, a minha versão de "rabanadas saudáveis", e a banana,
que também quis entrar na foto, mas ficou para alimento pós-treino.

Apanhar o Metro.

À espera...
 
E ir ter com o grupo de corrida a 5km do local combinado, apanhando-os já com essa distância feita (atrasei-me MUITO). A ideia era fazerem 24km, por isso, se seguisse com eles até ao fim, faria 19km, que sempre era 1km a mais do que o que tinha primeiramente previsto.

A verdade é que, com companhia, os quilómetros parece que passam muito mais depressa e foi um treino em que me senti sempre muito bem. Fiquei com pena de já não ir também tentar passar o meu recorde de distância: 21km (e 100 metros, se quisermos ser precisos), porque estava num dia-sim-de-corrida e, como são raros, há que aproveitá-los bem.

Mesmo assim, foi um bom treino e em agradável companhia. Iniciei na Av. de Roma e segui com os restantes companheiros o percurso da Maratona de Lisboa até ao Terreiro do Paço, voltando depois para trás e subindo a ligeira mas interminável subida da Almirante Reis. Esta última parte já custou um bocadinho, mas mesmo assim não tanto como quando a fiz pela primeira vez há uns meses (pode ser evolução, mas pode ser também apenas o dia-sim).

Quando chegámos à meta predeterminada, na Alameda, ainda tive de andar lá às voltas para completar os 19km certinhos. Já sabem como eu sou, se não acertar os metros do meu treino ainda pode acontecer alguma calamidade algures por esse mundo - é o chamado "Efeito Borboleta", é ciência, não é pancada minha... ;)

Uma coisa boa a reter destas duas últimas corridas longas dos anteriores fins-de-semana: mesmo a um ritmo de treino, relativamente confortável, se o mantivesse até aos 21km teria batido o meu recorde da Meia-Maratona. É uma boa previsão para o dia 24, que se aproxima de uma maneira assustadora... Claro que uma pessoa pode ir bem preparada e depois no dia simplesmente não estar no espírito da coisa, mas vamos esperar que não seja o caso.

Obrigada ao quinteto fantástico de corrida: João, Isa, Lúcia, Sandra e, no importante apoio, Mafalda. E parabéns a quem bateu o recorde de distância, estou com inveja! :)

Os restantes pormenores numéricos do treino ficam para amanhã, no resumo semanal.


Tenham uma boa semana!



1 de março de 2013

Os últimos dias

It's Friday I'm in love, já dizia a música. Tenho estado desaparecida devido ao caos dos últimos dias (sei que foram só 3 ou 4 e vocês nem deram por isso, mas deixem-me acreditar que sim).
Não foi uma semana fácil, mas mesmo assim consegui correr 15km divididos por dois treinos (5km+10km). Poderia estar aqui a escrever como foram estas corridas, mas vou deixar as minhas habilidades no Paint fazerem o resumo.
 
 
 
 
- Transportada por uma força superior.
- Cabelos a esvoaçar ao estilo Medusa, apesar das dezenas de ganchos usados para prendê-lo.
- Ganho de velocidade de cerca de 10seg/km em relação ao habitual.
 
     
 
 
- Luta contra uma parede invisível.
- Casaco corta-vento a formar um balão nas costas devido ao ar.
- Perda de velocidade de cerca de 20seg/km em relação ao habitual.
 
 
 
 
 
 

Ah, e o frio que fez? Tive de verificar se ainda tinha as orelhas no final de cada treino. O capuz do casaco só serve quando estou a correr a favor do vento, tenho de pensar em alternativas como um gorro ou uma fita qualquer.
 
Sabem o que também não corre bem numa semana de stress? A alimentação. E não estou a referir-me a comer pouco, que isso nunca acontece comigo, mas a fazer muito más escolhas. É o que dá quando se alteram os horários das refeições. Mas adiante... O que vale é que tenho outro treino longo já programado para domingo.


Quem já não vai participar mais em provas, embora tenha intenções de continuar a correr, é Fauja Singh, o mais velho maratonista do mundo*. Estão a ver o senhor de barbas e turbante?



Correu a sua última prova, 10km, no passado domingo, com a bonita idade de 101 anos. Impressionante, não é? Quando tiver 101 anos também reformo a minha "carreira desportiva" e dedico-me a pequenos joggings com os (bis)netos, com os cabelos brancos a esvoaçar a favor do vento. :)


Acham que há uma idade para arrumar os ténis, ou é até a saúde e as articulações deixarem? Já disse aqui uma vez que, no meu bairro, há um grupo de velhinhos que se junta para dar uma caminhada ao final do dia. Às vezes, quando volto do treino, passo por eles e acho piada, porque as mulheres vão todas à frente, algumas de braço dado, e os homens vão sempre alguns metros atrás... Não há cá nada de misturas!


Bom fim-de-semana!


* O título nunca foi oficialmente reconhecido por não ter certidão de nascimento.