29 de abril de 2013

Quando fui plenamente feliz por uns instantes

Este domingo pus o telemóvel a despertar um pouco mais tarde para o meu treino matinal: 08h30, um luxo. Mas, quando tocou, carreguei em desligar, pensei "vou só deixar-me estar mais cinco minut...Zzzz" e acordei uma hora e meia depois.
 
Como alguns de vocês sabem, vou mudar de casa já no próximo dia 1, e isto de mudanças é como levar uma grande porrada e acordar todos os dias de ressaca. Além disso, ontem tive de fazer uma das coisas mais dolorosas...
 
 
 
Esvaziar o frigorífico.
 
Como hoje já vão ser transportados todos os electrodomésticos, esta medida drástica teve de ser tomada, salvando-se os restantes alimentos perecíveis à temperatura ambiente, no frigorífico dos meus pais. É uma dor de alma sempre que entro na cozinha.
 
Apesar de todos os nervos inerentes a este tipo de mudanças, e se calhar por causa disso, achei que não podia falhar o treino de domingo, nem que fosse apenas uma horinha. Assim, acabei por sair já ao final da tarde, disposta a enfrentar a multidão que habitualmente passeia junto ao rio mas, afinal, já havia pouca gente e acabou por ser uma corrida muito agradável entre mim e o vento.
 
11,5km percorridos. Eu: 1. Nervos das mudanças: 0.
 
 
Agora, o motivo do título deste post.
 
Ontem fui almoçar a casa dos meus pais e, por entre garfadas, o meu irmão diz a frase mágica:
 
- "Temos de combinar um dia para eu ir correr contigo".
 
!!!
 
De certeza que fiquei ali uns segundos de boca aberta, olhar esgazeado, com o garfo a meio caminho da boca, enquanto assimilava o que estava a acontecer.
 
Por segundos, fiquei na dúvida de ter ouvido realmente estas palavras a sair da boca do meu irmão, cuja ideia de exercício físico é alternar entre o FIFA e o PES na PS3, o meu irmão, cujo único comentário quando lhe falo noutra prova é "acordar-cedo-pa-ir-correr-vocês-devem-ser-masé-maluquinhos", o meu irmão, que há ano e meio tento que me acompanhe em 300 metros de corrida que seja, sem sucesso.
 
OMD, toda a minha lavagem cerebral tentativa de conversão de um jovem adulto sedentário num futuro atleta, está a dar frutos! - pensei eu. Ainda a medo, quis assegurar-me de que não era uma piada.
 
- "Estás a falar a sério?"
 
- "Sério! Quero ver se ganho resistência."
 
Ok, isto é mesmo real, mantém-te calma para não o assustares.

No entanto, por dentro já me imaginava a correr com uma das pessoas que mais gosto neste mundo, a dupla fraterna a correr por entre jardins e estrada, quiçá eu a aproveitar os primeiros tempos em que ainda tenho hipótese e deixá-lo comer o pó das minhas passadas nos treinos... Felicidade! Alcancei um estado de êxtase em que já ouvia passarinhos e pairava acima da cadeira, por entre arco-íris e borboletas quando...
 
- "Ah, mas não tenho ténis para correr, tenho de comprar uns primeiro".

Pum! Aterrei logo.

Crueldade.

Vocês podem achar que não é nada de mais, que esta frase apenas significa a sua vontade e empenho, mas eu conheço-o. É o imperador da procrastinação, e vão passar-se semanas, talvez meses, espero que não anos, antes que se resolva a proceder ao esforço hercúleo de se deslocar a uma loja de desporto para ver de uns ténis. E nem vale a pena estar sempre a relembrá-lo e a insistir, porque ele leva isso como um desafio ao prolongar da sua preguiça. Estou tão perto de ser a Irmã Fixe, Futura Melhor Companheira de Treinos de Sempre, não posso voltar a ser apenas a Irmã, a Chata.
 
Bom, vou manter a esperança.

Boa semana!
 

26 de abril de 2013

Corrida da Liberdade

Ontem participei na Corrida da Liberdade, a prova com um dos nomes mais bonitos do calendário de atletismo, mas a minha disposição não estava de acordo com o espírito de festa que o evento exige. Ainda considerei não ir, mas como era uma corrida em que iria ter a companhia do meu pai e, a última vez em que isso era para acontecer, resultou em DNS, achei que não podia fazer essa desfeita. Além disso, um bocadinho de endorfinas nunca poderia piorar a situação, pelo contrário. Por isso lá fomos, em jeito de celebração antecipada do aniversário do progenitor. Sim, nós celebramos mais um ano de vida, a correr, é uma antiga tradição familiar (começou este ano).

Mesmo que não queiramos, é impossível não nos deixarmos contagiar pelo ambiente expectante e animado que antecede sempre uma prova. Vemos amigos, pessoas conhecidas, as fotografias compõem-se de sorrisos e t-shirts coloridas e, no ar, por entre o cheiro mentolado dos cremes musculares, levantava-se ontem também o cheiro dos cravos. Vermelhos, como não podia deixar de ser. Eu estou lá, mas a minha cabeça perde-se por outros sítios e revoluções.

Depois de uma corrida contra o relógio na fila para a casa-de-banho das senhoras, acabo, a dois minutos da prova começar, num local completamente novo para mim: os primeiros lugares na linha da partida. Tentei chegar-me o mais para trás possível, mas o aperto entre as pessoas já era tanto que optei por encostar-me às grades e rezar para que não fosse atropelada pela frente corredora em debandada.

Ouve-se a sirene de partida às 10h30 e, apesar de alguns atropelos iniciais, saímos do Quartel da Pontinha e rapidamente estabilizámos num ritmo confortável. Ou, pelo menos, a ideia era ser um ritmo confortável, mas esse conceito é diferente para o meu pai e quase apanhei um susto quando olhei para o relógio ao passar do km1. Disse ao meu pai para seguir confortavelmente na frente, que eu já o apanhava... (Ele acabou por ter de abrandar a passada durante toda a prova, para não me deixar para trás).

Não tenho grande memória dos primeiros quilómetros, sei que passaram alguns companheiros de corridas por mim, cujos cumprimentos e breves trocas de palavras sempre dão algum alento. Notem que eu disse: "passaram por mim", e não: "passei por eles", é um dos males de começar quase na frente.

Na passagem junto ao grande Estádio de Alvalade houve várias pessoas a apupar... Não sei porquê, já que até tivemos a benesse de uma pequena descida e isso, a meu ver, é motivo de celebração. Esta parte é a que recordo melhor, não por termos passado junto ao grande Estádio de Alvalade, mas porque tive uma pequena quebra. Estava com calor, havia poucas sombras no percurso e a água tardava em aparecer. Na altura, até pensei que, quando surgisse o abastecimento, ia aproveitar para andar um bocadinho, só para verem como estava desmotivada.

Mas, já depois do km6, lá aparece o abastecimento e resolvi não andar. Sei que se o fizesse ia ser pior e então decidi que, se necessário, abrandaria mais o passo. Segui então, pensava eu, mais devagarinho, enquanto intervalava um gole de água com despejar outro bocado pela cabeça abaixo. Durou pouco aquela água, mas como a partir daí passámos a ter mais sombras, achei que ia conseguir aguentar bem até ao fim.
Já em casa, quando vi os dados da prova, fiquei admirada por ver que o meu ritmo não diminuiu por aí além nesta fase do percurso, foi até bastante consistente do início ao fim, mas estes foram os quilómetros em que estive mais consciente do esforço físico, ao contrário da restante prova, em que fui alheada nos meus pensamentos.

Daqui para a frente, os túneis, embora façam mossa, ajudaram a quebrar um bocadinho da monotonia do percurso recto até ao Saldanha, a meta "moral" dos 8km, uma vez que a partir daí seria sempre a descer até à meta real, cerca de 11km, nos Restauradores.

Já na Avenida da Liberdade, não encontrei motivação para um sprint, mas olhei pela segunda vez para o relógio em toda a prova (o que não é normal, já que, desde que tenho o Mr.G., vou dando uma olhadela a cada quilómetro, para ver as variações de ritmo) e reparei que até estava com um bom tempo, para mim, e lá e puxei um pouco mais pelas pernas em direcção à meta, que se via há muito, mas tardava em aparecer mesmo à frente.



Terminei com 01:01:19, para 10,77 km, um ritmo que, no meu caso, até é bom, mas não é isso que levo desta prova. Nesta Corrida da Liberdade, corri presa nos meus pensamentos e desfrutei pouco da festa que é ser livre e poder correr feliz. Só posteriormente percebi como esta corrida acabou por ser boa para mim (são as endorfinas, é o que vos digo).

Além disso, desta vez o meu pai não cumpriu o contrato de amor paternal e terminou à minha frente... Só o desculpei porque, para todos os efeitos, foi a sua corrida de aniversário.

Obrigada a todos os que me deram uma força e peço desculpa se houve alguém a quem não respondi, estava zen (na negativa). Agradeço sobretudo a companhia no pós-meta, aqueles suados minutos na sauna colectiva ao ar livre, que se formou no garrafão, teriam sido mais complicados sem a distração da conversa.

Até à próxima!



22 de abril de 2013

Ronha e compressão

Acho que a maioria dos corredores sabe diferenciar bem os dias em que precisa mesmo de descanso, dos dias de ronha. Uma coisa é: "Fogo, sinto-me mesmo cansada e tenho as pernas doridas, acho que hoje é melhor fazer uma pausa". Outra é: "Eiiish... está taaaaanto caloooor/friiiiio/ventoooo [riscar o que não se adequa], depois ainda tenho de ir calçar os ténis, que chatiiice, não me apetece naaaadaa". O queixoso arrastar das vogais geralmente denuncia o nosso ânimo.
Claro que o facto de sabermos a diferença entre um e outro, não quer dizer que agimos de acordo. Na semana pós-Sesimbra tive momentos dos dois.

Comecei logo na segunda-feira, com uma vigorosa caminhada de recuperação - power walk, se quisermos ser chiques -  e na depois na quarta ainda me sentia um pouco cansada, mas achei que já era recuperação a mais e fui correr. Acabei por correr 9km, apenas porque tive companhia, porque foi claro aos primeiros quilómetros que a prestação não ia ser famosa. -> Momento em que precisava de mais descanso.

Entretanto, ontem, depois de ter passado o Sábado todo fora, acordei cheia de preguiça e lancei muitos lamentos ao despertador, mas lá acabei por sair e enfrentar a corrida e o sol, não de sorriso no rosto, mas um bocadinho mais conformada. -> Momento de ronha.

Nestes dias de calor e ronha, ajuda ter uma banda sonora a lembrar praia e Verão, como os The Beach Boys. Mas melhor ainda se for uma cover versão sprint do êxito Surfin' USA. Foram o minuto e quarenta e seis segundos mais rápidos do meu treino, o restante quilómetro (ou dois ou três...) é que se ressentiu!:)

Apesar de estar um dia bonito, acabei por correr menos do que tinha programado (fiquei pelos 12km) mas não faz mal porque, quando chegamos a casa e reparamos que temos dois ou três mosquitos kamikaze colados à mistura de suor e protector solar que nos cobre a pele, sabemos que o nosso trabalho foi feito. Bem-vinda Primavera!

Esta não é uma foto da Primavera, acho que até foi tirada ainda durante o Inverno,
mas ontem não tirei fotografias e o local da cerimónia sacrificial dos insectos é este.


Foi a primeira semana do ano em que corri sempre de t-shirt de manga curta, e isso já é motivo de celebração. Gostaria de, nas próximas semanas, poder começar a correr também de calções, para as minhas pernas ficarem da mesma cor dos meus braços, esperemos que o bom tempo se mantenha.

Mudando radicalmente de assunto: Meias de Compressão.

Reparei que no Trail de Sesimbra era a única dos meus companheiros de corrida que não tinha meias de compressão.  Quase como se estivesse à margem do clube do Bolinha: "Menina não entra" (digam-me que entendem a referência à BD da Luluzinha ou se sou eu que estou a ficar velha...). Na verdade, eu até tenho umas meias de compressão, na altura falei aqui disso quando as comprei, mas não são nada de especial, são de marca branca, digamos assim. E, enquanto são óptimas para recuperação pós corrida, não me vejo a correr com elas, por achar que são feitas de um material muito quente e pouco respirável, diferente daquelas que tenho reparado que algumas pessoas usam.

Não estou a pensar comprar nenhumas nos próximos tempos (leia-se: não posso gastar dinheiro com isso) e, confesso, sempre fui um pouco céptica. Mas gostava de saber a vossa opinião e, quem sabe, alguma sugestão mais acessível, até porque, se continuar nisto dos trilhos, é uma coisa que dá jeito, quanto mais não seja para evitar arranhões nas canelas... (estou a brincar, embora também protejam nesse caso, é verdade).

Usam? Notam diferenças? Compraram as meias em alguma promoção espectacular que podem, simpaticamente, partilhar comigo e com todos os interessados?

Boa semana!

19 de abril de 2013

Terry Fox ou a Maratona da Esperança

Sábado, dia 04 de Maio, realizar-se-á a 18ª Corrida Terry Fox, na zona do Parque das Nações.
 
18ª Corrida Terry Fox
 
Já falei um pouco sobre a história de Terry Fox e a importância desta prova, o ano passado, por isso não me vou alongar muito.
 
- Não é uma competição.
- Não há chips nem controlo de tempos.
- Não há troféus nem prémios (só a satisfação de uma boa causa).
 
É chegar no próprio dia, fazer a inscrição no local (não se preocupem, há muitos voluntários, as filas nunca são grandes), receber a t-shirt, vesti-la e, à hora marcada, partir para uma corrida / corrinhada / caminhada, de uma a três voltas no percurso (aproximadamente 5km as 3 voltas).
 
Quem sentir que 5km é pouco, pode sempre ir mais cedo e fazer um treino pela zona, foi o que fiz o ano passado e é provavelmente o que farei novamente. Por outro lado, mesmo que a corrida não seja o vosso forte, podem ir na mesma, trazer amigos e família e contribuir. Mesmo em passeio, é uma manhã bem passada (há por aqui quem tenha ido o ano passado pela primeira vez e possa confirmar!)
 
É uma corrida familiar, cujo valor da inscrição (€5 o ano passado, penso que se mantenha esse mínimo) reverte na totalidade para a Investigação em Oncologia.
 
Caso nada de extraordinário aconteça até lá, será o terceiro ano em que participo. Infelizmente, é uma causa muito próxima minha... Mas se posso contribuir um mínimo que seja, ainda por cima a correr, não me custa nada. E faz sempre a diferença.
 
 
"I´m no different from any of you - I'm no better, no worse. You are cheering and clapping for me but if you have given $1, then you are part of the Marathon of Hope. Even if I don´t finish, we need others to continue. It's got to keep going without me."

Terry Fox - 11 de Junho de 1980
 
 
Até lá!
 


17 de abril de 2013

Trail de Sesimbra

(Espero que estejam confortavelmente instalados, porque a crónica vai ser quase tão longa como a corrida em si, e isso é dizer muito! E também tem uma introdução e conclusão um bocado lamechas. Foram avisados.)

 
Uma coisa boa de andar nisto das corridas e agora, sobretudo, dos trilhos, é o facto de nos levar a conhecer locais novos ou a ver locais já conhecidos com outros olhos, descobrindo caminhos e carreiros que nos levam a miradouros com uma paisagem deslumbrante ou depararmo-nos com pitorescos recantos escondidos, como um segredo bem guardado ao qual poucos felizardos têm acesso. Sesimbra é um local onde já estive por diversas vezes, mas, não fosse ter participado no Trail este fim-de-semana, nunca teria andado por metade daqueles locais, nem descoberto que por detrás do que parece ser um emaranhado de arbustos se esconde um trilho que, em descida íngreme, leva a uma pequena enseada, nem que se poderia escalar por ali uma encosta inteira, praticamente desde o nível do mar.

Claro que, quando conduzia às 07h de domingo a caminho do local da prova, ainda não sabia disto. Sabia que o dia, ao que tudo indicava, iria ser de sol, e sabia também que o trail, ao que tudo indicava, iria ser doloroso. Tendo em conta as anteriores prestações em eventos semelhantes, já me tinha apercebido que os vários anos a morar em prédios sem elevadores não me prepararam as pernas para as subidas. Não me refiro àquelas subidas que, hipoteticamente, poderia fazer a correr, mas sim àquelas em que tenho que elevar o joelho acima da cintura e depois usar de toda a minha (pouca) força muscular para içar o corpo até à rocha seguinte, ou até à próxima saliência mais ou menos estável. Assim como a minha infância, a correr com e dos amigos pelos montes, não me preparou para as descidas inclinadas e de terreno traiçoeiro, que faço ainda com mais travão do que as supracitadas subidas. No entanto, há algo que me atrai para estas coisas, como se fosse um desafio  que a natureza lança aos meus limites, saber se é aquela escalada que me vai fazer desistir, se é aquele curso de água que me vai fazer tropeçar na evolução, se é naquela próxima rocha que me vou sentar e dizer "já chega". Natureza: Desafio aceite!


Claro que esta conversa é toda muito bonita, mas a verdade é que, enquanto conduzia e me perdia nestes pensamentos, estava nervosa. Não tanto pela distância (embora 20km sejam 20km), mas porque é difícil ter noção do que serão esses 20km neste tipo de percursos.

Cheguei passava pouco das 8h a Sesimbra, deixei o carro num descampado a servir de parque a cerca de 200 metros do Hotel Sesimbra Spa, onde seria a partida e onde ainda tinha de ir levantar o dorsal.


Um local nada mau para se iniciar uma corrida, não acham?

Entretanto, por lá, as coisas já estavam a aquecer...

Daqui não dá para ter noção,
mas estava a decorrer uma aula de aeróbica/aquecimento.

Os participantes do Ultra (50km) já tinham partido às 07h, agora apenas andavam por aqui os atletas que iriam fazer os 20km e os caminhantes dos 15km. Foi na concentração junto à partida que acabei por encontrar o João, que, como eu, se iria estrear nesta distância em trilhos, e o Tiago, com uns amigos, que se iria estrear neste tipo de provas (não quero estragar o final, mas acho que os trilhos ganharam um novo fã!).

Quando a partida foi dada, os primeiros quilómetros puxavam um pouco à velocidade, por serem sempre junto ao paredão e ligeiramente a descer. No entanto, como já sei o que a casa gasta, tentei não me esticar muito. Iria ser uma prova de várias estreias para mim: primeira vez a correr em prova com mochila (é verdade, corri com uma mochila de hidratação. Quase que passava por uma pró... Quase!), primeira corrida oficial dos meus Trabuco, e a primeira vez que levei um gel para tomar... Mais sobre este tema lá para a frente.

E porque é que fiz bem em não me entusiasmar logo de início? Porque, numa espécie de ditado invertido dos trilhos, tudo o que desce tem de subir, e as subidas não tardaram em aparecer.


Ia mantendo o João debaixo de olho à distância, de forma a não me atrasar muito, e foi assim, sempre a subir, até ao primeiro abastecimento (água) aos 3,5km. Aqui, por ser ainda muito cedo na corrida, apenas bebi um copo de água e segui sem grande descanso, ao contrário dos abastecimentos seguintes, que servirão para recuperar os bpms, comer, beber e conversar um bocadinho.
Embora neste abastecimento nos tenham tentado animar, lançando a piada costumeira de que "o pior já passou", a verdade é que uma das partes mais desafiantes - e interessantes, verdade seja dita - do percurso, foi logo a seguir. Entrámos por uma zona verdejante, em que tivemos de andar a desbravar terreno por um pequeno trilho entre arbustos e árvores.



Este trilho vai levar-nos até uma encosta onde nos deparamos com um desfile de tortura a subir.

Os pequenos pontos coloridos são pessoas. A subir.
Sim, até lá acima.
 Mas antes, havia que descer primeiro.


Esta foi, na minha opinião (e penso que é geral), a parte mais difícil da prova. A descida era complicada, devido à inclinação do terreno, o que nos obrigava a ter de ir com bastante cuidado para não escorregar e levar alguém à frente, e depois a subida que, bem, dispensa comentários... Só um: auch!

O km5 foi, tenho a impressão, o quilómetro mais lento de toda a minha vida. Mais lento do que há uns 3 anos, quando tive uma lesão no pé e tive de andar de muletas durante uns tempos. Mais lento até, se calhar, do que quando era bebé e gatinhava, mas já não me lembro. Foram 19 minutos de algumas escorregadelas, esforço muscular e esperas. O que vale é que as vistas eram bonitas.

Pequenos segredos bonitos apenas reservados aos mais duros. Ou doidos!
(Um não é impeditivo do outro).

Nesta altura já estava a ficar com bastante calor e, para piorar, deixei de poder parar, com a justificação de tirar fotografias, porque o meu telemóvel começou a bloquear e não conseguia funcionar com a câmara. (Para a ilustração do texto "roubei" muitas das fotos do Tiago mas, como de costume por aqui, haverá mais abundância de palavras do que de imagens, peço desculpa).

Depois desta parte, seguiram-se cerca de 3 ou 4km relativamente pacíficos, que permitiram recuperar um pouco.


Ia mais ou menos com 8km feitos, quando oiço atrás de mim alguém a aproximar-se a grande velocidade, desvio-me e era o primeiro classificado do Ultra. Se para mim eram 8km, para ele já eram 38km, e ia ali a uma velocidade impressionante!
Na esperança de ganhar alguma energia, tomei o gel que me tinham dado para levar. Ora, eu não sou muito adepta de géis, até porque, até ao momento, também não corri distâncias assim tão grandes, ou fiz esforços, que o justificassem. Já tinha provado alguns em treinos, mas não iguais a este. Sei que não se devem fazer testes em provas, mas eu sou assim, livin' la vida loca, e arrisquei. Bom, era uma coisa intragável de tão doce! Acabei por o tomar todo, às prestações, com a ajuda de bastante água. Não sei se me deu energia extra, mas também não me fez mal, por isso tudo bem.

Depois, como que a gozar com o meu sacrifício do gel, pouco mais à frente ali estava ele, o segundo abastecimento.


Este segundo abastecimento estava muito bem composto, com água, bebida isotónica, frutas, marmelada, frutos secos... Acabei apenas por comer uns gomos de laranja, que será a única coisa que irei comer ao longo de todos os abastecimentos, apesar de tudo ter um ar delicioso.
Neste abastecimento estava também o Tiago e o amigo, André, com os quais eu e o João acabámos por fazer o resto da prova.

Agora, a outra estreia: a minha mochila. Não que eu quisesse ou pudesse, mas era impossível aproximar-me sorrateiramente de alguém para os ultrapassar, porque o chocalhar da água anunciava a minha chegada a 50 metros de distância. Reparei que a mochila do Tiago não fazia barulho nenhum, em comparação com a minha, e fomos ali a falar de truques e tipos de sacos que evitam isso. Estamos sempre a aprender. Mas pronto, o ruído também só foi incómodo nos primeiros 19km de corrida. ;)

Cerca do km 11 entrámos numa zona que me fez recordar o cenário daqueles filmes no faroeste americano: deserto, paisagens áridas e desfiladeiros. Pelo menos, o calor que se fazia sentir estava de acordo.

Era só uma pedreira, mas não deixou de ser emocionante.

Aqui está a atleta a correr no "faroeste".


E aqui está a atleta a correr subir no "faroeste".



Mais à frente, novo abastecimento, mais uns gomos de laranja, fotos e conversa, e somos ultrapassados por mais uns participantes da Ultra (penso que, até ao final, passaram por nós os 5 ou 6 primeiros classificados).

Está quase!
Km 14 (aprox.) e a meta "já ali" ao fundo.

Segue-se caminho por um traçado mais complicado, devido à quantidade de pedras soltas e à presença de vários participantes da caminhada, cujo percurso se tornou a cruzar com o nosso. No entanto, à semelhança de como nós fazíamos com os ultramaratonistas, estes desviavam-se para nos deixar passar, que íamos um bocadinho (não muito) mais rápido.

Depois desta descida "quebra-joelhos", como foi apelidada pelo Tiago, entrámos numa zona de moradias "modestas", de onde se podia avistar o castelo de Sesimbra ao cimo.


Nisto, estávamos com 16km feitos. Vira-se o João e pergunta: "Acham que ainda vamos ter de subir ao castelo?". Respondo eu: "Achas?! Nem dês ideias!" (estava na minha fase de humor cansado). Responde o Tiago: "É possível"...

E tanto era possível que foi mesmo.

A subida foi feita maioritariamente a andar, não porque não conseguissemos correr, mas apenas porque não queríamos desrespeitar o limite de velocidade.



Ao entrar nas muralhas, um fotógrafo aguardava-nos de máquina em punho e incitou-nos a correr, para "ficarmos bem na foto". Não sei se ficámos bem, porque ainda não vi o resultado, mas a verdade é que já não parámos de correr, porque a cerca de 150 metros avistámos o quarto, e último, abastecimento: o dos 18km.

Mais uma vez, este abastecimento estava muito bem composto, mas aqui já nem consegui comer, sentia-me cheia de tanta água e laranjas ingeridas e não quis abusar, já que, daqui para a frente, seria sempre a descer a velocidades loucas até à meta (pelo menos era essa a ideia...).

Por falar em velocidades loucas, uma pausa para falar da estreia dos meus Trabuco 14 em prova: Impecável! Confortáveis, autênticas pantufas, e com bom amortecimento. Só já para o fim, nesta descida pelo meio do mato até à meta, é que comecei a sentir uma bolha a querer formar-se no pé esquerdo, o que é normal, devido à força que estava a fazer para travar a passada que embalava neste declive. Como não apanhámos grande lama, nem atravessámos cursos de água, não sei como se comportam em terreno enlameado, ou quando estão molhados. Haverá outras oportunidades! Outro aspecto positivo: pensei que fossem muito quentes, devido a terem um ar acolchoado, mas não. São bastante respiráveis.

Adiante. Esta descida, que me fez ver que estou tão despreparada para descidas pelo mato como para subidas, levou-nos de volta ao paredão junto ao mar que, a esta hora, já estava repleto de famílias a passear, o que tornou esta última parte uma corrida de obstáculos. Com isto, o meu Garmin acusa os 20km e nada de avistar a meta...
Íamos todos juntos, eu ia conseguindo manter-me lado a lado com o Tiago, que teve a surpresa de receber um abraço da filha a cerca de 500 metros do final, um momento bonito, que lhe deu um boost de energia que eu já não consegui acompanhar, terminando a minha prova uns bons segundos atrás dele, seguida pouco depois pelos restantes companheiros de corrida.

Terminei em pouco menos de 3h10, para 20.7 kms de distância, o que é, até à data, o maior tempo que passei a "correr". Mas foram 3h10 que passaram num instante! (Exceto a parte de escalar a montanha, onde os minutos pareceram arrastar-se, tal como eu).

Estamos todos de parabéns, foi uma bela experiência! E eu agradeço a companhia, sem a qual teria tido uns 20km mais complicados, devido às minhas constantes inseguranças e lutas mentais.

Ao cruzar a meta, recebemos uma pequena lembrança em barro (já tínhamos recebido a t-shirt juntamente com o dorsal) e podíamos recuperar com uma massagem, da qual não cheguei a desfrutar, e até uma cerveja fresquinha, que eu não quis (eu sei, como é possível?!) porque já tinha uma pequena pança de tantos líquidos ingeridos. Além disso, tinha outra geladinha à minha espera:

A água!
A ideia era só molhar-me até aos joelhos, mas acabei por molhar-me quase até à cintura, meio de propósito e meio porque calculei mal o tamanho de uma onda...

Muitos outros participantes tiveram a mesma ideia do que eu, e era ver gente semi-despida, e outros completamente vestidos, a banharem-se na praia de Sesimbra.



Foi um dia muito bem passado e, para prenda de anos, não poderia ter escolhido melhor prova! A organização está de parabéns, com o percurso sempre bem assinalado, apoio em determinados pontos da prova, abastecimentos frequentes e sem esgotar comida e, no geral, tudo pessoal simpático e prestável. Recomendo.

Como disse, foi uma manhã que passou a correr (ahah, os trocadilhos que isto permite) e sinto-me uma privilegiada por poder fazer parte de um grupo de pessoas felizardas, que entende a subjectividade do tempo quando conquistamos lugares novos, na natureza e em nós.

É para continuar, sem dúvida... Até à próxima!



16 de abril de 2013

O verdadeiro espírito da Maratona

"Maratonistas que cruzaram a Meta de Boston continuam a correr até ao Hospital para doar sangue às vítimas".
 
 
 
Este e outros casos de solidariedade e entreajuda, para contrapor um pouco à exploração de imagens chocantes e sensacionalistas, aqui.


14 de abril de 2013

Não é para vos fazer inveja, mas...*

 
 
 
 
... foi uma prova fantástica!
 
Um belo dia de sol (se calhar calor a mais em alguns pontos - nunca se está contente!), um percurso bonito, uma organização exemplar (pelo menos segundo a minha perspetiva) e colegas de prova respeitadores (não vi lixo nenhum abandonado, como infelizmente às vezes é costume) e toda a gente cedia passagem - caminhantes a trailers, trailers a ultras - sem problemas.
 
Se foi difícil? Bom, é claro que um trail é sempre duro, senão não seria trail. Mas, se calhar porque tive quase sempre companhia, o que ajuda a passar o tempo, quase que não existiram as minhas típicas variações de humor, ao sabor do cansaço: "Uau, que isto é tão lindo!" passa rapidamente para "ó mas que caraças, para que é que insisto em meter-me nestas coisas?" que passa rapidamente para "adoro isto!".
Digo quase, porque, algures perto do km5, surgiu uma "montanha" em cuja subida comecei a sentir um vulcão de palavras feias a fervilhar dentro de mim.
 
Reparem ao longe o carreirinho de pessoas.
 
Felizmente, não chegou a entrar em erupção.
 
E diria que a prova até foi uma experiência agradável, tanto quanto pormos o nosso corpo em teste durante 20km (e 700 metros!) pode ser.
 
Por isso, ainda bem que acabei por me inscrever neste trail que, por ser caro, me fez abdicar de correr outras provas em Abril. Valeu a pena!
 
Com direito a "banho de gelo" a dois passos da meta e tudo.
 
Pus as pernas de molho e tive de me controlar para não mergulhar,
estava mesmo calor nesta altura (ou então era só eu).
 
 
Como habitual, depois farei a devida crónica, mas posso já adiantar que os novos ténis se portaram lindamente e que não caí!
 
 
Boa semana a todos. Será que é desta que o sol fica?
 
 
 
* Ahah, é claro que é para vos fazer inveja! ;) E dar-vos vontade de vir também para o ano (ignorem a "montanha").

12 de abril de 2013

Trilhos, me aguardem!

 
No meu aniversário, a prenda de mim para mim própria foi uns ténis para trail. Depois de ter participado em algumas provas, e uma em especial com uma parte do percurso muito escorregadia, sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria de comprar uns ténis mais adequados, sobretudo porque depois de cada trail (depois de devidamente repousada) já só pensava em participar em mais e mais.

Sendo assim, foi com um orçamento algo limitado que me pus à procura do modelo a comprar. Pedi algumas opiniões, falei com funcionários em lojas e li críticas online. O que, à partida, pode parecer uma coisa negativa - orçamento reduzido - acaba por ser uma coisa boa, porque hoje em dia há tantas marcas, com diferentes modelos por onde optar e, assim, sabia que o limite era aquele e teria de escolher os melhores para mim, de acordo com isso.

A minha preferência ia para uns Asics e, depois de indagar em alguns outlets, a escolha recaiu sobre os Gel Trabuco 14. Poderão haver melhores e piores mas, no geral, este modelo reunia boas críticas.
 
Pessoal, apresento-vos os meus Trabuco 14.
Trabuco 14, apresento-vos o pessoal.

Era possível encontrá-los com um óptimo desconto, inclusive, se os encomendasse online, ainda teria conseguido um preço inferior, mas não quis arriscar comprar sem os experimentar, sendo que a diferença não era assim tão significativa. E ainda bem que não o fiz.
 
Quando, depois de muitos dias de pesquisa e ponderação, finalmente cheguei à loja, toda contente, decidida no modelo a comprar, já não havia o meu número...
 
Raios.
 
No entanto, não quis dar-me por vencida e pedi para experimentar o número a seguir... E ficavam PERFEITOS.

Esta sou eu quando calço uns ténis novos.

Não sei se devido ao modelo ser diferente, mais "acolchoado" relativamente aos meus Asics de estrada, parece-me, mas, se tivesse experimentado o meu número habitual, provavelmente teriam ficado demasiado justos.
 
Assim sendo, saí de lá com uns novos ténis de Cinderela, prontos a testar nesse exacto dia.

Aqui estamos nós, no primeiro dia,
a assistir ao pôr-do-sol, juntinhos.
 
Levei-os nos meus dois últimos treinos, e talvez hoje ainda consiga fazer pelo menos mais uns 5km com eles, aproveitando que o piso agora está mais seco.
 
Isto porque, este fim-de-semana, têm tenho uma prova de fogo à espera: 20km! Será a minha maior prova de trilhos até ao momento e um grande desafio para mim, que tenho a força muscular de um bebé... Não sei porquê, mas convenço-me de que, se continuar a insistir, algum dia se tornará mais fácil... Até agora ainda não se tornou, mas mantenho a fé!
 
Depois da prova, já poderei dizer como a nova aquisição se comporta em condições mais adversas.
 
 
Ok, só mais uma foto, para me recordar deles quando ainda estavam novos e (relativamente) limpinhos:

Não sei se dá para reparar, mas têm uma bolsa
onde se pode "esconder" os atacadores.
 
 

Um bom fim-de-semana a todos, boas provas (para quem for o caso) e enviem-me essas energias positivas, vou precisar tantoooo!
 



10 de abril de 2013

Nova aquisição

 
Eu já vos tinha dito que ia às compras esta semana e, como não podia/queria esperar mais, fui logo na segunda-feira.
 
Aqui está a aquisição, acabadinha de sair da loja, no banco de trás do carro:
Antes que digam alguma coisa: não tem o cinto posto
porque ainda não estavamos em andamento. ;)
 
O que estava dentro do saco? Difícil! Fica aqui uma dica:
 
Esta não é bem uma dica, é mais uma revelação,
 já que dá claramente para ver que são uns ténis...
 
Agora, eu sei que não vão conseguir adivinhar a marca (ihih), mas será que conseguem descodificar o modelo?
 
Na segunda fiz logo um pequeno treino de 50 minutos com eles, por passeios de terra batida e relva, e hoje, calha bem que até estava de chuva, levei-os para uma zona com mais lama. Quase que tive pena de os sujar, quase...
 
Já deu para ver um tipo de piso ao qual não aderem muito: calçada portuguesa molhada pela chuva! (Calma, desta vez só escorreguei ligeiramente, não caí!)  Mas também não é para correr em calçada que foram feitos, embora possa aparecer alguns metros de calçada em determinadas provas de trilhos, é uma questão de ir com cuidado.
 
Entretanto, amanhã ou depois faço a apresentação oficial. Se a chuva começar a ceder, os ténis serão já estreados em grande este final de semana...
 
 
Quais os vossos ténis para trilhos (se tiverem)? Estão contentes com a escolha?
 



8 de abril de 2013

Foi o universo que mandou

 
A bem de combater a rotina, este sábado fui correr para os lados de Monsanto.
"Correr" é um termo generoso. Na realidade, arrastei-me no meu estranho ritmo de lesma por aqueles caminhos e trilhos acima, parando de vez em quando para experimentar alguns exercícios do circuito de manutenção.
 
 
 
 
Apesar de estar um dia bonito de sol, ainda havia bastante lama e uma árvore caída bloqueava uma das estradas.
 
No entanto, este sábado não vai ficar lembrado pelo bonito e relaxante passeio matinal pelo pulmão de Lisboa. Não. Vai ficar lembrado pelo espalhanço mo-nu-men-tal que dei. E como é que eu caí, perguntam vocês?
 
- Não foi enquanto patinava nos carreiros mais alagados em lama.
 
- Não foi enquanto subia em equilíbrio precário os trilhos mais íngremes.
 
- Não foi enquanto subia as escadas feitas de pequenos troncos, ainda húmidos pelo orvalho e chuvas.
 
- Não foi enquanto realizava algum dos complexos exercícios de manutenção.
 
Eu realizei as actividades acima descritas com a elegância e competência de um projecto de Indiana Jones feminino. Mas depois, acabei por cair, atentem bem, quando parei para beber água. É verdade, eu caí quando estava praticamente parada e pus um pé em falso ao sair de ao pé do bebedouro...
 
 
(Pausa para recuperar da memória embaraçosa).
 
 
Depois voei de braços estendidos uns 2 ou 3 metros (-> possível exagero). Desta vez, ao contrário de no Trail do Monte Serves, não houve testemunhas do sucedido - graças a Deus - mas, em contrapartida, esfolei as mãos e o braço e, como ontem descobri ao tocar na zona, devo ter amparado a maior parte da queda com a minha coxa direita.
 
Acabou por não ser nada de grave, são só mais umas marcas que provam que sou uma pessoa activa (ou simplesmente desastrada), mas aqueles artigos todos que se vê por aí a avisar para ter cuidado(s) com a hidratação quando se corre?? TÊM FUNDAMENTO! :)
 
Mas como estava a dizer, depois da queda, levantei-me, passei as mãos por água, desta vez com mais atenção relativamente a onde punha os pés, e continuei a "correr", armada em falsa durona.
Na altura não sabia que o braço direito também estava esfolado (em pior estado), porque estava com mangas compridas, e a perna, a quente, ainda não me doía. Devo ter lá andado pelo menos mais meia hora, antes de voltar para o carro, de regresso a casa. Como não conheço bem as diferentes estradas e trilhos, não arrisquei muito e mantive-me quase sempre na zona "familiar".
 
 
 
Com esta já é a segunda vez, no espaço de 2 meses, que caio. Como, antes disto,  não me lembro de alguma vez ter caído em idade adulta, acho que o Universo está a querer enviar-me alguma mensagem... E eu acho que a mensagem é, obviamente:
 
- "Mulher, tu vai-me comprar uns práticos e lindos ténis de trail o mais rápido possível. De preferência em promoção". (A parte da promoção não foi o Universo que disse, fui eu que acrescentei).
 
Pelo menos foi o que entendi que me estava a ser transmitido, e quem sou eu para contrariar desígnios superiores...
 
Esta semana vou às compras!
 
 
Treino em Monsanto:
 
- 11,5km
- 219 m de Ganho de Elevação (não é muito mas, para mim, já é acima do habitual)
 


4 de abril de 2013

Silêncio à Quarta

 
 
Em tardes...
 
... de chuva...
 
... e sol...
 
... recomeçamos...
 
... a entender-nos.
 
 
 
"The world is filled with noise, make room for Silence."
 


1 de abril de 2013

Arrufos


Ao fim de mais de um ano e meio de relação, é oficial: eu e a corrida estamos a passar por uma fase. Começou há três semanas, quando fiquei doente e sem disposição para as suas exigências, depois foi aquele encontro agridoce na Meia Maratona de Lisboa e agora esta última semana, em que, ora sou eu que quero ir fazer uns quilómetros mas ela não está para aí virada e torna-se muito cansativa, ou então é ela que, ao final da tarde, começa a piscar-me o olho para sairmos de casa mas depois sou eu que digo "naa, deixa-me mas é ficar aqui no sofá a comer mais umas amêndoas de chocolate". E tem sido assim.

O cúmulo foi este sábado de manhã. Pensei acordar cedo, para aproveitarmos os raros momentos de sol ultimamente e darmos um belo passeio à beira-rio mas, foi claro aos primeiros minutos, não estávamos em sintonia. Foram 8km muito longos.

Sei que isto acontece nas melhores relações e não põe em causa os meus sentimentos, no entanto, não tem sido agradável.

Acho que estamos a precisar de sair da rotina e ir por aí conhecer sítios diferentes e bonitos, de preferência, sítios diferentes e bonitos pelos campos. Afinal, temos o amor pela natureza em comum.

Tempos felizes.

Recriar aqueles belos momentos, só nós e o caminho, cheio de pedras e pó que se cola à pele transpirada. O silêncio.

Assim sendo, este mês, em que vou completar mais um ano de vida, quero levar a corrida a um sítio bonito (ou é ela que me leva a mim?), já estou a escolher a prova. Vai ser esse o objectivo de Abril: redescobrir porque comecei e confirmar que tenho pernas para continuar, apesar (e sobretudo por isso) das dificuldades.

Entretanto, para não estar sempre aqui a desabafar as minhas quezílias atletrimoniais, só volto a dar novidades quando tivermos feito as pazes, o que há-de ser em breve, espero.


Porque, no fim das contas, não há dúvidas: desde que cruzámos a meta da primeira prova, aquela sensação... Eu soube que era um amor para a vida.