31 de dezembro de 2013

Dos últimos dias, efemérides e o adeus a 2013

21 de Dezembro: Depois de umas semanas difíceis, enquanto eu celebrava o meu regresso aos trilhos, sem dores, no Cabo Espichel, o blogue celebrava também o seu segundo aniversário.
Apesar de atravessar picos de inspiração e falta de vontade, nunca me arrependi de ter aliado duas paixões. "Corro para criar memórias e escrevo para as recordar", escrevi aqui uma vez. E é basicamente isso, com tudo o que significa. Todas as pessoas que conheci por consequência, tive o prazer de gostar (gosto mesmo, não estou a dizer porque fica bem, já sabem que não sou disso). Alguns começam a ser grandes amigos, só por isso já valeu a pena a brincadeira disto de ter um blogue.
 
22 de Dezembro: Passeio de Natal à Vila de Sintra, num misto entre os trilhos e o urbano. Porque Serra de Sintra nunca é de mais.


Mesmo uma Vila já bonita fica ainda mais bonita, no Natal.
 
 
24 de Dezembro: A Mãe Natal cá em casa veste verde.



Claro.
 
(Interregno de festividades e enfardanço)

 
28 de Dezembro: Depois de ter optado por deixar de pedalar, por não saber se seria prejudicial à lesão, assim que tive o ok voltei a pegar na bicicleta. Aos poucos deixa de ser um apêndice estranho, com o qual não sei lidar, para começar a fazer parte de mim. É, ao mesmo tempo, um bom complemento e descanso da corrida.
Mas, caso alguma vez se tenham questionado, correr à chuva é cem vezes melhor que pedalar à chuva... aprendi da pior maneira. Só desculpei a natureza (e os sites meteorológicos) por causa disto:

 

 
29 de Dezembro: Os últimos 10km do ano. Estrada. Precisava de confirmar se os 15km sem dores na Azoia tinham sido apenas uma coincidência feliz.
Contente por chegar ao fim sem sintomas negativos, mas a perda de resistência é uma realidade. Pela minha respiração e pulsação dir-se-ia que estava em pleno desempenho olímpico dos 1000 metros com obstáculos, mas não, foram apenas 10km bem vagarosos. Enfim... aos poucos recupero.


Ao menos estava um nevoeiro fantástico.

 
30 de Dezembro: Fez dois anos que corri a minha primeira prova de 10km. Infelizmente, este ano não estive presente na S. Silvestre dos Olivais. Os dois anos anteriores fiz esta prova sempre ao lado do meu Pai, e este ano, para além de ter estado lesionada, ele também não poderia estar presente, por isso não iria ser a mesma coisa. Mas é uma corrida que está no meu coração, a que espero voltar mais anos, apesar de o meu caminho ser cada vez mais fora do asfalto.


2013 foi o ano da consolidação do meu amor pelos trails. Foram 11 provas de trilhos no total, quase uma por mês. Apesar de todas, e cada uma em particular, terem sido especiais, destaco três:

- Raide à Tapada de Mafra - por ter sido a minha primeira Meia Maratona em Trail, e o momento em que descobri que era mesmo "isto".

- Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos - pela companhia e pelo desafio de correr à noite. É preciso ir mais alerta e é exigente a nível de concentração, mas tem um ambiente único. Sem dúvida uma experiência a repetir.

- Grande Trail da Serra d'Arga - como não poderia deixar de ser. Porque era uma prova que já sonhava mesmo antes de calçar os meus trabuco pela primeira vez, porque é uma prova de topo, porque é num local de grande beleza, porque a fiz sozinha e me deu confiança. Uma das minhas corridas mais felizes.

E uma menção honrosa para:

- Trail do Almonda - porque às vezes é nos piores momentos que se aprende e evolui.



"Adventure is worthwhile in itself"
Amelia Earhart
 
 
 
Espero que 2014 seja uma boa viagem para todos. Bom ano, quilómetros felizes!
 


27 de dezembro de 2013

Trail do Cabo Espichel

Quando eu e o amigo, agora também colega de equipa, Vitor, chegámos a Azoia, bastou pôr um pé fora do carro para ver que também o novo solstício anunciava a sua chegada com uma bela manhã glacial. Por essa razão, eram ainda poucos os atletas que por ali andavam, optando por se resguardar nas instalações do Grupo Desportivo União da Azoia.

O levantamento dos dorsais, em mesas divididas por número, foi rápido e sem incidentes e, sendo ainda cedo para um aquecimento enfrentando o calor ártico que se fazia sentir, aguardámos na sede, onde muita gente aproveitava para beber um café quentinho antes da prova. Devido ao ajuntamento, foi possível encontrar e ficar à conversa com amigos e conhecidos das corridas, entre os quais o Sílvio, que ainda não conhecia pessoalmente.

Apesar de o trail de 30km, no qual o Vitor iria participar, começar às 9h, ou seja, meia hora antes dos meus 15km, resolvi juntar-me a ele no aquecimento e depois ficar a ver partir os atletas do trail longo, ligeiramente (ok, muito) cheia de azia por não poder juntar-me a eles.


Felizmente, o Nuno, que lê aqui este cantinho e que quando falei pela primeira vez da lesão me ajudou com alguns conselhos e sugestões, uma vez que já passou pelo mesmo, encontrou-me nesta altura em que ia começar a sentir pena de mim própria e veio falar comigo. Assim, em vez de ir chorar um bocadinho para o carro (brincadeira!!), ficámos um pouco na conversa, porque se há coisa que une mais as pessoas do que a corrida, é uma lesão semelhante.

Quando, às 09h25, me fui dirigindo para a zona da partida ia um pouco apreensiva. Já tinha tomado a decisão mais sensata, de alterar a inscrição para a distância menor, já tinha decidido nem olhar para o relógio, para não pensar em tempos, e sabia que nos últimos treinos já não tinha sentido dor, mas desde o Trail do Zêzere que não corria tantos quilómetros seguidos, e mesmo nesse dia tinha feito grande parte a andar. Ou seja, a intenção era boa, mas sabia que arriscava sempre um bocado ao juntar-me ao entusiasmo da competição, mesmo sendo um trail. Só faltou benzer-me, ao jeito de um jogador da bola ao entrar em campo, antes de cruzar a linha de partida quase na cauda das dezenas de atletas que tinham ficado para os 15km.

Por acaso a corrida até começou com uma meia volta a um campo de futebol, saindo depois da povoação, sempre a direito, em estrada de terra, até ao Cabo. Na altura não olhei para o relógio e não podia saber, mas fiz os primeiros 3km numa velocidade demasiado elevada, para mim, e para trilhos. É um dos perigos de irmos ali no meio de muita gente, parece sempre que vamos mais devagar. No entanto, estava a correr por intuição e a intuição estava a ser boa.



Como dizia, não parecia que estava a ir "rápido". Fui sempre com a ideia de contenção, de salvaguardar a resistência um bocado perdida, para além de não querer desencadear sinais de alarme do joelho. Como o terreno era praticamente plano e o trajecto sempre a direito, aproveitei para travar com algumas fotos.



Chegando ao Farol temos o primeiro posto de controlo: um rapaz e uma rapariga, com uma maquineta na mão, onde tínhamos de picar o ponto com os nossos chips presos ao dedo, um pouco à semelhança do método utilizado em provas de Orientação, o que achei bastante prático e eficaz.

Passando o Farol, começamos a dirigir-nos para o Santuário de Nossa Senhora da Pedra Mua (ou do Cabo Espichel).



Tendo sido comum até aqui o percurso das duas distâncias, penso que agora havia uma placa que apontava para as arribas, 30km, e para seguir em frente, para os 15km. Aqui senti um baque no coração. Devia ter sido tão gira aquela parte a subir e descer as escarpas...

O que vale é que a passagem por dentro do Santuário foi interessante ao ponto de me distrair do que não podia e aproveitar o que corria.


Pátio interior, com bastante areia.
Caso me tivesse esquecido, estes 200 metros recordaram-me como correr em areia mole não é nada agradável para os músculos.

Saindo  do edifício começamos a descer. Nada de muito técnico, mas o suficiente para achar melhor caminhar.

Sempre se tiram mais umas fotos...



Estava a achar o percurso bastante fácil e até comentei isso com o Nuno, que tornei a encontrar novamente nesta parte. Nada de subidas doidas nem de descidas suicidas, tudo muito acessivelzinho. Só por causa disso, enganámo-nos no caminho a seguir (toma lá emoção), mas apenas umas dezenas de metros, nada de grave.

Suponho que porque, na altura, a atenção estava mais concentrada nesta vista:


do que em olhar para a frente e ver aonde colocar os pés, o que é sempre um erro nestas provas.


Nesta zona começamos a ultrapassar atletas da prova dos 30km, que já se tinham andado a divertir (e cansar) nas arribas. Contavam-se cerca de 8km de prova e não tardava muito para o primeiro abastecimento.


Pela primeira vez numa prova de trail não tinha levado nada comigo. Nem mochila de hidratação nem sequer um cinto com um cantil. Como estava frio e não contava fazer uma prova cansativa, para além de serem "apenas" 15km, achei que não justificava ir carregada. Gostei da experiência de andar a correr livre, sem peso, pelos campos, mas acho que não torno a repetir. Não gosto de ficar dependente dos abastecimentos e senti falta de dar os meus golinhos de água, só para molhar os lábios. É que mesmo com a manhã gelada que estava, cinco minutos depois da prova começar já ia cheia de calor, e isto apenas de t-shirt e corta-vento.

O primeiro (e único, do trail curto) abastecimento, aos 9km:

 

Bebi logo dois copos de água de seguida e aproveitei para comer um bolo-ou-espécie-de-barrinha que eles lá tinham e que era muito bom. Ganhou bastantes fãs.

Daqui para a frente não vou tirar mais fotos pela simples razão de ter começado a ficar cansada. E nem imaginam como fiquei contente por conseguir correr ao ponto de ficar cansada, coisa que já não acontecia há algum tempo! Comecei a sentir as dores musculares, o ardor típico nas coxas e gémeos e dei-lhes as boas-vindas, estas dores são incomparavelmente melhores que as outras. Parecia uma maluquinha feliz por estar a ficar esgotada, até devia ir com um sorriso parvo. Lembro-me de já para o final começarem a surgir mais subidas, daquelas pouco inclinadas mas longas, e eu ir ali a arrastar-me em êxtase, tão lentinha e tão cansada, com música dentro da minha cabeça.

Surge a separação dos 30km, para a esquerda, mas nem pensei nisso, só pensei no caminho que tinha, e tenho, pela frente, sempre em frente. Vejo outros atletas ao fundo, sei que estamos a chegar e, por momentos, distraio-me neste sentimento absorto em que o cansaço e a satisfação comungam tão bem.
Erro crasso.
Nunca nos podemos distrair numa prova de trail.

Quando vejo os outros corredores mais à frente a pararem e a olharem para todos os lados vi logo que já íamos enganados. Algures depois da separação dos percursos e na entrada da localidade ficou algum desvio por tomar. Tivemos de voltar para trás e perguntar a algumas pessoas que passavam o caminho para o GDUAzoia. Valeu-nos mais de meio quilómetro extra no trajecto, mas eventualmente demos outra vez com a sinalização (que estava bem feita, foi mesmo distracção).

Este imprevisto veio cortar um bocadinho o momento beatífico que estava a viver, mas acabei por cortar a meta com 15,5km, cheia de força (como quem diz...). Claro que das primeiras coisas que fiz após chegar foram alongamentos. ;)



Como podem ver pelos dados, foi um trail bastante acessível. Acho até que, se não fosse a actual situação, era um trail passível de ser feito na íntegra a correr, o que é muito raro neste tipo de provas, pelo menos para mim.

Este facto teve a ver com alterações de última hora e negação de licenças, que também acabaram por afectar o T30km, diminuindo o ganho de elevação. Apesar disto, acho que foi uma primeira edição do Trail do Cabo Espichel muito bem conseguida, com nota especialmente positiva para o sistema de chip e controlos de tempo.

A nível pessoal, e preferindo terrenos mais acidentados como já sabem, acabou por ser o trail ideal, aquele de que precisava sem saber. Calminho, relativamente pouca gente, sem muita exigência física, para uma reconciliação esperançada com o meu joelho. Agora é ficar pronta para os próximos!

23 de dezembro de 2013

Crónica adiada e festas felizes

Como estamos em contagem decrescente para o Natal e como certamente andarão mais ocupados com preparativos de última hora, a partilhar tempo de qualidade com a família e com a caixa de chocolates (esta última parte se calhar sou só eu...), pensei em fazer apenas um pequeno resumo do Trail do Cabo Espichel. Ou seja, uma crónica mais curta, somente com os pontos essenciais, para variar...
Claro que isso não aconteceu. Comecei logo a ficar nervosa com a ideia de escrever apenas meia dúzia de linhas sobre a prova... Como é que se faz isso? Como?? Por isso volto depois do Natal com o habitual romance.

Assim sendo, aqui vai apenas uma foto tirada em plena corrida, a que achei graça porque, não sei como, fiz com que o farol parecesse uma recriação da Torre de Pisa...

Inclinem a cabeça ligeiramente para a direita para um ângulo mais real.

E outra imagem que resume o meu estado de espírito durante praticamente toda a prova:

(Impossível olhar para este gif e não me rir. IMPOSSÍVEL.)


Foi muito bom, pela primeira vez em demasiadas semanas, conseguir correr 15km seguidos sem dor. Estava em êxtase. Ainda não posso dizer que estou completamente recuperada, já que ainda noto ali qualquer coisa (sou capaz de ter até abusado um bocadinho com o entusiasmo... Perdoem-me...), mas foi a prova que me fazia falta, num percurso bastante acessível e bonito.
Uma forma nada má de terminar uma época cheia de trails, com uma luzinha de esperança para 2014... mesmo que provenha de um farol torto. ;)


Tenham um bom Natal!

20 de dezembro de 2013

Ver se chove

 
Nunca consultei tantas vezes os sites meteorológicos como desde que comecei a correr. Mais por causa dos dias de prova, mas às vezes também por causa de alguns treinos. Ora deixa cá ver que tempo irá estar mais logo ao final da tarde, interrogo-me, e abro a janela. A da internet, não a da rua.
São os sinais do tempo (o das modernices, não o meteorológico).
 
Lembro-me de os meus avós olharem para o céu e lerem-no como se fosse um livro. As nuvens estão assim e assado, vai chover, diziam. E eu olhava e via apenas um céu bonito com alguns farrapos brancos a passar. Outras vezes diziam: O vento vem da direcção tal, hoje não chove, e eu abanava discretamente a cabeça em descrença, porque dois minutos antes ia jurar que tinha sentido uns pingos. Mas a verdade é que as previsões dos meus avós tinham uma taxa de sucesso de fazer inveja a muitos programas meteorológicos. Eu ficava fascinada com aquilo, os saberes antigos e o entendimento da natureza.
 
Hoje, que já não tenho avós, fico com pena de nunca lhes ter perguntado os seus segredos. Como ler o céu, o que levava o chá que curava as constipações dos netos, qual a melhor altura para plantar determinada erva, como reconhecer a melhor fruta, como distinguir se uma ave é "menino ou menina"... As mezinhas, as crenças e sabedoria popular, tudo aquilo que, aos meus olhos, fazia parte do seu mundo mágico de avós.
 
Hoje, para saber como vai estar o tempo ao final da tarde, abro uma janela num computador. Penso como seria espectacular abrir uma janela real, em casa ou no trabalho, olhar para o céu e dizer confiantemente para o atleta que quisesse saber do tempo (são atletas, são sempre atletas): Hoje não chove. Sei ver, aprendi com os meus avós.
 
 
 
 
Foto tirada numa caminhada em que o computador disse que não ia chover, e mentiu. Não faz mal, gosto de chuva. E lembrei-me dos meus avós.
(E também já vos disse como gosto muito de troncos assim cobertos de musgo?)
 
 
Amanhã é o 1º Trail do Cabo Espichel. Obviamente, os 30km, para os quais já estava inscrita há algum tempo, estão fora de questão. Irei fazer 15km, em modo passeio, caminhando em subidas e descidas acentuadas, correndo quando puder. Muito provavelmente será a última prova do ano e a última em que espero ter de me controlar.
Era um bom lugar do qual voltar recuperada, não era? Chutar a lesão para o oceano e ficar a vê-la afastar-se, com as ondas... Se a vida fosse um filme, dava uma boa cena.
 
 
Já fui ver o tempo para amanhã. O computador diz que não chove. Devo confiar?
 

17 de dezembro de 2013

Aquecimento, alongamentos e outros que tais

Ou: a minha vida ultimamente.

Na última semana voltei a correr. Já tinha feito algumas experiências de corrida intercaladas com caminhada, mas agora voltei a tentar correr sem parar. Ainda muito poucos quilómetros e ainda mais devagarinho do que o habitual, mas fiquei contente. Queria ver se a dor, que não se manifesta em mais nenhuma ocasião, iria dar um ar da sua (des)graça, mas não o fez. Também não quis abusar, para não estragar.
Sentia-me tensa, perra, desengonçada. Ia completamente focada na postura e atenta a qualquer sinal anormal, por isso não se pode dizer que tenha sido um treino particularmente libertador, do género "iupi, estou a correr!". O medo é o pior peso que se pode levar às costas e eu ainda corro com ele. No entanto, espero que com a continuação favorável me liberte desse fardo.


O esquema foi sempre o seguinte: aquecimento em corrida muito lentinha + alongamentos dinâmicos + "treino" + alongamentos finais.

A palavra-chave aqui é: alongamentos. Tenho feito os alongamentos comuns, que constam desta tabela que já aqui tinha publicado uma vez


e outros mais específicos para a banda iliotibial.

Em relação à ITB, não uma, não duas, mas três pessoas diferentes me referenciaram este vídeo como um bom alongamento. Exige alguma elasticidade, mas podem ver outras variantes e opções nessa sequência. Assim sendo, este é o alongamento a que tenho recorrido mais vezes, sempre que o local (e a ausência de testemunhas) o permite.
 
Ao início não tinha muito bem a noção de quando, ou quantas vezes, realizar os alongamentos. Apenas a seguir ao treino? Duas vezes por dia? Assim, optei por uma média a pender para o exagero e tentava repetir pelo menos três vezes . Fiquei mais descansada quando, em conversa com um amigo, ele me disse que quando esteve na mesma situação aproveitava cada tempinho livre para fazer o exercício acima, inclusive pausas no trabalho para ir à casa-de-banho.... Aaaah, como é bom conhecer pessoas que não só compreendem a nossa loucura como, por vezes, a superam! Devia haver mais gente assim, é reconfortante este mundo de loucos solidários.

Acabei por chegar a uma situação de compromisso entre um ou dois alongamentos mais cruciais e a realização de exercícios de fortalecimento dos quadricípites, glúteos e core.

Link

Outra coisa que era raro fazer e agora faço diariamente é esta auto-massagem:

Link


Um rolo de massagem era o item nº 4 da minha lista de Prendas para Corredores* do ano passado. Mal sabia eu como haveria de dar jeito, apesar de o meu ser um rolo, digamos, "improvisado"... (#souadeptadareutilização ou #quemnãotemcãocaçacomgato) e até agora tem servido.
Atenção que esta massagem não é relaxante. Inclusive chega a ser ligeiramente muito desconfortável. Mas sem dúvida que tenho notado efeito.


E têm sido assim as últimas semanas. A ocupar o tempo que era dedicado a correr entre auto-massagens e alongamentos. Espero que depois disto tudo fiquem alguns bons hábitos enraizados.



*Este ano gostava mesmo, mesmo muito de ter como presente a recuperação total da lesão... Se alguém puder pôr uma cunha ao Pai Natal terá a minha gratidão eterna. Please...




12 de dezembro de 2013

A travessia

Há um fenómeno meteorológico que ocorre com frequência na minha montanha (decerto ocorrerá em mais sítios, mas só ali é que alguma vez lhe prestei atenção), conhecido pelas pessoas da terra por: a travessia. A travessia consiste num aglomerado branco de nuvens que se vêm assomar por detrás da montanha e depois, em vez de subirem, começam a descer pela encosta, como uma enorme avalanche de neve a desenrolar-se em câmara lenta.



Geralmente desvanece-se antes de atingir o sopé, mas por vezes acaba por envolver a vila numa neblina passageira e é especialmente interessante quando ocorre naqueles dias de céu bem azul, porque o contraste é maior.



Este fenómeno acontece tanto de Verão como de Inverno, e penso que tenha a ver com o tipo de ventos. Para quem observa pela primeira vez, imagino que possa chegar a ser um bocadinho intimidante ver este manto de lava branca deslizar pela encosta, como uma névoa opressora prestes a envolver-nos (ou então sou eu que vi muitos filmes de terror quando era mais nova).
Para mim é daquelas coisas naturais de extraordinária beleza, que estou sempre à espera de rever quando lá volto.

Sempre fui apaixonada pela montanha, montanhas em geral e esta em particular, por isso quando descobri o maravilhoso mundo das corridas pela natureza sabia que um dia faria uma (ultra) prova de trail na Estrela.  Nunca para estreia, claro, já que conheço aquela serra demasiado bem e tenho imenso respeito. Não é à toa que a única prova em alta montanha em Portugal continental se intitula Oh Meu Deus... E "oh meu Deus" será certamente uma das expressões que me virá à cabeça quando um dia estiver a realizar esse sonho. Uma das expressões mais polidas e educadas, entre várias outras... A serra é linda, agreste e f-eroz.

Então, ficou decidido que a Estrela ficaria à minha espera enquanto eu me preparava para ela, correndo outras montanhas. No entanto estava mais que certo: a estreia teria de ser no Norte. Local por decidir, mas sempre a Norte. Adoro toda e qualquer serra por este país fora, mas as de "lá de cima" têm outro apelo para mim, uma familiaridade que não sei explicar sem ser com a palavra casa. E quando nos dispomos a um desafio que nos assusta, aterroriza, entusiasma, queremos ter esse aconchego.

Neste momento, esse (ultra) sonho está encoberto pela Travessia. Sei que a montanha continua lá, mas o caminho já não está tão definido. A paragem deste último mês (meses?) criou uma névoa que desfocou os objectivos e obrigou-me a redefinir o que já não vejo com a mesma nitidez. Neste momento, estou na base da encosta, a olhar para cima, à espera.
As nuvens descem, len...ta...men...te. É um teste. Já bati com o pé tantas vezes, já pus as mãos à cintura, já me sentei com a cabeça enterrada nas mãos, já cheguei a virar costas, mas continuo à espera. Não é uma travessia tão agradável de observar como a meteorológica, mas sei que é igualmente transitória.


Ontem, dia 11 de Dezembro, foi Dia Internacional das Montanhas (as coisas que se descobrem nas redes sociais). Ontem foi também o dia em que comecei novamente a vislumbrar o trajecto. Ainda enevoado mas... Desejem-me sorte!



9 de dezembro de 2013

Um ano de corridas juntos

Pergunta do dia:

- Para que serve o seguinte saco de ervilhas?
 

 

a) Para fazer umas belas ervilhas com ovos escalfados.
 
b) Para pôr em cima do joelho a fazer frio.
 
c) Ambas as respostas acima estão correctas.

Já não é de agora que quase toda a selecção de vegetais congelados que trago para casa tem de passar primeiro por algum músculo ou articulação da minha pessoa antes de terminar na panela, mas nos últimos tempos tem sido recorrente. Sei que já devia ter feito um upgrade para aqueles sacos de gel que se metem no congelador e depois se moldam à parte do corpo no qual os colocamos, mas pronto. Por enquanto, um saco de ervilhas (ou brócolos, ou feijão verde, ou espinafres...) serve perfeitamente.

Em relação à lesão, a evolução tem sido len-ta. Penso que esteja a ser positiva, mas é difícil de dizer. Tenho feito alongamentos, exercícios específicos, posto gelo algumas vezes por dia... Mas esta é uma lesão matreira e silenciosa. Nunca se manifesta. O joelho está ali, descansadinho da vida. Desço escadas, subo escadas, caminho devagar, caminho mais depressa, corro alguns metros, salto... e nada. Não dói. Uma pessoa começa a ficar esperançada e atreve-se a correr, a pensar que talvez, talvez já esteja tudo bem. Vai correr. Corre 1km, 2km, 3km... às vezes termina um treino de 5km feliz porque nada doeu. Outras vezes arrisca mais um bocadinho e lá está ela... aquela sensação, aquela "impressão" que sabemos que se tornará dor se não pararmos nos próximos metros.
 
#$%3@=&$§!!!
 
Páro, chego-me para um canto e fico com umas trombas de todo o tamanho a fazer alongamentos, enquanto tento não rosnar às pessoas que passam e se atrevem a correr na minha presença.
Estou a brincar, acho que avancei na fase do luto e já não tenho raiva. Na verdade, páro, chego-me para um canto e fico a fazer alongamentos, enquanto olho para quem passa a correr, com olhos de cachorrinho triste que também quer brincar mas está preso.

Às vezes passa-me pela cabeça continuar a correr e insistir na dor, já que não é daquelas dores paralisantes, apenas incómodas, para ver se, continuando, desaparece. Sei que é parvoíce e não o faço, porque tenho objectivos para o ano que não quero deitar a perder e para isso tenho de ficar boa. Mas quis confessar-vos isto, para ver se ganho vergonha nestes pensamentos e para vos dar liberdade de me espetarem um par de estalos se me virem tentar correr com um esgar de dor na vossa presença. Mas certifiquem-se primeiro de que estou, de facto, em sofrimento e não apenas com frio, por exemplo. ;)


Bom, mas numa nota positiva, hoje eu e o Mr.G. fazemos um ano de corridas juntos.



1750km percorridos desde a Maratona de Lisboa por Estafetas, a 9 de Dezembro do ano passado, prova, e corrida, de estreia da nossa parceria. Parceria essa que começou muito bem, logo com recorde de velocidade em prova (queria impressioná-lo).

Destes 1750 km, se descontarmos os quilómetros ao pedal (269km em bicicleta), ficamos com 1481. 1481* quilómetros felizes (ok, alguns não tão felizes) a correr.

Não podia deixar esta ocasião passar em branco e fui dar uma corrida com ele ao pulso. Não foi o tipo de corrida desejada, mas foi a possível. Lentinha e curta, mas sem dores (graças a Deus!) Estava um final de tarde frio e pacífico. Muito pouca gente nas ruas, meia dúzia a correr. Vi dois coelhos passar aos saltos na relva antes de se esconderem e vou encarar isso como um sinal de boa sorte. Os coelhos são rápidos, só pode significar que as coisas vão melhorar depressa, não é?...


Boas corridas e façam alongamentos!


*Se não fosse esta situação podem apostar que teria feito os 19km que faltavam para arredondar a contagem. Não poder acabar um ano de corridas juntos com 1500km certinhos...Grrrrr!
 

5 de dezembro de 2013

Treino por trilhos de Sintra #2 - Peninha

 
"Conta-se que, em tempo de D. João III, andava por esta serra uma rapariga muda, pastoreando um rebanho de ovelhas, das quais se extraviou uma. Procurando-a, foi encontrá-la sobre o rochedo, onde, aparecendo-lhe Nossa Senhora, sob a forma de uma formosa menina, lhe deu fala.
Correu o povo ao sítio, e ali se encontrou uma imagem da Virgem, feita de pedra, a qual foi transportada para a ermida de S. Saturnino, que era perto dali.
Três vezes a imagem desapareceu da ermida e apareceu entre os penedos; e foi por isso que o povo se resolveu a construir ali uma pequena capela, que foi feita à custa de esmolas." (...)
Lendas de Sintra - Peninha

Uma das razões pelas quais a Serra de Sintra é tão fascinante, para além da óbvia beleza natural, é todo o misticismo e simbolismo que alberga. Se há local onde seria perfeitamente natural dar de caras com cavaleiros medievais a caminho de uma cruzada, avistar uma fada ou saltar-nos um unicórnio para o caminho, é este. A criança em mim adora isso. Quem é que eu quero enganar, a adulta que sou adora isso. É fácil acreditar em lendas e magia em lugares como este.
Por isso é que faço questão de pesquisar a história por detrás dos locais que escolho para explorar. E o destino deste "treino" (irei manter a designação "treino" porque, apesar de pouco ter corrido, perdi 900 calorias, para verem o empenho com que encarei a caminhada!) foi a Capela de Nossa Senhora da Penha, mais conhecida por Santuário da Peninha.

Lembram-se de no último treino em Sintra, na Pedra Amarela, ter avistado o pico da Peninha?

Parece que é "já ali", não é?... :)

Nessa altura decidi que o próximo treino teria esse local como destino, de preferência efectuando um percurso circular, para não repetir caminho.

O local de partida tornou a ser a Barragem do Rio da Mula mas, desta vez, contornando a barragem pela direita, com a ideia de ir sempre a subir em direcção à Pedra Amarela, que não fica exactamente a caminho mas é local de desvio obrigatório.

Dia e hora: sábado, cerca das 9h.

Passando pela barragem, logo após umas centenas de metros em estradão, bendita a hora em que resolvi perguntar: "onde é que vai dar este atalho por entre as árvores à esquerda?", porque graças a isso a primeira parte do treino acabará por ser feita através de um bonito carreiro no qual atravessámos várias pequenas pontes sobre um curso de água. Se não me engano, é este o conhecido Trilho das Pontes.

Infelizmente, esta é a única foto, e sem grande qualidade,
que tirei nesse local.

Como se trata de um percurso pitoresco ajuda a distrair do facto de estarmos a subir. Mais à frente, torna-se a entrar em estradão e aí não há como enganar, estamos mesmo a subir. Como vos disse na outra vez, começar o treino nesta direcção é logo apanhar com uma subida de mais de 3km. Maravilha.

Como estava frio, e a zona tem muitas sombras, acabou por ser um bom aquecimento.

Fez-se então o desvio até ao Cabeço da Raposa para confirmar se as vistas naquele lado ainda estavam bonitas.

Estavam.

E continuámos.


A partir daqui as coisas vão ser um pouco improvisadas. Tinha-se uma noção do caminho a seguir: "para cima, à esquerda", mas claro que isso é muito fácil de ver no alto de um miradouro de vista desafogada, não tão simples quando estamos embrenhados no meio da serra, com árvores altas e centenárias que nos bloqueiam a orientação.

No entanto, correu tudo bem. De tempos a tempos conseguia-se alcançar um marco orientador e fomo-nos aproximando do objectivo, evitando sempre a estrada, exceptuando algumas centenas de metros. Por azar, nesta parte desliguei o gps sem querer e quando reparei já tinha perdido uns bons quilómetros do percurso, o que posteriormente acabou por resultar naquelas linhas rectas, feias, a cortar o mapa do treino.



Nem imaginam como olhar ali para aquela linha me faz confusão. Quase tanto como terminar um treino sem acertar os quilómetros (18,47 km, que é isso?! :) )

Quando estamos quase a chegar à Peninha passamos pela fonte das Pedras Irmãs. Perto havia um local de merendas e como na altura não sabíamos que o Santuário estava já ali a 600 metros (aventuras sem trajecto gravado no gps dá nisto), aproveitámos para parar para o primeiro abastecimento.

A bela da placa, que só vi depois.

Nunca tinha ouvido falar deste local das Pedras Irmãs, por isso claro que quando cheguei a casa tive de ir pesquisar do que se tratava e porque tinha esse nome.




Bom, não descobri muito quanto à origem do nome, mas descobri que se trata de um local de escalada livre, onde as pessoas se deslocam para trepar as rochas de várias dificuldades.

O que significa que o atalho que queria fazer (antes de ver a placa) tratava-se, de facto, de um caminho válido, ao contrário do que espíritos menos aventureiros disseram...


O que queres dizer com "isto não é nenhum caminho"?...

Em minha defesa, depois daquela última rocha havia mesmo um caminho, que agora nunca saberei onde ia dar. Humpf.

Mas o que interessa é que acabámos por dar com o local que dá nome ao treino, o Santuário da Peninha.



Aqui, nem a ermida nem o palacete podem ser visitados (acho), mas podemos subir até ao topo para ver as vistas, que é sempre o objectivo primordial.


Quem já participou no Grande Prémio Fim da Europa reconhece o local em baixo?


Apesar de estar um dia frio, não estava vento. Ou melhor, não estava vento em mais local nenhum excepto neste, ou não estivéssemos nós com vista para o Guincho e a Roca. Sopravam aquelas rajadas gélidas que nos fazem levar as mãos às orelhas para confirmar se ainda estão no sítio. Por essa razão a visita foi breve, até porque ainda havia muitos quilómetros pela frente, de regresso.

Estávamos mais ou menos com 10km feitos e, como daqui em diante o objectivo era regressar ao local de partida sem repetir percurso, a improvisação atingiu níveis máximos. Tanto que acabámos por ir dar ao Penedo, daquelas zonas residenciais típicas de serra na qual nunca tinha estado e, para ser sincera, nem sabia bem onde estava, só sabia que tinha de continuar a ir "para a direita". Acabou por resultar bem, porque se foi dar a outro daqueles caminhos perdidos de Sintra, cerrado e bonito, onde as árvores rangiam (a sério, apanhei grande susto...) e cogumelos despontavam a meio do percurso.

A certa altura temos de percorrer a berma da estrada, que acabará por nos levar até à zona dos Capuchos (finalmente uma zona conhecida!) que sabíamos não ficar longe da Barragem da Mula.
Infelizmente a visita ao Convento dos Capuchos teve de ficar para outro dia, pelo que ficará tema para uma próxima história destes treinos por Sintra.

Terminou-se assim com 18,5km (ao menos certifiquei-me de acertar ao meio quilómetro) de treino registado, que correspondeu a perto de 21km de treino efectivo. E uma média de 10.22min/km, o que para "caminhada" e um acumulado positivo acima dos 600 metros, não está mau.



Claro que o que fica disto é mais uma bela manhã de sábado frio, em que conheci as pedras que são irmãs e descobri um caminho onde as árvores rangem.

Eu volto.



2 de dezembro de 2013

Quando não se pode correr...

... caminha-se. Trepa-se. Cerca de 20km pela serra de Sintra. Posso não correr, mas não ia deixar os trilhos sentirem a minha falta.
Andava por lá outros tantos quilómetros, apesar do frio. Mas isso merece a sua própria crónica, deixo-vos apenas com o "teaser" :) ...
 
Guincho. Ou:
"Às vezes ouço passar o vento;
e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido"
(Fernando Pessoa)
 
Como andava um pouco tristonha devido às circunstâncias, foi remédio santo. Pelos menos para aguentar mais uma semana.

 
Outra coisa que me deixa sempre bem disposta é fazer a árvore de Natal. Sobretudo com o Sr. Sinatra a cantar-me have yourself a merry little Christmas. Já é tradição.

O que acham dos meus enfeites? Nota-se muito que mora cá em casa alguém que corre?

                      

(Inspirei-me na árvore que vos mostrei aqui o ano passado.)

É engraçado, porque eu sou uma pessoa um bocado desprendida disto dos troféus. Quero dizer, gosto de guardar as medalhas e alguns dos dorsais de provas com mais significado para mim, porque funcionam como um gatilho de memórias. Cada um traz em anexo uma história que revivo sempre que lhes pego. No entanto, não sou propriamente zelosa (muitos dos dorsais amarrotados são enfiados de forma descuidada dentro de micas, e lá ficam), nem visualmente orgulhosa. À excepção da medalha da minha primeira Meia Maratona, que calhou ser bem bonita, não tenho mais nenhuma exposta, estão todas guardadas numa caixa e nunca lhes pego. Por isso, nem ligo quando as provas não são medalhadas. Sobretudo agora, que escrevo sobre elas para nunca mais me esquecer.
Neste aspecto sou muito diferente do meu Pai, que sempre guardou as nossas medalhas alinhadamente espetadas num quadro de cortiça, que ainda hoje está pendurado lá em casa. Mas já estou a divagar. O que queria dizer é que decidi que, todos os anos, irei pendurar na árvore as medalhas das provas em que tiver participado nesse ano. Assim, asseguro-me de que estas vêem a luz do dia ao menos uma vez e escuso de gastar dinheiro em novos enfeites.

Apercebi-me de que este ano foi muito parco em medalhas! Talvez este facto não seja alheio ao número maior de trails em que participei, nos quais apenas no Raide à Tapada de Mafra tive direito a uma. Se para o ano tiver ainda menos medalhas por esta mesma razão, fico feliz. Possa eu correr sem dores para ter matéria de escrita e possa eu igualar em quilómetros as palavras que escrevo: o ciclo da felicidade activa.

E agora, apropriando-me de uma tradição que não é a nossa, quero deixar aqui o meu thanksgiving: Muito obrigado pelo vosso apoio. Pelos conselhos, contactos de especialistas, sugestões de exercícios ou simples palavras de força. Obrigado às pessoas que partilharam a sua história do género "eu já estive aí, sei o que custa, mas recuperei". São gestos que valem mais do que pensam.

Boa semana e boas corridas (eu vou a caminhar, mas já vos apanho!)