29 de janeiro de 2014

Quando as provas viram treinos

Mais um fim-de-semana, mais um longuinho. Ao contrário do domingo passado, em que não estava com muita vontade e depois deu-se o fôlego mais ou menos a meio do percurso, desta vez comecei inspirada, mas depois comecei a perder o ânimo. Até tinha simulado um percurso com a distância pretendida, mas ao fim de 5km dei por mim a repetir as mesmas ruas conhecidas, apenas porque era mais cómodo e não me apetecia "pensar". Queria entrar no modo cruzeiro, desligado, de forma a não ouvir o bip de distância que parecia tornar os quilómetros cada vez maiores. Acho que era mais cansaço mental que físico e sei que se estivesse com companhia o treino até teria corrido de forma pacífica, no entanto, persisti na mesma, porque o treino da mente também é importante.
Como o aproximar da meta dá sempre uma injeção de força, as coisas lá se começaram a compor a quatro quilómetros do final e consegui terminar o treino de forma progressiva. Uma cereja no topo de um bolo muito seco e sem graça.

Teve as suas partes com graça, dou a mão à palmatória...

Mais 19km feitos, a caminho dos desafios loucos a que me proponho.

Acho que isto são sintomas de ressaca. Sabem quantos treinos fiz em trilhos desde o início do ano? 1! UM!! Exceptuando o glorioso treino na linda Sintra enevoada, os meus pés apenas pisaram os pequenos mini-trilhos perto de casa, o que é, claramente, insuficiente.
É certo que tudo isto foi resultado de querer regressar de forma calminha, sem abusar em terrenos desnivelados, com uma mistura de azares de ordem técnica, mas queria, pelo menos, ter feito mais um treino em Monsanto antes de regressar às provas de trail já este domingo, em Bucelas.

Sei que o facto de não ter treinado muito em trilhos nem em elevação vai tornar Bucelas um bocadinho mais desafiante do que o normal. Mas será também a primeira vez que irei participar numa prova em jeito de treino, por isso a abordagem também será outra. Nunca teria feito um treino de 19km na semana antes de uma prova de 25km, por exemplo, se quisesse estar fresquinha para a enfrentar. Claro que, na prática, não fará grande diferença em termos de velocidade, que nunca foi muita, apenas no espírito com que encaro o desafio: é mais uma escada. E ao menos vai ser uma escada com uma paisagem bonita.

O ano passado participei na versão 12km do Trail de Bucelas e foi a minha segunda prova de trilhos. Estava, então, a dar os primeiros passos, a ter os primeiros encontros com aquela que seria a minha nova paixão. Na altura, olhava para a versão dos 23km como uma coisa impensável para "atletas" como eu. Agora vou participar nos 25km, a versão longa, que é a versão curta da maioria dos eventos de Trail, e acho pouco. Não porque me seja fácil de concluir, mas porque o tempo, quando estamos apaixonados, parece que voa (excepto quando estamos a subir uma encosta interminável de inclinação elevada, nesse caso passa dolorosamente devagar).

Mais alguém vai ter um reencontro "amoroso" este fim-de-semana? Quem foi aos Trilhos dos Abutres ainda deve estar cheio de amor para dar... ;)

24 de janeiro de 2014

Rocky ou Como a inspiração vem dos mais diferentes sítios

Imbuída de espírito saudosista, há coisa de umas semanas assisti à reposição de todos os filmes da saga Rocky, que passaram no canal Hollywood.
Como criança dos anos oitenta, lembro-me de crescer com estes filmes. Para ser sincera, boxe nunca foi um desporto de eleição para mim; ver dois fulanos à pancada não era coisa que me atraísse na altura, e continua a não ser. Mas há uma cena em particular que sempre me ficou na memória e que, estes anos todos depois, apreciei com outro entendimento. É que o Rocky, para além de dar socos e ganchos de esquerda, também gostava do seu exercício de cárdio.

Quem não se lembra da famosa cena em que ele sobe a correr as escadas do Museu de Arte de Filadélfia, festejando ao chegar ao topo, de braços no ar, quase em apoteose, depois de percorrer as ruas do bairro, de sorriso no rosto, saudado por amigos e vizinhos?

Pois, eu também me lembro, mas não é dessa cena que estou a falar.

Refiro-me aos seus primeiros passos, ao início do treino, o dia em que, pela primeira vez, resolve pôr o despertador para as quatro da manhã e sair para treinar.

(Aqui fica a cena, para quem não se lembrar ou nunca tiver visto.)

Na altura, aos meus olhos de criança, esta cena tinha algo de poético. Acordar ainda de noite, engolir um batido de cinco ovos crus, (arrotar), vestir-se, cobrir a cabeça com o capuz e sair para correr as ruas frias e ainda adormecidas da cidade.
Nesta fase, era visível a sua falta de preparação, e o percurso até ao Museu de Arte revela-se um desfile arrastado de esforço, onde a única coisa à espera para o saudar foi uma grande dor de burro ao cimo das escadas. Porém, com o desenrolar da história e dos treinos, vamos assistindo ao claro desenvolvimento da sua forma física. Não interessa que no final do primeiro filme se tenha fartado de levar porrada e perdido contra o Creed, ao fim de 15 rounds bem disputados. O que interessa é que a sua força de vontade o levou a persistir nestes primeiros momentos, em que somos confrontados pela realidade da nossa fraca performance, e deu o seu melhor (e vingou-se no segundo filme).

Mas, como estava a dizer, esta primeira corrida do Rocky na madrugada de Filadélfia foi a que persistiu no meu imaginário de infância. Foi por isso que, mesmo antes de saber que um dia ia amar correr, eu já havia decidido que um dia havia de acordar cedo, calçar uns ténis, puxar o fecho da sweatshirt, subir o capuz, e sair para enfrentar as ruas desertas das manhãs adormecidas. E um dia fi-lo.

Vários anos depois, já o fiz por diversas vezes: acordo cedo (não exageremos com as 4h da manhã, não há necessidade), bebo café (não sou fã de ovos crus) e saio ainda meio a dormir, para treinar antes que o mundo acorde.

Agora, quando tornei a ver o filme, já não me imaginei, mas revi-me particularmente nessa cena. Tal como para quem está a (re)começar, para quem está a recuperar de uma lesão, estes primeiros tempos são difíceis. A confiança fica abalada, o medo de uma recaída está sempre presente, e os pulmões parecem esquecidos do acto de fazer circular o ar de forma eficiente e ritmada, em movimento. Mas continuei a sair para enfrentar as ruas escuras, não da madrugada mas do final do dia, e de capuz posto, porque tem estado de chuva. Temos que estar bem preparados para quando formos chamados ao ringue (há quem lhes chame de "provas").

Por coincidência, o meu percurso habitual de treino também inclui uma escadaria. Não é nenhuma escadaria histórica imponente (na verdade, são umas quantas dezenas de escadas de uma estação velha), mas também sei o desafio que sempre foram. Para manter o paralelismo, são as minhas escadas do Museu de Arte de Filadélfia e servem como validação do meu esforço.
Quando mudei de casa e começaram a fazer parte do meu trajecto, apesar de na altura já correr com regularidade, a ideia de as incluir no final do treino era demasiado assoberbante e preferia contorná-las, fazendo umas centenas de metros extra. Depois, perdi o medo (e a paciência) e decidi enfrentá-las e subi-las a caminhar, o que não deixava de ser um desafio acrescentado para os músculos depois de uns quilómetros em cima. Ao fim de algum tempo, e dependendo do cansaço, já conseguia subi-las sem parar. Eram a minha bitola evolutiva. E agora, devido às circunstâncias, já não lhes punha os ténis em cima desde o ano passado.

Por isso fiquei muito feliz quando, na quarta-feira, depois de várias semanas, pela primeira vez depois da lesão e pela primeira vez desde que arrisquei começar novamente a incluir este marco no meu percurso, cheguei ao fim do treino e consegui subi-las sem a ameaça de dor ou, pior, de um piripaque.




Podem crer que também fiz a minha dança da vitória quando cheguei ao cimo. (Ninguém estava a ver.)


22 de janeiro de 2014

Treinos à chuva

Tendo o carro de baixa, este fim-de-semana estava condicionada em termos de localização para o longuinho matinal. Mas, como queria incluir algum acumulado decente, iria fazer um percurso pelos bairros circundantes, que dão um carrossel jeitoso.

Cheia de boa vontade, pus então o alarme para uma hora escandalosa, de forma a que, uma vez que teria de correr pelas ruas e bermas, pudesse ao menos evitar o horário de maior circulação (carros e pessoas).
O que nunca devem fazer nesta situação? Ouvir o alarme, desligá-lo e pensarem "só mais cinco minutos", porque depois vão acordar estremunhados duas horas mais tarde e, como vai estar a chover a potes, já não vos vai apetecer sair.
Por acaso sou daquelas pessoas estranhas que gosta de correr à chuva, mas é mais fácil sair de casa quando as nuvens dão uma trégua e começar a correr ainda seca e depois, eventualmente, ser apanhada por uma descarga ou não, do que sair de casa estando  a chover. Assim sendo, passei o resto da manhã atormentada pela minha preguiça, cheguei a ponderar deixar o treino longuinho para segunda-feira de manhã (ahahah pois...) e já eram quatro da tarde quando, finalmente, lá me decidi a despachar a coisa.

Não ia com muita fé. Conheço-me, e sei que detesto ir a correr contornando obstáculos, ao lado de ruas com trânsito (era domingo, mas mesmo assim...), parando em semáforos e passadeiras. Toda a confusão e fumos contrariam o objectivo da corrida, que será sempre, acima de tudo, um escape ao stress e uma rotina saudável. Acho que ando mal habituada por ter um "campo de treinos" agradável perto de casa, livre de carros e com o rio mesmo ao lado, é o que é! Mas, como vos disse, desta vez queria sair da zona de conforto da planície ribeirinha.
De qualquer forma, dei-me carta branca: "vou a correr até ao parque tal, dou lá umas voltas e, se não me apetecer continuar por aí, atalho, a caminhar, para casa. Cerca de 10km de treino sempre é melhor que nada". (Às vezes há que fazer estas negociações mentais).

Acontece que, a meio caminho do dito parque, começou a chover. Daquela chuva miudinha que não incomoda muito, mas limpa o ar e as ruas. Baixei ligeiramente a cabeça, ajeitei o boné, que levei mais por causa da chuva que do sol, e aligeirei o passo. Subi e desci bairros, chapinhei em lama das hortas, atravessei estradas e cheguei ao parque. Dei duas voltas ao parque e não me apeteceu parar. Aproveitei e tomei um gel novo que tinha levado para testar, apesar de não gostar muito de recorrer a géis em treinos. Era extremamente doce e custou-me muito a ingerir mas, tomado juntamente com a chuva, algum efeito deve ter tido, porque já não quis atalhar para casa e continuei a correr. Desci até ao rio, num passeio de beira de estrada, mas nem me importei. Passei inúmeras passadeiras e tive de parar em algumas, mas nem me importei. Continuei junto ao rio e o treino virou corrida de obstáculos, a contornar pessoas, mas nem me importei. Quando o passeio que ladeia o rio termina e tive de voltar para trás, de regresso a casa, já nem me apetecia parar. Fiz o que é raro fazer e corri mesmo até à entrada do meu prédio, optando por realizar os alongamentos já lá dentro.

Longuinho de 16km com uma elevação aceitável (para treino de cidade, claro está).


E ontem... Ontem o mesmo dilema. Chuva que não pára e um treino para fazer. Resigno-me e saio de casa com a chuva a cair. Sei que só incomoda nos primeiros minutos, depois deixamos de a sentir. Além disso, as minhas ruas, fora outros corredores afoitos e donos a passear os seus cães, estão praticamente desertas. O resto do mundo acontece apenas atrás de janelas, vidros de carros e montras de cafés.
Gosto muitos destes momentos para mim, e foram mais 8km "abençoados" na totalidade da sua duração. Sem dúvida que este ano tenho tirado a minha barriga de misérias no que toca a treinos à chuva!

Outros amadores-de-correr-à-chuva, assumidos ou anónimos, por aí?


As boas notícias para quem já está farto deste tempo, é que parece que melhores dias se aproximam. Aproveitem!


17 de janeiro de 2014

Treinos por Trilhos de Sintra #3 - Quinta do Pisão


As saudades eram tantas que nem quis esperar pela melhoria do tempo. Aliás, até estava curiosa por percorrer a Serra de Sintra com nevoeiro.
Desta vez, o destino inicial foi a Quinta do Pisão.


A Quinta do Pisão de Cima fica às portas da Barragem do Rio da Mula, mas nunca lá tinha ido. Tem cerca de 380 hectares de área (obrigada google) e é um espaço aberto ao público.


Para além de ser um local agradável para se correr, pela variedade de terreno (single-tracks, carreiros pedregosos, estradões de terra...) tem também zonas de interesse a observar, entre as quais os diversos fornos antigos que por lá se encontram.



Nos segundos e quartos domingos do mês (o que coincidiu com o dia do treino), realiza-se por lá a Horta da Quinta, uma feira de produtos biológicos, e não há nada como aliar a prática de exercício à alimentação saudável.


Por acaso, tendo em conta as minhas infelizes últimas semanas, acho que este é o local de treinos ideal para quem esteja a recuperar de uma lesão. Tem espaço suficiente para corrermos apenas nos estradões mais fofinhos para as articulações, se assim quisermos, sem desníveis brutais, mas também sem abdicar da natureza e desafio de correr em trilhos.

Além disso, no domingo, o vale verdejante envolto em brumas revelou-se um cenário digno de qualquer romance vitoriano, coisa que me agrada muito.

Tenho a certeza que as irmãs Brontë se inspiraram em paisagens destas.

Nem sequer lá faltam os cavalos...


Só mais uma foto dos cavalos:


Ficou ainda muito por ver dentro da quinta, para terem uma noção do seu tamanho, mas depois de cerca de 1h30 de de aquecimento, que incluiu um "pequeno" desvio até à localidade de Murches, completamente intencional (mentira), o que perfez 11km de percurso, estava na hora de incluir algum trabalho de glúteos mais avançado no treino.

E assim se decidiu ir dar a volta à barragem e tentar subir até à já conhecida Pedra Amarela, no meio do nevoeiro.


Não foi fácil. Das quatro vezes que já visitei o Cabeço da Raposa, nunca repeti o mesmo caminho. Gostaria de dizer que isto aconteceu por escolha consciente de inovação, mas a realidade é que foi sempre acidental. Basta uma ligeira distração, seguir por um atalho errado, ou falha de memória - "Tenho a certeza que no próximo cruzamento se vira à esquerda... Hmmm, ou não..." - e damos por nós em trilhos desconhecidos.

Desta vez havia a desculpa da fraca visibilidade.

O que vale é que é sempre a subir e acabamos por lá chegar.

Adivinhem onde começou o trabalho de glúteos avançado...

Confesso que entre os quilómetros 15 e 20 houve muita caminhada, mas não se esqueçam que ainda estou em recuperação (e vou usar este argumento durante vários meses ;)).

Nesta parte, o nevoeiro estava tão cerrado que era, em iguais partes, mágico e assustador, o que agravou a minha, já de si fértil, imaginação.

 
O que se esconderia naquela gruta? Não sei. Não tive coragem de me aproximar.

Desde cenários de filmes de terror a portais tempo-espaciais, tudo foi considerado.

Depois, para piorar (melhorar?), quando estávamos quase a atingir o topo, começou a cair uma bátega de água. Mas com o objectivo tão perto, não se ia desistir.

Havia que enfrentar a intempérie,


para poder partilhar convosco, mais uma vez, aquela que é uma das melhores paisagens de Sintra:

Não têm de agradecer. :)

De regresso, foi só ter cuidado e deixar embalar -vs- tentar praticar um bocadinho a técnica de descida, até chegar ao carro.


Um treino acessível, de cerca de 23km, com 500 metros de ganho de elevação (na sua maioria, já na segunda parte do percurso).


Estou a adorar conhecer esta Serra e sempre à procura de locais novos a descobrir. Caso saibam de algum tesouro escondido, sintam-se à vontade para partilhar.

Apenas um aparte: Infelizmente, continuo a ver tanto lixo deixado naquelas paisagens, que acho um crime. Ainda é mais triste por saber que muito dele é deixado por quem gosta de lá praticar exercício (tubos e embalagens de géis...), por isso, nunca é demais recordar essa máxima do pedestrianismo (extensível a demais actividades):

- "Não deixe mais que pegadas. Não tire mais que fotografias. Não leve mais que saudades. Não mate mais que o tempo..."


Bom fim-de-semana!

14 de janeiro de 2014

Grão a grão

Até agora, o 'mês base' está a ir muito bem. Na primeira semana corri três vezes, na segunda corri quatro. Como não queria ainda impor um número de quilómetros às pernas, estou a correr por tempo em vez de distância. Na semana 1, fiz treinos de 30/45min, excepto no muito "inho" longuinho de domingo, onde corri um pouco mais, e na semana 2 aumentei para treinos de 45/60min.
Desta forma, corro conforme me sentir no dia, sem pressões. Sei que só tenho de correr durante pelo menos 45min, complete os quilómetros que completar, e isso ajuda-me a não abusar. Mas claro que faço por terminar o treino sempre com um número redondinho, também não é necessário entrarmos numa anarquia total... :)

Tenho optado por não aumentar a velocidade e por correr sempre em terreno plano e mais amigo das articulações (tenho evitado pisos cimentados, empedrados e muito alcatrão). Graças a Deus tenho alguma variedade perto de casa, embora tenha a noção que ultimamente ando sempre a correr no mesmo circuito previsível, e isso pode tornar-se um pouco aborrecido. No entanto, como estou a ter uma evolução positiva, não me posso/quero queixar.

Além disso, este fim-de-semana fiz o meu primeiro treino em trilhos de 2014! Ainda por cima, numa manhã em que a serra estava envolta em nevoeiro.

Adoro.

Contrariamente à contenção que tinha vindo a respeitar, neste treino fiz mais de 20km. Mas nunca achei que estivesse a esforçar-me em demasia e optei sempre por caminhar nas descidas mais íngremes (as descidas continuam a ser o meu maior medo, pela pressão que colocam nos joelhos).

Foi daquelas manhãs em que nem damos pelo tempo passar. Apesar de ter sempre uma componente de treino, estas coisas são como um passeio para mim: páro para tirar fotos, para ver cogumelos, para comer... e faço desvios para ver coisas giras. Talvez um dia treine como gente grande em trilhos, mas este ainda não foi esse dia e gosto muito assim. Depois partilho com vocês os novos locais que percorri.


A par da corrida, tenho sido muito rigorosa com os alongamento. Faça chuva ou sol, nada me impede de realizar alongamentos após os treinos (tenho testemunhas!) e, mesmo em dias de descanso, tento fazer uma sequência de uns minutinhos em casa. Já não sou tão consistente nos treinos de reforço muscular, mas estou a esforçar-me, juro.

Mesmo assim, foi uma semana com uma boa quilometragem, à qual juntei mais 20km de bicicleta, quando fui visitar a ciclovia que segue desde o Oriente, junto ao rio, até Santa Apolónia. As obras já estão feitas mesmo até à entrada da estação e acho que a ideia é continuar até ao Cais de Sodré. É uma boa notícia para quem, como eu, não gosta de ser um obstáculo frágil na estrada e não tem bicicleta para andar pelos montes.

E é este o meu resumo das duas primeiras semanas do ano:
- 7 treinos de corrida
- 12 de alongamentos
- 4 de reforço muscular (e, ainda assim, fraquinho) <- a melhorar.
- 2 passeios de bicicleta
- 1 mergulho no mar gelado
- 0 dores!!!

Desse lado, tudo bem encaminhado neste início de 2014?

9 de janeiro de 2014

Aventultra: ponto da situação

Parece que foi noutra vida que anunciei a minha vontade de fazer um Ultra Trail em 2014, mas, depois de umas semanas no estaleiro, aqui estou, novamente a caminho. A malvada da banda iliotibial, palavrão que desconhecia até a lesão me cair em cima como uma bigorna (pelo menos foi isso que senti), impossibilitou-me de correr sem dores no joelho mais do que dois ou três quilómetros de seguida e testou-me, em grande, a paciência.
Sou capaz de ter tido um bocadinho de culpa. Aparte outras condicionantes que favoreceram o seu aparecimento, em retrospectiva, se calhar não foi boa ideia ter recriado o Momentos de Glória na Corrida TSF Runners, quando os ténis já não estavam em condições e o joelho apresentava já ligeiras queixas. Vivendo e aprendendo.
Preferia desconhecer ainda este palavrão (a ignorância é uma bênção?) mas, já que passei por isso, espero retirar o que trouxe de "bom". A verdade é que, por causa da lesão, tenho agora muitos trabalhos de casa, ou "TPCs", como se dizia na escola, para fazer. Para além dos alongamentos e massagens de que já vos falei, tive, e vou ter, de ter em conta algumas coisas para evitar o reaparecimento desta (e já agora de outras!) lesão.

Um dos primeiros passos foi, exactamente, fazer um novo teste de passada. Já tinha feito uma vez, quando comecei a correr, confesso que mais por curiosidade que outra coisa, mas, desta vez, foi uma análise mais completa.
Primeiro uma avaliação estática do nosso pé, por assim dizer, na qual colocamos os nossos pés sobre uma máquina que nos dá diversas informações. Como curiosidade, fiquei a saber, por exemplo, que o meu pé esquerdo é 3 milímetros mais comprido que o direito. Pode parecer insignificante, mas pode fazer diferença na escolha do tamanho dos ténis (que também é sugerido pela máquina).
Depois, a avaliação em movimento, na qual somos filmados a correr na passadeira, sob o olhar atento do analisador que nos diz para "correr com naturalidade"... Bom, correr sabendo que estão a atentar em cada detalhe da nossa passada já não é um ambiente muito descontraído, mas correr "com naturalidade", numa passadeira... Não sei como é que vocês, frequentadores de ginásio, conseguem. Aquilo é anti-natura e assustador, tenho dito! :)

Confirmou-se o que já sabia, que tenho pronação moderada, com maior incidência na perna direita. No entanto, ténis com controlo de movimento tendem a ser muito robustos e, como não me dou bem com ténis pesadões, discutimos outras opções viáveis. É bom falar com alguém que percebe e que também corre, já que vive as coisas na prática, mas no final das contas há que saber o que resulta connosco. E eu, pelo menos, já sei o que não resulta. Mas o que interessa é que, depois de alguma conversa, saí de lá com indicações para a já muito protelada compra dos novos ténis.

Estes são os meus novos companheiros de asfalto:

 
(Não se preocupem, os meus Trabuco têm conhecimento e a convivência é pacífica. Infelizmente os treinos não podem ser sempre pelos montes).


E, por falar em treinos, como tem sido o regresso?

Ora bem, nos primeiros dias, eu estava toda contente por estar de volta, sem dores, e cheia de boa vontade. Este foi o diálogo entre a minha mente e o meu corpo:
A mente:
- Corpo, vamos a isso, somos uma gazela! Uma gazela elegante e de passada leve e certinha. Em 3, 2, 1... Agora!
E o corpo:
- Naaaa, vamos antes ser um elefante moribundo, com passadas arrastadas, a caminho do cemitério.

E é isto. É assim que tem sido o meu regresso aos treinos.
Embora soubesse que era inevitável alguma perda de resistência, afinal estive várias semanas com treinos muito curtos e escassos, não tinha ainda bem noção da realidade da coisa. Claro que não é como começar a correr de início, os músculos guardam na memória os quilómetros já palmilhados e a confiança do que já percorremos é outra, no entanto, não deixa de ser desmoralizante. Posto isto, estou muito contente por estar de volta, e os treinos, desde o início do ano, apesar de lentinhos, têm sido consistentes e são cada vez menos sofríveis. Passinhos de bebé!

Quando referi que queria correr uma Ultra, tinha em vista o GTSA 2014, claro, mas tinha ideia de me estrear antes, numa prova mais meiguinha em termos de altimetria. Nada contra subir e descer montanhas, até gosto, mas aquela prova é um desafio em si só e queria voltar a Arga com a confiança da distância já conquistada.
O calendário de provas apresentava algumas sugestões para os meses de Abril e Maio, o que na altura achei concretizavel, e até tinha uma ou outra ideia debaixo de olho. No entanto, depois desta paragem, tenho de ter outra abordagem mais calma, para além de já vos ter dito que agora "corro com medo" (estou a tentar superar o trauma, mas só com o tempo).
Portanto, a ideia agora é fazer do mês de Janeiro um "mês base", para, a par de outros reforços, começar a aumentar gradualmente os quilómetros e ver como me acho. No final deste mês faço uma auto-avaliação e vejo se me sinto capaz de seguir sem arriscar chatices.

Não nego que já andei a namorar planos de treino e a tentar encaixar uma ou outra prova de trilhos pelo meio (correr uma prova de trail de vinte e tal quilómetros, ou mais, como treino, sempre quis fazer isso...:)) mas não quero dar um passo maior que a perna, expressão que resulta aqui muito bem. Demore o que demorar, já sabem que gosto tanto do "caminho para" como da chegada.


31 Days of Running Inspiration - Trail Runner Magazine


Assim sendo, mais novidades sobre o assunto no final do mês. Tive de parar para mudar um pneu, mas a viagem segue.
 

3 de janeiro de 2014

Mergulhar de cabeça em 2014


Feeling my way through the darkness
Guided by a beating heart...

"Grrhagrsrsdffg... Já desligavam o raio da música" - resmungo eu entre bocejos, pensando tratar-se ainda dos festejos embriagados de algum vizinho, e deitando logo por terra, às primeiras horas do dia 1, a resolução de tentar controlar este meu feitio.



...I can't tell where the journey will end
But I know where to start

Afinal era o meu despertador.
São 8h, a cara ainda revela marcas do sono, do champanhe e do rímel esborratado. Estou a acordar a uma hora em que, em passagens de ano que já lá vão, me costumava deitar, mas nada como começar 2014 a fazer uma das coisas de que mais gosto, correr.
Melhor ainda, começar o ano a respirar o ar e som do mar.

Caem uns chuviscos, mas sabe tão bem correr assim. Livre. Sem dores.

They tell me I'm too young to understand
They say I'm caught up in a dream

Well life will pass me by if I don't open up my eyes
Well that's fine by me


Passo por muita gente. Tanta gente que acordou cedo para começar o novo ano da melhor forma. Correm, passeiam, brincam na areia... Há no ar aquela frescura de recomeço, de páginas brancas para encher de esperança; chega a ser palpável.
Grupos de amigos e conhecidos começam a reunir-se, e eu começo a ficar atrasada para o encontro com os meus, apresso o passo.
Para começar um GRANDE ano, há que mergulhar de cabeça. Sem medos.


So wake me up when it's all over
When I'm wiser and I'm older


All this time I was finding myself


And I didn't know I was lost

Melhor banho de gelo de recuperação que alguma vez tomei.
Um grande 2014 para todos, cheio de mergulhos destemidos.

* Banda sonora da manhã do primeiro dia do ano a cargo de Avicii, Wake Me Up.