27 de novembro de 2014

Ode à chuva

Vais sair para correr com esta chuva??! - perguntam-nos entre o incrédulo e o "só podes estar doida".
Chuva civil não molha atleta. - respondemos presunçosamente, e fechamos a porta antes que a outra pessoa tenha tempo de dar resposta.



Não é segredo nenhum que gosto de correr à chuva, já o disse várias vezes por aqui. Gosto. A comunhão com os elementos é mais plena na chuva. Não se vê quase ninguém nas ruas que de outra forma estariam cheias. Somos só nós e a chuva que domina todos os sentidos. O ar que se inspira é fresco, regenerador. O olhar vai atentos às poças, que evitamos a início e já não queremos saber depois. O som da chuva que cai nas folhas das árvores e bate na calçada, no asfalto, na terra, apenas é interrompido pelo chapinhar das passadas. Sentimos as gotas frias que escorrem pela pele, em especial aquelas que fintam a gola no pescoço e nos arrepiam as costas e, em momentos particularmente felizes, voltamos a cabeça para cima para a água nos bater na cara e beijar os lábios.

Para além da poesia, sejamos práticos, correr à chuva é o acto que consolida o nosso estatuto de amantes da corrida. O que distingue os duros dos fracos. Aqueles que vão colocar o relógio-gps no pulso, erguer o braço e dizer: "A chuva pode obrigar-nos a fazer mais duas ou três máquinas de roupa por semana e a surripiar jornais Dicas da Semana de caixas de correio alheias para ajudar a secar os ténis, mas nunca nos vai tirar a nossa liberdadeeee". (Momento de inspiração Braveheart).
Toda a gente gosta de correr num bonito dia de sol com temperatura amena e passarinhos a cantar, mas enfrentar o desconforto, os pés molhados, a insensibilidade do nariz e orelhas geladas e a roupa ensopada, já exige um outro tipo de fibra. Se a corrida fosse um jogo, os quilómetros à chuva contavam a dobrar na pontuação final.

O expoente máximo da experiência é sair de casa quando está a chover. Sair para correr e ser apanhado de surpresa pela chuva é desagradável, mas já estamos cansados e a chuva até pode ser bem-vinda. Agora, sair para correr quando lá fora já chove e saber que em menos de um minuto as nossas roupas sequinhas vão estar todas encharcadas sem passarem primeiro pela humidade da nossa transpiração, isso, meus amigos, é um outro nível ao qual apenas os mais bravos acedem. Se correr à chuva dobra o valor dos quilómetros num hipotético jogo de corrida virtual, sair de casa e enfrentar molha certa e imediata é o equivalente a um nível bónus, daqueles acima das nuvens, em que saltamos rochas e apanhamos barras e géis energéticos para ganhar pontos e ainda uma vida extra se conseguirmos salvar o par de ténis que está enclausurado na torre antes do tempo se esgotar.

Posto isto, quem é que foi a pessoa que saiu para enfrentar orgulhosamente a chuva na terça-feira da semana passada, quem foi?
Não fui eu. Estava frio. Fraquejei...


Mas no longuinho de Domingo só os dois primeiros minutos foram passados a seco. Mais de 3 horas de corrida em comunhão plena com a natureza e particularmente íntima com a chuva. Nem a roupa interior escapou.

Sabem onde é muito bom correr com chuva? Na praia.


E no campo.


E agora umas fotos fortuitas de cogumelos, só para saberem que estão no blogue certo:



Perspectiva.

É desta forma que uma manhã passa num instante e, tirando o desconforto inicial, quase nos esquecemos que está a chover. Foram 22km num fantástico nível de bónus, estou abastecida de créditos para os próximos treinos.

E vocês, correr à chuva, yay ou nay?

24 de novembro de 2014

Energel (Gel energético)

É raro tomar géis em treino, apenas quando compro algum novo e quero fazer o teste, para não ter surpresas em prova. E agora, como quase só participo em provas de trail, cuja grande maioria tem abastecimentos frequentes, reservo os géis para alguma fase de quebra. Sempre preferi ir buscar a minha energia a alimentos "verdadeiros", mas, para além de ao correr não dar muito jeito ir ali a mastigar meia banana, uma batata, duas tostas com marmelada e uma rodela de tomate com sal (sim, tudo coisas que já comi em prova! Talvez ao mesmo tempo...), os géis são uma forma mais rápida e prática de reposição de energia. Confesso que quando comecei a correr tive a curiosidade de experimentar umas quantas marcas, até que encontrei uma que não era demasiado doce e não me deixava enjoada (quem já experimentou sabe que não é fácil acertar).

Entretanto, tive a oportunidade de ter vindo a testar, desde há umas semanas, uns géis da marca Myprotein, que se estendeu recentemente ao mercado português. A contrapartida era fazer uma análise dos mesmos. Honesta. Nunca poderia ser de outra maneira, até porque neste blogue somos todos amigos.


O gel em causa é o ENER:GEL. A nível nutricional apenas posso falar da óptica do utilizador comum e que foi comparar os valores com outros géis já conhecidos, verificando que nestas coisas andam mais ou menos todos pelo mesmo. Podem ler mais informações na página.




A única diferença significativa a apontar é que esta se trata de uma embalagem um pouco maior que as habituais, que andam por volta das 40g, e esta tem 70g. Ou seja, não é fácil tentar enfiar um gel destes no bolsinho pequenino dos calções femininos! Depois, a primeira vez que experimentei, percebi porquê. Este é um gel mais líquido, o que facilita a sua ingestão. No meu caso, numa situação de desespero urgência, no Trail da Serra da Lousã, até acabei por o tomar sem água (sei que não se deve, mas já estava sem água e era "urgência"...) e não fiquei com sede nem enjoada, como já me aconteceu com géis mais espessos.

Existem quatro sabores disponíveis e, como tenho preferência por sabores mais ácidos, o meu primeiro instinto foi o de escolher o de Lima & Limão, mas como a minha ideia era partilhar os géis com mais pessoas para reunir opiniões, achei que o sabor Laranja seria mais consensual. Assim sendo: dois bttistas, um grande atleta de trail e uma máquina do asfalto foram as restantes cobaias e tenho a dizer que a satisfação foi unânime: fácil de ingerir, doce sem ser em excesso, prático. 

Este gel que experimentei não tem cafeína, factor importante para mim, mas existe essa opção.

Vistas as coisas, e tendo em conta que cada embalagem traz 24 unidades, cada gel fica mais barato do que os que comprava habitualmente. E agora, com a mais recente promoção, cada unidade fica a menos de um euro, o que é bastante acessível tendo por comparação o que habitualmente vejo à venda.

Assim sendo, fico contente por ter tido oportunidade de experimentar um produto de que realmente gostei e que provavelmente tornarei a usar. Mas quero que também tenham essa oportunidade de experimentar, por isso vou disponibilizar 4 embalagens a uma pessoa, a quem só peço que depois partilhe o que achou. Quem quiser habilitar-se a essa oportunidade, preencher os dados aqui (peço desculpa, mas não consegui anexar o formulário ao blogue), até sexta-feira, dia 28. Posteriormente, será feita uma escolha aleatória através do random.org.

Entretanto, por oposição à habitual cerveja ou leite com chocolate (depende dos dias e da vontade) pós-corrida, estou a experimentar os batidos de recuperação. Primeiras impressões: acho que fiz má escolha de sabor (chocolate menta), mas mea culpa, que não tinha noção da consistência deste tipo de produtos.
Ainda ontem, depois de um longuinho ensopado por terras de Sintra, cheguei a casa e bebi os meus 500 ml. É só misturar com água num shaker. Ou, no meu caso, shaker = colocar num cantil e agitar energicamente com o braço. Tchin-tchin!

Recovery XS


E vocês? Costumam recorrer ao consumo de géis nas provas? Bebidas isotónicas? Alguém mais que já se tenha aventurado no maravilhoso novo mundo dos batidos de recuperação?

19 de novembro de 2014

Trail do Zêzere (K30)

Oiço o speaker a dizer que faltam cerca de 15 segundos para as 9h30 e eu ainda fora da zona da partida, atabalhoadamente a tentar colocar o chip no ténis... [Inserir palavrão].
Desta vez até cheguei com tempo, mas estive descansada a beber café até cinco minutos antes da partida, caminhei com toda a calma até ao local, e quando lá chego perguntam-nos: "Então e os chips?". Então e os chips??! [Inserir palavrão]. Dentro do envelope, no saco das ofertas, na mala do carro. Grande correria para o ir buscar e aquecimento mais que feito. 9h30 começa a prova, é agora que vou normalizar os batimentos cardíacos. :)

Os primeiros quilómetros são feitos maioritariamente em alcatrão, naquilo que chamamos de percurso "corrível", e no entusiasmo inicial do pelotão os batimentos cardíacos disparam ainda mais. Começar a prova a um ritmo impraticável para nós, de forma a chegar aos 2km com os bofes de fora - é isso que dizem todos os manuais de corrida, não é? Check!

No entanto, daquilo que me lembrava do ano anterior, sabia que não tardaria a aparecer alguma subida para me salvar. Ou seja, uma inclinação razoável que justificasse andar, para "descansar" um bocadinho (ahahah as coisas com que uma pessoa se ilude...). E, de facto, não tardaram a surgir as primeiras subidas. Desta vez, a subida à Cruz Alta, que na edição passada tinha ficado reservada para o último abastecimento, foi uma das primeiras.




Apesar do céu encoberto temos acesso a uma paisagem lindíssima, sobretudo quando se inicia a descida até ao rio Zêzere, a caminho do primeiro abastecimento, aos 8km.




Tal como no ano passado, penso que se esta prova fosse no Verão, esta zona estaria mesmo a pedir um mergulho.


Mas como não é, sonho apenas com isso, enquanto como um gomo de laranja e um bocado de banana, porque sei a subida que se segue.

O Trail do Zêzere é um trail durinho, não porque tenha subidas enormes e de dificuldade extrema, mas porque as subidas que tem são curtas mas bem inclinadas, algumas quase parede de escalada, intercaladas com vários quilómetros de trajecto rolante. É esse desgaste muscular da inclinação aliado ao quase imediato retorno à corrida que acabam por estafar uma pessoa. No caso das fotos abaixo, porém, a parede parece pior do que é, acreditem em mim. A subida da Cascata do Maxial é uma das partes mais giras do percurso.






Esta é a paisagem que temos perto do miradouro  da Capela de São Pedro de Castro, local onde está o segundo abastecimento (só de líquidos), aos 12km:




Engraçado que ao longo do percurso fui tendo flashbacks da minha prova do ano anterior. À ida para lá pouco mais recordava do que um ou outro pormenor mais marcante do trajecto, mas depois, ao passar por certas zonas, várias coisas me vieram à memória, inclusive as conversas que estava a ter quando lá passei anteriormente. Como a passagem de quatro estações pode alterar tanto e tão pouco. A memória é uma coisa fascinante.


Sei que este ano não me estava a custar metade do que me custou o ano anterior, por várias razões, sendo a principal a ausência de lesões, mas se a subida da Cascata foi uma alegria para mim, a subida que se vai iniciar aos 13km já vai deixar as suas marcas.



Quando numa prova levo as mãos à cintura e começo a fazer as subidas como uma varina dos montes, é sinal de que as coisas estão difíceis e é melhor não falarem comigo até chegarmos ao topo. :) De preferência escolham parceiros de trilhos compreensivos, que vos apoiem no vosso momento de dor e que não se ponham a gozar e a tirar fotografias, nas quais só vai ficar registado o vosso olhar furioso de Medusa frustrada que não mata ninguém. Não que isso me tenha acontecido... ;)

E a seguir a uma subida vem sempre uma descida. Neste caso, feita com muito cuidado para não deslizar por ali abaixo pela lama. Quando, numa ocasião, vos falharem os dois pés ao mesmo tempo, não se agarrem ao arbusto mais próximo sem olharem, porque pode estar cravejado de picos. Mais uma vez, não que isso me tenha acontecido....




Aos 20km temos o último abastecimento. Nesta altura vai começar a chover, o que até veio a calhar porque seguem-se cerca de 3 ou 4km de percurso rolante e os chuviscos que nos refrescam a cara são uma bênção. Vai é dificultar um bocadinho a progressão nos carreiros mais enlameados, mas nada que não se consiga ultrapassar com equilíbrio perfeito e uma postura de corrida irrepreensível.

;)
Mais à frente outro local lindíssimo onde teremos de fazer escalada com auxílio de corda. Com a rocha escorregadia das chuvas não foi pêra-doce, mas estivemos sempre sob o olhar atento dos bombeiros (aqueles pontinhos vermelhos que podem ver no topo da foto abaixo).

Nota máxima em termos de acompanhamento e apoio dos atletas.

Se antes desta parte ainda pensava ser possível terminar a prova abaixo das 5 horas, aqui tive de encarar a realidade. Os quilómetros finais até serão feitos maioritariamente a correr, mas já com bastante cansaço muscular acumulado. Nesta fase final vamos ter a companhia de um outro atleta que ora pica puxa por nós ora nós o picamos puxamos por ele e essa "picardia" vai dar piada aos últimos momentos. Vão ser quase 5h15 para cortar aquela Meta mas, mesmo assim, em muito melhor estado que o ano passado. Evolução. :)

Mais uma vez a Organização não desiludiu, percurso extremamente bem marcado, aviso de abastecimentos e zonas de perigo, apoio ao longo do percurso e abastecimentos, embora pouco abundantes, com o suficiente. Apenas um reparo relativamente ao espaço da Meta, que achei confuso, uma pessoa ficava um bocadinho sem saber para onde se dirigir, e não havia água para beber (que tenha dado por isso). De resto, tornei a gostar muito da t-shirt, que tem sempre um corte feminino que favorece (sou uma senhora, ligo a esses pormenores) e da lembrança (sei que há quem prefira medalhas, mas eu gosto de outras peças originais).

Uma zona muito bonita a cerca de hora e meia de Lisboa. Um trail ao qual voltar, acrescentar quilómetros e reviver memórias.

14 de novembro de 2014

Estações e Apeadeiros 2015 # Trail de Bucelas

Já está marcada uma das primeiras paragens na minha viagem pelos trails 2015. Não havendo nada em contrário, pela terceira vez consecutiva estarei presente no Trail de Bucelas. E agora vocês perguntam-me: "Tu, que já lá foste duas vezes, que achaste? É um trail que vale a pena? Recomendas?". Recomendo, sim senhor! Entre várias razões para participarem no Trail de Bucelas, está a espectacularidade da imagem de apresentação:



Hmm... Acho que já vi esta foto em algum lado...

Na minha Crónica Trail de Bucelas 2014!

Gostaria de ter sido a primeira a saber que as minhas fotos sacadas a telemóvel da idade da pedra têm categoria de cartaz (vou esfregar na cara dos meus amigos que se queixam das fotos "desfocadas", tomem lá!), mas, para provar que não fico sentida, até já me inscrevi e tudo. Acho que é a única prova que me posso orgulhar de ter estado presente desde a primeira edição, sou praticamente uma veterana do Trail de Bucelas!

Mas voltando às razões para participarem. No ano passado, estava a iniciar-me nas lides das provas de trilhos e participei apenas no TC de 12km, mas gostei bastante. Achei as pessoas envolvidas na organização simpáticas e disponíveis (isso conta muito), a sinalização bem feita e o percurso de dificuldade q.b., ideal para quem está começar e quer experimentar uma prova sem entrar em grandes aventuras. Até tivemos direito a uma garrafinha de vinho de Bucelas, coisa que não se repetiu este ano (ohhhh...). Na altura fiquei com inveja dos atletas do TL, que tiveram a oportunidade de atravessar o rio (para mim uma experiência que não tinha tido até então) e prometi voltar para o ano. Portanto, este ano lá estive novamente, desta vez na prova dos 25km. E passei o rio. Mas, antes disso, ao longo das mais de 3horas que por lá andei, tirei um curso intensivo de lama. Muita lama, tanta lama... Ainda hoje Bucelas ocupa um destacadíssimo primeiro lugar no que toca a trajectos enlameados. Nestas condições já não foi um percurso que recomendasse a iniciantes, mas para quem gosta de desafios, e com calçado adequado, teve aqui uma prova à altura.

Assim sendo, em 2015 lá estarei novamente a marcar presença, para ver as surpresas que os 27km me reservam. Estou a contar que tornem a ofertar aos atletas uma garrafa de vinho de Bucelas (acho que mereço...)
:)

Bom fim-de-semana!

*ACTUALIZADO* Já fui contactada por um elemento da Organização e está tudo esclarecido. Agora é irem a Bucelas em 2015 e tentarem suplantar esta foto magnífica. Desafio lançado! ;)

13 de novembro de 2014

Próxima estação: Zêzere

"Foi uma surpresa. Uma surpresa dura, mas uma surpresa boa. (...) Pessoalmente, gostaria de ter ido mais bem preparada (mas sem ilusões, ia ser difícil na mesma), mas às vezes há que ter estas mortes para aprender a viver. Para o ano, como já sei ao que vou, volto ainda com mais vontade."

Isto foi o que escrevi já vai fazer um ano, relativamente ao Trail do Zêzere. Não foi uma prova particularmente feliz porque na altura estava a começar a desenvolver aquela Lesão Cujo Nome Não Pode Ser Pronunciado (Síndrome da Banda Iliotibial, para quem não lia o blogue na altura nem nunca leu o HP e não entende a referência), mas sim, fui à prova na mesma porque ainda estava na fase de negação. Atleta que nunca fez parvoíces do género que atire a primeira pedra.
O percurso foi muito bonito, mas mais duro do que estava à espera e as descidas foram especialmente penosas para mim.

Reparei num facto curioso: nunca fiz duas provas de trail iguais. Mesmo as que repito, ou tenho optado por uma distância superior, caso desta do Zêzere, ou então, optando pela mesma distância, o percurso é alterado em relação ao ano anterior (caso, por exemplo, do TNLO). Portanto, nunca houve oportunidade de haver comparações e tentativas de melhorar tempos. Mas até correr no exacto sítio em condições climatéricas diferentes seria suficiente para alterar toda uma prova. Daí não ter muita noção da evolução técnica, apenas da evolução do gosto.

Desta vez, optei pela distância dos 30km. Metade estratégico e metade precaução. Como disse, esta prova trouxe-me à memória coisas pelas quais não quero tornar a passar ou, pelo menos, não as causar por teimosia. Será mais uma "prova-treino", no sentido em que não fiz redução gradual de quilómetros até ao dia, e vou manter o meu habitual passeio de bicicleta aos Sábados (se não chover). Sei que nas provas uma pessoa acaba sempre por esticar-se um bocadinho, até porque não posso, como nos treinos, dizer: "Esta parece-me uma boa rocha, vamos sentar-nos aqui e ficar a olhar a paisagem", (ou até posso, mas não é esse o propósito.:)), mas vou tentar encará-la como mais um treino longo dominical num sítio diferente e bonito.

E por falar em alterações de percursos, será que este ano vamos tornar a escalar A Parede?...


Aqui está um belo exercício de reforço muscular, para compensar aqueles que não faço durante a semana...

Depois do Zêzere, em princípio mais uma grande prova em Dezembro e depois talvez uma São Silvestre, para terminar o ano em festa. Em termos de provas, 2014 está a ser uma viagem fabulosa. 

10 de novembro de 2014

Trilhos de Casaínhos

Uma coisa boa de ter uma prova a menos de 20km de casa foi poder dormir até às 8h45 a um Domingo. Oito e quarenta e cinco! Um luxo! Com a prova a começar às 10h45 até poderia ter acordado mais tarde, mas o meu corpo, que não foi avisado, acordou às 7h: "horas de ir correr!", depois outra vez às 7h45: "horas de ir correr já!" e novamente às 8h15: "a sério, mas vamos correr ou quê?!!" e eu resignei-me.
Assim, tive tempo de fazer tudo com calma, inclusive tomar um pequeno-almoço mais demorado, outro luxo.

A prova teria início nas instalações do Sporting Clube de Casaínhos e tinha um percurso anunciado de 15km, apesar de terem havido algumas alterações de última hora devido à chuva dos dias anteriores, que poderiam alterar um pouco a distância.

Nem de propósito, as nuvens que até então se tinham mantido sossegadas resolveram descarregar a fúria a cerca de 5 minutos das 10h45, o que obrigou toda a gente a abrigar-se debaixo dos telheiros e só se deslocar para a Partida na hora de começar a correr.



Como, com medo de estragar, guardei o telemóvel na bolsa impermeável, as duas fotos acima, dos atletas a correrem para a Partida, foram as únicas que tirei em toda a prova... Peço desculpa desta minha falha como bloguer. Depois o sol acabará por brilhar, mas retirar o telemóvel da bolsa iria exigir um grande dispêndio de energia, já sabem como é quando vamos cansados, até pular sobre uma formiga cansa. Não esquecer que esta era uma prova de 15km, portanto, praticamente uma prova de velocidade, e velocidade não é o meu forte. (Também ainda não descobri qual é o meu forte, mas velocidade não é de certeza. :))

Aliás, quando, nas primeiras centenas de metros da prova, vejo toda a gente a largar a correr como se não houvesse amanhã e o meu relógio anuncia um ritmo na casa dos 5min/km pensei logo: "Elá, mas isto é uma prova de 10km de estrada ou quê? Calma contigo, que não tens pernas para isto!!" Ahah! Mas com cerca de 1,5km entramos nos primeiros single-tracks e formam-se os congestionamentos habituais e tudo regressou à normalidade dos trilhos.

Aos 2km uma abrupta curva à esquerda irá causar engano a vários atletas, que falham a indicação e seguem em frente, acrescentando alguns quilómetros à sua prova. Felizmente,  no meu caso, o engano foi de poucos metros.

Esta foi uma prova de lama, muita lama. Não tanta como no Trail de Bucelas, que por acaso partilhou partes do percurso com esta prova, mas mesmo assim causadora de várias escorregadelas. A certa altura os meus ténis já pareciam skis de barro e relva. Um agradecimento especial à menina que ia à minha frente e que se ofereceu várias vezes para me dar a mão nas subidas mais difíceis e ao rapaz que ia atrás de mim, que numa ocasião, ao ver-me deslizar para trás, ficou indeciso entre amparar-me com as duas mãos vocês sabem bem onde, ou deixar-me cair. Felizmente não caí e, depois de alguns microssegundos de indecisão constrangida, o rapaz lá conseguiu amparar-me com uma mão na anca. Ainda há cavalheiros. :)

A cerca de metade da prova, no início da subida do Cabeço de Montachique, passamos pelo interior das ruínas do Sanatório Grandella. Já tinha visto fotos do mesmo, mas nunca lá tinha passado. Foi um dos pontos altos do percurso.


Fotografia e história do Sanatório, aqui.

O Cabeço de Montachique foi o topo de elevação da prova, a roçar os 400 metros de altitude. Tirando a lama, e uma subida por volta dos 12km, este era um percurso bastante acessível.
Foi também aqui que houve novamente alguma confusão com as marcações, porque de repente reparo num mar de gente a chegar de um local diferente daquele de onde vinha o grupo de pessoas onde estava. Parece que havia fitas de outra prova anterior que provocaram a divisão.

Por volta dos 11km, quando oiço alguém dizer "Força, está quase!", ao ultrapassar-me, e olho e vejo que é um rapaz que costuma ir ao pódio das provas, ali, atrás de mim, juro-vos que pensei: "Se calhar já terminou a prova dele e resolveu dar uma segunda volta ao percurso"... (Não é isso que os Ultras fazem?:)) Depois começo a ser ultrapassada por vários homens a correrem como uns desalmados e percebo que alguma coisa deve ter acontecido. Lembram-se daquela curva abrupta aos 2km e alguns problemas com a sinalização? Por causa dela os primeiros atletas acrescentaram mais 5km ao percurso!


Aos 12km esta prova já me estava a parecer demasiado longa. Para verem bem como é a nossa mente. Nas provas de 40km+, os primeiros 15km não são nada e aqui parecia que nunca mais acabavam. Eu sabia que aquele entusiasmo inicial ia voltar para me fazer pagar.


Depois da subida aos 12,5km, que aqui no gráfico não assusta ninguém mas acreditem que doeu um bocadinho, uma das senhoras que estava a entregar garrafas de água (tivemos três postos de abastecimento de líquidos durante a prova, coisa com que não estava a contar mas foram bem-vindos, já que não levei mochila) diz-me que estou em 15ª. Ora, eu não fazia ideia de quantas mulheres havia em prova, se 20 ou 100, mas 15ª pareceu-me uma boa posição para se estar. Além disso, o entusiasmo com que a senhora me disse aquilo era contagiante, estava mesmo contente! Já os senhores que iam à minha volta não tiveram direito a nenhuma actualização relativamente ao lugar em que iam. Ninguém os manda serem muitos. :)

Daí para a frente decidi que haveria de ir até à meta sem parar para andar. Não sei porque é que às vezes tomamos decisões parvas destas, sobretudo tendo em conta que não conhecia o percurso, mas eu levo muito a sério as decisões (parvas) que tomo comigo mesma. Quando vinha a tentação de caminhar, auto-repreendia-me: "Já fizeste provas muito piores, certamente consegues aguentar mais 3 ou 4km! Ou não?..." Aquele "ou não" foi acentuado de forma tão ameaçadora que nem me atrevi a contestá-lo.

Isso permitiu-me fazer os quilómetros finais sempre a passar gente, sem ser passada, o que é muito bom para a moral mas muito mau para as pernas. Terminei os 16km em cerca de 2h13 e já muito cansada.

Outra visão da Partida/Meta, desta vez com sol.

Fiquei por ali algum tempo a fazer alongamentos e a ver quem chegava. Ainda vi algumas caras conhecidas, nomeadamente o Pedro, antes de decidir que estava na hora de voltar para casa. Como moro a menos de 20 minutos de carro dali não cheguei a usufruir dos balneários disponibilizados para duche.

Gostei da prova. Já era um trail que tinha debaixo de olho nos últimos dois anos, mas por coincidir sempre com outras escolhas nunca tinha tido oportunidade de o fazer. Teve algumas falhas a nível de sinalização (da minha parte não houve problemas, mas afectou a prova de muitos atletas), apenas em parte justificáveis devido a ajustes no percurso de última hora, um aspecto a melhorar no ano que vem. Como sugestão fica a adição de um número de contacto da Organização ao dorsal, para qualquer eventualidade que haja ao longo do percurso. Fora isso, e tendo em conta o preço acessível, é uma prova que merece a visita de quem mora na zona de Lisboa. É bom poder acordar mais tarde, gastar pouca gasolina e conhecer novos trilhos, mesmo que sejam "só" uns longos 15km.

E, para a semana, temos o Zêzere!

3 de novembro de 2014

Treino do "outro mundo" e Kms do mês

O mês de Outubro terminou com a participação num treino nocturno organizado pelos Alverca Trail Run. Tenho amigos que costumam participar nestes treinos Alverca Urban Trail e já me tinham feito o convite, mas nunca se tinha proporcionado. Sexta-feira foi o dia (ou melhor, a noite).

Como era noite de Halloween houve pessoas que foram trajadas a rigor, com especial destaque para o número de zombies e de bruxas. 



A Múmia, perdão, um dos organizadores a dar instruções antes do treino:

O que pode acontecer quando damos grandes tralhos... :)

Para ninguém ficar para trás, foram criados três grupos de corrida, consoante os ritmos. O percurso era de cerca de 9km pelas ruas de Alverca e incluiu várias rampas e escadinhas, muito do agrado da maioria dos participantes (ou não!), e até uma passagem surpresa pelas Minas de São Romão, abertas de propósito para a nossa visita.
Foi um treino muito divertido, com alguns sustos programados em locais mais escuros, e foi engraçado ver a quantidade razoável de pessoas que aderiu à temática da noite e andava mascarada pelas ruas.

Mapa da Corrida
Como de costume, custou-me a aquecer, mas por volta dos 3km entrei naquele estado de graça da corrida em que nos sentimos leves e capazes de correr para toda a eternidade. Venci todas as rampas daí para a frente.

Claro que a "eternidade" não chegou a domingo, dia em que fui para Monsanto e tive um longuinho menos leve. Além disso, estava a haver uma prova/passeio de BTT, o que tornou a corrida pelos trilhos mais estreitos uma verdadeira aventura e até impossibilidade, a partir de certo ponto. Mas 17km feitos!



Contagens do mês de Outubro*

- Distância:  182.44 km 
   . em estrada: 90.93
   . em trilhos: 91.51 
- Horas a correr: 25:39
- Ganho de elevação total: 4631 metros

- Quilómetros a pedalar: 0

Distância total: 1938.72 km (Janeiro a Outubro)

*Valores aproximados

Mês um pouco mais fraco em termos de quilometragem, devido a recuperação de duas provas (Arga e Lousã), mas quase a chegar à marca dos 2000 km anuais!

Infelizmente, é cada vez mais notório que o meu Garmin 410 (Mr.G, para os amigos) já não tem pedalada para os meus sonhos maiores... É um óptimo relógio gps, mas quando o comprei não me passava pela cabeça que um dia me haveria de dar para fazer Ultras e que nada me daria mais prazer (e uso aqui a palavra "prazer" num sentido muito lato e duvidoso, mas, ainda assim, prazer) do que passar mais do que um habitual horário laboral (8h) a correr. Ora, 8 horas é precisamente a autonomia deste relógio com o gps ligado, razão pela qual já cruzei algumas metas sem ele.
Claro que como não tenho fundos ilimitados (são até bastante limitados :)), a busca por um novo parceiro terá de ser pensada e demorada. É provável que vá continuar a usar o 410 nos meus treinos, mas em certas provas vou precisar de um com mais autonomia. E, já que vou ter de investir, gostava de um com resistência suficiente para me acompanhar daqui até ao topo da montanha mais alta, se não for pedir muito. :) (Já sabem que vou devagarinho, por isso tem de ter mesmo muita autonomia!) E que não seja preciso navegar mil menus para efectuar as actividades mais simples (preferencial).

Ajudas, sugestões. Contem-me!!! Obrigada.


Boa semana e boa recuperação a todos os amigos que concluíram a Maratona do Porto. Que hoje não vos apareçam muitas escadas pela frente, é o meu desejo.

:)