27 de janeiro de 2015

Treinos por Trilhos de Sintra #7 - Entre Serra e Mar

Depois de uma prova que nos deixa com a moral em baixo, nada como ir lavar a alma à praia. As "montanhas" deixam-me mal, então vou (a) correr para o(s braços do) mar. E o percurso da prova Entre Serra e Mar é o ideal para este estado de espírito dividido entre dois amores.

O carro fica estacionado na Malveira e segue-se na direcção das quintas.


Às vezes o meu humor pode ser volátil e falhar-me nas corridas, mas pelo menos a minha memória é um espectáculo: a fazer quase dois anos em que participei nesta prova, e sem recurso a gps, consegui reproduzir o trajecto por entre trilhos e montes quase na íntegra e ir dar aonde queríamos, à praia do Guincho.



Estava uma manhã fantástica e sem vento, o que por ali é coisa rara. Mesmo assim, havia pouca gente àquela hora na praia e a areia era uma pista lisinha a estrear.



A temperatura da água também estava espectacular, mas é sempre muito difícil convencer alguém a alinhar connosco num mergulho invernal, não sei se já tentaram, mas é.



Depois seguimos em direcção à Praia do Abano (adoro o nome) e continuámos pelos trilhos junto às arribas. As sinalizações e placas foram recentemente restauradas e ainda passámos por umas quantas pessoas a fazer caminhada.

E, porque é uma parte icónica da prova Entre Serra e Mar, não podíamos deixar de passar pela "Parede".


A "Parede" é uma subida parcialmente cimentada que se encontra por volta do km10 da referida prova. Agora, que já subi alguns montes piores, esta parede já não me parece tão agressiva como quando a enfrentei pela primeira vez, mas não deixa de meter respeito.


Claro que não a consegui fazer toda a correr, tive de parar para caminhar. Por isso é que quando cheguei lá acima achei que era boa ideia tornar a descer e fazê-la novamente!
A segunda vez foi tão má como a primeira e tornei a caminhar mas, pelo menos, não viro costas ao desafio. (A não ser que seja para fazer uma parte da subida em marcha-atrás, para fortalecer os músculos dos quadrícipites e dos glúteos, nesse caso viro, e aproveito para ver a vista):




Antes de tornar a descer para a Malveira, um pequeno desvio até à Peninha, para abastecimento líquido numa das fontes. Descobrimos que era ali em cima, na Peninha, que estava a esconder-se o vento todo que não havia no Guincho.

Uma breve visita à Pedra Amarela para um último adeus à Serra antes de regressar ao Mar.

Pazes feitas.

E termina-se o treino com cerca de 21km, "acãopanhados" nas centenas de metros finais por um par de simpáticos cães da povoação, que já não nos queriam largar. Tinham uma boa passada, embora fossem um perigo a circular na estrada. Ainda não lhes ensinaram que se deve correr sempre pela esquerda, de frente para o trânsito. :) Fiquei com pena do treino terminar, porque tínhamos ali atletas para nos acompanhar em alguns quilómetros.


Foi um treino calminho, em que me senti sempre bem, o que era mesmo o que estava a precisar.

Se podia aproveitar para dormir até tarde a um Domingo? Podia, mas não era a mesma coisa, e vocês também sabem disso.

Bom resto de semana!

22 de janeiro de 2015

Trail Run Socorro e Archeira

Sete minutos de prova e já estou a caminhar. Não estamos em terreno muito técnico, nem sequer numa subida de inclinação elevada, são as dores nos gémeos novamente. Desta vez até me juntei ao aquecimento de grupo feito antes da partida, por isso já nem sei qual será a causa. Às vezes tenho estas dores, outras vezes não. Quero correr e não consigo, até andar de forma mais vigorosa é doloroso. Todos me passam, atletas dos 29km, atletas dos 18km... Mais um bocadinho, e se facilitar, até os da caminhada. Páro e tento alongar, rodo os pés, estico as pernas, nada resulta. Sei que levará uns bons 30 minutos até passar, ou 4 ou 5 km, em linguagem de distância. Mas o facto de saber que vai passar não me ajuda. Sozinha, entregue aos meus filmes, entro numa espiral descendente de pensamentos negativos. “Se for para ser sempre assim, não vale a pena vir a provas”. “Nem correr consigo, para que é que me sujeito a isto?”. “É uma tortura”. “Para quê?”. E aquele “para quê?” fica a ressoar-me na mente. Hoje não é o meu dia.



Aos três quilómetros de prova fico parada no primeiro engarrafamento, segue-se a primeira grande subida da prova. Ao menos assim já não sou a única a caminhar e pode ser que com o esforço os músculos aqueçam mais depressa. 


Pela primeira vez, fiquei contente de apanhar uma parede tão cedo no percurso. A Serra do Socorro veio em meu auxílio.




A descida que se seguiu, por zona com pedras de origem vulcânica, tinha de ser feita com muito cuidado. Os meus ténis agarram bem e sinto alguma segurança, mais aqui do que na lama até. Finalmente entro num ritmo, lento, mas um ritmo. Vou ali algum tempo junto a um grupo animado dos 18km. Já levamos todos uma segunda sola de lama e patinamos bastante. Forma-se uma corrente de ajuda e consigo chegar ao primeiro abastecimento líquido, aos 6km, sem cair. Eles param e eu sigo, levo ainda bastante água comigo e estou a fazer uma média de 5km/hora… “Mas vim para uma caminhada? Preciso de melhorar isto!” – penso eu. Aiii, eu e a minha fé ingénua… Já devia saber melhor!



Não melhorou. Continuo a ter de caminhar bastantes vezes. Afinal, quando no Regulamento eles classificaram o trail como MD (Muito Duro), não estavam a brincar! Quem diria!!!... Passaram-me logo as manias de quem já fez provas supostamente piores.
Quando finalmente cheguei ao segundo abastecimento, aos 12km, a média mantinha-se. Ainda por cima já não havia bananas nem laranjas, que é o que habitualmente como. Só já sobravam maçãs e uns frutos secos salgados. Achei fraquinho, até porque eu própria estava fraquinha, por isso comi do que havia e ainda tomei um gel, que já carregava comigo na mochila há umas duas ou três provas. Houve quem tivesse tido direito a uma mini, mas achei melhor não fazer misturas. :)



Sempre que subimos às zonas mais altas, entramos numa bruma digna de mito sebastianista. Mais uma vez, passo pelas ventoinhas de que gosto tanto, mas mal as vejo, só as oiço. Também me questiono se irá ser possível correr mais do que 5 minutos seguidos que sejam nesta prova. Com tanta lama nos trilhos tenho medo de arriscar nas descidas, mas será numa subida que irei acabar por cair primeiro. 


Numa subida daquelas que, de tão inclinada e escorregadia, temos de ir com tracção às quatro rodas, há um local em específico onde, com a lama já tão espezinhada por centenas de pés, não encontro um apoio a tempo e começo a patinar. Estão a ver os desenhos animados, quando os bonecos perdem o chão e ficam ali uns segundos a mexer as pernas no ar, antes de cair? Fui eu, mas de mãos no chão, a patinar desesperadamente naquela parede de lama. Acabo por limpar um bocadinho o terreno para os atletas que se seguem, com a parte da frente da minha t-shirt e corsários.




Confesso que a tentação de encurtar o trajecto para 18km começava a ser muita. Era claro que não estava nos meus dias e o meu humor estava ao nível da minha média. Fraquinho, muito fraquinho. Mas, sabem como é, uma pessoa fica sempre na esperança das coisas melhorarem e na expectativa do que vem depois. Eu, pelo menos, fico sempre. E por isso é que tomei a decisão de ali, junto àquele chapéu-de-sol laranja perdido no nevoeiro, zona de separação dos percursos, seguir pela direita.



Por momentos, depois de umas boas centenas de metros em estradão em que consegui correr sem parar, apesar de me sentir bastante cansada para apenas 15km de prova, achei que fosse possível fazer uma segunda parte de prova mais rápida (afinal, tinha levado 3 horas para fazer 15km!), até que me deparo com isto:


Isto é sempre motivo de atenção extra em qualquer prova, mas nesta já me tinha apercebido que seria preciso uma concentração ainda maior. Já tinha dito que não estava nos meus dias?



À primeira vista, fiquei contente com esta parte. Correr ao longo, ou melhor, por dentro, do caudal de um ribeiro é sempre uma aventura de que gosto muito. O problema é que aquele caudal parecia não ter fim. Vinha uma curva, depois outra, e a água continuava a serpentear por ali afora sem final à vista. Não contabilizei, mas devem ter sido pelo menos uns 600 metros nisto.



Pelas fotos não parece, até porque não arrisquei tirar mais fotografias, mas aquilo estava violento, provavelmente devido às chuvas dos dias anteriores. Não dava para ver onde se punha os pés e uma das vezes não ganhei para o susto ao enfiar a perna num buraco até meio da coxa. Para piorar, a água estava gelada e comecei a perder a sensibilidade nos pés. A sola dos meus ténis até era muito boa neste tipo de rochas, e não escorregava, mas notei que a minha mobilidade já não estava a cem porcento. Confesso que foi a primeira vez numa prova que fiquei assustada, aquilo já não era só brincadeira e aventura, aquilo podia tornar-se perigoso e para além de não ver mais nenhum atleta nem para trás nem para a frente, não estava ninguém da Organização a controlar. O km16 levou-me 22 minutos a fazer, muito por culpa desta parte e da subida que se seguiu, escorregadia de tanta água deixada pelos atletas anteriores.

A recuperação foi feita a muito custo, estava cansada e gelada. Por cada passo à frente parecia que dava dois atrás. Parei para vestir o impermeável e sacudir as pedras que tinham entrado para os ténis apenas para saber que, pouco depois, ia ter de mergulhar os pés novamente! Devia ter suspeitado, quando, depois de um quilómetro sempre a subir, começamos a descer na mesma direcção e oiço outra vez o barulho do ribeiro. Logo agora que tinha recuperado a sensibilidade nas pernas… Mas bom, tem de ser, e lá fui, mas não sem antes tem dado a queda número dois, um enorme bate-cu num escorrega de lama. Nesta parte começaram a soar os alarmes de «Perigo: Mulher em Fúria» na minha cabeça, mas consegui controlar-me. Acho que o choque térmico ajudou. Foram mais 400 metros lentos e feitos a muito cuidado, mas desta vez na companhia de outros dois atletas.

Arte moderna junto ao abastecimento.

Felizmente que o abastecimento dos 20km não tardou e desta vez até tinham bananas. Bebi água e, por via das dúvidas, tomei outro gel. Faltavam menos de 10km para o final mas para mim parecia-me ainda uma eternidade. Fiz um telefonema em jeito de pedido de socorro e força, para ver se ganhava algum ânimo e evitava o ponto de ebulição que sentia iminente. O telefonema ajudou bastante e durante algum tempo até fui em modo cruzeiro, a repetir dezenas de vezes o mantra “Força, tu consegues”, para mim mesma. Até que, pára tudo, alerta vermelho! Cadê as fitas sinalizadoras?? 
...
Olho para trás e parece-me distinguir uma, lá bem ao fundo. Não devia estar a mais de 300 metros, mas era a subir. Tinha estado a descer, enganada, e agora tinha de subir aquilo tudo novamente… Grrrr…. Até fervi!
“Calma, respira fundo”...
Nem queria acreditar na estupidez da minha distracção, que não vi o trilho que saía do estradão e virava à esquerda, e bem assinalado e tudo, por sinal.
“Inspira, expira”...
Aposto que devia sair fumo pela minha cabeça, quando cerrei os punhos e me fiz novamente ao percurso. Tudo bem que o engano não foi grande, mas naquela altura sentia-me como se tivesse de subir as escadinhas do Cristo Rei, ao pé-coxinho, com 15kg às costas.




Acho que foi a partir daqui que passei definitivamente para o lado negro. Já rosnava às subidas, cuja grande maioria tinha de fazer com as mãos no chão, e às descidas que, com tanta lama, para além daquela que já trazia agarrada aos pés, não me deixavam correr. Como se atreviam?!

Última foto tirada durante a prova, ao km 22 (?)
O serpentear pelos trilhos junto à A8 foi um purgatório. Penso que foi uma forma que a Organização arranjou de acrescentar quilómetros ao percurso, mas para mim, naquela fase, foi horrível. Sobe e desce, sobe e desce… E a meta já a avistar-se do lado oposto da autoestrada e eu ali, naquele sobe e desce constante, num carrossel sem fim, qual Sísifo da mitologia grega, que tem de arrastar um enorme pedregulho monte acima, só para, ao chegar ao topo, a pedra vir por ali abaixo e ter de começar tudo novamente. Exagerada eu? Nãaa… :)

E depois caio pela terceira vez e perco toda a compostura. Acho que até dou murros no chão, enquanto me deixo estar sentada (já que caí, aproveito para descansar, como é óbvio). Sinto-me a protagonista num filme trágico-cómico. Onde é que estão as câmaras?
Finalmente lá me levanto, até porque comecei a ver outros atletas a chegarem lá ao fundo, e tento limpar as mãos o melhor que posso às ervas disponíveis.

Continuo metade a andar, metade a arrastar-me. Alguns carros que passam na autoestrada apitam. - “O que é que foi, uma miúda já não pode correr à beira da autoestrada, completamente enlameada, desgastada, e à beira das lágrimas de fúria??!” - Tento compor a minha dignidade e ajeitar-me um bocadinho. Ao levar as mãos ao buff, volto com sangue nas costas da mão. Mas que raio?! Vejo-me ao espelho no telemóvel, estou a sangrar do sobrolho. Alguma silva que me arranhou quando caí. Tento limpar e fica uma salganhada de lama e sangue. Isto não está fácil. Tiro o buff e, com água cuspida da mangueira da mochila, começo a limpar. Afinal era um arranhãozito de nada, mas como era na pálpebra sangrou que se fartou. Deixo ali o buff a estancar a ferida um bocadinho. Pelos vistos, os carros estavam a apitar porque eu era uma miúda a correr à beira da autoestrada, completamente enlameada, desgastada, à beira das lágrimas de fúria e a sangrar do sobrolho… Só a mim.

Mais à frente vou enganar-me outra vez. É só uns cem metros, mas quando regresso à zona das fitas aquilo parece-me tudo tão igual que começo a pensar que se calhar me perdi e estou a fazer o percurso no sentido inverso. Não vejo ninguém. Aquilo era só voltas e semi-voltas e, agora que pensava nisso, não era suposto ter passado por um abastecimento líquido aos 24km? Já ia com 26… Tive ali um momento de pânico e estive a segundos de desistir e me sentar à beira do percurso e ligar para a Organização ou ficar à espera que passasse alguém, mas avisto uma seta laranja a par da fita e aponta na direcção que estou a seguir. Menos mal. "Só faltam 3km, tu aguentas…" Só faltam 3 km… TANTO.

Finalmente atravesso o túnel que me leva para o lado certo da A8, o lado onde me espera a Meta. Nunca me senti tão esgotada numa prova e foi, de longe, aquela com o ritmo mais lento na história de todas as minhas provas. Serra d’Arga incluída. Se houvesse dúvidas, aqui está a prova de como o aspecto mental da resistência conta bastante. Hoje tinha desistido às primeiras dores nos gémeos.

Um rapaz passa e diz-me: “Força, está quase!”. Eu pergunto se falta muito e ele responde: “200 metros, se tanto”. Espero que não me esteja a enganar! Desato numa correria para tentar ficar à frente do senhor com quem estava a partilhar esta última fase do percurso. Ele não se deixa ficar e acelera também. Tenho a certeza de que esta nossa competição deveria assemelhar-se àquela corrida do caracol que às vezes dão nas notícias. Uma emoção. Cruzamos a meta juntos, mas ele finta-me e chega à mesa onde registam os tempos primeiro do que eu. Já não se fazem cavalheiros. :)

E aqui está, a minha pior prestação numa prova desde há muito tempo. Não tanto pelas horas que levei, mas pela derrota mental. O meu cérebro é o Hitchcock dos dramas e, embora agora, na altura em que escrevo, ache uma comédia, durante o decorrer do filme não foi fácil.

Zona no interior do Dolce Resort. Vista green.

Não quero que a minha má experiência condicione a minha opinião da Organização, razão pela qual esperei alguns dias antes de fazer a crónica. O percurso era, de facto, bonito, com passagem em área protegida da Serra do Socorro e Archeira e, embora tenha achado aquelas voltas já no final, junto à A8, um bocadinho aleatórias, tenho a certeza que noutras condições iria adorar fazer aquele trajecto no ribeiro. Mas acho que houve falta de apoio ao longo do percurso e os abastecimentos, pelo preço da prova, poderiam ser um pouco melhores. E estava anunciado um abastecimento líquido para os 24km que não existiu (ou quando eu passei já lá não estava). Também não controlaram, ou pelo menos não dei conta, o material obrigatório. (Isto de maior interesse para quem se classifica, claro).
Mas o percurso estava muito bem assinalado, gostei da zona da Meta, do secretariado e balneários, do cuidado do briefing e aquecimento inicial e da queijadinha no fim. (Já vinha esfomeada!)
Por isso, se alguns aspectos forem revistos, está aqui uma prova que vale a pena, durinha, à altura de um grande desafio e convenientemente perto de casa.

Agora, o que tenho a fazer é aprender com o que se passou e tentar melhorar. E esperar que para a próxima já seja protagonista de um filme mais feliz.

19 de janeiro de 2015

Socorro!

E Archeira.

Trail Run Socorro e Archeira. 5h55 (Sim!!! E eu que pensava que as 6 horas de tempo limite eram mais que suficientes... Toma qué p'aprenderes!), 3 quedas (muita lama) e perdi-me 2 vezes. A cabeça não estava nos melhores dias, o que não sei se foi causa ou efeito das ocorrências. Se calhar um bocadinho dos dois.

Quando cheguei à zona de separação entre o Trail Curto e o Trail Longo, segui pela direita, o percurso para o qual me inscrevi.


No entanto, mais tarde irei questionar se teria tomado a opção certa! Foi daquelas provas em que já não estamos a desfrutar nada e só queremos que acabe. Só me tinha acontecido isso uma vez, no (Inferno do) Almonda 2013. O que, em já mais de 2 anos de trilhos, não é assim tão mau. E aprendemos sempre alguma coisa, mas cheguei a um tal estado de exaustão mental que, se já não soubesse como as coisas são, teria desistido da minha "carreira ultra" logo ali. :)

Nem tudo foi mau, claro. Mas mais desenvolvimentos na respectiva crónica da prova.

Adivinhem lá a temperatura média desta água... :)

Boa semana!

15 de janeiro de 2015

Actual conjectura dos treinos

O meu primeiro long(uinh)o de regresso aos treinos foi logo no domingo, dia 04, e fiz apenas 15km em Monsanto, para não abusar. Apesar do tempo que tinha estado parada e da fraca prestação nos primeiros 5km do dia 1, esta foi uma corrida que até se fez bem e ainda aproveitei para uns exercícios no circuito de manutenção. Apostei em exercícios nos membros superiores, adeus bracinhos de esparguete em 2015!

Depois, como durante a semana tenho andado empenhada em exercícios de reforço muscular (entusiasmo de início de ano, depois passa), isso significa que, uma vez que não estou habituada, passo os dias a recuperar dos ditos exercícios e os treinos de corrida têm sido mais custosos por causa disso. Bom, suponho que com o passar do tempo a coisa melhore…

No entanto, por essa razão, antes do longo de sábado passado fiz questão de salientar, e cito: “Hoje estou cansadita, não quero muitas subidas”. Mas penso que o que o 'guia' ouviu foi: “Hoje blá blá blá blá subidas”.

Nos primeiros quilómetros notei logo que teria havido ali uma falha de comunicação…
- Olha lá, eu disse que não queria muitas subidas!
Resposta lacónica:
- Isto não é a subir….

E eu calava-me durante um bocado, dando o benefício da dúvida aos músculos cansados, mas sempre muito desconfiada da contradição.

Mais ou menos a meio do treino, pausa para abastecimento. Atleta tuga que se preze leva sempre o seu tupperware com bolinho na mochila. Para quê esperar pelo fim do treino, e comer à pressa no estacionamento, junto à bagageira aberta do carro, quando se pode fazer um piquenique no meio da mata, certo? E há lá melhor mesa e cadeiras do que um grande calhau...

Receita da minha bloguer de culinária favorita.
Achei que as sementes de papoila dariam, pelo menos, uma dose placebo de energia. :)

Acabou por ser um treino em que descobri um percurso novo extremamente bonito, talvez ainda escreva sobre ele.



Agora, para a posteridade, aqui está o gráfico:



Amigos, sejam sinceros, não era só pieguice minha, isto não é propriamente o que se pode designar de percurso com poucas subidas, pois não? Principalmente ali aquele início logo a matar as minhas pobres pernas…

Mas no final, como sempre, fiquei contente por saber que consigo superar treinos mais custosos, mesmo que tenha de parar a meio para piquenique.

Esta semana, os 8km de segunda-feira fizeram-se bem, mas nos 10km de ontem já demorei a carburar. É nesta actual conjectura que, este fim-de-semana, irei fazer os meus primeiros 30km do ano em prova, ali para os lados de Torres Vedras. Não levo tupperware. Conto com o vosso empurrãozinho mental naquelas subidas… Se correr bem, faço-vos um bolo. :)

9 de janeiro de 2015

Treino dos pormenores

O que fazemos quando estamos a recuperar de uma prova e prometemos que não vamos correr até ao final do ano mas, ao mesmo tempo, não queremos perder a forma nem ficar com um formato redondo de toda a comida ingerida durante a época natalícia?
Para além dos passeios de bicicleta já aqui referidos, fazemos caminhadas. Mas, atenção, um atleta não faz simples caminhadas, não. Um atleta faz hiking! (Ehehe) Portanto, combina-se um passeio em Sintra, mas com equipamento adequado à prática e vontade de caminhar como se estivéssemos a explorar os Alpes suíços.

Uma coisa boa de se fazer caminhada é que não se transpira tanto e podemos, por exemplo, e ao contrário dos treinos de corrida, fazer uma pausa para entrar num jardim que diz "Exposição de Fotografia GRATUITA", sem qualquer constrangimento. Podemos, também, visitar algum monumento ou até mesmo espreitar uma igreja antiga sem sentirmos que estamos a profanar o local com roupas de licra.

Assim, fiquem com aquele que denominei de "treino dos pormenores" por, ao passar por locais já conhecidos, ter tido tempo de dedicar atenção a detalhes que ficam perdidos na visão turva da enorme velocidade dos meus treinos de corrida. ;)




Decisões difíceis...



A fotógrafa em acção.
E o produto final.


Nesta casa, ao contrário do que parece, não nos estão a chamar nenhum nome.
"Pequena mas acolhedora", tradução livre. (Obrigada google.)

Embora já estivesse na hora de almoço e aqui se destaque o "Tacho Real",
olhem-me bem para aquele "pórtico"! Não é lindo?
Concordo.
(Lord Byron, outro apreciador dos encantos de Sintra.)



Foram quase 3 horas para completar 9km mas, tendo em conta as paragens para a dita exposição e visita a demais locais (em que não parei o cronómetro), correspondeu a perto de 2 horas de movimento, o que não é um ritmo mau para caminhada.


E com alguma elevação e tudo, para não perder o hábito.

Estas caminhadas acabam por ser um bom complemento aos habituais treinos e, quando bem feitas, vão acordar no dia seguinte com dores nos gémeos, sinal que exercitaram bem os músculos.

Entretanto já voltei aos treinos de corrida e já estou inscrita para a primeira prova do ano. Falamos disso na próxima crónica.

Bom fim-de-semana!