27 de maio de 2015

No trilho das cascatas


"I went to the woods because I wished to live deliberately, to front only the essential facts of life, and see if I could not learn what it had to teach, and not, when I came to die, discover that I had not lived."

Henry David Thoreau


Foi o FOMO, esse maldito, que me fez ir em busca das Cascatas de Anços. Decidi, depois de ver pela 2436ª vez um amigo partilhar fotos do local, que estava na hora de juntar o útil ao agradável e fazer um treino por lá. Afinal, fica aqui tão perto, não era propriamente um desejo assim tão difícil de realizar, não havia por que ficar mais tempo na lista do “Um dia…”. Um dia vou/um dia faço…, essa lista tão extensa, rasurada, e constantemente acrescentada ao longo da vida.

Assim sendo, dia 23 foi o dia. Local: Cascatas do Rio Mourão, um afluente do Lizandro, junto à aldeia de Anços.

Deixei o carro em Montelavar e seguimos pela estrada em direcção a Anços. Tinha preparado um track que partia da Mata Grande mas que acabou por não funcionar, por isso tivemos de nos manter no caminho “oficial”, pois tinham-me dito que chegando a Anços começaria a ver placas a indicar o percurso, e assim foi.
Depois de a aldeia nos saudar com uma pequena subida,


foi só seguir as setas.



Começámos a descer em direcção ao rio, cujo caudal já escutávamos ao longe, e passados cerca de 3km do início do treino damos com elas.


 As cascatas.



Acabou por ser bom passarmos por lá tão cedo, já que não estava ninguém e deu para tirar fotos à vontade. Imagino que à tarde, tendo em conta o calor que fez nesse dia, já não fosse bem assim.






Depois, como tínhamos ainda a manhã toda pela frente e sem destino definido, fomos à aventura.





Mantivemos-nos junto ao caudal do rio enquanto deu e depois passámos para um estradão em terra batida e pedra que se iria prolongar uns bons quilómetros.


Este caminho irá levar-nos até à caricata Aldeia da Mata Pequena que não reconheci logo mas foi local de um dos postos de abastecimento do Trail da Ericeira.



Estando lá, ainda tentámos recriar o percurso da prova a partir daí mas, meses depois, o trilho estava cheio de vegetação e não dava para passar. Como íamos com cerca de 8km de treino, a decisão foi seguir até Igreja Nova e aí “fazer a curva”, tentando regressar sem repetir o mesmo percurso.
Num café que não me lembro o nome mas que se deveria passar a chamar “Km10”, porque o gps marcava 10km certinhos quando estávamos a entrar, fez-se então o primeiro PAC (Pára, Alimenta-te e Conversa).

Daqui para a frente, e porque desconhecíamos alternativas, grande parte do regresso será feito por estrada, felizmente com trânsito escasso, coisa que me começou a afectar um bocadinho devido à ausência de sombras e ao calor que se fazia sentir. Por sorte, íamos passando por várias aldeias com fontes fresquinhas a cada esquina, que eram uma visão do paraíso para mim. Tentei não falhar uma. Há quem faça a rota das tascas, eu faço a rota dos chafarizes!


Um espécime à moda antiga e ainda funcional.

Tive também a surpresa de tornar a passar pelo Penedo do Lexim, um Monumento Natural de origem vulcânica, pelo qual também tinha passado no Trail da Ericeira mas a que na altura não dei a devida atenção. Desta vez acabámos por o escalar e aproveitar para fazer ali outro PAFC (Pára, Alimenta-te, Fotografa e Conversa).

Vista panorâmica do cimo do Penedo.

Finalmente, depois de alguns “desvios” em que é possível termos trespassado propriedade privada de forma involuntária, avista-se a placa a anunciar Anços e, repetindo os quilómetros iniciais, chegámos à meta, em Montelavar, concluindo o treino de 24km.

Foi um treino muito bom. Não foi especialmente técnico nem duro (abaixo dos 700m D+, cerca de 1250m acumulado), mas conheci um novo sítio e revisitei antigos e esquecidos. Além disso, fui obrigada, mais uma vez, a gerir o desgaste (sobretudo mental) que é para mim correr na estação quente, o que, esperemos, me irá preparar para desafios futuros. Embora suspeite que nas provas não vá haver chafarizes frescos de 500 em 500 metros para me refrescar…  


PS: Vocês não sabem (e acho que ele também não... J), mas eu e o Papa Kilómetros andamos numa competição pelo pódio dos treinos mais "mete-nojo"! Ele, numa versão mais internacional, eu, numa versão O que é Nacional é Bom. Por enquanto, ele leva ligeira vantagem porque recorreu ao golpe baixo de partilhar também as iguarias gastronómicas. Mas não perde pela demora quando eu começar a partilhar fotos dos meus piqueniques... Me aguardem.

22 de maio de 2015

Chamemos-lhe uma espécie de duatlo

O mar enrola na areia. Ninguém sabe o que ele diz.
Bate na areia e desmaia. Porque se sente feliz.


Vou contar-vos um segredo: quando era pequenina, tinha medo da água. Não da água em si, claro, mas do mar. Em casa dos meus pais existe ainda uma fotografia minha, com cerca de dois anos, em que estou a berrar com ar aterrorizado em cima de uma rocha na praia que estava cercada de água. Tenho a certeza que, enquanto tiravam a foto, os meus pais riam embevecidos deste momento tão ternurento e potencialmente traumatizante para mim...

O certo é que alguma coisa nesta exposição aquática forçada feita por uns pais desalmados (brincadeirinha, Mãe! Gosto muito de ti!) deve ter resultado, porque hoje em dia não posso ver uma praia, ribeira, rio, lago, piscina, tanque, que não me apeteça logo correr e mergulhar lá para dentro. E nem sequer precisa de ser Verão. Hoje em dia, sofro muito mais quando não tenho água por perto.

Posto isto, voltemos à corrida.



Quando marcamos um treino junto ao mar num dia em que a temperatura vai estar na casa dos 30 graus, sabemos que não é uma escolha inocente. Sabemos que o facto de a praia estar ali a dois passos ajuda a superar demónios de corridas abrasadoras do passado e torna o treino mais fácil. Mesmo quando às 11h da manhã o sol já bate quente nas costas viradas ao céu enquanto subimos mais uma arriba.




E a praia está ali, quase deserta, envolta em neblina, convidativa… Cedo tão facilmente àqueles olhos verdes, azuis, cinzentos… Qual é a cor mesmo?


Largo os ténis de Cinderela fora de horas, largo a t-shirt e mergulho.



É da cor de um abraço fresco.

Foi o primeiro mergulho nesta praia que tem tanto de linda quanto de selvagem. Não é fácil conquistá-la, mas se calhar daí é que vem o encanto. Abandoná-la é igualmente penoso…




Mas o treino tem de continuar e já se perderam vários minutos na transição da "natação" para a corrida. Acho que vamos em último! J

O ponto de retorno.


Breve visita ao ponto mais ocidental da Europa.


O regresso foi um teste de resistência, já com a água do reservatório morna e o calor sem sombras do meio-dia. Apesar de ter posto protector, ainda me valeu um pequeno escaldão. 



Quando chegámos à Praia Grande, o enorme areal-asfalto, que tinha servido de aquecimento de manhã, já se encontrava repleto de gente.

Ao contrário do habitual, este foi um Domingo de treino curto em quilómetros. Foram apenas 13, mas duraram a manhã inteira. Acho que tenho de melhorar a técnica de escalada e demorar menos tempo nas etapas de "natação" (=jiboianço na água)... Mas, com este calor, quem pode censurar?!
J

Bom fim-de-semana!

20 de maio de 2015

Uma aventura nocturna

Há semanas tão difíceis que não se pode esperar pelo fim-de-semana para terapia na natureza. É por isso que, em algumas sextas-feiras, sigo para Sintra e termino o dia cheio de magia. E Travesseiros (que são magia para o paladar).

Como, neste caso, se inicia o treino já bem depois das 19h, é normal este prolongar-se noite dentro ou, pelo menos, não é anormal ver o pôr-do-sol.

Cores do Palácio da Pena ao fim do dia.

Desta vez, ao iniciar a descida pelo Castelo dos Mouros, tinha noção de que esta zona do Parque de Sintra encerrava à noite, mas não tinha a certeza da hora. Mas também pensei que não fechassem os portões ou, em último caso, desse para saltar ou sair por outro local. Assim sendo, depois do aquecimento feito a subir desde S. Pedro, iniciámos a descida das escadinhas até à Vila.



Apesar de ser a descer, esta é uma parte que não dá para grandes corridas, devido às muitas escadas, troncos e pedras a que temos de estar atentos, sobretudo quando a iluminação já começa a ser escassa. Além disso, ainda se teve a ideia gira, em teoria, de subir uma enorme rocha para “ver o pôr-do-sol lá de cima”, mas a rocha acabou por se revelar mais difícil de escalar do que parecia e acabou por se perder alguns minutos. O certo é que, quando chegámos ao parque das merendas, os portões já estavam fechados… O Parque encerrava às 20h e os portões eram demasiado altos para saltar. WOMP WOMP…
Conhecia outra saída e foi para lá que nos dirigimos, mas essa também estava fechada e tinha um portão ainda mais alto!

Por enquanto esta situação estava apenas a causar imensa graça. Quando, à terceira tentativa de “fuga”, batemos novamente com o nariz na porta, os risos já começavam a ser mais nervosos, até porque entretanto tinha ficado de noite.



O que vale é que se tinha levado uma lanterna. A solução foi voltar tudo para trás e sair pela zona do Castelo, que estaria fechada também, mas cujo muro já é mais baixo.

A ficar escuro...

E foi assim que tivemos de tornar a subir tudo o que tínhamos descido, o que resultou num belo treino com 650D+ para 11km mas também me causou alguns sobressaltos cardíacos, nomeadamente quando ouço o roçagar numas ervas ao meu lado, que se veio a revelar ser apenas um gato, mas em que vi logo a minha vida a andar para trás, já a imaginar-me protagonista num vídeo à la Blair Witch Project, a chorar baba e ranho enquanto me despedia dos meus familiares e amigos.

Cada vez mais escuro (e ligeiramente assustador)
"Isto é giro!" (E assustador.)

Eventualmente lá conseguimos escapar (estar “fechado” ao ar livre é estranho) e terminar o treino de regresso a S. Pedro já por caminhos livres, mas igualmente escuros.



E assim se passou mais uma corrida-aventura. Com tantos momentos assustadores em que os batimentos cardíacos estiveram no topo, isto quase que correspondeu a um treino de séries, certo? J

15 de maio de 2015

Treinar de madrugada: o sonho e a realidade

"Adivinha quem foi hoje fazer um treino às 6h da manhã??!!!!"

Esta foi a sms que enviei, com excesso de sinais exclamativos incluído. Juro que não envio mensagens a avisar de todos os treinos que faço, mas este tinha de ser. E aposto que, se fossem meus amigos, também iam adorar acordar com uma sms de extrema relevância como esta. :) No entanto, estava orgulhosa de mim mesma e senti necessidade de partilhar.
É que, estão a ver, em teoria, tudo na ideia de acordar cedo e começar o dia com um treino antes do trabalho me atrai. Na minha mente formam-se imagens idílicas de acordar antes do despertador com um sorriso e cheia de energia, comer uma peça de fruta, sair para correr com o ar fresco e ruas vazias da madrugada, voltar a casa, tomar um duche, comer o segundo pequeno-almoço e preparar-me para o trabalho, sem ter de me preocupar em organizar o tempo depois de chegar a casa cansada ao fim do dia para ainda ir treinar. Mas na prática...
Na prática, a cama exerce sobre mim um fascínio quase obsessivo e o calor dos seus lençóis,  ao acordar, é como o abraço quente da pessoa amada que não nos quer deixar sair da cama. E Deus sabe como certas manhãs já é difícil deixar o ninho para trabalhar, quanto mais adiantar essa partida dolorosa saindo mais cedo desse colinho aconchegante.
Por isso, a maior parte das tentativas que fiz para acordar mais cedo não passaram de uma intenção bonita mas facilmente frustrada.

Porém, desta vez tinha sido mais forte. Desta vez, tinha resistido ao canto da sereia e tinha-me levantado ao primeiro toque do despertador. Ok, segundo. Pronto, terceiro. (Quinto.) Mas depois de carregar no snooze três (cinco) vezes, saltei abruptamente da cama (tem de ser assim, à bruta, senão caímos na tentação de só mais um abraço e depois a malandra é traiçoeira) e fui-me equipar.
Já não havia tempo para um treino muito longo, mas não importava, era hoje que ia ser também eu uma daquelas pessoas madrugadoras e frescas que tanto invejava!

Mas, mal comecei a correr, o meu corpo...



Parece que ninguém o avisou que ele teria de começar a trabalhar mais cedo e ele não gostou. Nadinha. Sempre que metia um pé no chão quase que podia ouvi-lo: "Nope, nope, nope, nope, nope, nope..." (ler ao ritmo de passadas muito lentas) "...não estou a gostar nada disto. Não. Pára. Pára já. A sério. Pára. Não tem graça. Porque é que estamos a fazer isto? O que é que te fiz de mal?" E tive mesmo de parar ao fim de 2km, enquanto tentava alongar um bocadinho e via as pessoas frescas e madrugadoras a passar por mim, todas felizes de estarem ali a correr às 6h30 da manhã, tal como as tinha imaginado... "Parem de ser assim tão frescos e fofos a esta hora da madrugada, não vêem que estou em sofrimento??!!" Ninguém ouviu esta minha súplica silenciosa.

Ainda fiz mais 3km, apenas porque tinha de voltar para trás e já agora também não podia dar a manhã como perdida. Foram 5km e uma visão idílica estilhaçada.

Portanto, esta primeira experiência de 2015 de tentar treinar antes do trabalho não correu bem, mas acredito que seja apenas uma questão de habituação do organismo.
Entretanto, depois deste episódio já se passaram umas duas semanas e ainda não tive coragem de tornar a tentar. Eu sei que, eventualmente, consigo convencer o corpo. O problema é a cama que é muito possessiva em relação à minha presença...

Madrugadores frescos e fofos, contem-me o vosso segredo!

Bom fim-de-semana!

13 de maio de 2015

GNR Trail Mafra

O ano passado esta iniciativa foi na minha Serra adoptiva, em Sintra, e foi um sucesso. Este ano, no Jardim do Cerco, ao largo do Convento de Mafra, a adesão ainda foi maior. Não tenho noção dos números reais mas, tendo em conta o que esteve à vista, não tenho dúvidas de que o número de participantes mais do que duplicou, com o consequente aumento dos donativos.
O “GNR Trail – Famílias contra a Violência” tinha tido uma excelente Organização o ano passado, e este ano renovou o título.

Com um mapa enviado de véspera com indicação dos locais de estacionamento gratuito, chegámos a Mafra eram cerca das 8h30 da manhã e, apesar do movimento, foi relativamente fácil encontrar onde estacionar. Sem surpresas, a fila para entrega dos donativos e recolha das pulseiras de participante já era grande, mesmo assim os escuteiros e voluntários tentavam agilizar o processo, e não devemos ter esperado muito mais do que 10 minutos.

No palco, um instrutor de Zumba animava as hostes. Já passava das 9h30 quando, simbolicamente, soltaram uma pomba branca e foi dada a partida.


Será uma prova cheia de gente do início ao fim, como poderão comprovar pelas fotos. Penso que o percurso esteve sempre bem assinalado, mas para ser sincera acho que nem olhava para as fitas, porque a corrente de atletas nunca escoou. Isso provocou alguns congestionamentos, mas sempre superados pelas “bocas” e boa disposição do pelotão.

Primeiro engarrafamento.
"Mas viemos aqui para correr ou ver a vista?" :)
Mais uma fila...
E a primeira parede!
A maior parte do percurso foi feita na Tapada, nomeadamente na área militar.

Treino dos Comandos.

Andámos por estradões, carreiros pelo meio de fetos e demais vegetação e até tivemos direito a passar um pequeno riacho, no Vale do Javali; (in)felizmente, não se avistou nenhum.




Houve pelo menos dois abastecimentos sólidos e, que me recorde, pelo menos mais três de líquidos, o que foi muito importante, pois o dia estava quente.



O percurso pela Tapada é bastante corrível, tirando uma ou outra parede mais típica, sem as quais este tipo de provas não teria tanta piada. Aliás, o Raide à Tapada de Mafra, em 2013, foi, até ao dia de hoje, um dos meus trails mais rápidos, com 02h29 para completar 21km. E o GNR Trail repetiu vários troços desse trajecto, o que foi bom para recordar esta zona que se tornou tão querida para mim.

Já da subida pouco inclinada, mas interminável, aos 14km é que não tinha saudades nenhumas! Mas lá se foi fazendo, um bocadinho “vamos correr só até àquela árvore ali” e outro bocado a caminhar “à trail”.
No entanto, já quase a chegar à meta, ganhei asas na travessia pelo interior da Escola de Armas e fiz os últimos 500 metros a uma velocidade de 4:20min/km. (Só para os meus amigos sem fé que comentaram este post verem que também consigo correr a esses ritmos, se quiser! Eu é que não quero… J )

Este Domingo já foram precisas 2h30 para fazer os pouco mais de 18km, mas foi uma manhã divertida e bem passada. E, já que estava por ali, claro que o dia tinha de terminar na praia. Uma praia na Ericeira que, nesta altura do ano, estava praticamente sem ninguém. Em duas horas de terapia solar e aquática, só lá apareceram mais duas ou três pessoas… Perfeição. J


Caso tornem a haver novos GNR Trail, é um evento que aconselho vivamente. De cariz solidário e mais familiar, mas com uma organização irrepreensível. Graças a estes eventos, já pude percorrer os túneis da Regaleira e agora zonas da Tapada que geralmente estão fechadas ao público. Recordo que a inscrição é gratuita, com base em géneros cuja lista de necessidades mais urgentes é previamente afixada. Acreditem que contribuem, mas saem de lá a achar que os grandes beneficiados são vocês, por viverem estas experiências. 

8 de maio de 2015

E é isto.

Cansaço. Tristeza. Desânimo.
4km
Cansaço. Tristeza. Desânimo.
8km
Cansaço. Tristeza. Desânimo.
10km
Cansaço. Tristeza. Desânimo.
12km
...

Há dias em que não são os quilómetros, não é o ritmo, não é a estrada, não são os trilhos, não são as paisagens, não é a competição, não é o passeio, não é o convívio, não são os sorrisos, não são as experiências, não são as fotos, não são as memórias, não é a superação.
Há dias em que correr é mesmo só isso, correr. Uma actividade intrínseca, natural, primitiva, cuja urgência se perdeu com a evolução da espécie.
É suor, é respiração ofegante, são músculos a queimar, o coração acelerado e sangue a pulsar. É o corpo que desperta os genes adormecidos, de uma altura em que correr significava viver mais um dia... E a mente cala os argumentos e assiste. Há dias em que gosto desse silêncio.

É um chavão, mas se correr não é a melhor terapia, anda lá perto.
Só por isso já valeu a pena o dia em que decidi que havia de correr mais de meia hora seguida. Porque às vezes 30 minutos não chegam. Hoje foi preciso 1h10.

5 de maio de 2015

Kms de Abril

Contagens do mês de Abril

- Distância:  222,6 km  (19 actividades)
   . em estrada: 140,1
   . em trilhos: 82,5
- Horas a correr: 30:54:56
- Ganho de elevação total: 4712  metros

(Total ano: 821.5 km)

Kms a pedalar: 42 (3 actividades)

Mês com mais quilómetros feitos este ano, apesar de não ter participado em nenhuma prova. Foi também o mês com a semana em que me lembro de ter corrido mais (74km), culpa dos dois treinos longos que efectuei, respectivamente k19 e k24, Sábado e Domingo.

Abril foi também o mês em que me propus a um desafio de 30 dias completamente masoquista e tenho a dizer-vos que... (respirar fundo)... falhei. Não digo que falhei redondamente, porque mantive a determinação em completar os 30 dias, mas digamos que cheguei ali à altura em que era suposto fazer 60 e mais burpees e comecei a ter pensamentos homicidas. :) Estabeleci o meu limite nos 50 e foi assim que cheguei ao final de um mês ininterrupto do exercício mais horrível alguma vez inventado. Os burpees ganharam esta batalha mas não a guerra! Eu volto a eles... Mal me esquecer desta. (E eu tenho memória curta para estas coisas que envolvem a sua dose de sofrimento desnecessário e sem sentido, o que explica o facto de estar constantemente à procura de novas "Ultras".)

Para terminar numa nota positiva, este mês ficou também marcado pela ocasião em que consegui ultrapassar um atleta que estava a treinar a um ritmo na casa dos 4:00min/km! Estava eu descansadinha, no meu ritmo de passeio, quando começo a ouvir passadas fortes a aproximarem-se. Começo a acelerar, pois tinha o orgulho em causa devido a não estar a dar conta do desafio do rai' dos burpees e não queria dar parte fraca, apesar de não estar em nenhuma competição e a outra pessoa provavelmente não querer saber. A outra pessoa (que já consigo ver pelo canto do olho que era um rapaz) continua a marcar o ritmo, está tão perto que já consigo ouvir a respiração alta, mas controlada. Olho para o relógio e vejo 4:20min/km...



Não vou ser ultrapassada! Era uma questão de honra. Deixo-me de passeios, aperto na velocidade e, após uns segundos de esforço, o som das passadas que me perseguiam começa a ficar cada vez mais para trás. Adeus!
I WIN. :)

PS: O rapaz estava a correr e eu estava a andar de bicicleta. Detalhes...

4 de maio de 2015

Trilho das Areias

Este sábado, aproveitando o treino organizado pelos Alverca Urban Runners, fui fazer o meu longuinho por trilhos diferentes.
Combinei com a Piolha e, à última da hora, ainda consegui arranjar mais uma vítima que não sabia ao que ia. "É um treino por trilhos de Alverca, vai ser giro". E foi. A parte de serem 17km achei que não havia necessidade de contar, só quando já lá estivéssemos e fosse tarde demais para fugir (eu sei, sou uma verdadeira amiga.) :) Mas também havia a versão 10km, como plano de substituição, se assim se justificasse.

No entanto, não foi preciso. Estava um dia bonito e ainda estou para conhecer alguém que não goste de andar à aventura por carreiros e estradões no meio da natureza.

Mesmo quando essa natureza implica subir até aos moinhos e marcos geodésicos, que sabemos que estão sempre nos locais com a melhor vista.






Mais um tesourinho escondido tão perto de casa. O engraçado é que, enquanto corria, parecia que estava a ter um dejá vu. Conhecia alguns daqueles caminhos de algum lado... Mas como, se nunca tinha ido treinar para ali? Depois lembrei-me: o Trail de Monte Serves, uma das primeiras provas em que participei quando descobri este mundo dos trilhos, também passou por aqui.
Estas subidas na altura custaram-me taaaanto!!! E agora já custaram tanto mas menos um bocadinho. :)

O treino começou às 10h e eu, que saí de casa um pouco apressada, nem me lembrei de levar a mochila de hidratação. Começava a ficar um pouco abafado e isso preocupou-me. Mas acabou por haver dois locais com abastecimento líquido, coisa com que não ia a contar por se tratar de um treino gratuito, mas que foi um bom miminho e me salvou de ficar desidratada como uma passa (não estou a exagerar, quem já correu comigo sabe que eu bebo sempre água como se estivesse no deserto do Saara e fossem esgotar as reservas dos oásis).

O meu treino acabou por ser um pouco mais de 17km porque me perdi na parte de regresso. Podia dizer que foi porque falhei a sinalização (o percurso esteve sempre bem assinalado, apesar de haver uma zona em que roubaram as fitas, o que provocou um pouco de confusão), mas na verdade é porque também queria correr mais um bocadinho.

Infelizmente, fiquei sem bateria no gps (mea culpa, esqueci-me de o carregar na noite anterior), mas fiquei com o track completo graças à cortesia da Marta (obrigada).


Para verem que na "cidade" também há boas "paredes"...



Foi o segundo treino organizado por este grupo em que participei, e recomendo. É a prova de que se conseguem organizar iniciativas giras, resultantes do empenho e disponibilidade dos elementos. Eles por lá andavam, não só na Meta, mas  ao longo do percurso, à espera de quem passava para dar as indicações. E ainda devem ter lá ficado pelo menos umas três horas, que eu ando sempre "nos últimos" e sei. :)

Boa semana!