25 de novembro de 2015

Kms de Outubro e treinos em Novembro

Depois das caminhadas, voltemos às corridas. E, com tudo isto, esqueci-me que ainda não tinha actualizado os quilómetros de Outubro, portanto, comecemos por aí.

Contagens do mês de Outubro

- Distância: 114,8km  (13 actividades)
   . em estrada: 93,55
   . em trilhos: 21,25
- Horas a correr: 13:01:05
- Ganho de elevação total: 1820 metros

(Total ano: 1864,1 km)

Kms a pedalar: 0

Kms a caminhar: 93,6 (registados no Caminho)

Mês muito fraco em quilómetros a correr, em quantidade e, infelizmente, também em qualidade. Acabei por fazer pausa de semana e meia nas corridas, altura em que, pelo meio, me fiz ao Caminho de Santiago. Apesar de ser "só" caminhar, acho que também acabou por ser um bom treino. Viver com a casa às costas e caminhar do nascer ao pôr do sol é, simultaneamente, desgastante e catártico. As oscilações de humor são algo com que me debato muito nas provas longas e aqui tive oportunidade de lidar com isso, mas com mais tempo para pensar. :)

Com esta inconstância na corrida é normal alguma perda de forma e não vou omitir que tem sido difícil o regresso à rotina de treinos. Mas neste mês já levo mais quilómetros que em todo o mês de Outubro, por isso espero chegar a Dezembro com base suficiente para fazer o Trail da Ericeira, ao qual gostaria muito de regressar, mas estou reticente. Primeiro quero ver como me correm os próximos treinos longos e tentar, dessa forma, evitar outro desfile de arrastamento como foi o GTSA para mim.

Assim sendo: os treinos.

O primeiro longo do mês foi de regresso à Serra de Sintra, onde já não punha os pés há algumas semanas e estava a ressacar. :) E São Pedro brindou-nos com um bonito dia de Verão.

Uma das melhores vistas da serra...
... na Pedra Amarela.

Um treino previsto para 18-20km que acabou por ser prolongar até aos 25km porque os trilhos da serra de Sintra são uns brincalhões que estão sempre a mudar de sítio e depois uma pessoa perde-se. :)


Ainda eram visíveis os estragos do último temporal, com alguns dos caminhos quase intransitáveis.

No trilho de cima, com alguma ginástica, ainda foi possível passar (senão em vez de 25km teriam sido 30!), mas os ciclistas que vinham mais à frente, na direcção oposta, já não devem ter tido a mesma sorte.

Apesar dos quilómetros extra, acabou por ser um óptimo treino, em que me senti sempre bem e foram poucas as vezes em que tive de parar para caminhar (o que é raro).

Já no treino longuinho seguinte, num dia e local igualmente bonitos,

Já alguma vez correram num campo de golfe? :)

já não me senti tão forte e algumas das subidas, embora não tão desafiantes como as da serra, acabaram por me derrotar.

Mas uma pessoa continua na luta, e o longuinho seguinte foi de novo em Sintra, mas com início na Vila, em direcção ao Castelo dos Mouros.

Poder fazer um treino pelas muralhas de um castelo... Sim, sou uma sortuda!

Desta vez, com alguma chuva e temperatura mais outonal.


Treino de escadas!

Primeira parte sempre a subir, com regresso sempre a descer, pelo novo percurso pedonal que percorre a Vila Sassetti.


Muito pitoresco e encantado, como não poderia deixar de ser nestas redondezas.

E, depois dos treinos de Verão e Outono, nesta última semana parece que entrámos nos treinos de Inverno, sempre de manga comprida e corta-vento, tendo já feito uma corrida de final de tarde com o termómetro abaixo dos 10º. Por mim tudo bem, já que, como bem sabem, prefiro correr com frio em vez de calor, sempre.

Bons treinos!

17 de novembro de 2015

Caminho de Santiago Português Central - Dias 3 e 4 (e conclusão)



Dia 3 - Etapa Barcelos -> Ponte de Lima

Cada dia fica mais difícil o acto de colocar os pés no chão pela manhã. As bolhas já foram tratadas, mas os pés estão sensíveis e doridos de tantos quilómetros a carregar um corpo que subitamente carrega 6kg extra. Deixo-me estar um pouco mais na cama, a adiar esse momento, enquanto oiço a chuva que cai lá fora. Felizmente, irá parar de chover quando saímos, o que torna o início de dia mais pacífico, sem necessidade de apressar o passo por causa da chuva.
Abandonamos a cidade de Barcelos através de um túnel que passa por baixo de uma via rápida e, para evitar o que sucedera no dia anterior, entramos no primeiro café que encontramos para tomar o pequeno-almoço. Ainda não eram 8h da manhã e, enquanto armazenamos energia para a caminhada, escapamos a mais uma rápida carga de água que cai lá fora.

Obrigada pelo gráfico de altimetria, Vila Boa!

Ainda iremos andar uns bons quilómetros, aos "ésses", por Vila Boa e povoações vizinhas, antes de deixarmos de ver Barcelos no horizonte. Parecia que estávamos num circuito viciado e que não avançávamos nada. Já devíamos ir com cerca de 10km e duas horas de caminhada quando finalmente deixamos as vistas citadinas para trás.


Daqui para a frente, alguns bosques, muitas quintas, pequenas aldeias. E diospireiros. Muitos diospireiros! Encontrámos muitos ao longo dos quatro dias, acho que nunca tinha visto tantos. Havia diospiros caídos em muitas bermas de estrada
A meio de um estradão no meio do bosque encontramos outro peregrino, de camuflado, que parece perdido. Vai na direcção oposta à nossa e pareceu-me que devia estar a fazer o percurso no sentido contrário (Santiago -> Porto). Há muitos que o fazem, onde depois apanham o avião de regresso à terra natal.



Por volta das 11h nova paragem para pequeno-almoço e, novamente, escapamos a uma carga de água enquanto estamos confortavelmente lá dentro. Acho que Santiago meteu uma cunha a São Pedro por nós! Daí para a frente o sol irá começar a despontar.



Perto das 12h passamos em Tamel (S. Pedro de Fins), onde também existia um albergue municipal de peregrinos. Ficava numa casa restaurada e bonita, mas não era esse o destino do dia, por isso continuámos.

Igreja e parte do albergue, à esquerda, de Tamel.


Este será o dia que irá ficar marcado pela passagem de vários bicigrinos (peregrinos em bicicleta). Nos dias anteriores não passaram nenhuns e, neste dia, só durante a manhã, devem ter passado uns nove. Com os primeiros cumprimentos de "Bom Caminho!", lá vão eles, estradões abaixo. Só penso o que será subir a Labruja, no dia seguinte, a carregar com a bicicleta...



Vamos com 25km de caminho, num dia que será grande. Doem-me muito os pés e já só penso em sentar-me para almoçar. Ao longo do trajecto vão sempre aparecendo algumas placas a anunciar cafés e/ou restaurantes mas já sei que,  quando não anunciam a distância (por exemplo:"a 50 metros do Caminho") e, ao invés, colocam croquis com indicação de curvas e contracurvas para lá chegar, isso significa que ficam muito afastados (mais de 400 metros) e, nesta altura, já incorporei o espírito do senhor irlandês do albergue de Barcelos. "Every extra meter hurts"... Espero até encontrar um restaurante que não seja muito afastado e, já agora, rezo para que na povoação seguinte exista um.

O que já caminhámos e o que falta até Santiago.

Felizmente, em Vitorino de Piães, a minha nova localidade favorita, iremos encontrar um restaurante a não muito mais de 50 metros de desvio (iupi!) e, bónus, com menu do peregrino. Quando entramos estão a sair três dos bicigrinos que passaram por nós de manhã. Entro, peço o menu, pergunto se posso pôr o telemóvel a carregar e sento-me, para uma gloriosa hora de descanso.



A tarde vai-se arrastar imenso, apesar de o percurso ser muito bonito, doem-me os pés, doem-me as pernas, mas sei que estou mais perto do destino a cada passo que dou, por isso continuo.
Na freguesia de Facha iremos apanhar umas placas identificativas do Caminho muito originais, com indicação dos quilómetros e previsão de tempo até Ponte de Lima. A primeira indicava 10,4km e 2h06 minutos.


Adorei a precisão do tempo e, daí para a frente, foi engraçado ir vendo se íamos dentro do previsto. Quando, passando a placa seguinte, constatámos que íamos certinhos ao minuto, a minha veia competitiva veio ao de cima e, queria lá saber da dor das pernas, decidi que tínhamos de "ganhar" à previsão! A 8,5km já íamos com 2 minutos de avanço! Yeah! :)

Primeiros! :)

(Não sei é onde anda esta minha veia competitiva quando preciso dela nas provas, mas pronto...)

Já que íamos com avanço, podíamos aproveitar o banquinho que a freguesia simpaticamente providenciou para o descanso peregrino. E assim ganhei uma segunda localidade favorita num só dia.


A partir dos 32, 33km, e com a aproximação de Ponte de Lima, já estava deserta para chegar ao albergue e largar os 6kg extra que carregava. 

Mentiraaa! :)

Apesar da placa anunciar 1km até à cidade, o que até deveria ser verdade, embora naquela altura me tenha parecido muito mais, ainda havia que percorrer o centro e passar a ponte até chegar ao albergue. 

A entrada em Ponte de Lima.

A ponte sobre o rio Lima, ao fundo.

Centro histórico.

Passagem para a outra margem.

Ponte de Lima.


A chegar ao albergue.

Já passava das 17h quando chegámos ao albergue. Já lá estavam três peregrinos e ainda irão chegar outros três. Como éramos poucos, ficamos todos num dos amplos quartos.

Vista de um dos quartos.

Depois de tomar duche e largar finalmente a mochila, foi altura de ir conhecer a cidade. Ainda ficámos um tempo numa esplanada, a ouvir os cânticos de uma tuna, mas a noite estava fresca e decidimos caminhar (porque os 36km de hoje não tinham sido suficientes! :)). Sem peso às costas é muito mais fácil e as ruas de Ponte de Lima têm música a sair de colunas nos candeeiros, o que proporciona um belo passeio de final de tarde, início de noite.


Regresso ao albergue pelas 21h30 para algum convívio,  conhecer o creme milagroso de um polaco para o tratamento das bolhas e, finalmente, descanso, antes da derradeira etapa.





Distância:
- 36km, aprox. Dificuldade média. Não é que o desnível seja muito, mas as pernas já vão cansadas e o empedrado das pequenas povoações e trilhos cheios de pedra começam a massacrar. No entanto, e apesar dos desvios e consequente aumento dos quilómetros, é sempre positivo não ter de andar muito por estradas nacionais.

Pontos altos da etapa:
- Arco-íris proporcionado pelas rápidas chuvadas, seguidas de sol.
- Bosques com cores de Outono.
- Aldeias típicas.
- Haver cada vez mais pormenores com atenção ao peregrino (placas, zonas de descanso...)
- Ponte de Lima.

Albergue:
- Albergue de Peregrinos de Ponte de Lima (€5)
O albergue fica numa casa de três andares, restaurada, com boas casas de banho, duches, cozinha, sala de convívio e lavandaria, com máquina de lavar e SECAR (que teria dado um jeitão no dia anterior). Primeiro albergue de valor fixo (€5) onde ficámos, mas também o meu favorito. Capacidade para 60 pessoas.

Menu do Peregrino:
- Almoço: Café Restaurante Viana, em Vitorino de Piães
 Menu 5€ (sopa+prato+bebida). Ao entrar em Vitorino de Piães começam a ver-se placas a anunciar este restaurante e, mesmo antes de saber se ficava muito desviado do Caminho ou não, decidi logo que teríamos de comer ali. Nesta etapa as localidades eram mais espaçadas, já era uma da tarde e sabia-se lá quando ia aparecer o próximo estabelecimento. Felizmente, não fugia muito do percurso (60 metros, mais ou menos) e tinha um atendimento simpático.

- Jantar: Restaurante Mercado, em Ponte de Lima
Menu €7,50 (sopa+prato+bebida+sobremesa+café). Perguntei na recepção do albergue onde poderia encontrar um restaurante que servisse menus do peregrino e indicaram-me este, junto ao mercado da cidade. A caminho do mesmo ainda vimos outras opções, mas acabámos por ir a este e foi a melhor escolha. Tinha opção de prato de carne ou peixe e, para variar dos últimos dias, comi um salmão com batatinha a murro que estava uma maravilha e depois uma fatia de bolo de bolacha para sobremesa... Mhami! (Não há fotos de nenhuma refeição porque, depois de tantos quilómetros, quando via comida à frente nem me lembrava de mais nada.)


Dia 4 - Etapa Ponte de Lima -> Valença

Último dia. Pela primeira vez todos os peregrinos irão despertar à mesma hora. Para nós, já há aquele sentimento de nostalgia por antecipação no ar, mas sabemos também que será uma etapa das mais bonitas.

Vista do terraço do quarto.

Começámos a caminhar pouco antes das 07h, o que permitiu assistir a um belo nascer do sol, ao mesmo tempo que deixávamos a cidade para trás.



Foi muito bom fazer estes primeiros quilómetros por trilhos cobertos de folhas secas, junto a um carreiro de água, a aproveitar o silêncio da madrugada.




Iremos parar num café junto ao rio Labruja para tomar o pequeno-almoço e fazer festas a um gato amigo dos peregrinos. Seguem-se cerca de três quilómetros, sempre a ladear o rio, numa zona fresca, cheia de sombras.




Batem as nove badaladas quando entramos na povoação seguinte e se inicia uma procissão em honra de Todos os Santos. Pelo menos é isso que penso que seja, uma vez que é o primeiro de Novembro. O som das orações e cânticos chega-nos trazido pelo vento, dando ambiente à caminhada, e irá acompanhar-nos até ao início da subida da Serra da Labruja.



Se seguirem pela estrada é porque vão mesmo desatentos!

Será nesta serra que veremos, pela primeira vez, algumas pessoas a treinar. Percebe-se porquê.


Se em vez de botas de caminhada levasse os ténis e uma mochila com menos 5,5kg, era quase como se estivesse numa prova de trail.

A minha lentidão a subir era quase a mesma. :)
Ganhamos aqui a maior elevação de todo o percurso (quase até aos 500 metros de altitude) e matamos saudades dos trilhos e pedregulhos (embora o meus pés não tenham ficado nada contentes com estes últimos.)


Uma paragem para fotografar a famosa Cruz dos Franceses (ou Cruz dos Mortos), que marca o local onde a população emboscou os retardatários franceses do exército napoleónico. Hoje em dia, sítio onde os peregrinos deixam toda a espécie de "lembranças".


A cruz assinala mais ou menos metade da subida, por isso é só gerir o restante esforço até lá acima.

Muitos sacos de resina.

No topo!
A Casa do Guarda Florestal marca o ponto mais alto. Daí para a frente será sempre a descer até Rubiães.


Descer foi muito mais complicado que subir. Havia muita água a correr devido às últimas chuvas, o que tornava as rochas escorregadias. Além disso, toda a pressão na planta dianteira dos pés martirizava a zona das bolhas dos primeiros dias.
Tal como nas provas de trail, irei levar muito mais tempo a descer do que a subir. A diferença é que aqui, hoje, ninguém nos ultrapassa.


E chegamos a Rubiães, com 19km feitos, e uma das partes mais difíceis do Caminho para trás.

Albergue de Rubiães.
Devido ao facto de estarmos a fazer etapas muito longas, tinha-se previamente falado sobre a possibilidade de terminar a etapa de hoje nesta localidade, que possui um conhecido albergue. Mas era muito cedo quando lá chegámos (ainda não era meio-dia), por isso, depois de entrar no albergue para uma rápida visita e carimbar as credenciais, decidimos ir almoçar e logo ver como nos sentíamos.
E a verdade é que, depois de um belo lombo assado no forno, o ânimo para seguir estava de novo em alta, apesar da queixa das pernas. Seguimos para mais 17km de Caminho.


Se as pernas estavam queixosas, mais ficaram depois de saber que os quilómetros seguintes seriam feitos em calçada romana! Não foi fácil, mas o truque de colocar uma música animada para dar energia durante as corridas foi usado como  recurso, e resultou.


A paisagem também ajudava...


Comprovou-se que esta é uma das etapas mais bonitas em território nacional,  que se calhar merece ser feita com mais vagar. Neste dia as dores nos pés eram muitas, o que por vezes me impedia de desfrutar com o mesmo espírito aquilo que os meus olhos viam.  A beleza de tantos trilhos, as aldeias já com chaminés a fumegar, quintas com cavalos, vacas (e cheiro a condizer!) chegam-me agora à memória como fragmentos desta grande aventura.


Vestígios da Noite das Bruxas.
Em Cerdas, última localidade percorrida antes de chegarmos a Valença do Minho, estava a decorrer uma feira equestre. As ruas estavam cheias de pessoas e, de vez em quando, passavam homens a cavalo, a aquecê-los para as corridas. Foi quase um choque, depois de tantos quilómetros e aldeias isoladas, estar, de repente, no meio de tanta gente!


Um choque maior será chegar a Valença, com todo o trânsito e confusão de uma grande cidade, apesar de ser domingo. Às portas da mesma iremos ouvir, pela última vez, "Bom Caminho!", desejado por dois cavaleiros, que deveriam estar a regressar da feira pela qual tínhamos passado quilómetros antes.

Albergue de Valença do Minho.
Já eram cerca das 17h30. Uma das possibilidades de pernoita seria ficar no Albergue de Tui, já em Espanha, a cerca de 1,5km de Valença. Mas já estávamos cansados e, tendo em conta a perda de uma hora que implicaria a mudança para o fuso horário espanhol, resolvemos ir para o albergue municipal de Valença, S. Teotónio. No entanto, o mesmo ainda estava fechado e ninguém atendeu dos números disponibilizados à entrada. Quando retornaram a chamada já tínhamos providenciado outra opção. Não houve problema, pois já conhecia o Albergue S.Teotónio (foi lá que iniciei o Caminho em 2010) e acabámos por ficar num local lá perto, que é perto também da Praça-Forte de Valença, onde aproveitámos para ir passear e tirar umas fotos (assim que nos livrámos das mochilas, claro!). Por ali andámos até cerca da hora de jantar, altura em que aquelas ruas ficaram desertas e as opções de restaurantes eram caras. Terminámos a noite na "parte moderna" da cidade.




Distância: 35,5km, aprox. Dificuldade média-alta. A subida (e descida) da Serra da Labruja, não sendo assustadora, faz mossa nas pernas e pés cansados.

Pontos altos da etapa:
- Ponte romana (e amanhecer) em Ponte de Lima.
- Rio e Serra da Labruja.
- Calçada romana à saída de Rubiães.
- Praça-Forte de Valença.

Albergue:
- Única noite em que optámos por alojamento fora dos albergues municipais. Sendo uma cidade grande, não foi difícil encontrar alternativas. Valença possui o Albergue de S. Teotónio, com capacidade para 60 pessoas e um custo de 5€. O único problema é que, se forem os primeiros a chegar, vai estar fechado e têm de estar à espera que o vão abrir.

Menu do Peregrino:
-Almoço: Restaurante O Constantino, à saída de Rubiães (cerca de 50 metros do Caminho). Não tem menu do peregrino, mas o prato do dia era bom e em conta. A casa estava cheia, o que é sempre bom sinal. Confirmou-se, com um belo lombo assado! Não ficou muito mais do que €8/pessoa (sopa+prato+bebida+café).
- Jantar: Depois de tantos dias à procura de menus do peregrino, vingámo-nos numa simples e acessível cadeia de fast-food! Pratos grandes, de massa. Tão bom que voltámos lá para almoçar no dia seguinte.


O dia depois

Dia de regresso a casa, mas com uma manhã ainda para aproveitar. Com Espanha logo ali no outro lado da ponte, aproveitámos e fomos até Tui, a seguir as setas, para não perder a prática. :)

Fortificação de Valença.

Ponte Internacional Valença-Tui.
  
Zona pedonal.
A ponte que faz a ligação entre Portugal e Espanha tem cerca de 300 metros. Saímos de Valença às 11h  chegámos a Tui às 12h03! Que belo ritmo... :) (#aculpaédofusohorário)

Vista para o lado português do rio.

Vista para Valença.

Trilhos em Tui.

Rio Minho.

Regresso a Valença.

E pronto, assim terminou a primeira parte desta aventura, obrigada por terem feito parte dela. Desculpem qualquer "seca" mas, egoisticamente, acabo por escrever estas crónicas para mim, para memória futura, embora espere que possa ser útil a alguém que um dia queira fazer o mesmo. Prometo que retorno ao habitual tema das corridas na próxima crónica, até porque têm havido umas boas!

Considerações finais:

- Se tivesse mais tempo, provavelmente teria dividido os 129km em mais etapas, pelo menos mais uma. Etapas de trinta e tal quilómetros por dia são puxadas, mesmo para atletas :) e vão chegar a um ponto do dia em que só querem é chegar ao albergue para esticar as pernas e largar as mochilas. Por falar nisso...
- As mochilas. Regra geral, recomenda-se que uma pessoa não carregue mais do que 10% do seu peso corporal. Eu, com 6,2kg às costas (pesados na balança cá de casa), estava um pouco acima disso. Com jeito, conseguia ter reduzido para 5,7kg. Acreditem, até 200 gramas vão fazer diferença ao fim de uns dias! No último Caminho que tinha feito, em mais dias, tinha levado menos peso.  Com sol, podem chegar ao albergue, pôr a roupa desse dia a lavar e estar seca no dia seguinte. Desta vez levei mais roupa por estar o tempo chuvoso, ter de levar tudo em sacos de plástico e não poder contar que a roupa secasse. Posto isto, independentemente do peso que carreguem, ao fim do primeiro dia, o mesmo vai parecer 100% inflacionado.
- Vão. É uma experiência única, singular, e da qual nunca se vão esquecer. Sozinhos ou acompanhados, mas não aconselho grupos grandes (duas pessoas, máximo três). Vão voltar cansados, doridos, mancos, com bolhas nos pés e traumas com setas amarelas, mas infinitamente mais ricos. Em experiências e memórias, pelo menos. E é isso que levamos connosco.