9 de maio de 2016

Montejunto Trail

Era difícil manter os olhos na estrada com a aproximação de Montejunto. Os campos, que a ladeiam, são verdejantes e frescos, com a serra como pano de fundo. A chuva intermitente dos dias anteriores serviu para avivar as cores e refrescar o ar. Hoje já não chove. Hoje, está o primeiro dia de calor desde há muito tempo. Durante uns minutos, enquanto a estrada serpenteava serra acima, chegamos a ficar envolvidos em brumas e tenho a esperança de que a temperatura desça um bocadinho. Para lá do vidro é tudo tão bonito e mágico. Continua a ser difícil manter os olhos na estrada. Quem diria que havia um local como este relativamente perto de casa? Se soubesse, já tinha para cá vindo treinar.

Quando contornamos a encosta o sol regressa em força e ilumina a chegada ao quartel, local da partida, no meio de uma paisagem mais seca e inóspita, típica do cume das serras. Sim, decididamente, o primeiro dia de calor desde há muito tempo. Vamos levantar os dorsais e o chip em formato de pulseira, e tudo se desenrola de forma relativamente rápida. São 9 horas e já estou na partida, entre cerca de outros 60 atletas, enquanto converso com amigos das corridas que já não via há algum tempo. Até aqui, nada indicava que este não seria um dia de prova como todos os outros.

É dada a partida e começamos imediatamente a subir. Vamos pelo asfalto que nos leva para fora do quartel e vira na direcção do parque de campismo. É uma subida gradual, por isso faz-se bem e a ritmo certo.


Com pouco mais de um quilómetro abandonamos a estrada para cortar por um estradão que começa a descer, perdendo o desnível que tínhamos ganho até então, e ainda mais.



Esta descida irá prolongar-se praticamente quase até ao sopé, primeiro em piso largo, mas cheio de pedra, depois em single-track, em terra seca e escorregadia. Esta parte da descida foi feita a um ritmo bastante lento e cauteloso. Por azar, foi quando começámos a ser alcançados pelos primeiros atletas da prova dos 21km, o que causa ali alguns momentos de tensão, já que quase não havia espaço para me desviar e eles chegavam lançados. Isto vai fazer com que tenha de parar bastantes vezes e começa a deixar-me nervosa. Primeiro sinal de que alguma coisa não estava bem. Eu nunca fico nervosa em provas, apenas antes, os nervos de adrenalina habituais que se evaporam mal soa o tiro de partida. Mas agora, tanta pausa forçada que tive de fazer, e ter de ir de ouvido atento para perceber a aproximação de atletas e encontrar rapidamente um nicho onde me encostar para não atrasar nem ser levada à frente, começaram a afectar-me. Foi um alívio quando finalmente chegámos ao ponto mais baixo, mesmo que isso significasse que iria iniciar-se a íngreme subida de quilómetro e meio até ao primeiro abastecimento, aos 6km.


Depois de uma pequena recta que deu para correr um bocadinho, uma placa anuncia que a próxima subida "Vai doer!". Mais à frente, outra indica que "Vai valer a pena" e eu sorrio, porque sei que sim, vale sempre, e por isso é que estou aqui. Esqueço-me da tensão dos quilómetros anteriores e começo a dar uso aos músculos de escalada.
Uma perna à frente da outra, mãos apoiadas nas coxas. Seguimos numa enorme fila de atletas dos 38km e dos 21km que entretanto se misturaram. A vegetação adensa-se e não corre um ar. Levo uma mão à testa e limpo o suor. No meio do abafo, sinto suores frios. Isto não pode ser bom. Paro e encosto-me para o lado onde posso. Deixo passar todos os atletas que me seguiam, alguns comentam alguma coisa mas eu nem fixo, nem respondo. Procuro a minha cara conhecida, que seguia mais abaixo, e, quando a vejo, oiço-me dizer numa voz que não parece a minha: "não me estou a sentir bem".

Não me estou a sentir bem. As mãos tremem quando ingiro o gel que me passam para as mãos, numa tentativa de restabelecer rapidamente o açúcar, e bebo água. Aos poucos, as caras que sobem e nos ultrapassam começam a tornar-se mais distintas. Não me estou a sentir bem, mas não quero continuar ali, onde há pouco espaço para mais de uma pessoa de cada vez e não corre uma brisa que seja. Assim que recupero um bocadinho, faço os metros que faltam até ao abastecimento.


A vista do primeiro abastecimento era muito bonita, a lembrar os campos verdejantes por onde tinha passado de manhã. Também fica num espaço mais descoberto e corre uma aragem fresca. Sinto-me melhor. Não sei porque tive a quebra de há pouco, se devido a uma má nutrição, se devido ao calor, mas deixou-me sem energia nenhuma. Consigo caminhar e até correr, se for preciso, mas comecei a questionar-me se deveria continuar. O dia começava a ficar cada vez mais quente, veio-me à memória o inferno do Almonda e a corrida zombie do CUT e se seria capaz de conciliar as duas coisas. Mas estava com 6km e não é o início que define como uma prova há-de correr, por isso decidi seguir até ao próximo abastecimento e reavaliar a partir daí.


Por azar, pouco mais à frente, perdemo-nos do percurso. Culpa de ir a seguir os atletas da frente e não olhar para as sinalizações. Esta prova esteve sempre muito bem assinalada, com fitas e placas de incentivo e informação das diferentes distâncias. Quando muito, pecou por excesso de placas. Com os 21km e os 38km e a Caminhada a cruzarem-se várias vezes, bastava um olhar menos atento para seguir na direcção errada. Fica a sugestão de usarem diferentes cores para cada distância, de futuro. De qualquer forma, como disse, a sinalização estava irrepreensível, seguimos na direcção errada por distracção. Foram apenas uns 200 a 300 metros, mas a descer, o que significa que tivemos de voltar para trás e subir. Acho que foi aí que desisti de tentar correr.


Seguiu-se a subida até ao ponto mais alto da serra, aquela que mais esperava, porque "chegar lá acima e olhar em volta" é aquilo que mais me move nesta experiência de trilhos pelas serras e montanhas e que faz tudo valer a pena, como dizia a placa. Mas não neste dia. Neste dia, esta subida de 3 km vai-me parecer interminável e quase só vou olhar para baixo, para os meus pés, que se movem ao ritmo mais lento possível.

Parei mais ou menos a meio para ver o que ainda faltava:


e o que tinha ficado para trás:


A menos de 1km do topo:


Quase lá...

Cheguei.

Era assim que a minha mente estava a processar o momento. Quase por monossílabos, inexpressiva, sem emoção. Fiquei contente de chegar ao topo, claro, mas não fiquei feliz, nem me lembro de ter olhado em volta.


Estava sem energia, o que não era inédito para mim, mas, sobretudo, estava sem emoção. Pela primeira vez, não estava a tirar qualquer prazer de estar numa prova. Não era culpa do local, que era lindo, nem das pessoas, muito prestáveis. Sabia que, se continuasse, iria conseguir terminar a prova. Iria custar-me muito e sofrer bastante com o calor e, se por um lado, o sofrimento não me preocupa (quer dizer, quem corre sabe que é inevitável!), por outro, preocupava-me o facto de ter nova quebra apenas por capricho. Não valia a pena. Esta não era a minha prova. Assim que aceitei isso tornou-se tudo mais fácil.

Quando surgiu a separação dos percursos, 21km para um lado e 38 km para outro, despedi-me do A., que me acompanhava, e segui para os 21km. Sem dramas, sem arrependimentos.
Segui os últimos 6km até à meta sempre a passo. Não tinha energia para correr e não queria ficar pior, agora que ia sozinha. Levei o telemóvel à mão, por precaução e qualquer eventualidade, e até prometi ligar, mas cedo me apercebi de que não havia rede na serra. No entanto, havia ainda bastantes atletas dos 21km em prova atrás de mim, acabei por nunca ir sozinha. Pensei que, assim que estivesse só, ia chorar, revoltar-me com a minha decisão, reagir intempestivamente, mas fiquei bastante admirada com a minha serenidade.

Cortei a meta e avisei a organização da minha alteração de percurso. Sabia que por ter feito os 21km em vez dos 38km, para os quais me inscrevi, ia significar que não ia aparecer classificada, mas não me importei. Fui ao carro buscar a minha mochila, tomei um duche frio, que até me soube bem, e, depois de comer qualquer coisa, fui fazer algo que nunca tive oportunidade de fazer antes, já que sou quase sempre das últimas a chegar: fui ver os últimos metros dos atletas que chegavam.

Local a 200 metros da meta.

Enquanto esperava e aplaudia, genuinamente contente, por quem chegava, tive tempo de assimilar o que se tinha passado. O arrependimento nunca chegou, embora confesse que acabei por ficar um pouco triste. Triste porque, por mais que uma pessoa treine e se prepare, há sempre tanta condicionante que pode correr mal. Esta não era a minha prova, mas... e se fosse? E se fosse daqui a um mês?
E triste porque, naquele dia, não gostei de correr. Odiei correr. Vomitei correr. Estava em trilhos novos e bonitos e não queria lá estar. E, sem qualquer pretensão atlética, o "gozo" é a única coisa que me faz correr. No meio do sofrimento há sempre uma chama que nos faz continuar e voltar. Ser feliz nos trilhos é o que eu sou, e naquele dia não fui.

Irei falar mais sobre este tema, a propósito do que tem sido toda a minha preparação para a aventura de Junho, mas esta não é a crónica para isto. Esta é a crónica do Montejunto Trail, que, apesar de só ter feito os 21km, merecia ser corrido na sua totalidade.
Hoje, até já penso lá voltar para treinar, um dia destes, com os tracks das provas. É uma serra com muita pedra, trilhos muito técnicos e até alguns locais sem qualquer trilho, para correr por onde dá. Dureza e beleza aqui tão próximas. Só lhe falta uma ribeirazita ou cursos de água, para aliviar no calor do Verão (em certos troços da prova trouxe-me déjà vus de Almonda). Quanto à Organização, também esteve impecável. Quer dizer, se houvesse duches de água quente no final seria melhor (ihihih), mas como esteve calor até acabou por não custar muito. Percurso durinho, mais técnico que em anos anteriores, pelo que disseram, mas sempre bem assinalado e com escuteiros em cruzamentos ou locais de travessia de estrada. Abastecimentos com o essencial (tinha umas barrinhas caseiras de que fiquei fã!) e, no final, ainda tivemos direito a almoço. Frango assado na brasa, canjinha, pão, batatas fritas e fruta para repetirmos as vezes que quiséssemos. Almoçámos já deviam ser umas 15h e ainda havia bastante comida. Os voluntários sempre muito simpáticos e prestáveis, apesar de já estarem há horas a servir o almoço à torreira do sol.



Serra de Montejunto, conheci-te num mau dia. Prometo que hei-de voltar e ainda havemos de ser muito felizes juntas.

34 comentários:

  1. Há dias assim e pronto! Mas ficamos sempre com a dúvida de se devimos ter continuado. Mas no dia D tua vai ser diferente a motivação e o empenho serão diferentes e só isso faz autênticos milagres!
    Um beijinho Rute.

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    1. Neste caso não houve arrependimentos, só tenho pena que tenha acontecido nesta fase... É um bocadinho desmoralizante. :(
      Obrigada, Jorge.
      Beijinho.

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  2. EU JÁ FUI TÃO FELIZ EM MONTEJUNTO!!! Tão feliz... mas acho que tu deves adivinhar o porquê e não vale a pena falar mais sobre isso.

    Anyways... Há momentos em que temos de nos proteger, reavaliar os nossos objectivos e tirar o melhor partido da corrida... da vida. Fizeste isso e estás de parabéns. Vais conseguir os 100k!!!

    Essa montanha não vai a lado nenhum, está lá precisamente só à tua espera.

    Beijinhos e bons treinos

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    1. Sim, sei. Mas ainda hás-de ser mais feliz noutras montanhas. :)
      Obrigada, Zémi.
      Beijinhos

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    2. E jovem, já fui muito mais feliz nos Pirinéus, mesmo sozinho. E no gerês... Aliás fiquei de fazer coisas no Gerês que vou ter de lá voltar, e fiquei de fazer coisas nos Pirinéus.

      E quero voltar a Montejunto. Vencer a montanha, casar com a montanha. Mas é curioso conseguir falar assim...

      Há mais montanhas para conquistar.

      Montejunto, lembro-me que o calcário era duro de subir e perigoso de descer. fizeste-me ter saudades desta montanha. E inveja...

      No outro dia cheguei à pedra amarela e de repente vi uma cadeia de montes em linha directa até Montejunto...

      Jovem, pode ser má alimentação durante a semana, desidratação (durante a semana), algum tipo de anemia, o teu metabolismo pode ir abaixo quando chega o calor... tens de ver isso.

      O auto conhecimento é fundamental.

      Bjn bons treinos

      P.S. De repente apetece-me ir à Estrela apoiar os corredores... espero que passe

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    3. Tens muitas montanhas com que casar em poligamia no teu futuro, jovem! :P
      Tenho tensão baixa, o calor contribui para ficar com tensão de passarinho, como diz o meu médico. Por isso, quando me queixo de correr com calor, não é só mariquice. ;)
      Apoiar atletas é gratificante, podia dar-te para pior, jovem! :P
      Bjs

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    4. Então é isso. Pessoalmente, nos ultimos treinos ando mais a procurar a liberdade do isolamento da montanha. Quanto muito a platonicidade amorosa na contemplação do verde, ou ainda a alegria na intimidade com a solitude. Em português, "lindo, aqui ninguém me chateia. Vou viver aqui para sempre."

      Bjn b treinos e melhores fotos (conformado)

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  3. Mesmo as máquinas, em que basta carregar num botão para supostamente funcionarem na perfeição, têm alturas que não trabalham. Nós, simples e falíveis humanos, muito mais nos acontece ter dias assim.
    Aconteceu, faz parte do passado. O presente agora é sonhar com um magnifico presente a receber no futuro início de Junho. E nesse dia tudo vai correr bem.
    Convinha era analisares se houve alguma condicionante para te ter sucedido isso ou se aconteceu apenas porque sim.

    Força para este último mês!

    Beijinhos :)

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    1. Não faço ideia do que poderá ter sido. O pequeno-almoço não foi grande coisa, mas geralmente nunca consigo comer muito de manhã, por isso não era nada de novo. Poderá ter sido a soma de pequenas coisas. Mas decididamente, este mês, é altura de ter mais em conta a nutrição e fazer um "plano" para a prova.
      Agora é olhar em frente!:)
      Obrigada, João.
      Beijinhos

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  4. Menina, se decidiste assim está muito bem decidido, ponto!!! Há dias e dias, e o importante mesmo é o OMG que está ali ao virar da esquina :P ... e esse vai correr bem de certeza absoluta. Tu mereces ...
    Gostei mesmo muito deste teu texto, que considero tb uma aprendizagem, pois pode ajudar-me a tomar decisões no dia em que algo semelhante me bater à porta ... e isso é inevitável para quem como nós anda nestas aventuras ... só espero é que me aconteça assim como a ti, numa prova "menor" (não é desvalorizar este trail, mas compreendes o que quero dizer) ... foi a primeira vez, não foi? ... a partir de agora vai ser mais fácil tomar decisões semelhantes (que espero não aconteca muitas vezes).
    Beijinhos e muita força nisso

    P.S. Já estava com saudades e a ficar preocupado ;)

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    1. Obrigada, Perneta!:) Sim, foi a primeira vez que tive de encurtar uma prova, e espero ter ficado despachada desse assunto, pelo menos, para o resto do ano!:D
      Não tenho tido muitas oportunidades de vir actualizar aqui o cantinho, embora até já tenha uns belos treinos para partilhar! Durante esta senana prepara-te para as habituais fotos mete-nojo. :P
      Beijinhos

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    2. A net vai falhar por estes lados até final da semana :P

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    3. Opá que chatice, parece que é de propósito!! :P

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  5. Oh, que pena não teres estado num bom dia.. O que é que foi só mesmo isso, um dia mau. Em Junho é outra história. Quanto a Montejunto, cada vez gosto mais de lá ir! Na prova abriram lá um trilho espetacular e já me aproveitei ehehe Temos que combinar um treininho lá!

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    1. Espero que tenhas razão e tenha sido uma prova sem exemplo. Se a uma prova má se seguir uma boa, o meu OMD vai ser espectacular! :)
      Agora em Maio já vai ser complicado mas, depois da prova, se ainda gostar de/conseguir correr, vamos lá,'tá combinado!
      Beijinhos

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  6. Esta prova além da beleza da Serra, tinha a curiosidade de passar no sítio onde se desenrola uma das cenas mais dramáticas do Memorial do convento, em que a Blimunda mata o frade dominicano hehe
    Quanto ao percalço, quer-me parecer que foi falta de energia mais nada. Fruta é ótimo para carregarmos as nossas célulazinhas de ATP :)

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    1. Olha, que engraçado, não sabia disso! Quer dizer, já li o livro, mas foi há muitos anos. Não me digas que foi na Fábrica do Gelo. (Não sei se será mais ou menos da mesma altura da construção do convento).
      Sim, falta de energia, sem dúvida, mas também falta de paixão, o que foi mais grave. :) A minha máquina também só voa "movida por vontades". ;)
      Beijinhos

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    2. Então, o frade pertencia ao Convento Dominicano de Nossa Senhora das Neves por onde a prova passa, e a Blimunda quando andava à procura do Sete-Sóis foi dormir às ruinas de um outro convento que nunca chegou a estar concluído e que fica um bocadinho mais acima onde o frade a foi "chatear" :)
      Quanto à Fábrica do Gelo, como está lá agora penso que não existia, mas estes frades dominicanos já se dedicavam à venda de gelo naquela altura :)

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  7. Helder L.10/5/16

    Olá Meneina :)

    Este tipo de corridas têm disto! Poderias te ter arrastado durante todo o dia e relatares aqui que não o devias ter feito. São decisões, e esta já está tomada. Tens é de tentar entender o que se passou, aprender e arranjares forma de numa próxima vez (sim seguramente haverá!), a ultrapassares. Montejunto é uma serra muito exposta e quando está calor há que ter muito cuidado. Já lá fiz uma prova e não gostei, talvez para treino seja boa!!
    Agora é seguir em frente rumo ao grande objectivo do ano. Se tudo correr, a mim também :), num próximo relato estarei aqui a ler o quão espetacular foi :)

    Bj e até breve

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    1. Eheheh também espero que sim, que estejas aqui a ler um bom relato, e a lembrares-te da tua espectacular prova também. :)
      E esses teus treinos, como andam? Está quaseee!!!
      Bjs

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  8. Indo directo ao "ponto quente da coisa"...não entendo tanto "drama" por teres encurtado a distancia !

    Vamos por partes...
    Já o ando a dizer á tantos meses e anos...
    ...o que "nós" malta maluca disto das grandes distancias...
    , é de uma vez por todas na nossa cabeça, termos bem claro o que queremos fazer disto... , qual é afinal o nosso objectivo , qual é o nosso "cliché" , e afinal para que é que andamos horas a sofrer e ter dores , e a ficar mal-dispostos , e todos arranhados , e com picos e cheios de lama e coiso e tal...

    Eu por mim falo, não tenho qualquer problema em encurtar , desistir , parar , ou simplesmente nem correr em qualquer que seja a prova .

    Não é por o fazeres uma vez , que vais fazer sempre!
    Por desistires uma vez , não vais desistir sempre...

    Se não estavas bem , fizeste a unica coisa bem feita e mais inteligente a fazer...de certeza que podias ter ido até ao fim, mas a que custo ??
    Isto leva-me á velha discussão , de isto de ser "ultra" ser um sofrimento atroz...mas fica para outra ocasião. :P

    Decidiste tá decidido.

    Só espero que mantenhas sempre , (mas sempre) o discernimento , a inteligência , e a coragem de tomares sempre a decisão que na altura te parece a correcta !! Seja em em prova , for !!

    Eu se tiver mal nos 100 , mando logo fud*r aquilo !!
    A vida é muito mais do que uma prova de 100kms.

    São dias e coisas que acontecem , e é como nos "levantamos" e voltamos que nos define.
    Somos fortes, mas inteligentes. Somos corajosos, mas não parvos.

    Vão ser sempre decisões difíceis... , e sabes lá tu , se tens continuado , na curva a seguir e ficavas como nova ?? ...mas nunca o vamos saber.
    Fizeste bem.
    Parabens.

    Tambem fiquei maravilhado por essa serra. E tenho a sensação que á muito a descobrir para alem dos trilhos da prova !! :)

    Desculpa o desabafo, mas não me vou cansar de dar esta minha opinião.

    beijinhos
    ajb

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    1. Desabafa à vontade! :P E tens razão, não é um drama.
      100km é um objectivo, mas não é toda a viagem nem sequer o único destino. Até lá, e depois, espero continuar "e todos arranhados , e com picos e cheios de lama e coiso e tal..", porque são momentos desses que dão boas histórias. E, às vezes, são divertidos e valem a pena. :)
      Obrigada!
      Beijinhos

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  9. Olá Menina!

    Sentiste-te com poucas condições para acabar a prova, atalhaste tal e qual o Chico Fininho e foi uma sábia decisão!
    Melhores dias virão! :)
    Continuas a escrever como ninguém!

    Beijinhos!

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    1. Obrigada, Chico Fininho. ;)
      Bons treinos!
      Beijinhos

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  10. Perdi o comentário anterior, por isso vou encurtar este! Deal with it!

    Provas de 400metros, embora longas para muitos são o suficiente para não ter tempo para te darem fraquezas dessas.

    Por outro lado...já tive que chamar o Gregório no fim de uma...pois, olha não sei...maS Montejunto é duro, muito duro (bike estrada, nada de montes).

    Sal, sal, sal, sal.

    E se calhar perceberes que a dureza de 100km não retira dureza ou que provas mais pequenas e "fáceis" não sejam desafiantes, até pelas condições atmosféricas ou as suas alterações.

    Sal, sal, sal, eletrólitos.

    Bjs

    Bjs

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    1. Tens de fazer copy ao comentário antes de mudares de separador, no tlm!:) Também já me aconteceu algumas vezes, e é frustrante.
      Verdade, já tive essa conversa sobre as provas "não-ultras" não serem necessariamente mais fáceis, há muitas variantes. Sei também que o calor me afecta bastante, às vezes mais mentalmente do que fisicamente até. Como não posso fazer nada em relação à temperatura que faz, tenho de me preparar da melhor forma para isso. Nutricionalmente e com quaisquer técnicas de relaxamento e alheamento mental que consiga. :)
      Obrigada, Hélder Jorge!
      Bjs

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  11. A questão do comentário foi a pass do Google...por alguma razão o telemóvel, da Microsoft, rebelou-se ahahahah.

    Eu também tenho algumas questões com o calor e não fazendo provas como tu e mais uns quant@s fazem, no meu caso é mesmo uma questão de alimentação e muitos truques (parvos).

    T-shirts de cor fantástica para os mosquitos mas que são frescas (e é mais fácil de me encontrarem ;)) boné sempre ensopado (mas não posso pôr agua pelo pescoço abaixo...enfim...), sal, electólitos e comida, comida...desde que seja a certa ajuda a manter a temperatura corporal e niveis de tensão.

    A única vez que ia desmaiando ao fim de um treino ligeiramente longo e em Junho foi que estava, não desidratado, mas com...falta de comida.

    Devia estar mesmo com o depósito vazio, e comecei a suar, suar, e bebia, bebia, bebia, e suava... (já deu para perceber, certo?), tinha não sei quantos colegas a ficarem preocupados, até que abanquei e devorei tudo o que me apareceu à frente et voilá, fui recuperando.

    Resumindo, vai treinando técnicas que podem parecer parvas mas que resultam.

    Quanto à parte mental, e sem A.lguém para te acompanhar se for o caso, sei lá, música (sei que é sacrilégio ir no meio da Serra a ouvir Run to the Hills mas também o é descer aos infernos e não ter possibilidade de lá sair) e nunca esquecer o poder terapêutico do vernáculo, qual peixeira do montes!

    Mas...lá está, eu não percebo nada disto.

    Bjs, Rute "Só há mais 6 corajosas como eu" G.

    PS: dito isto...hoje tenho que ir treinar, aproveitar a chuva enquanto posso, não tarde nada é Setembro e/ou Novembro e vem o calor ;) e u tenho que estar, definitivamente, preparado.

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    1. A componente nutricional é algo a que não tenho dado muita atenção e Maio vai ser o mês para isso. O ano passado, nos 70k, não consegui comer QUASE NADA e sei bem o que custou e que se tivesse tido de fazer mais 30km teria sido pior. Mas como é que se ingere alimentos quando estamos agoniados, como??! É essa a questão que me tem atormentado, esperemos conseguir evitá-la.
      Quando à compA.nhia, e ainda não sabendo se farei a parte nocturna sozinha e, a fazer, será mesmo sozinha, já que caio bem cá para o final do pelotão, depois de manhã juntam-se as provas dos 70km e 40km, que partilham partes do percurso e sempre se vai passando (sendo passada por) gente. Além disso, consigo ir bem em solitude. A noite será mesmo o mais complicado, por não haver distracção e ser necessário ir com muita concentração no percurso, penso.
      Bjs
      Rute "só há mais 6 e ainda por cima sou a única maçarica e sei porque conheço as outras nem que seja de nome nas provas" G. :)
      PS: Aproveita a chuvinha, chuvinha é bom. Depois do temporal de Sábado isto são aspersores... :) Novembro, Maratona? ;)

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  12. Setembro é no mato ...e respondendo à tua pergunta... sim ;)

    olha, não sei se vale, mas vale o que vale, bale?

    http://nutrimento.pt/noticias/maio-mes-do-coracao-e-dos-conhecimentos-basicos-sobre-alimentacao-e-exercicio-fisico/

    e claro

    http://corremais.paulopires.net

    Sábado foi uma bela tarde em familia no quentinho ;) culminado cum Bolognesa caseira e ...espera estou a desviar-me...ou não, é nutrição ;)

    Bjs

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  13. Rute, há dias assim. Já passei por isso e sei o que é. Mas acredita que isto só te vai tornar mais forte. Há decisões que por difícil que sejam têm que ser tomadas. A saúde sempre primeiro! Arriscar às vezes não vale mesmo a pena, se te estavas a sentir mais fraca se calhar foi mesmo melhor assim.
    No dia D e porque será o dia D vais ver que tudo vai ser diferente :)

    Os obstáculos e as dificuldades só nos tornam mais fortes.
    Força rumo ao OMD!!!

    Beijinhos

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    1. Sim, estou em paz com essa decisão, não me sentia mesmo bem, não era só cansaço.
      Obrigada! :)
      Beijinhos

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  14. Acho que tomaste uma decisão sábia... Continuar no percurso mais longo seria muito penoso, não é para isso que uma pessoa corre. No fundo é uma questão de fazer um balanço, se corremos é para que o resultado disso seja essencialmente positivo... E nessa condição não o seria. Há dias em que uma pessoa, mais do que uma dor em particular num pé ou uma dor de burro clássica, tem uma sensação de letargia ainda pior. É muito esgotante correr assim! Claro que nunca me aconteceu dessa maneira, também por não correr provas tão longas (o meu máximo em trail foi a distância da tua prova 'encurtada' :P), por isso não posso falar muito. Espero que a prova corra melhor, ao estilo de uma redenção :)

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    1. Sim, correr "sem querer" é do mais esgotante mentalmente.
      "A Redenção" até me parece o nome de uma boa sequela! ;)
      Beijinhos

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