21 de janeiro de 2016

Pirilampos na Serra

Há um par de semanas fui fazer um treino de final de tarde/início de noite para a Serra de Sintra, de forma a testar um frontal, já que terei de adquirir um, com luminosidade e autonomia suficientes para aguentar uma noite inteira no OMD, que terá início à meia-noite. Então, aproveitei para experimentar um Boruit, comprado em promoção há uns tempos por um amigo, para ver se gostava e me adaptava, para comprar igual ou semelhante.

Assim sendo, por volta das 18h, mas já escuro como breu, parti de Malveira em direcção à serra.


Este frontal diz que atinge os 2500 lumens no modo máximo, coisa que não faço ideia se é verdade ou não, embora tenha comparado com o modo máximo do frontal do A., que me acompanhava, e o dele emita uma luz mais forte em máximo, mas menor quando em modo médio. Para correr em estradão, achei que o modo médio do meu frontal era suficiente, apenas ligando o máximo quando em terreno com mais desnível ou mais técnico, por uma questão de segurança. Tem também ainda um terceiro nível, de SOS, com pisca-pisca vermelho. A par disto, tem também atrás uma lâmpada vermelha, que está sempre ligada, o que é útil, já que muitas das Organizações de provas (como será o caso desta) pedem também, como material obrigatório, uma luz de presença traseira. Penso que esta é visível na foto abaixo.

Lâmpada frontal em modo médio.

O problema, mais das senhoras, é que com a luz traseira ali colocada não é muito prático usar rabo-de-cavalo, que pode tapar a mesma. Mas é uma questão de usar antes uma trança, por exemplo. Podem ver abaixo como o frontal está colocado e a localização da lâmpada vermelha, que fica um pouco obstruída por estar de rabo-de-cavalo.

Decisões no cruzamento.

Ao chegar à Pedra Amarela liguei o modo máximo, só para ver se conseguia umas boas fotos, o que é um requisito importantíssimo na decisão de aquisição de um frontal, como podem imaginar. :)


A paisagem ali à noite não é tão bonita como de dia, mas também não está nada mal.



Vista para a cidade.

Não vou mentir, correr, à noite, pelo meio da serra, pode ser uma aventura engraçada, mas também tem o seu quê de assustador. Apesar de serem apenas sete da tarde, era como se fossem duas da manhã, não passámos por absolutamente ninguém. O ruído de pequenos animais que se assustam com a nossa passagem e correm a enfiar-se pelos arbustos (ia tendo uma síncope com uma coruja que levantou voo quando íamos mesmo a passar), aliado ao facto de Sintra ser um local associado a diversas lendas, tornam esta experiência num evento de frequência cardíaca elevada. Mas, como em Junho vou ter de correr a noite inteira pela Serra da Estrela, provavelmente em muitas das partes sem nenhum outro atleta por perto, só tenho é de aguentar-me e fazer-me de forte! O truque, como nos filmes de terror, é NUNCA OLHAR PARA TRÁS! :)


O farolim tem zoom ajustável, que mantinha direccionado mais para a frente nos estradões e mais perto dos pés em terreno acidentado. Abaixo, uma tentativa de mostrar o foco nos dois níveis de intensidade de luz, embora ache que não dê bem para ficar com uma ideia da realidade.

Médio.
Máximo.

Diz também que é resistente à água, mas como não choveu no dia do treino não tive oportunidade de ver como se comporta em dias de chuva. No entanto, com a humidade nocturna e a velocidade supersónica que atingi só para regressar mais depressa à civilização e luz eléctrica nas ruas, fartei-me de transpirar, e o frontal esteve à altura. :)


É alimentado a pilhas (2), de lítio, o que prefiro, em relação a baterias. O modelo de LED é Cree XM-L T6 (cor branca), o que para mim é chinês, mas pode ser que signifique alguma coisa para algum de vocês mais entendido, que esteja a ler.




Andámos pela serra cerca de hora e meia, pelo que não pude avaliar o frontal em termos de autonomia. Gostaria de ainda fazer um treino, ou prova nocturna mais longa, para ver ao fim de quanto tempo a intensidade da luz começa a diminuir. Entretanto, posso dizer que gostei e talvez seja uma opção a considerar, caso mantenha o preço promocional.

E vocês, estão contentes com o frontal que têm? Opiniões de boa relação qualidade/preço, que não seja de custo abusivo e que sobreviva a uma noite na serra, iluminando e mantendo-me iluminada o suficiente para não ser atacada por lobos. Obrigada. :)


17 de janeiro de 2016

Primeiro longuinho do ano: Parque das Penhas do Marmeleiro

No passado fim-de-semana, e depois de algum merecido descanso após a Ericeira Trail Run, foi altura de dar início aos treinos longos de 2016.
A ideia é ir aumentando gradualmente os quilómetros e altimetria nos treinos de Janeiro, por isso, para começar em grande mas não tanto, o primeiro longo do ano realizou-se pelas encostas mais baixas da serra de Sintra, com início na Quinta do Pisão.



A manhã estava cinzenta e a ameaçar chuva. Inclusivamente, temeu-se uma corrida molhada quando, aos primeiros quilómetros, começou a chuviscar, mas depressa parou. O plano era fazer pelo menos 20km e, como tal, não nos queríamos restringir aos limites da Quinta. Dirigimo-nos então para a saída mais acima, em direcção a Murches.


O destino era o Parque Urbano das Penhas do Marmeleiro, que dista cerca de 3 ou 4km do Pisão, onde já tinha treinado uma vez e do qual falei aqui. Nessa altura estava um lindo dia de sol primaveril e foi agradável percorrer o seu pequeno passadiço, portanto agora havia a curiosidade em relação ao estado da paisagem circundante no tempo do frio.

Ao aproximarmo-nos do local tornou-se logo visível que teria havido um incêndio uns meses antes...


O verde da nova vegetação contrastava com o barro avermelhado do trilho e os galhos negros de árvores e arbustros queimados. Com a névoa que estava, ganhava contornos de cenário "tim burtiano"... Apesar de triste, tinha uma beleza invulgar.


No meio do negro dos galhos, destacava-se algo alaranjado em algumas árvores à beira do trilho. Quando chegámos mais perto, vimos que se tratava de uma sinalização/arte abstracta/lixo feita com cascas de laranja!


Como ainda eram várias, em árvores seguidas, levantou-se a hipótese de ser alguma espécie de marcação de trilhos biológica... As cascas das laranjas cortadas inteirinhas e colocadas ali! Uma visão caricata e invulgar.


Nesta zona, o terreno é pedregoso e, com a lama, estava bastante escorregadio. Era preciso ir com atenção redobrada mas, mesmo assim, não escapei a alguma patinagem.


Aqui as encostas estão cobertas por formações rochosas paralelas que dão um efeito visual bonito.

Ao chegar à zona do passadiço, por onde tinha andado a correr na última vez que lá estive, e que fazia lembrar um mini-mini Passadiços do Paiva, reparámos que, à semelhança deste último, também tinha ardido parte...


Não sei se dá para reparar na foto abaixo, mas há bocados do passadiço que desabaram completamente, o que torna impossível a circulação.


É pena, porque apesar de estar um pouco ao abandono (suspeito que por ser um parque desconhecido de grande parte da população da zona. Eu, pelo menos, até ao ano passado não conhecia), é um local bonito, sossegado, com  vista para a Ribeira dos Marmeleiros, onde se pode dar um agradável passeio. Neste caso, treino.

Apesar desta não ser uma zona com muito desnível, ainda dá para subir umas belas encostas. Chegando lá acima, com um bocadinho de imaginação, até parece que estamos nas montanhas.

Serra de Sintra ao fundo.

Depois, podemos também seguir a ribeira contra a corrente, e por momentos até dá para esquecer que estamos tão perto de grandes centros populacionais.








Nunca tinha percorrido estes trilhos antes, foi um bom achado, não acham?

Depois, já com cerca de 15km feitos, foi altura de regressar à Quinta do Pisão, onde se deu uma última volta de reconhecimento.




Os campos estavam repletos de azedas, o que tornava o relvado ainda mais bonito. É interessante comparar com fotos de treinos antigos e verificar a mudança de cores nesta quinta, que consegue ser bonita nas quatro estações.



Foram uns últimos quilómetros mais enlameados, já que saímos dos estradões para correr junto às cercas e o relvado estava completamente encharcado das últimas chuvas. Depois começou a pingar novamente e terminámos o treino pelo meio dos trilhos mais florestais.


Já nos últimos metros, começou a cair uma carga de água tão grande que foi preciso dar um sprint até ao carro, impedindo-me de arredondar os quilómetros para 21, e terminando com 20.96... (O horror!)


Uma meia-maratona em trilhos, com cerca de 450m D+. Não sendo um dos treinos mais difíceis ao nível de altimetria, não deixem o pouco ganho de acumulado enganar-vos. Havia uma belas rampas e a maior dificuldade consistiu no terreno, muito pedregoso e escorregadio devido às chuvas.

Bons treinos!

13 de janeiro de 2016

No trilho das cascatas #2 e treino no Parque Desportivo de Mafra

Novo ano, novos trilhos. Pelo menos era essa a ideia, quando no primeiro fim-de-semana do ano, se rumou à localidade de Fervença, em Sintra. No seguimento do treino com início na Cascata de Anços, feito o ano passado, de que gostei muito, descobri que havia ainda umas quantas cascatas a explorar pela zona e tornou-se meu objectivo visitar todas. Depois de alguma pesquisa, acabei por optar primeiro pela Cascata da Bajouca, ou de Fervença, por dizerem ser a maior das redondezas.

Para quem vem de Sintra, é fácil dar com esta localidade, pouco antes de entrar na A9, virando à esquerda na saída para a Base Aérea. Depois, é só estacionar o carro num largo em terra batida, logo ao início, e descer a rua. Começa-se logo a ouvir o som de água corrente e, pouco depois, já se avista a cascata ao fundo.


Para lá chegar é necessário atravessar uma cancela e seguir o trilho.


E a cascata não desilude! É realmente grande, pelo menos pelos os padrões citadinos, e trazia bastante água.



Já lá estavam duas pessoas a tirar fotos, pelo que foi necessário aguardar um bocadinho para conseguir umas fotografias sem emplastros :), mas valeu a pena.



A rochas eram bastantes escorregadias, ao ponto de ter de me descalçar para me sentir mais segura a atravessar o rio. Tudo para conseguir uma fotografia mais central, claro! O que eu não faço para ganhar as imagens mais bonitas... :)


Pelo que pesquisei, quando há menos caudal é possível chegar junto à queda de água, indo pela direita, mas agora, com as chuvas, a corrente estava muito forte (para além da água estar gelada, claro está!).



Comparando com a de Anços, esta cascata é mais alta e forma um lago maior mas, infelizmente, o entorno não é tão bonito. Pouco acima existe uma fábrica e é possível observar uns quantos detritos que são arrastados pela água. Além disso, contrariamente à de Anços, não existe trilho a ladear o caudal do rio. Ou seja, o trilho que existe é apenas para ligar a estrada à cascata, ir lá observar e voltar para trás, não tem continuação. Assim sendo, e apesar de ter valido a visita, não foi possível começar o treino de lá, como inicialmente pensado.

Porém, logo ali se delineou um plano B e seguiu-se para Mafra, rumo ao Parque Desportivo Municipal, para um treino diferente.

Estádio envolto em brumas.


Localizado na antiga Quinta dos Marqueses de Ponte de Lima, para além de um palácio senhorial e jardins, este parque encerra diversas instalações para a prática desportiva.


Tem um perímetro de cerca de 2,5km o que, somando às voltas e atalhos lá por dentro, ainda dá para realizar uns bons treininhos.


A ideia não era fazer um treino muito longo, mas sim aproveitar o circuito de manutenção e ir parando para fazer exercícios.



Entre estradões de terra batida, trilhos, relva e até pista em tartan, se quiserem, torna-se um treino variado e nada aborrecido.



Até podem aproveitar e rever as regras de trânsito, no circuito para bicicletas das crianças, na Escola Infantil de Trânsito. Não estava lá ninguém, e juro que se respeitou sempre a regra de circulação pela direita. :)



Além disso, encontram também uns companheiros de trilhos fantásticos...


Este gamo maior, em cima, não era nada temeroso e chegou-se mesmo até mim, permitindo-me até fazer-lhe umas festas.

Bambi!

Mas provavelmente queria era comida e, quando viu que daqui não vinha nada, virou logo as costas! :)

Acabou por ser uma manhã bem passada, entre cascatas, parque, jardins e animais fofinhos. Ao todo, foram apenas 12km, mas os exercícios, pelo menos, fizeram efeito, que bem senti no dia seguinte!


O circuito de manutenção serviu também para saber que não consigo fazer uma elevação completa! Aquele exercício numa barra, em que têm de elevar o corpo até cima, com a força dos braços? Pois... Digamos que a minha auto-estima ao nível da força de membros superiores ficou um bocadiiiiinho abalada... Mas, me aguardem! A ver se daqui a umas semanas já não faço umas cinco, ok quatro, pronto, talvez três (uma, com sorte) elevações! ;)