30 de março de 2016

YEAAAAHHHHHH!!!

Interrompo a programação expectável (que seria publicar o relato do TSL. Eu sei, eu sei, estou a demorar mais a escrevê-los do que a corrê-los... Mea culpa.) para partilhar em primeira mão o facto de finalmente ter vencido a rampa de Santa Eufémia. Sem caminhar, sem mariquices, sem choradinhos ou refilanços. Fui a subida toda concentradíssima, como o outro sócio. "É HOJE, CARAÇAS!".
Teve de ser sem parar, sem falar e sem pensar. Doeu-me o coração mas, inclusive, tive de ignorar o meu amigo canino que, no local do costume, se levantou e pôs-se a jeito para uma festinha quando me viu. "Hoje não, Negrito, estou numa missão". Quando finalmente entrei na última curva inclinada, já sabia que ia conseguir.

E claro que, quando cheguei lá cima, tive de dar um grito, qual Cristiano Ronaldo quando ganhou a Bola de Ouro.*



Era algo que já poderia ter acontecido há mais tempo, não fosse eu ter falta de confiança nas minhas capacidades atléticas e um diabinho mental muito argumentativo, mas fiquei muito contente na mesma. Barreira mental ultrapassada, daqui para a frente será todo um novo futuro nas rampas da minha vida. A.S.E. (Antes de Santa Eufémia) e D.S.E. (Depois de Santa Eufémia), vou marcar no calendário. :)

No topo.


*(E talvez também tenha havido uns saltinhos à Rocky...)



22 de março de 2016

Sou Eu e o Trilho

Nunca mais vou tomar como garantido esse lindo acto que é poder descer as escadas livremente, sem ter de parar para pensar como vou colocar as pernas de forma a causar menos dor. No Domingo, sempre que tive de descer o lanço de escadas que vai da porta de minha casa à porta da rua, morria de medo que aparecesse algum vizinho e testemunhasse a minha posição de descida, também conhecida por "rã de pernas escachadas". E a culpada foi esta:

Serra da Lousã.

Desde que fiz o Trail Serra da Lousã, em 2014, sabia que teria de lá voltar. Este ano, com maior distância e desnível, vinha mesmo a calhar na preparação do desafio que me espera. Mas também sabia que ultimamente o meu estado de espírito nas provas não estava a ser dos melhores e teria de tentar mudar isso. Mentalizar-me para "embrace the suck".


Sabia que, mais tarde ou mais cedo, a dor e a dúvida iriam surgir e teria de estar preparada para elas. Não podia deixar que me afectassem. Ia viver metro a metro, desfrutar o momento e tentar manter o espírito positivo. Porra, ia ser o Sidarta dos trilhos se fosse preciso!

E penso que resultou. Foi preciso muita concentração e alguns mantras repetidos inúmeras vezes para mim própria, mas consegui manter a confiança. Apesar da exigência, só já quase no fim é que confesso que comecei a bufar sempre que me aparecia mais um trilho enlameado pela frente, quando a meta já parecia tão perto. Lousã é a serra da lama, mesmo quando a prova muda de mês no calendário.



Terminei o Trail Serra da Lousã com 9h52 de prova e lama em sítios que não posso mencionar. Ao som de Jet.




Mais um dia em cheio e mais um grande depósito no banco das memórias! Crónica a seguir.

17 de março de 2016

O nevoeiro de Santa Eufémia e o sol no treino Serra & Mar

Adivinhem aonde tenho voltado?...


Uma vez por semana, até se tornar fácil. Aviso quando isso acontecer. ;)

E adivinhem quem estava lá novamente "à minha espera"?


Levantou-se quando cheguei ao pé dele e até me deixou fazer-lhe uma festinha (da última vez não tinha deixado) mas, quando o chamei para continuar a subir comigo, ele ficou a olhar e deve ter pensado "Naaaaa... Vai tu, que eu já treinei tudo hoje!", e tornou a deitar-se.

Entretanto, como os deuses da Serra de Sintra querem sempre enviar-me companhia nesta minha luta das rampas, mais à frente encontrei um faisão. Ele ficou assustado e um bocado atarantado sem saber onde se esconder. Corria bastante nas subidas, haviam de vê-lo, limpava o recorde de km vertical a qualquer craque dos trails! Mas uns metros depois cansou-se, e achou que o melhor era tentar fundir-se com a paisagem e passar despercebido.

Conseguem encontrá-lo na foto?

E eu continuei sozinha até ao topo.


Onde fiz uma paragem para respirar e atirar-me para as escadas a descansar, junto ao cruzeiro.


Estava nevoeiro, portanto, desta vez,  não dava para me distrair com a paisagem.


Sendo assim, distraí-me com a História.

Santa Eufémia da Serra - Berço Pré-Histórico de Sintra.

Sabiam que Santa Eufémia é um dos mais antigos locais de povoamento humano da serra de Sintra? Cerca de 4000 a.C.! (Também não sabia mas, graças a este dia de nevoeiro que não me deixou ver as vistas, fui investigar.)

A névoa pode não deixar ver grande paisagem, mas resulta em fotografias fantásticas do bosque. Estas eram as minhas vistas a descer...



Passei por uma fonte de regresso a São Pedro, porque nunca levo água comigo nesta volta. No primeiro treino que fiz, deixei uma garrafa de água no carro e passei por lá antes da segunda subida, mas assim é mais prático e é garantia de que a água está fresquinha.


7km e 465m D+.  Não tinha tempo para mais, mas foi um treino bem durinho para mim.

Já voltei três vezes a Santa Eufémia e, curiosamente, este está a tornar-se um dos meus treinos favoritos da semana e aquele pelo qual mais anseio. Custa-me, sinto-me confiante para logo a seguir começar a duvidar, praguejo, rio-me... Mas tenho a certeza de que me fará mais forte, e estas corridas serão uma boa memória desta viagem até ao OMD.


E no fim-de-semana, num dia completamente diferente, com o céu azul e sol a brilhar, foi altura de voltar ao mar.

Partida de Malveira em direcção ao Guincho.

Por quintas...

... e bosque.

Serra de Sintra à espreita.

Quase a chegar ao mar...

Já se avistam as dunas.

Chegando à praia gosto sempre de me descalçar e correr um bocadinho descalça. É também uma boa desculpa para poder testar a temperatura da água, que estava quentinha como a arca frigorífica de um esquimó. O que até é bom, já que perdendo a sensibilidade das pernas deixamos também de sentir as dores musculares.


Depois, de volta às arribas...


... atravessando a pedregosa Praia do Abano...


... de novo em direcção à serra, através dos percurso pedestres assinalados.



Com 1 hora de treino, tempo para um desvio até um excelente balcão da natureza com vista para o mar,


onde se fez o primeiro pitstop para abastecer.


É raro tomar géis em treinos (e também começa a ser raro tomá-los nas provas) e aproveito estas pausas para testar a reacção do organismo a diferentes alimentos. Em termos de barritas, que é capaz de ser o que como mais, já experimentei de quase tudo, desde daquelas de marca, às mais baratas, e até caseiras. Desta vez, levei para experimentar aquelas frutas desidratadas que agora se vê muito à venda nos supermercados. É uma maneira diferente e mais prática de consumir a fruta, mas não sei se fiquei fã, sobretudo do preço.

Depois de recuperar as forças, upa para a subida que se segue!


Passando a Biscaia, percorrendo um bocadinho da estrada nacional, subindo a famosa rampa cimentada da Corrida Entre Serra & Mar e seguindo os estradões na direcção da Peninha, até virar novamente para a Malveira.



Um treino circular, com um bom desnível, completando mais um longuinho de fim-de-semana.

O que costumam comer nos vossos treinos mais longos?


10 de março de 2016

Por trilhos da Arrábida

No passado fim-de-semana houve treino pelos trilhos da Arrábida. É uma serra que fica aqui relativamente perto e nunca por lá tinha corrido, coisa que ficava mal no curriculum trailae, por isso tive de tratar disso. Passei a véspera a pesquisar tracks, e até arranjei alguns, mas depois não consegui fazer o upload para o gps... Enfim, não havia de ser nada. Vamos à descoberta, como gosto.

Sendo um Parque Natural muito grande, havia várias opções por onde começar o treino. Acabámos por deixar o carro perto do Parque de Campismo de Picheleiros, Azeitão, e partir daí na direcção do primeiro monte que se avistava.


Começámos por percorrer cerca de 1km em estradão paralelo ao monte mas, assim que encontrámos um trilho que desviava a subir, seguimos por lá, pois a ideia era ganhar desnível até ao topo, pelo menos, até onde desse.


Estava a chuviscar quando saímos do carro e entretanto parou, mas o caminho estava bastante enlameado e escorregadio. Ao início ainda se viam marcas de pneus de bicicleta e pegadas, mas depois começámos a entrar em trilhos cada vez mais cerrados e inclinados e deixámos de ver vestígios de civilização.


Em contrapartida, comecei a aperceber-me de pegadas de javalis! E dos grandes! Por via das dúvidas, achei que devíamos fazer mais barulho, só para não apanharmos nenhum desprevenido e termos ali um encontro imediato homem-vs-natureza. É que eu corro muito devagar e não havia por ali nenhuma árvore que desse para subir. :)

Toca de javali? Era um buraco bastante fundo.

Entretanto, continuávamos a subir e subir.

Yep, era a subir... Ihihih. :)

Como a vegetação era muito cerrada, não dava para ter noção da direcção que estávamos a seguir.



De vez em quando tínhamos uma aberta e dava para ver que o local de partida já tinha ficado bem para trás do monte.


Mas, enquanto o trilho fosse definido, íamos continuar a subir.



Devido à inclinação e ao facto de ser pedregoso, o caminho não era muito corrível. Mas já estava toda transpirada, apesar da manhã estar fresca. No meio da vegetação não corria uma aragem.


Apercebemo-nos de que deveríamos estar perto do topo quando começámos a sentir a brisa e quando o trilho se tornou tão inclinado que as pedras começavam a rolar por ali abaixo à nossa passagem. Baptizámos esse troço de: o Trilho Rolling Stones. Infelizmente, não existem fotos do mesmo, porque precisávamos das mãos para nos agarrarmos à vida ao chão e não dava para segurar o telemóvel ao mesmo tempo.



A seguir ao Trilho Rolling Stones segue-se uma parte em rocha que estava bastante escorregadia devido às chuvas. Ia tão concentrada para não escorregar por ali abaixo que nem me apercebi que era este o cenário que estava nas minhas costas...


Quando finalmente me virei, não consegui evitar suspirar "UAUUU..."

Estávamos bastante mais acima do que tinha pensado. A povoação de onde partimos já nem se via, escondida atrás daquele primeiro monte de topo rochoso, onde também tínhamos passado a caminho deste local. Vi depois que, só nestes primeiros 3,5km, ganhámos perto de 500m de elevação.
Aproveitámos e fizemos por ali a primeira pausa, que teve de ser breve porque estávamos bastante expostos ao vento e arrefecemos depressa. Espero ter oportunidade de voltar quando as temperaturas estiverem mais amenas, porque este local está virado a poente e deve assistir-se a um final de tarde fantástico a partir daqui, sentados a beber umas minis... ah, quer dizer, comer umas bananas e barrinhas e beber isotónico. ;)

Ainda tentámos seguir o trilho que continuava a subir, mas a vegetação tornou-se demasiado cerrada para podermos prosseguir, apesar de ser visível a existência de um caminho. Penso que a maior parte das pessoas que faz este percurso (que estava assinalado, apesar de se notar que é pouco percorrido) venha apenas até este "miradouro" e volte para trás.

Sendo assim, descemos por onde tínhamos subido até então, e não preciso de vos dizer como, neste tipo de terreno, descer pode ser tão ou mais moroso do que subir. No Trilho Rolling Stones tive até que aderir à técnica de sku durante uns metros. Foi uma experiência divertida, digamos assim!

Quando chegámos ao local onde tínhamos iniciado a subida, e como ainda não queríamos regressar ao carro, seguimos por outro trilho assinalado, que acabou por ir dar a um bosque encantado.



Adorei correr por aqui. O terreno era mais fofo, com menos pedra e mais musgo e folhas caídas.


As árvores eram, ao mesmo tempo, magníficas e com um toque sinistro, a lembrar contos de fadas.



No entanto, como era um caminho mais aberto, tinha luz suficiente para não se tornar sombrio, e era bastante pacífico. Apenas se ouvia água a correr, o vento nas árvores e alguns pássaros (e, felizmente, nada de javalis, apesar das pegadas continuarem presentes).



Depois de uns poucos quilómetros rolantes o trilho começa novamente a adensar e a subir. Desta vez, como já começava a ficar tarde, optámos por não seguir até ao topo, mas fiquei curiosa.

Tínhamos decidido, uma vez que não conhecíamos a zona, fazer sempre o percurso ida e volta. Na primeira parte da subida correu bem, nesta nem tanto. É que, visto de quem regressa, o trilho tem outra perspectiva e parece completamente diferente. Durante a ida tínhamos deixado pilhas de pedras em cruzamentos, para evitar confusões, mas acabámos por fazer a curva errada em algum lado, porque fomos dar a um local desconhecido e depois ainda andámos ali um bocado "fora-de-mão". Até conseguíamos ver o sítio para onde tínhamos de ir, não sabíamos era como lá chegar! Felizmente tudo se resolveu rapidamente, apenas com cerca de 1 ou 2 kms extra.
Pior foi uma amiga minha, aqui há umas semanas, que num treino longo se afastou tanto do percurso que regressar se tornou impraticável. Sem dinheiro e já sem abastecimento, tiveram de correr 3km até à cidade mais próxima e apanhar lá um táxi de regresso ao carro. 30km de treino e mais uns quantos de tarifa. Sim, aconteceu a uma amiga... Não foi a mim, acham?! ;)

De regresso ao carro, e coisa que já começa a ser tradição, caiu uma enorme carga de água. Acho que é a maneira que o Universo tem de me obrigar a fazer treino de velocidade. :)

Aumentar para ver legendas super úteis.

E, estando na Arrábida, como é que se podia terminar o treino sem ir a uma das praias mais bonitas do país?



Treino de areia + visita a local arqueológico de escavações.


Fábrica de Salga de Peixe do Creiro, sécs. I a V.

Acho que quando o tempo começar a aquecer, vão haver mais treinos por aqui. Já tenho saudades de duatlos! ;)